segunda-feira, dezembro 31, 2007

E então, quando tudo parecia sem volta, quando tudo parecia estar escrito e reconhecido em cartório, eis que a personagem acorda de supetão, inspira um monte de ar, com as pernas ainda bambas e o coração acelerado, e olha para os lados se perguntando onde esteve esse tempo todo.

Eu, como não deixei-me adormecer, fiquei acompanhando as indas e vindas da personagem. E agora sei exatamente o papel que me é reservado neste enredo de mentira.

Afinal, sua vida é ou não é ficção?
dezembro, 2007.
dia 31.

o que muitas pessoas não entendem é que ficar esse dia em casa pode ser muito mais divertido do que sair e encher a cara, abraçando pessoas que você nem faz muita questão de abraçar.

Ficar em si, meditando, pensando no futuro, recarregando as energias para a entrada de um ano novo cheio de energias positivas e de realizações assustadoras de tão inesperadas. Ficar com um bom copo de suco de uva, um som a sua escolha no cd-player, seu ronco e sua ceia. De miojo, que seja.

Estou feliz por ficar assim. Me encontrando em cada dia, em cada escolha absurda e errada, em cada erro e em cada investida em um sonho cada vez mais possível e próximo.

Esse sou o novo eu. Um eu pronto para começar 2008 limpo.

sábado, dezembro 29, 2007

A contagem começou. Em uma hora as páginas em branco que aparecem na tela do meu micro precisam estar preenchidas por letrinhas, com fonte definida, com cor definida, com espaçamento e margens também definidos. A caixa invisível, que agora existe dividindo a página em branco, que já nem mais página é, mas apenas a emulação de uma, espera os toques lépidos e prodigiosos que voarão em direção às teclas.

A tarde caia na beira da praia. O sol se punha lentamente, mas mesmo assim as pessoas não paravam de chegar. Atraídas pelo barulho das ondas, pelo prazer de molhar os pés antes da virada do ano, como num processo de purificação. As ondas vinham e levavam os problemas, os pecados, as vontades não ...

E a corda foi puxada.
http://www.afi.com/education/conservatory

Pronto, escolhi.
Escola e curso.

Screenwriting - Master of Fine Arts Degree
na American Film Institute

Mas antes, uma paradinha no Rio.
Afinal, eles precisam de portfolio e de cartas de recomendação.

;)

é, tá tudo bem pensado.

sexta-feira, dezembro 28, 2007




Pérolas Dahmerianas - um dia ainda encontro com ele

Se um mendigo fingir que é uma baleia, as pessoas se juntam para salva-lo.

Deus vende à vista, mas o diabo parcela no cartão.

Deus poderia fazer legumes com gosto de churrasco.

Enquanto Deus assina a carteira, o diabo só contrata prestador de serviço.

Só o Brasil tem a tecnologia para transformar engenheiros em taxistas.
tenho o panettone, apesar de já não ser mais natal.
tenho vários sabores de capuccino.
tenho filmes legais e um bom sofá para vê-los.
e tenho ninguém para dividir isso comigo.

só que não costumo ser muito fã da companhia dele.
sabe o que é bom fazer no fim do ano?
faxina.
hum...
ano interessante para ir morar no mundo.


A provável turnê do Rage Against the Machine pela América do Sul, que está sendo arranjada para São Paulo, Buenos Aires e Santiago para março/abril de 2008, terá não só a companhia da banda Deftones, mas também a do grupo de hip hop latino/californiano Cypress Hill.

(IMPERDIVEL)


o Editors + Klaxons + Yo La Tengo
uma bela trinca. divertida, no mínimo.

Bob Dylan


Interpol


é... o ano promete.
escrevi um monte
pensei um monte
li um monte
e o que mais marcou foi estudar o zen.

Buscar o Satori, entender como ser tudo e nada,
como ser o eu e o não-eu ao mesmo tempo.
e viajar pelo amor que existe no mundo e não em você,
desejando amor para todos, o bem sem ver a quem.

e ser impassível.
estou de volta a Cuiabá.
fiquei 10 dias no rio e me senti em casa de novo.
Li 4 livros em 10 dias.
assisti 4 filmes em 10 dias.

fiquei pensando 10 anos em 10 dias.
não foi fácil fazer o que fiz para estar lá.
coloquei a minha cabeça na forca para poder estar lá.
aqui, podem puxar a corda a qualquer momento.
vivo como um fantasma no lugar onde antes era tá bem recebido.

Acorda, Luis.
que a corda tá apertando.

***

Ia escrever um conto ontem no vôo.
paramos em brasília e liguei o micro.
a aeromoça pediu pra desligar
porque eles estavam reabastecendo.

Meu laptop ia fazer o que com a gasolina? explodir tudo pelos ares?

enfim, esqueci o que ia escrever, perdi as frases que se formavam umas após as outras em minha cabeça...

lembro de pedaços perdidos

Brasilia não me parece uma cidade. Vista de cima, e de perto, não me sinto próximo a ela. Pelo contrário, a cidade me parece distante. Não conseguiria me sentir em casa aqui. Poderia, sim, tomá-la de assalto, impondo minhas vontades, reforçando meus poderes.
Assim, e só assim, essa cidade me aceitaria e eu a aceitaria de volta.

Se não fosse assim, seria só mais um perdido em suas terras. Só mais um, numa cidade onde nomes não são nada. Onde somente os números fazem a diferença.

segunda-feira, dezembro 24, 2007

post bobo para falar de um sentimento nada bobo.

Feliz natal pra todos, sem distinção. Do fundo do coração.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

hum...
vou comprar minha passagem, correr atrás do meu visto e preparar meu inglês.
Será que Róliudi fica assim tão perto?

****

Hollywood
Os Trapalhões

Composição: Enriquez - Bardotti - Chico Buarque

Ói nós aqui
Ói nós aqui
Hollywood fica
Ali bem perto
Só não vê quem
Tem um olho aberto

Ói nós aqui
Ói nós aqui
Hollywood
É um sonho de cenário
Vi um pau-de-arara
Milionário

E eu que nem sonhava
Conhecer o tal Recife
Pobre saltimbancoTrapalhão
Hoje sou mocinho
Sou vizinho do xerife
Dou rabo-de-arraia
Em tubarão

Ói nós aqui
Ói nós aqui
Tem de tudo
Nessa Hollywood
Vi um índio
Cheio de saúde

Ói nós aqui
Ói nós aqui
How do you do
Caruaru
I wanna see
Piripipi

Ói nós aqui
Ói nós aqui
Ói nós aqui
Camelôs, malucos
E engraxates
Aproveitem enquanto
O sonho é grátis

Quem há de negar
Que é bom dançar
Que a vida é bela
Neste fabuloso Xanadu

Eu só tenho medo
De amanhã cair da tela
E acordar
Em Nova Iguaçu

Ói nós aqui
Ói nós aqui
How do you do
Banabuiú
I wanna buy
O Paraguai
Hollywood
And me

Ói nós aqui (vixe!)

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Você ama, ama, ama e adeus parece ser a palavra que sempre é dita.

Não vou mais acreditar em amor, acredito só em despedidas.
Elas sempre, veja como reforço isso, SEMPRE, vêm.

Adendo pós-escrita:
ok, acredito em amor.
Mas sempre acompanhado de despedidas.

****

Hoje, dia 17 de dezembro de 2007, deixei de ser um publicitário.
my legs are sore.
And how i like this word...
Sore.

Always tried to use it in my own language, but there´s not the poetry, the feeling,
the strange accent of life in some words outside their own little linguistic world.

Maybe a shall write a movie or two about the word.
Have you ever thougt about beingn a word?
about any word?

it´s little, it´s nothing afterall, but somehow it´s everything.
they say the best perfumes come from the smallest pack.
the same thing occurs with words.

If it´s small it has charm.
They are cold, Still, Waiting in the ether, To form, Feel, Kill, Propagate, Only to die.

Dissolve Magically, Absurdly, They'll end, Leave, Dissipate, Coldly And strangely Return.

Assim são os sentimentos. Assim é o amor.

The Shins - Those to Come
Uma tristeza absurda se apossou de mim em, exatos, 15 minutos.
Tudo parou de valer a pena. Tudo deixou de ter cores.
O coração acelerado, como uma prévia de crise de pânico, as mãos suadas, o tremor invisível, a náusea, a vontade de vomitar, de chorar e desistir.


Uma tristeza absoluta se apoderou da minha carcaça. O terror existe em cada pequeno pedaço de ar que respiro pesado. Estou preso. E a sensação de não poder ser dono da sua própria vida, da sua liberdade, por míseros centavos é suficante. As paredes se fecham ao meu redor. Me encolho, como um feto, mas não acho o conforto.

Espero os minutos que me trarão alívio em um mês, possivelmente. Um pouco mais, um pouco menos. Os pequenos minutos que posso vir a ter com você. Mais uma vez ao seu lado.

Respiro aliviado. Já tenho um conforto e é nele que colocarei minha cabeça quando for dormir esta noite.
Toca o telefone.
Do lado de lá vem uma voz triste, abatida.

O que aconteceu? o que foi?

Nada, nunca é nada. A gente vai levando a vida,
vai deixando as coisas acontecerem e quando vê,
fica assim. Com essa vozinha...

Então, entre sustos e sobressaltos, uma frase é dita.
Ele sabe que ela é importante e cheia de significação.
Um bom-dia ou, uma boa-noite.
Pode ser o sinal, a frase que espera ansioso por tanto tempo.

O barulho ao seu lado é infernal. Toca o telefone, as pessoas não sabem se
controlar e riem frequentemente, suas risadas de hienas famintas,
pessoas rindo dele, de sua vontade de entender, de conseguir descobrir em
meio às palavras ditas aquelas que tanto procura.

Repete, por favor, não deu pra ouvir.
É sempre assim.

Não conseguindo entender de novo, ele se dá por vencido e desiste.
ok, deixa. Passou. Não dá. O telefone corta a chamada abruptamente.
Só há o tempo para desejar um beijo.
Que não virá.

Ele desliga o telefone e se vira, encarando a turba.
Agora, quando apenas o caos é necessário, há ordem.
Há silêncio. Mas não paz.

Nesse caso, nesse telefone, nessa vida, nunca haverá paz.

**

Em outro mundo, a vida continuou e eles foram felizes para sempre.
Uma pena esse mundo ser de fantasia,
assim como cercas brancas e amores perfeitos.
só para acabar com a confusão:
encontrei com a karla outro dia, no cachorro-quente.
ela tava descalça mesmo.
e tudo vai ficando pelo caminho...
nunca antecipei uma mudança. Nunca fui muito de mudar, para dizer a verdade.
Acho que sei porque.
Agora, estou em Cuiabá, mas daqui há dois meses, talvez menos,
me mudo para o RIO, volto para minha cidade.

E já comecei a morrer.
Morro antecipando despedidas, dizendo adeus para todas as coisas,
lugares e pessoas que talvez esteja vendo pela última vez.
Ou coisas, lugares e pessoas que nem venha a conhecer,
que nem venha a saber.

todas as vezes podem ser a última vez.
E assim, já não vivo mais aqui, mas sim morro a cada dia.
vou morrendo os lugares, as pessoas, as coisas. E quando for meu
ultimo dia aqui, aí morrerei de vez para toda uma cidade.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Era aquela a noite, ele tinha decidido. Karla já estava na dele fazia algum tempo. Eles conversavam, conversavam, conversavam. O tempo voava e não parecia ser justo medir em horas o que passavam juntos. Talvez em risadas, em sorrisos, em assuntos longos e momentos gostosos. Gabriel, mesmo assim, sabia do risco que corria. As conversas aproximaram os dois de tal maneira que um passo em falso poderia significar não somente um fora da menina pela qual ele estava apaixonado, mas também, e muito pior, a perda da amizade de Karla. Mas, pior ainda do que muito pior era a falta do passo definitivo. E sem tomar a iniciativa, Gabriel via, dia após dia, o amor que jurava sentir por Karla se transformar aos poucos em amizade. E isso, seria um adeus a qualquer possibilidade de concretizar os planos de casamento, família feliz, filhos e férias em Bariloche, feitos durante tantas madrugadas sozinhas em seu quarto.

A visita para um trabalho da faculdade estava marcada havia uns dias. O disco estava preparado na vitrola. A agulha, sedenta por tocar alguns clássicos para ouvidos enamorados. Na geladeira da república, além das garrafas de água e cerveja, um Martini, bem docinho, que Karla adorava bebericar quando saia com as amigas. Os livros de veterinária, sobre a mesa, não entregavam o esquema armado. Se no final das contas, não surgisse a oportunidade, bastava fecha-los e agradecer mais uma ajuda na hora de estudar. Ou então, agradecer o que de verdade acontecia entre eles, mais um encontro mágico entre duas pessoas que se admiravam e se nutriam mutuamente de pensamentos, palavras e desejos.

A campainha toca. Gabriel voa para a porta, onde do outro lado, ela o espera. Seu perfume não respeita as convenções e, sem ser convidado, invade, por frestas e buracos na fechadura, a sala de estar. Ainda tonto, Gabriel deixa um oi escapar. O abraço é quente e o perfume ainda mais próximo, invade não só suas narinas, mas cada pedaço de seu corpo, sua mente, seu coração.

Senta aí, vou pegar os livros.

Karla não teve problema em achar o pufe mais macio da pequena sala. Ela já tinha tido tempo o suficiente para conhecer cada pedaço da república. Uma quase moradora, de tanto tempo que passava lá. Era assim desde que conhecera Gabriel. Aquele garoto sentado num canto da sala, com óculos de aro grosso emoldurando olhos cheios de uma voracidade intelectual em uma cara de moleque. Com a linda boca pequena e sua barba falha. Desde o primeiro dia, a identificação com seu novo colega de faculdade foi imediata, intensa e correspondida.

Gabriel chega e se joga no pufe ao lado do dela. Os livros, largados, voam para o chão.
Pronto, vou ler para você.
E assim, começa a revelar o capítulo, palavra após palavra. Um mantra discorrendo sobre músculos e ossos de cavalos, hipnotizando Karla que já não sabia mais se estava ouvindo a voz de Gabriel ou se viajava em ondas sonoras passeando por rincões desconhecidos do mundo irreal de sua cabeça. As frases iam, as páginas eram viradas rapidamente, o tempo mais uma vez deixava de existir em segundos, minutos e horas.
A hipnose foi interrompida por uma pergunta. Ela ainda meio inebriada, respondeu. Mas o que respondeu? O que ele tinha perguntado?

Era agora, sabia. Não podia perder mais nenhum segundo. Ler esse capítulo inteiro tinha tomado um tempo precioso. Ela respondeu que sim, podiam ficar ouvindo música. A velha vitrola, pronta para rodar, foi ligada. O som da agulha vasculhando os sulcos do LP apareceu nos falantes. O disco do Roberto Carlos começou, aos poucos a tomar cada pedaço da sala. Karla riu. Roberto Carlos? Presta atenção na letra. Roberto Carlos é um gênio. Risos. Palavras saiam de suas bocas como abelhas em busca do mel. A doçura de cada um só era percebida pelo outro. Mel em forma de perguntas e respostas, mel em forma de sorrisos e movimentos. Karla sabia que estava se entregando. Gabriel sentia que aquela perna dobrada noventa graus, apontando para o céu, como uma criança feliz, entregava-a para ele. Fim do primeiro ato.

O lado B do disco começou a tocar. O Martini já esquentava nos copos. O desejo fervia em ambos os corpos. Os toques começaram a acontecer de forma mais desinibida, como dois bons amigos se tocam quando estão felizes, rindo da vida que parece ser sempre leve ao lado de quem se gosta. Era agora, sofria. Gabriel tocou a mão de Karla. Mas milésimos de segundos depois do toque que selaria para sempre a tentativa, o ataque frontal, antes que qualquer coisa pudesse acontecer, antes mesmo que Karla pudesse perceber que aquele não era um toque comum, um toque estranho atrapalha a música, o Martini, a risada. É meu celular, deixa eu atender. Estaca zero.

Nossa, tá tardão. Preciso ir, mesmo. Ela pega a bolsa, calça sua sandália, ajeita o cabelo e olha para Gabriel, perdido ainda entre pufes e olhares mágicos. Eu te levo lá embaixo. Aproveito e como um cachorro-quente na esquina. O Martini me deu fome.
E, descalço, sai de seu mundo perfeito. Roberto se cala, os copos vão para a pia e cheios de água, afogam a esperança que quase se materializava dentro deles momentos antes.
A porta já não se abria para o perfume, mas para deixá-lo ir por completo. Não foi, não deu, nunca mais vai acontecer. E Karla chama o elevador. E chama Gabriel, como num suplício, com um olhar. Ele se desvia, temendo as conseqüências.

É agora, eu sei. Karla não precisa pensar mais. Em direção a Gabriel vão boca, cheiro, corpo, mãos, pensamentos. Sei que vou me arrepender, mas...
A frase termina em um beijo, um leve toque de lábios. Suas bocas enfim se encontram. E os dois percebem que isso não era nada demais. Não era um passo maior que a perna. Não era algo a se temer porque, antes das bocas, suas almas haviam se tocado, seus corações haviam estado juntos por muito tempo.

E então, vamos comer o cachorro-quente?
Ela riu.
Mas você está descalço...
Eu adoro andar descalço.

Ainda hoje Gabriel e Karla comem cachorros-quentes juntos, tarde da noite, como se fosse aquele primeiro dia. E Gabriel, desde então, só anda descalço.
Once I called this weblog, the blog of repetitions.
And yet it repeats itself.
And still I repeat myself,
with the same mistakes,
with the same misleads,
with the same sour taste in the mouth.

It´s only life afterall.

***
I´ll try to write more and more in another language,
so I can draw my dreams nearer .
***


Cool of a temperate breeze from dark skies to wet grass
we fell in a field it seems now a thousand summers passed
when our kite lines first crossed
we tied them into knots
and to finally fly apart
we had to cut them off.

Since then it's been a book you read in reverse
you understand less as the pages turn
or a movie so crass
and awkardly cast
that even I could be the star.

I don't look back much as a rule
and all this way before murder was cool
but your memory is here and I'd like it to stay
warm light on a winters day.

Over the ramparts you tossed
the scent of your skin and some foreign flowers
tied to a brick sweet as a song
the years have seemed short but the days go slowly by
two loose kites falling from the sky
drawn to the ground and an end to flight.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Gosto de conversar com Deus.
Isso pode soar estranho, mas rezo sempre.
Peço perdão pelos meus erros e clarividência nas minhas decisões.
E, é foda, mas é verdade, sempre obtenho as respostas que procuro.



Elas estão dentro da gente, o tempo todo, mas só a fé as faz
aparecer de repente, no meio da noite, num telefonema,
numa mensagem de celular, num sonho bom.
Data de validade

Tudo na vida tem prazo de validade. A própria vida tem prazo de validade.
Vitória tinha passado do prazo de validade fazia muito tempo.
O de Cuiabá está chegando. Meu prazo como redator pode estar chegando ao fim, também.
Vai saber...

O engraçado é começar as coisas em Cuiabá, sabendo que daqui a dois meses vou estar morando em outra cidade. Então, tudo aqui começa com prazo de validade curto e urgente.
Foi assim. Mas o mais engraçado é que o prazo de validade, desde o começo, não tinha sido escrito por mim.
O que começou, começou com dia para acabar. Talvez só não soubesse como.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Com um computador, cheio de memória, bluetooth, internet wireless, você pode fazer muita coisa.

Com uma caneta e um pedaço de papel, você pode fazer mais.
O importante é você se sentir bem.
O importante é você se sentir leve.

O que importa é olhar pra frente.




eu me sinto bem.
eu me sinto leve.
agora, tenho que aprender a olhar para frente.
Resolvi.
Quero ter um filho.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Podem parar.
Eu parei.
Escuto, faz tempo, o último trabalho do Skank. Comprei, como disse que iria comprar, por 10 reais nas Americanas. E com o tempo, fui descobrindo, reparando, garimpando detalhes e então, matando as letras, uma por uma.
Devo dizer que os caras, se esmeraram e criaram alguns dos versos mais bonitos do rock nacional em muito tempo. Nem Los Hermanos chega perto. MESMO!
Por isso, vou lotar isso aqui com letras desse disco. Leiam e ouçam, se quiserem as músicas em Streaming no site oficial deles:
www.skank.com.br


ATÉ O AMOR VIRAR POEIRA

Quem te disse que eu não mereço
Uma pobre migalha de atenção
Quem te disse que eu desconheço
A tal milenar arte do amor

Captura minhas intenções
Me atura no coração
Seja então menos exigente
Porque a gente já tem o bastante

Você tem outras qualidades
E pode me dar as costas
Até o amor virar poeira

Só não compensa
Apagar a chama, negar os fatos
Sua presença
Como um sol me chama a vida inteira
Ilusão, eu quero crer que não

Quem te disse que eu não consigo
Parar numa próxima estação
Quem te disse que eu não desligo
O cabo dessa televisão

Meu amor, vamos dar o fora
Chorar em comédias outras
Até o amor virar poeira


O SOM DA SUA VOZ

Não me deixe na chuva não
Não me tire do coração
Não me diga que vai sem mim

Já conheço esse teu olhar
Uma luz a se afastar
A quilômetros daqui

Não me deixe na noite não
Na travessa da desolação
Não me diga que quer assim

Porque ali não há calor
Não há luz nem há razão
E não há o teu riso

Tudo está tão certo, não está?
Vem aqui mais perto, vem mostrar
Vem dizer aonde vai seu olhar
Quando a noite estender seu manto sobre nós
Meu abrigo então será o som da sua voz


LUGAR

Voltei pra ler aquele olhar
De um amor que a gente mesmo escreveu
Que foi guardado sem pensar
Nas linhas de um desejo meu
Fiquei olhando todo espaço
Recriando um compasso seu
Sorri sonhando em qual gaveta
Nosso amor se escondeu

Mas guarde seu nome pra mim
Seu dia eu não deixo mais ter fim
O vento arde em versos por saber
Nessa tarde o sol é só por você

Chorei por ver nesse lugar
O que a palavra já teceu
Sou do seu tempo um retrato
Quando meu sonho era todo seu
Sorri por ver no nosso amor
Todas as portas pra você e eu
Fiquei pensando em qual cometa
Nosso amor adormeceu

Mas guarde seu nome pra mim
Seu dia eu não deixo mais ter fim
O vento arde em versos por saber
Nessa tarde o sol é só por você


ANTITELEJORNAL

Hoje nasce meu filho
Hoje vou me casar
Hoje dentro do espelho
Vou poder enxergar

Pais, mães, irmãos
Ruas, bairros, cidadelas
E o quintal dos corações
Onde moram as coisas belas

Hoje vou namorar
As solteiras e as casadas
As jovens, as carquebradas
As lindas e as descuidadas

Meu amor vai se espalhar
Pelas camas e calçadas
Nas prisões e condomínios
Nas favelas e esplanadas

Sem farsa, conchavo, sem guerra
Sem malta, corja ou trapaça
A vida é um drible ágil
Entre as pernas da desgraça

Hoje eu vou inventar
O antitelejornal
Pra passar só o que é belo
Pra passar o essencial

Hoje andarei sobre as flores
Amarelas do ipê
Espalhadas pelo chão
Antes de anoitecer

Cantarei no meu velório
Dançarei nos braços da vida
Dormirei com a minha amada
Vida boa de ser vivida

Sem farsa, conchavo, sem guerra
Sem malta, corja ou trapaça
A vida é um drible ágil
Entre as pernas da desgraça

Hoje eu vou inventar
O antitelejornal
Pra passar só o que é belo
Pra passar o essencial


***


E isso tudo, mesmo assim, parecendo muito é tão pouco e tão nada perto da viagem que as melodias e as letras levam você...
Engraçado como algumas escolhas que você faz, algumas atitudes que você toma ainda são capazes de surpreender a você mesmo. Não se surpreender com sua maneira de viver, admito, deve ser um passo para a morte. Porque deixar a rotina virar tudo o que você tem, quando a vida, tão curtinha, é tudo menos rotina?

*****

Ana acordou sozinho no meio da noite. Olhou para o lado e viu o espaço vazio em sua cama de casal. Sua agora, depois da separação. A cama, antes, era deles, dos dois.

O travesseiro, engraçado, continuava lá. Era fofo e alto, do jeito que ela não gostava. Mas Ana ainda não tinha encontrado forças para tirá-lo da cama. Como se estivesse esperando que Lúcio um dia ainda voltasse, mesmo após tanto tempo de divórcio. O travesseiro, que ela não usava, era um mimo, um alento nas noites escuras e frias, onde a solidão batia forte. Um abraço e um cheiro era tudo o que precisava para encontrar a paz.

O antigo short que Lúcio usava para dormir também ainda estava no armário, dobrado, próximo aos cobertores. Esse short inclusive já havia causado algumas cenas constrangedoras, como na vez que Ana levou um outro homem para dormir em sua casa. Ao abrir o armário para pegar as cobertas, o outro se assustou e perguntou evidentemente amedrontado se ela era casada. Naquela noite, as lágrimas vieram com muito mais intensidade do que o gozo.

Os porta-retratos, vazios, em cima dos criados-mudos esperavam uma oportunidade de serem preenchidos, como seu coração, que já havia tempos não conseguia se sentir cheio e pleno. Lúcio fazia falta, até mesmo nos porta-retratos.

Ana ligou o abajur e um pequeno facho de luz fria iluminou seu lado da cama. A mesma luz que incomodava tanto Lúcio em seu sono agora poderia ficar ligada a noite toda se assim ela quisesse. Sua vida era uma cartilha onde ela mesma havia escrito as regras. Mas a primeira delas, esquecer seu maior amor e seguir vivendo, não tinha sido levada a efeito. Ana era uma refém de sua casa, de sua cama, desse travesseiro que trazia tantas gotas de suor e de lágrimas.

Suas mãos buscaram na primeira gaveta do criado-mudo, um monte de fotos antigas. Eram fotos bobas, suas e de Lúcio, sorrindo, como há tempos já não fazia. Em momentos leves, abraçados, se beijando, brincando para o filme, para a lente. Pedaços de uma vida impressos em papel, em suas memórias. Ana viu e reviu todas as fotos. A sensação não era de tristeza, era, se tanto, de remorso. Remorso por ter sido tão feliz e não percebido. Remorso por ter tomado uma atitude impensada e trocado a felicidade que parecia tão comum e casual, a ponto de enjoar, por umas noites com a luz acesa.

Ana colocou as fotos de volta na gaveta e se levantou. Com apenas um fiapo de luz, se esgueirou pela casa até a cozinha. A luz da geladeira iluminou o breu que penetrava não só pela casa afora, mas Ana adentro. Entre folhas de alface, tomates e cenouras, uma jarra com suco de uva. Um copo, um gole.
Ana deixa o frio do líquido escorrer. Dentro sente seu calor ir embora. Ela não sabe se febre, se desconforto. O caminho para a cama é automático, passando por estantes agora vazias, entre sombras e escuridões. Caminhando passo a passo, sem ver para onde, mas com a certeza de seu destino. O quarto e sua luz fria, fria como agora Ana se sentia, se aproxima. Passo após passo, chega à cama. Ela se deita, se cobre. Fecha os olhos.

Ana se vira de um lado para o outro, se ajeita, se aconchega. Abre os olhos. O travesseiro ainda está lá. Pela primeira vez, seus braços buscam o travesseiro vizinho para descansar sua cabeça. O conforto não é o mesmo. Ela só sente estranheza, distância. Ana fecha os olhos mais um vez e, suspirando, pensa em como seria bom se o travesseiro de Lúcio trouxesse com ele um sonho feliz. Ana e Lúcio juntos, comendo peixe ao lado do rio. Ana e Lúcio juntos rindo de uma comédia boba na TV. Ana e Lúcio dividindo um sorvete. Ana enfim dorme tranqüila.
blog não é lugar para se escrever quando se está com a cabeça quente. como em casa, só há conexão com a internet em um quarto quente (a cabeça fica quente, por consequencia), prometo escrever só amanhã, então. No trabalho, com arcondicionado, fica mais fácil pensar.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

And take a little walk when the worst is to come
When I saw you looking like I never thought
And say you're at a loss or forgot that words can do more than harm

The town is gonna talk, but these people do not
See things through to the very minimal
But what's it gonna cost to be gone?
If we see you like I hoped we never would

When eyes can't look at you any other way,
Any other way, any other way
When eyes can't look at you any other way,
Any other way, any other way

So take it as a song or a lesson to learn
And sometime soon be better than you were
If you say you're gonna go, then be careful
And watch how you treat every living soul

When eyes can't look at you any other way,
Any other way, any other way
When eyes can't look at you any other way,
Any other way, any other way


Band of Horses, ladies and gentlemen

quinta-feira, dezembro 06, 2007

O jornal O Globo aqui em Cuiabá, no meio da América do Sul, custa a bagatela de 9 reais aos domingos. Aí a pergunta que fica é: vale?

Bom, ainda pensando ser 6 reais, o último preço que paguei pelo diário dominical, pedi um exemplar. Na hora de ver o valor no comprovante do cartão de débito me assustei.
Mas quer saber, tem coisas que não tem mesmo preço, como diz o comercial do Mastercard.
Em primeiro lugar, o Globo de domingo vale por toda a semana.
Tem artigos escritos por Veríssimo, João Ubaldo, Ancelmo Góes, Agamenon, FHC e mais uma galera. Nada que se compare a jornais locais. Nem dá pra comparar.
Depois ainda tem a Revista, uma publicação monstra que valeria 10 pratas em qquer banca de jornal. Várias reportagens legais, mas o mais importante, uma falando dos verões cariocas e dando as dicas de A a Z para curtir o verão 2008.
Excelente. Vejo aquilo, leio aquilo e me sinto em casa. CASA.

***

Lendo o FHC, tive uma epifania.
Quando leio algo que outras pessoas escreveram, estamos, mesmo que apenas um pouco, dentro da mentalidade, da razão, do pensamento dessa outra consciência.
Podemos não concordar com o que é dito, mas saberemos exatamente o que a outra pessoa pensa e que posições ela toma para a sua vida. A não ser, é claro que ela seja uma charlatã de duplo sentido, escondendo a realidade em joguetes de palavras, estamos diante de um cérebro, de um pensamento em cima do papel.
Sei lá porque pensei nisso quando lia o nosso ex-presidente. Porque, talvez, ele tenha se dado o tempo de pensar naquilo, linha após linha, escrever e revisar (talvez) seu texto. POrque aquela produção científica (ou não) é dele, pessoa, e só dele. E no entanto, fez questão de dividir conosco, através do jornal.

Pensando assim, a literatura e a escrita são as formas mais altruistas de comunicação existente. Você escreve o que pensa e abre mão disso, se expondo e se mostrando, sem muitos véus, para quem quiser, e souber, ler-te.

***

Por isso me orgulho tanto em ler coisas publicadas por pessoas que gosto e que fazem a diferença em minha vida. Quando serei eu a ser lido? Quem sabe mais rápido do que eu mesmo penso...
Parei para pensar em quantos filmes já vi na minha vida. Principalmente porque nessa semana devo ter visto uns seis pelo menos. Aí fiquei matutando isso, essa coisa com o cinema, com os filmes, com suas histórias.
E devo usar esse espaço aqui para um agradecimento formal à minha família que sempre teve como hábito levar as crianças ao cinema. Sei que muitas vezes não é lá o lugar delas, mas é tão legal poder levar uma criança ao cinema.

***
Depois, já nem tão criança, ia com minha tia ver as sessões noturnas, de preferência as últimas, com uma passada estratégica no Mcdonald´s depois do filme. Pude ver filmes europeus e independentes americanos. Pude formar meu gosto e minha personalidade a partir dessas sessões e das conversas que as seguiam. Posso dizer que devo a minha tia muito do que sou hoje e praticamente toda a minha veia intelectual surgiu da admiração que tenho por sua inteligência e experiência.
***

Proponho-me, aqui, a ser o primeiro a levar minha afilhada ao cinema. Um filme infantil, claro. Desenho animado, de preferência da Disney.
Porque essa é uma tradição que deve ser mantida. A qualquer custo.
***

E aí, viajando nas memórias afetivas, tenho uns filmes que assisti no cinema que mexem comigo até hoje, por N razões. Vou falar de alguns deles.

ET – fui com meu pai e fiquei de olhos fechados, na verdade olhando por entre os dedos, durante todo o filme. Rendeu um trauma de infância e o terrível medo de vidas extraterrestres.

Minha vida de cachorro – belíssimo filme sueco que marcou minha vida com uma cena: céu estrelado e o menino do filme pensando na Laika, a cadela enviada ao espaço pelos russos.

Leolo – Outro filme de garoto, poético, mágico.

Cães de aluguel – Como assim, um novo cineasta americano? Era SÓ a estréia de Tarantino!!!!

He-Man and The masters of Universe – Nesse fui com minha avó e ela, no fim, se empolgou e começou a gritar junto com a platéia. : )

Willow – Véspera de Ano Novo. Ou dia 30 de dezembro. Uma tarde de bobeira em Copacabana na casa da minha tia-avó, com minhas primas de Santa Catarina.

Labirinto - até hoje um dos filmes da minha infância/vida.

Todos dos Trapalhões – Férias no Rio só eram férias no Rio se tivessem filme dos Trapalhões. Ia até o escritório do meu avô e de lá pra o cinema.

Howard, The Duck – Outro filme de férias.

Warlock, o Demônio – Cinema no Lido, à noite.

Johnny Mnemonic – Ultima sessão de domingo, resolvi ir ao cinema. Tinha recém-tirado a carteira de motorista.

Forrest Gump – Depois, na época da faculdade, antes de encontrar companhia para filmes, ia toda segunda, depois da aula, ao cinema. Sozinho.

JFK – meu primeiro filme totalmente sozinho, no Rio.

O Senhor dos Anéis: A sociedade do anel – correria de Vitória para (quase) Jacaraípe, para assistir ao filme em uma pré-estréia de graça. Valeu todo o esforço.

O Senhor dos Anéis: O retorno do rei – só de lembrar de como fiquei arrepiado na primeira vez que o vi e de como foi horroroso passar pela primeira crise de síndrome do pânico na segunda vez...

Réquiem por um sonho - na mini-sala da Casa Laura Alvim, Ipanema, domingo às 18 horas.

Jogos, trapaças e dois canos fumegantes – abrindo minha temporada de um ano no Rio, de 99 a 2000. Na mini-mini-sala do Paço Imperial.

Big Fish – belíssimo filme do Tim Burton, que fez eu rever minha relação com meu pai.

O carteiro e o poeta – pelas lágrimas que levei orgulhoso para fora da sala de exibição.

Xará, como é difícil se lembrar de todos os filmes. Tenho certeza que esqueço uns tantos, bem importantes...
Mas quem disse que preciso terminar por aqui? Conforme for me lembrando prometo colocar aqui os filmes vistos NO CINEMA que ajudaram a escrever minha história.

quarta-feira, dezembro 05, 2007


Taí a foto que não me deixa mentir.
Já fui mais alto que meu irmão.
Muito magro.
E gostava de Suicidal.
Isso deve ter uns 14 anos, pelo menos.
momento bobeiras:
ontem fui num sebo .
promoção de cds
tudo a dez reais

deixei pra trás algumas coisas como os Concrete e Digimortal do Fear Factory.
mas trouxe
Betty do Helmet
Bigger than the devil do SOD
La Sexorcisto do White Zombie
Fabulous DIsaster do Exodus (pronto, posso me livrar do K7)
e um aí do Limp Bizkit, porque Wes Borland toca pra caralho. hahahaha
Hoje me liberto das amarras do tempo.
Como explicar isso?
bom, hoje volto a me conectar em casa.
Largo a necessidade de ter que pagar as contas nas filas dos bancos.
Deixo de precisar esperar até às 18 para acessar o youtube aqui na agência.
Ou o orkut.
Deixo de existir na rede somente das 8 às 18 (com fuso de uma hora a menos do que Brasília)para ter todas as horas a minha disposição.
Passo, a partir de hoje, a ser mais presente no mundo virtual.

Dito isso completo:
É uma pena, mas vou sentir falta da vida.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Em alguns dias, segundo os horóscopos por aí,
terei muitas chances de sucesso.

Aí começam a pipocar
coisas,
oportunidades,
idéias malucas,
chances...

E eu fico perdido. Não. Não dessa vez . Podem rir, mas não me perderei.
Está tudo lá, escrito. Devo seguir. Dessa vez, está certo.
Como dois e dois são quatro. E, por favor, matemáticos, não venham me negar.
Sei o que devo fazer. O medo, o receio, trabalham contra.
Mas meu peito está aberto. E é para ele que os dedos serão apontados
depois de corrigir meu rumo.
(...)and lose yourself in lines dissecting love.

é o que mais tenho feito. me perdido em linhas, dissecando o amor.
Mas existe a forma de se dissecar um sentimento?

você não sabe como ele é . Você não sabe como ele cheira.
você não sabe nada, até que ele vem e aparece.
então você percebe que aquela sombra para qual você não deu a necessária atenção
era a sombra do sentimento sobre sua cabeça.
e se pergunta qual era mesmo a forma que ela tinha antes de sumir dentro de você.
E não existe memória. não existe memória.

Aí não tem jeito.
A solução é se perder em linhas, dissecando o amor.
Filmes, filmes, filmes.

Asissti alguns exemplares este fim de semana.
Alguns bons, outros fracos, alguns mais ou menos.
Mas fim de semana de filme mesmo vai ser este agora com aula de fotografia na pós.

Preparem-se para mais um sábado inteiro de aula e, de gruja, um dominguinho pela manhã.

sábado, dezembro 01, 2007

Amanheci torpe.
As horas de descanso já não são mais usadas. Em tempo, resolvi abrir mão do rejuvenecimento oferecido pelas horas escuras, e escusas, da noite.
Tenho noção da falta que me faz a razão.
Buscar a clareza necessária aos pensamentos se torna uma batalha , travada pela manhã, após as badaladas do relógio.
O café desperta os sentidos, vertido aos borbotões, em meio a bons dias e passos perdidos. O caminho, mais uma vez o caminho, é trilhado. Plugo-me ao mundo e virtualmente me encontro. Aos poucos. Esse agora sou eu.

Ainda me faltam as palavras. Ainda me falta o toque.
Desperdiço minutos feitos de ouro em minhas carências.
E anoiteço em sanidade. Estou pronto para, enfim, viver as horas que me são reservadas ao descaso. Amanhã, já não sei.
Ou sei?
Amanhecerei torpe.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Por que eu amo o Shins?
Porque só eles podem fazer uma música como essa.


The Shins - Pink Bullets

I was just bony hands as cold as a winter pole
You held a warm stone out new flowing blood to hold
Oh what a contrast you were
To the brutes in the halls
My timid young fingers held a decent animal.

Over the ramparts you tossed
The scent of your skin and some foreign flowers
Tied to a brick
Sweet as a song
The years have been short but the days were long.

Cool of a temperate breeze from dark skies to wet grass
We fell in a field it seems now a thousand summers passed
When our kite lines first crossed
We tied them into knots
And to finally fly apart
We had to cut them off.

Since then it's been a book you read in reverse
So you understand less as the pages turn
Or a movie so crass
And awkardly cast
That even I could be the star.

I don't look back as much as a rule
And all this way before murder was cool
But your memory is here and I'd like it to stay
Warm light on a winter day.

Over the ramparts you tossed
The scent of your skin and some foreign flowers
Tied to a brick
Sweet as a song
The years have been short but the days go slowly by
Two loose kites falling from the sky
Drawn to the ground and an end to flight.

E se tudo na vida se resumisse a míseras 12 horas.
Sim, 12 horas, o tempo que separa o dia da noite.
O fuso horário entre Brasil e Japão.
O tempo de ir daqui do Brasil para Inglaterra
O tempo de uma noite muito bem dormida.
O tempo entre a vida e a morte se você precisar de oxigênio, em uma nave espacial rumo a Marte.
O tempo que pode roubar um sorriso do seu rosto e, em vez disso, deixar apenas um gosto amargo.
O tempo de ver que tem coisas na vida que não são tão importantes, como se preocupar na quantidade de ãos juntos quando se escreve não, são e tão.
O tempo de se perceber em segundo ou terceiro plano.
O tempo de rever sua importância para o trabalho, para as pessoas, para você mesmo.

12 horas que podem virar sua vida de cabeça para baixo se você comprar uma passagem para outra cidade e viajar.
Se você aceitar, nesse meio tempo, uma proposta de emprego de bem longe.
Se você responder aquele e-mail esquecido no fundo de sua caixa de entrada.
Se você encontrar uma pessoa no elevador e lhe oferecer um bom-dia.
E 12 horas depois, coincidência das coincidências, uma boa-noite.


***

Os egípcios achavam que todo dia o sol morria no oeste. E que durante a noite ele percorria o mundo dos mortos até ressuscitar, 12 horas depois, no leste.
12 horas para morrer e ressuscitar novamente. Todos os dias. Várias vezes.

daqui a 12 horas nascerei de novo.


***

De 00:52 a 12:13 não chegam a passar 12 horas.

Na minha frente, a página em branco. À minha direita o pedido de trabalho.
A barra de espaço agarrando vez ou outra. Já pedi para mudarem meu teclado, mas não se importam. Não preciso mesmo de teclado, para quê? Sou apenas um escritor de anúncios. Espaço quem precisa é criador. Espaço para pensar, espaço para sair do real e buscar do outro lado algo que distraia as pessoas da mensagem de compra. Pra que assim elas comprem. Espaço para sorrir e rir, ato essencial para o ato de criação.

***

Toda criação é um gozo. Nascemos disso, e toda vez que conseguimos criar algo, um pensamento, um raciocínio, um texto, um sentimento, temos prazer.
Vivemos em busca, e para, encontrar o prazer. E ele está lá. Em uma garfada de qualquer prato nunca provado, em um gole de uma nova bebida, na sensação de tocar uma outra pessoa e assim conhecer a sensação de uma pele que não a sua, na troca de informações também conhecida como bate-papo. O prazer também está em dar risadas, abraçar amigos e se sentir querido...

***

O pedido de trabalho parece querer me falar alguma coisa. Ele se apresenta, diz para quem deverá ser o texto, para que público-alvo, para quando e em qual jornal deverá ser publicado o anúncio. OK, pedido de trabalho, agora eu o reconheço. Mas, perdão. Mesmo depois de toda a sua apresentação não sou capaz de dizer muito prazer.

quinta-feira, novembro 29, 2007

LADIES AND GENTLEMEN

we´re floating in space!!!!!!!!!!!!

olha os arquivos aí do lado!!!!!
reencontrei-os perdidos pelo espaço.
São quase 6 anos de blog.
São personalidades múltiplas e divergentes.

Escolhi ficar mais velho.
Fiquei melhor.
Segunda à noite escrevi uma frase num envelope do Banco:
- A vida é feita de saudade.

Parei para pensar e percebi que é isso mesmo.
Temos um caminho pela frente, a seguir, chamado vida.
E a cada dia que passa deixamos sensações pelo caminho, e pessoas e lugares.
Deixamos segundos vividos, nossas idades. A infância, a escola, os avós e sua magia,
a adolescência, o primeiro beijo, o abraço apaixonado da primeira namorada.
Vamos vivendo e deixando para trás dias, meses e anos de saudade.


***
(Num dia normal de melancolia e tédio pós-batida-de-ponto terminaria esse texto aí de cima nesse ponto. Mas como estou em outro clima, vamos adiante.)
***

Mas a saudade é passado. E o passado foi vivido e bem vivido, senão não deixaria saudade.
O grande pulo do gato se dá quando percebemos a importância do passado, das experiências, e sentimos saudades dele, sem nos prendermos ad infinitum ao que passou. Afinal, não dá pra ter saudades do futuro, que ainda não se fez diante de nós. Saudade, não. Mas que tal excitação? Que tal felicidade em poder contar com um futuro, com uma possibilidade? Poder escrever tudo novo, novamente.

entre ler e escrever, sempre preferi o segundo. Mesmo que por linhas tortas.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Então hoje posso escrever sobre o que quiser.
Vamos pensar sobre a vida. refletir.
caminhos são feitos para serem trilhados.
Mas nos permitimos seguir por atalhos, sem saber por onde nos levarão.
Muitas vezes o destino final dessa caminhada, via atalhos, é tão diferente do que tínhamos proposto no início, que fica difícil voltar atrás e achar o exato ponto onde nos perdemos.

Meu caminho é como o de Alice, corrido, atrás de coelhos brancos,
fugindo de cortadores de cabeça, dividindo um sorriso com um gato que teima em dormir
na garagem do condomínio e que, se bobear, começa a aparecer dentro de minha casa.
Meu caminho é como o de Dorothy, cheio de amigos sem coração ou coragem, que são perfeitos mesmo assim, e feito com pedras douradas.
Meu caminho é como o de Forrest Gump, repleto de erros e corridas absurdas, só porque tive vontade de correr.

Esse meu caminho vai ter um fim, um dia. Mas até lá, vou tê-lo percorrido com todo o meu coração, atrás de cada pedaço de sonho que teimar em aparecer na minha frente.
Top 5 - músicas para quando você acorda atrasado

The Hives - A.K.A. I.D.I.O.T.
Arctic Monkeys - Brianstorm
White Stripes - Fell in love with a girl
Ramones - Commando
Motorhead - Ace of Spades

Porque todo mundo deveria ter uma loja de discos que abrisse na hora que você quisesse.
Assim como Rob Gordon.
O ser humano.
O ser. O humano.
o que é ser o que é humano?
como ser sem ser humano?
como ser humano sem o ser?
E se...

terça-feira, novembro 27, 2007

''Miedo de perder-te, adiós amor que já me voy, e muito em breve eu parto mesmo... Faz quatro noites que não durmo. Meu coração despedaçado não aguenta mais. Até que a morte me separe e reintegre'

Torquato Neto
top 5 - músicas para começar do zero

Datarock - fa fa fa
Metallica - four horsemen
Foo Fighters - The Pretender
Liars - Plaster Casts of Everything
QOTSA - Sick, Sick, Sick

porque todo Rob Gordon precisa levantar a cabeça e seguir adiante

segunda-feira, novembro 26, 2007



because sometimes is good just to be plain evil

Top 5 - músicas para despedidas

Coldplay - Warning Sign
Los Hermanos - Veja Bem, Meu Bem
Death Cab For Cutie - Your Heart Is An Empty Room
Thom Yorke - Black Swan
Pinback - Boo



Porque todo mundo tem um Rob Gordon dentro de si.

sexta-feira, novembro 09, 2007

apostas para o fim de ano -

Fáceis de achar, fáceis de gostar
We are wolves (se vc gosta de Chikinki, Death From Above)
Gallows (se vc gosta de Refused, Motorhead)
Reverend and the Makers (se vc gosta de Franz Ferdinand, Kasabian)

Dificeis de achar
Alberta Cross
The Brought Low

Fáceis de achar, dificeis de gostar
Vampire Weekend (já foi até parar no Lucio Ribeiro)


quer ouvir isso e muito mais música boa?

Dia 22/11 no Kokeshi, na Rua da Lama.
Taylor, Kalunga e Tco tocando o terror
na molecada.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Aqui antes

The Hives - The Black and White Album

Imagine que por alguns minutos você decide fechar os olhos e parar de enxergar. Então um amigo te chama para ouvir um disco que ele acabou de comprar. Você, de olhos ainda fechados, aceita. Ele abre a capinha, retira o cd com o maior cuidado, coloca-o no som e dá o play. Com 20 segundos de audição, seus olhos não só já estão abertos como você também está gritando e pulando de um lado para o outro, junto com o seu amigo. Sem dúvida é um disco novo do Hives.

Sejam bem-vindos, diz Tick Tick Boom, a primeira faixa a vazar na internet, e que abre o quarto disco de estúdio do quinteto sueco: The Black and White Album. Bem-vindos e preparem os terninhos de corte reto, parece dizer a música, enquanto você acompanha o mostrador digital passa do 1 para o 2. Você já pulou do 110 para o 220, acompanhando a energia que só Howlin' Pelle Almqvist, seu irmão, Nicholaus Arson e cia. conseguem imprimir em cada uma de suas músicas. Está no DNA do Hives: Rock garageiro, rápido, com muita melodia e uma baita mão para encontrar e destacar aqueles detalhes que transformam uma música comum em uma que você não consegue tirar da cabeça.
A segunda música, assim como a terceira, mantém a pegada e tiram o fôlego de qualquer ser humano normal. Aí temos um espaço para respirar, para uma troca de marchas na quarta faixa e o pé volta a pesar em cima do acelerador. Hives com tudo em “Hey Little World”, “Square One Here I Come”, “It Won't Be Long” e “Bigger Hole To Fill”. Estas duas últimas, capazes de tocar em qualquer rádio com um gosto um pouco mais refinado. Até quando fazem algo diferente, totalmente fora de sua praia, como em “T.H.E.H.I.V.E.S.” e “Giddy Up”, os caras conseguem acertar. Afinal, não podemos perdoar um erro em apenas 14 faixas e pouco mais de 45 minutos. O Hives não precisa se alongar muito para passar, bem, seu recado. E não se assustem: a taquicardia ao final da audição é normal. Um preço justo, digamos assim, por ouvir mais uma grande disco de rock

terça-feira, novembro 06, 2007

tenho o péssimo hábito de não revisar meus textos.
então perdoem qualquer erro no daí debaixo.
Maria e não Maria

Maria era uma menina normal. Tinha seus 20 e poucos anos, como na música de Fábio Jr. E apesar da pouca idade, já havia sentido mais, muito mais, do que qualquer pessoa de sua idade. A Maria, essa que está sentada atrás da mesa, pensando na vida, já era mãe de um menino de 4 anos. Ou pelo menos seria mãe de um menino com essa idade, se aquele outro carro, dirigido por um motorista bêbado não tivesse invadido a contramão e atingido em cheio o carro de seu marido. Seria se, em vez de colocar o garoto no banco da frente para fazer uma graça com ele, seu marido o tivesse colocado, como manda o figurino, na cadeirinha. Seria se, em vez de pedir para seu marido ir buscar seu garoto na escolinha, ela própria tivesse ido.

Faz cinco meses, mais ou menos. Para Maria foi ontem. E hoje, ela não existe mais.
Em cima da mesa, está um pequeno bolo, com 4 velas acesas. Maria não tem forças nem fôlego para apagá-las. Elas se consomem rapidamente, manchando o glacê branco do bolo de coco, o preferido de Maurício, seu filho, com gotas azuis de cera de vela derretida.

Lá fora o tempo está nublado. Assim como Maria, por dentro. As velas se apagam. Morrem, ao fim. Morrem enfim. Maria se levanta e anda em direção à janela, a tempo de ver as primeiras gotas da chuva que se anunciava atingirem o chão quente da rua, um pouco movimentada, que ficava em frente ao velho prédio, onde morava. A água caia do céu com força, assim como escorria do rosto de Maria.

Um senhor, careca, tenta se proteger da chuva com o jornal. Uma mãe dá a mão para sua filha e correm para debaixo de uma marquise. Um moleque olha para cima, recebendo aquelas gotas no rosto de braços abertos, como se fossem uma dádiva divina. Talvez sejam mesmo. Poucos os que conseguem entender e enxergar a beleza nas coisas mais simples da vida. Maria pensa nisso e vê em sua mente, os dias que seu filho fazia pirraça se recusando a comer, rindo dela. Ela se lembra de Maurício comendo brigadeiro nas festinhas dos amigos, como deve ter comido horas antes, minutos antes do acidente. O sorriso dele aparece entre outras lembranças banais, daquelas que sempre deixamos passar sem dar importância, mas que no fim das contas são as que mais contam sobre nossa vida, nossa rotina. A rotina que, para Maria, praticamente deixou de existir.

A cama de Maurício ainda estava feita. Sua roupa continuava passada, guardada no armarinho dele. E assim continuariam por tanto tempo quanto Maria quisesse. O café da manhã já não era mais preparado, a mesa deixou de ser posta. A poeira acabava se acumulando nos cantos da casa. “Pra que limpar?”, pensava Maria. Se pudesse, ela colocaria a chuva que cai forte dentro de sua casa para lavar e levar tudo de lá. As lembranças, a cama arrumada de Maurício, o seu vazio, a sua saudade.

Maria se levanta e, passo após passo, chega à geladeira. Um copo se enche de água e, pesadamente, ela coloca sua cadeira de frente para a janela. Maria se senta e olha para fora. Levanta o copo e o coloca, cheio de água, em frente a sua visão. Embaçado, tudo parece ter menos efeito sobre ela. A chuva, a janela, sua casa. Com poucos goles, o copo inteiro vai corpo adentro. A visão de Maria continua embaçada. Culpa das lágrimas, provavelmente. Seu corpo pesa, sua mente divaga. Agora Maria já sente sono. Um sono bom, que parece abraçá-la, pronto para levar sua vida em direção à paz. Não há porque lutar. Maria se deita no chão, próxima à janela. Tenta encontrar, em seus últimos olhares, o bolo. Ele está em cima da mesa, aceso. As quatro velas queimam. Maurício está feliz. Todos terminam de cantar parabéns e Maurício apaga as velas. Maria faz questão de abraçar e beijar seu filho. Sentir seu cheiro. Como é bom poder reencontrar quem se ama. Se soubesse que seria bom assim, Maria com certeza teria tomado todos aqueles remédios de uma só vez muito antes. Mas a espera valeu a pena. Pelo menos para Maria que agora não precisa mais se preocupar em ter que dormir sozinha, numa casa antes sempre cheia de vida.

terça-feira, outubro 30, 2007

A saudade nos faz ver com meios que não convém. Ela esquece os olhos e trabalha a memória. Os outros sentidos. O cheiro, o toque, o gosto, o olhar perdido em um detalhe de sua mão ou de seu rosto. Nessa representação idealizada em memória, você está perto. Dentro de mim.

segunda-feira, setembro 24, 2007

por favor, respondam seriamente.

Sou só eu, ou mais alguém por aí gosta muito do James Blunt?
Tenho que pensar direitinho antes de escrever essas coisas aqui...
Tem gente que ainda se impressiona com meus ataques de melancolia e irritação com o mundo.
hahahhah

Mas fiquem tranquilos, isso aqui é um muro das lamentações. E isso não irá mudar.

Por falar em lamentações, tem horas que vc precisa mudar tudo.
Jogar as coisas pro alto e acreditar na vida. Se apegar à única coisa que resta em você
(que é a própria vida) e usar sua energia, sua força para recuperar algo que não está perdido para sempre.

Como disse Michael Ende em seu livro "A História Sem Fim":
Sempre é apenas um momento.

E eu, salvo dos problemas, terei tempo para pensar num monte de coisas.

sexta-feira, setembro 21, 2007

Então, como diriam os geniais Hermes e Renato:

Cale a Boque!!!
Tudo o que eu queria, agora, era uma boa noite de sono.
de preferência, com a cabeça beeeeem vazia.

***

tem certas coisas que não dá para fazer de maneira asseada.
Você tem que entrar fundo na merda, se sujar mesmo.
Dessa forma você pega nojo e pensa duas vezes antes de se cagar todo
de novo.

Que bela metáfora para a vida. Entre com os dois pés na poça...

sexta-feira, setembro 14, 2007

sonhos, sonhos, sonhos.

Hoje estava em um avião e saltei com outra pessoa. Olhava o chão lá embaixo e nada dele chegar. Foi uma sensação tão boa a de queda livre. O vento, as nuvens passando, e o chão, lá embaixo sem se aproximar nada...

A pessoa (que não sei quem era) me pede para ver o altímetro. Digo que é hora de puxar a corda, abrir o pára-quedas. Ela me diz que não, para deixar que dá tempo. De repente o chão começa a se aproximar absurdamente rápido. Puxo a corda e vejo um campo alagado, com rios e matas se aproximar muito, mas muito rápido. Não sei se deu tempo do pára-quedas diminuir a velocidade da minha queda, mas tudo ficou preto. E me lembro da sensação maravilhosa de ter pulado e não puxado a corda a tempo.

É, sonhei que caia e caí. Morri. E foi bom demais.

segunda-feira, setembro 10, 2007

Excellent time, excellent timing to return.

****

E então, como foi o feriado quando dia 08 é apenas mais um dia, sem corrida de carros, sem feriados estrategicamente colocados em uma sexta, sem shows na praia ou chance de dar um pulinho ao Rio?

Aqui, só foi.

***

Não é que eu sinta falta de Vitória. Não sinto.
Sinto muito mais falta do Rio, minha cidade.
Mas, de repente, perdi minha identidade. Tudo que me fazia ser o que sou, quem sou, ficou para trás.
Fresh start, you may call.

Aí, num feriado, sozinho numa cidade estranha que você aprendeu a gostar, mas sem AMIGOS (com maiúsculas), a saudade aperta e você se pergunta como pode ficar tanto tempo em estado de espera. Sexta embarco num vôo da Tam e sábado vou em busca de quem sou, de quem fui. Vou atrás de mim, again.

***

Até parecia um jogo interessante, mas se transformou num pesadelo. Perder de quatro sempre é foda.

***

Sonhei que meus dentes quebravam e caíam. Odeio sonhar com isso. Dizem que tem um significado. Todo sonho tem um significado, mas se apenas alguns poucos querem realmente dizer algo, por que sonhar, então?

***

Festival calango

É, rolou o festival calango aqui. Bandas interessantes, gente esquisita. Sábado foi dia de Terminal Guadalupe, Cabaret, Macaco Bong, the Melt, Móveis Coloniais de Acaju... Domingo dia de Vanguart (que todo mundo ama, mas não fui capaz de assistir a UMA só apresentação que fosse. E olha que eles tocam bastante por aqui), Montage, The Feitos, Tequila Baby, Daniel Beleza, Quarto das Cinzas...

Foi e sempre é interessante poder ver o que está sendo feito, em termos musicais no Brasil independente. Ver a movimentação das bandas, ver jornalistas, psicólogos, advogados e afins, largando seus empregos perdidos por alguns segundos de satisfação em cima de um palco, tocando rock.

Pena não ter um desses em Vitória. Quem sabe eu não volto para fazer algo que o valha?

****

Será que já falei como aqui está/é seco? Vocês não sabem o que é olhar para o céu e poder encarar o sol sem ficar cego. A fumaça já tomou conta de tudo. Até dos raios solares que te cegariam. Não é nuvem que deixa o céu cinza, como em Londres. É fumaça de queimada. Essa é uma experiência que divido com vocês por aqui, porque não me sinto capaz de convidar quem quer que seja para a filial do inferno durante os meses de agosto e setembro.

Mas as chuvas estão chegando. A primeira, no fim se setembro é chamada de Chuva do Caju. A segunda é de uma outra fruta, enfim, coisas do Centro-Oeste.

segunda-feira, agosto 27, 2007

segunda-feira, agosto 13, 2007

aqui são 4.
tarde de segunda sem graça.
total sem graça.

Mas vamos lá, tentar dar uma luz nesse dia desperdiçado.

...

é, tá difícil mesmo.

...

quinta-feira, julho 26, 2007

apesar de já estar sumido, sumirei ainda mais nessa semana.
o que acontece é que irei acompanhar uma produção da agência,
primeiro em Brasília (sexta e sábado) e depois em Marabá-PA ( de domingo à outra sexta)
ou seja, só na sexta estarei de volta e provavelmente só volto a mexer com computador na outra segunda...

uma bela temporada de muito trabalho e de, certa maneira, férias.
até a volta.

sábado, julho 21, 2007

então pega-se a direção do sul e mete bala.
Esse fim de semana estou de malas prontas para
revisitar o pantanal e levando a Lu a tiracolo.

Tuiuius e jacarés, preparem-se!

segunda-feira, julho 16, 2007

caros amigos,
como já dizia a revista, não sei não.
Esse Mirrored do Battles não bateu, não.
Math rock é um nominho bonitinho pra indiezinho tirar ondinha.
Há muito tempo atrás o que eles fazem já era feito por grupos que
eram chamados de pós-rock. Até o Hurtmold faz melhor. Sem desmerecer o Hurtmold
que é uma banda do caralho e muito mais fodona.
Só teve um problema. Foi formada no país errado.

Querem ouvir o Battles algusnanos atrás?
procurem Tortoise, Salaryman e até Sea and Cake.

quinta-feira, julho 12, 2007


o mais perto que deu para chegar
CARTA DE INTENÇÕES



Eu, Luis Fernando Taylor de Carvalho, brasileiro, domiciliado em Cuiabá, no Estado do Mato Grosso, redator publicitário formado pela Universidade Federal do Espírito Santo, venho através desta esclarecer meus interesses e motivações para o ingresso no Curso de Pós-graduação em Cinema, oferecido pelo MISC, a ser iniciado em novembro/06.


Trabalhando na área de publicidade, tenho contato diário com a produção de roteiros e storyboards para a produção de filmes publicitários e documentários empresariais de diversas durações. Entre eles, tenho diversos roteiros filmados, de 30 e 60 segundos, e alguns documentários, entre 5 e 15 minutos. Além disso, já participei de produções de curtas em vídeo, durante os processos de finalização de roteiro e montagem. Pretendo me especializar na produção de roteiros e direção de cena, tendo como base o cinema de curta, média e longa duração e, para isso, a especialização proposta se torna essencial.


Conto também com certa experiência em atuação e locução, tendo feito, por 4 meses, curso de interpretação para TV e Cinema, e algumas locuções para spots publicitários, bem como apresentação de programas de rádios diversos no Espírito Santo (O Programa – Rádio Universitária FM / Hora do Rock – Rádio Cultura de Castelo FM / Megafone – Rádio Universitária FM).

terça-feira, julho 10, 2007

e para terminar,
Caio boa viagem.
só me traga boas impressões da terrinha.
discos discos discos

aqui estou a par das novidades mas o mais longe possível de comprar cds e discos de boas bandas a preços acessíveis. Fico no slsk ou no rapidshare pegando as novidades e sorrindo, mesmo sem os encartes.
destaque para novo do Super Furry Animals, ainda crescendo, o genial QOTSA, além do 120 days (que é do ano passado) e do belíssimo retorno do kula shaker, sobre o qual escrevi para a revista.

Incrusiveu, como vocês sabem, tudo o que escrevo lá vocês lêem primeiro aqui

Eu mereço respeito, clama o pop faz algum tempo. Artistas descerebrados e suas músicas descartáveis viraram sinônimos do maior dos estilos musicais. As melodias fáceis deram lugar às melodias óbvias, os refrões pegajosos às babas repetidas a perder de vista. É no meio desse deserto que Crispian Mills, tal qual um Rei Arthur, ressurge para trazer a salvação. Para os mais novos, ou desconhecedores de tal nome, Mills era a cabeça por trás do Kula Shaker, banda inglesa, com toques hindus inspirados em George Harrison, que apareceu como um foguete, e teve seu disco de estréia “K” entre os melhores e mais tocados em meados dos anos 90. A debandada aconteceu no final da década e desde então, ele vinha tocado sua outra banda o Jeevas. Até agora.

Por uma dessas coisas inexplicáveis do destino, o Kula Shaker está de volta com Strangefolk, um disco de inéditas. E tratando o pop com o devido respeito. Na verdade, fazia tempo que ele não era tratado com tanto respeito.

O quarteto abre mão de sua temática pop indiana e, viajando pelos quatro cantos do rock, faz um dos melhores discos de retorno que já se viu. Pérolas que passam por Beatles, Dylan, blues, Oasis, Suede, Supergrass, mas sem nunca perder a identidade própria. Sem dar espaços para respirar, as faixas vêm uma após a outra, marcantes como um cheiro forte de incenso. Second Sight relembra muito bem o porquê do sucesso deles. Die for love e Great Dictator vêm em seguida. No bolo dá até para se lembrar da participação de Mills no Fat of the Land, do Prodigy, já que Song Of Love é a versão rock de Narayan. Belíssima por sinal. É impossível não pensar em Beatles com Fool that I am e Ol' Jack Tar, Doors com Dr. Kitt ou ainda em Dylan com Hurricane Season. O fechamento com Super CB Operator só comprova, pela décima terceira vez no álbum, o acerto da reunião do Kula Shaker. O pop agora pode ir dormir tranqüilo.
E dodô no antidoping?

como todo botafoguense, sofro com as perspectivas de tirarem essa oportunidade de título da gente. Estou feliz comk que o time apresentou até agora e tenho certeza que, mesmo que tude dê errado, essa época de reafirmação do orgulho de ser alvinegro foi genial para nós torcedores.

Dá vontade de dizer a todo momento, o quanto amo o time da estrela solitária.
Olá amigos.

Se querem uma dica de televisão, ela está na record, toda terça à meia-noite.
Se chama House.
Dr. House.

Não é uma série de médico qualquer, ela tem, bom, ela tem o House.
E de repente, me vejo morrendo de vontade de ver mais e mais e mais episódios.
E aí comça um outro problema. depois de ver tudo, os episódios acabem e temos que ficar vendo reprises.

****

por falar em TV, os episódios finais de Lost (não, eu não faço download de séries porque meu computador não aguenta) estão cada vez melhor. Apesar de ver um aqui, outro acolá, o que vejo me deixa com muita água na boca. Desde friends um grupo tão bom de persongens não interagia em uma série. O que são Loke, Sawyer, Sayid, Hurley, Desmond, e até o meio sem sal Jack?
Sem falar no finado Mr. Ecko...

quinta-feira, julho 05, 2007

play 3 - 1,990 no mercado livre
micro novo - 2100 no submarino
laptop - 1700 em qualquer lugar
Ipod 80GB - 349 dólares

não ter grana para se entupir de gadgets,
não tem preço.

(e o meu cartão ainda é visa...)

quarta-feira, julho 04, 2007

Senadores, fujam. A cúpula da casa vai desmoronar e vocês serão soterrados na própria vergonha.

essa é do Arnaldo Jabor. Mas poderia ser minha e de todos os brasileiros.

sexta-feira, junho 29, 2007



A maior banda do mundo está de volta.

daria um braço para pode assistir aos lendários shows que acontecerão em novembro (na Inglaterra, óbvio!) marcando a volta dos verdadeiros Fab 4!!!

"Veja bem o que eu vou escrever. No mês de julho, em São Paulo, vem aí o White Strippers"

Depois de uma notícia dessas, não tem como não comprar LOGO a minha passagem pra Sampa.
Esse é um show que eu não perco. Como não perdi das outras vezes.

quinta-feira, junho 28, 2007

Sou um cara muito chato. Perfeccionista.
Esse é o meu grande problema. Busco a genialidade nas coisas e das coisas.
Vejo(ou tento) os melhores filmes, escuto(ou tento) as melhores músicas, procuro(ou tento) os mais geniais pensadores, leio(ou tento) os tidos como mais brilhantes escritores.

E com isso tudo, com essa busca pela perfeição, fico pelo caminho.
Não consigo escrever, compor frases, ler-me sem me sentir pouco, sem ter certeza do quão medíocre as linhas soam quando transmitidas por mim.

Essa gana pelo perfeito, me faz parar. Faz-me olhar para trás, a cada momento, me comparando com os maiores. O resultado é o pior, como podem perceber. É ter que enfrentar a mediana vida sem grandes brilhos e se contentar com isso. É se perceber preso em um corpo e uma mente que não conseguem corresponder aos desígnios de crescimento e elaboração de pensamento tal, que me faça, ao menos, satisfeito. Nem digo feliz, percebam.

Ainda assim, como somos persistentes. É hora isso, hora aquilo. Desculpas aparecem e somem. Lugares e lados distintos aparecem e somem. E a linha segue por onde está e estará para sempre escrita.

É, sou um cara muito chato. E ruim.


****

Por isso que essa porra daí debaixo ta sem revisão mesmo.
Para todo mundo perceber que é assim que eu sou. Com tudo escrito errado, cheio de letras aonde não deveriam estar, com tudo fora do lugar, estranho.
O sim só aparece quando me concentro e me conserto. A vida é assim.
O vício.

Desde cedo abro meu e-mail e de cinco em cinco minutos espero uma mensagem nova em n=minha caixa de correio. Não era assim quando era mais novo e nçao existia a internet.
Não esperava o carteiro chegar todo dia, à mesma hora, para pegar minhas correspondências. Imagine se isso era possível, num mundo onde a informaão dmorava um dia para sair em uma primeira página de jornla ou para ser editada, no caso dos jornais em vídeo, e enviaa via meios físicos de um local para outro. Na época do cinema, eram dias ou semanas que levavam para vermos os noticiosos na grande tela branca.

Felizmente ou infelizmente passei dessa época para a época dos e-mails. Sofro s enão sou contactado or colegas, maigos, parentes e mesmo desconhecidos que me enviam a toda jotra oportunidades de aumentar meu pênis ou conseguir uma ereção mais garantida e forte apenas com uma raizada qualquer da aamzônia.




Vamos lá. Hora de rasgar o peito.
Por que só consigo ser triste?

Queria abrir a janeloa ver o sol brilhandop e gritar de alegria com toda a força dos meus pulmções, que por sinal andam cfalkhando ultimamente. Queria poder digitar uma letra de musicda de axé, sem teclar as letras erradas, como faço toda vez que tento escrever rápido. Queria esquecer que o mundo que vivo é ruim de dar dó e me ligar somente nas coisas boas. Poder beber sem ter que ficar completamente bêbado e comer frango a passarinho sem me preocupar com o colesterol e as milhares de calorias indo direto para minha barriga.
Poder fugir de mim, de outra forma que não as que uso.

Mas não. É tudo tão triste. O almoço sem sdal, o time sem graça, as coreas pastéis. A melancolia sem razão, sem sua pegada criativa, sem museificar (de musa e inspiração) nada. Tristeza por tristeza, como arte pela arte.

É isso aí. Palavras repetidas, pensamentos iguais e tudso, tudo como sempre no redemoinho de tempo que é viver.



Porque isso é genial
Tudo tirado do site do Dahmer, que não conheço, mas já é um grande e idolatrado amigo.

"É-nos possível estar sozinhos, desde que seja à espera de alguém."
Gilbert Cesbron

"Não se pode fazer nada sem a solidão."
Pablo Picasso

"O solitário é um diminutivo do selvagem, aceite pela civilização."
Victor Hugo

"Ele supunha que era à solidão que tentava escapar, e não a si mesmo."
William Faulkner

"Estar sozinho é treinarmo-nos para a morte."
Louis-Ferdinand Céline

"A solidão é essencial à fraternidade."
Gabriel Marcel

"Ser solitário para ser sincero e puro na alma. O homem - ente colectivo - é um ser corrupto."
Pantaleão

segunda-feira, junho 25, 2007

Receita de sucesso:

- Escolha sua bandas (com não mais que dois discos lançados)

- Separe-a e coloque seus integrantes em outros projetos, praticamente invisíveis.

- Reserve por aproximadamente 10 anos.

- Junte-a novamente e grave um disco de inéditas.

- Lance-o no mercado, como o retorno incrível de uma grande banda incompreendida pelos seus contemporâneos.

- Torça para que a receita dê certo e não desande.


Se tudo der certo, você pode ter nas mãos um belo exemplar de retorno, digno até, como o do Kula Shaker e seu Strangefolk. O álbum, terceiro de uma carreira de mais de 15 anos, dá uma trégua nas incessantes viagens hindus de Crispian Mills que, talvez arejado pelo tempo passado no Jeevas (seu projeto após a separação do Kula Shaker), está bem mais amplo. E os coloca onde sempre deveriam estar: no riquíssimo e interessante mundo do britpop. Com pegadas que lembram Dylan em alguns momentos, Beatles em outros tantos, com alguns toques de Charlatans e mesmo do próprio Kula Shaker, Mills e sua turma acertam a mão no tempero. São rocks básicos, pegadas de guitarra, hammonds estourando, muita melodia e backing vocals. A receita, como não poderia deixar de ser, é saborosíssima. Bom para nós, antigos apreciadores das boas bandas, que já estávamos há muito tempo com água na boca por um lançamento como esse.

quarta-feira, junho 20, 2007

O mundo anda descompassado. As horas que não passam em um dia, se apressam em nos deixar em outro. Os relógios, excelentes companheiros dos dias de escritório, estão andando para trás, nos roubando segundos preciosos longe de nossas vistas. O sol, a lua e os movimentos de rotação e translação da Terra estão todos mancomunados. Uma revolução pelas horas.

Estranho isso...
Fala sério, né moçada.
Tim festival fechando com arctic monkeys e hot chip, the rakes no rio e em sampa...
O mundo é aqui.
***
Mas, como está hypado o tim, né?
Apareceu, fez sucessinho, ta lá. Nada mais de grandes nomes.
É tudo uma aposta, mas enfim... eles estão “antenados” com o novo e para uma empresa de telefonia celular (não podemos nos esquecer isso), é melhor estar ligado à novidade do que à velharia. Estar antenado, nesse caso, tem muitos outros sentidos.

sexta-feira, junho 15, 2007

Música da semana
Pinback - Fortress

Too long til fall,
sick summer in bed
You and a lazy mood
Ten times the fall,
spread, sacked, and I've failed
Nobody move, nobody move

To long to fall
Sat shiver in bed
You and a test of wil
lToo many fallen, too many failed
Nobody move, nobody move

Days with the light off, freezing
You and I, uneasy, livid
Stop, it's too late
I'm feeling frustrated
I see no sign of fortress
I see no sign of fortress

Safe as a cootie wootie with you
Never pretend the chill
Too many shadows, too many sails
Nobody move, nobody move

Summer is only winter with you
How can you really feel?
Two of another, none of a pair
Nobody move, nobody move

Days with the light off, freezing
You and I, uneasy, livid
Stop, it's too late
I'm feeling frustrated
I see no sign of fortress
I see no sign of fortress

Another delay, too many hassles
Where do we go, how do we follow?
PORRA, PORRA, PORRA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Se não bastasse ter nascido em Botafogo, ainda nasci no DIA DO BOTAFOGO!!!!!
É amor demais para um coração só.....
depois de 4 a zero, estou radiante!!!!!!!!!!!!!


Publicada em 14/6/2007 às 20:30

Botafogo perto de ganhar seu dia: 16 de maio

Lei que institui a data no Estado do Rio de Janeiro foi aprovada na AlerjFERNANDO FRAZÃO
A Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou na última quarta-feira a lei que institui o 'Dia do Botafogo', projeto criado pelo deputado Marcos Abrahão, botafoguense doente.

Proposta para 10 de março, aniversário do deputado autor do projeto, a lei só foi aprovada para 16 de maio, aniversário de Nilton Santos, um dos maiores ídolos da história do clube.
- Sou Botafogo desde que nasci e existe dia para tudo. Logo, tinha de existir um dia para o Glorioso. Sempre fui ruim de bola, mas queria aparecer com o Botafogo de alguma maneira, sou fanático - explicou.

Para entrar em vigor, o Dia do Botafogo só depende de sanção do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho.
E-mail para o Garambone, colunista do Globo.com, contando a vez que assisti um jogo na torcida do rival. A maioria de vocês deve conhecer essa história. Para quem não conhece, um continho que poderia entrar nas minhas memórias.

sou eu de novo, escrevendo para contar a minha visita ao inimigo. E quando digo inimigo, realmente quero dizer inimigo.Para mim, pelo menos, o Fluminense é o pior time do mundo. Traumas de infância, quando um feriado de 15 de novembro com meu pai e avô se tornou um mar de sofrimento. Era minha primeira vez no maraca, ano de 84 ou 85. Uma sacolada de 3 a zero no botafogo. Daquelas de dar dó. Saí do estádio mais botafoguense que nunca, e com ódio mortal do tricolor das laranjeiras.

Mas quis o destino que meus primos e tio fossem fluminense. E deles veio o convite: quarta à noite vai ter Flu x Bangu nas Laranjeiras. Conseguimos lugares nas sociais. Eu, como bom amante do futebol, aceitei sem pestanejar. E lá fui eu, no coração do inimigo.
O jogo, pelo estadual de 95, estava morno. 1 a zero fluminense. E nas sociais, não tive outra escolha a não ser torcer como um tricolor, junto com minha família. Gritei Nense, comemorei o gol, mas lá no fundo, sentia uma pontada de tristeza. Até que Ronald, que depois foi para o mesmo fluminense, empata o jogo no finalzinho.

Não resisti e me levantei, soltando o grito da garganta. Em questões de segundos percebi que minha vida corria risco. E como era muito novo para morrer, resolvi vestir novamente a camisa tricolor. Aproveitei o grito, que graças a Deus não foi de gol, para começar a xingar a zaga e maldizer o empate do Bangu.

Nesse campeonato, com o gol de barriga do Renato, o fluminense foi campeão. E, lá no fundo, me senti também um pouquinho campeão.

É isso.

quinta-feira, junho 14, 2007

A política e o Brasil

Vejo Lula morrendo de rir em rede nacional, com piadas e tiradas a dar com pau. Algumas ótimas, mesmo. Outras, nem tão boas.
E me espanto com a indignação de colegas, conhecidos e brasileiros em geral para com a verve de nosso presidente. Vai entender.
Quer dizer, foi exatamente isso que tentei fazer: entender.
Não o Lula, nem suas piadas. Porque delas só acho importante a crítica quanto à qualidade. Se for boa, parabéns senhor presidente. Se forem medianas, um podemos melhorar cairia bem. Quanto as ruins, bom, o país está cheio delas. Piadas sem graça nas favelas, nos contra-cheques, nas escolas e até na política mesmo.

Mas por que as pessoas têm essa aversão ao humor na política?
Bom, a política brasileira sempre foi motivo de piada. Os políticos pelo menos, vai. Uns por querer varrer a sujeira pra debaixo do tapete, outros por colocar patinhos em lagoas ou ainda gritar em alto e bom som seu nome, como forma de marcar presença.
Piadas a parte, o que deixa indignada a população é a leveza, a graça em um lugar onde todos devem ser rudes, fechados, sérios. Sérios como os senadores, caquéticos, com dificuldade de ler uma página de um relatório de alguma CPI qualquer, que de tão qualquer, perdeu toda a sua importância. Sérios como arquivamentos de investigações envolvendo membros do plenário, afinal, lá a navalha dificilmente corta na própria carne. Só com políticos sérios assim, podemos nos sentir tranqüilos. São pessoas sérias que dirigem o país. Pelo menos, não fazem graça. Não ficam falando piadas na TV.

Já nosso presidente e seus ministros relaxem e gozem, têm que ser sisudos. Não podem rir, de barriga cheia, nem derrubar copos de água em si mesmos. São uns grossos, uns incultos. Estão vendo que falta um dedo faz!!!
E assim vamos levando a sério nossa política, atrás de políticos de verdade para nos comandar, e não de caras como as nossas no poder. Mas também, quer coisa pior do que perceber que alguém como a gente conseguiu chegar lá, e nós não?

quarta-feira, junho 13, 2007

pronto, pronto...
finalmente um comentário que poderá alimentar esse blog por mais alguns toques.

***

Aqui a vida anda como tem que andar. E, me desculpem, se parece pouco de minha parte, mas pretendo gastar os próximos dias imerso em livro. Assim, tempo para escrever só sobra no trabalho (Na verdade, não sobra. Eu é que faço sobrar.)

***
Preciso de férias.

terça-feira, junho 12, 2007

enquanto ninguém comentar aí embaixo, eu não escrevo mais.

***

ok, escrevi, mas foi só pra dar o aviso.

***

tá bom, tá bom...
não consigo parar de escrever.

domingo, junho 10, 2007

e o sol reflete no chão do quarto, me cegando brevemente.
No som um lamento qualquer de uma banda sofrida qualquer.
o dia começa bem. o texto que deveria sair está preso em algum lugar dentro de mim, mas mesmo assim está encaminhado. Uma hora ele vem.
O dia começa bem. o dia começa bem.
maldita hora que fui dar para acreditar em neurolinguistica.

o dia começa anda bem. A dor de cabeça está me deixando tonto.
o tylenol desceu junto com um gigantesco copo de água. o álcool me deixou seco por muito tempo. o ar-condicionado e o tempo, realmente seco nessa época do ano, também o ajudaram. E muito. a garganta parecia querer colar um lado no outro, me deixando sem voz, sem possibilidade de engolir uma pequena lufada de ar, o que é realmente muito para quem engoliu sapos de todos os tipos e tamanhos ao longo de tanto tempo.

Mas o texto, cadê o texto?

checo o e-mail. Mais duas mensagens tentando me vender a nova e revolucionária formúla para aumento do pênis. Com isso não tenho problemas. Já comprei meu carro, minha picape, na verdade. Uma bem alta, bem grande e que acelera bem forte. Tenho um pau de aço. e quatro rodas. Coisas que só mesmo um adiantamento da editora poderia comprar. o que quer dizer: já peguei o dinheiro, já gastei o dinheiro, e não fiz nada ainda em troca do dinheiro.
Talvez tenha que vender a picape. é, não sei. acho mais fácil escrever algo. ou então terei que começar a ler os spams que chegam querendo que eu aumente meu pênis.

o dia começa bem. o dia começa bem.
a primeira coisa para o dia começar bem é fechar a maldita cortina. o sol reflete no chão do quarto e vem direto para o meu olho. atrapalha pacas, mas pode ser o começo de uma história.

Pronto, mais escuro agora. Menos influenciado pelo brilho dos outros. hehehe
ainda sem nada na cabeça. A história do facho de luz não funcionou muito bem. Parecia boba, simples. Agora são 10 e meia da manhã. Sinto vontade de beber uma cerveja bem gelada. Mas ainda não sei o que vou comer no almoço. Acho que vou no bar perto de casa mesmo. o PF deles é muito bom. Meio carregação, muita comida, muita fritura. Meu coração, coitado, além de sofrer por todos os problemas da alma que um escritor recluso pode ter ainda tem que aguentar essas quantidades absurdas de gordura que injeto boca adentro na maioria dos dias.
Fazer o que se só a comida consegue dar gosto à vida.

o texto, meu Deus, o texto. Fico vagueando, perdido em milhares de pensamentos estúpidos dentro de um quarto escuro, com um som tocando uma música qualquer de uma banda qualquer. Parece que toda vez que escrevo me repito. Finjo ser estilo, pretendo ser força de linguagem, mas é pura repetição. Gosto da rotina. as coisas que acontecem como tem que acontecer. Está certo, elas nos matam aos poucos. mas são tão mais confortáveis e menos assustadoras. Opa, outra mensagem no e-mail. vejo meus e-mails de cinco em cinco minutos. É um vício. pelo menos um dos meus vícios. se não fosse a bebida, agora que parei de fumar, seria o único. Enfim, minha mãe quer saber se posso passar na casa dela para arrumar as minhas coisas. Costumo deixar livros e papéis por onde passo. Na casa da minha mãe tem uma estante e um armário só para guardar minhas coisas. E está tudo uma zona por lá. digo que são coisas para estudo. porcarias para dar inspiração. Mas deve ter desde contas antigas e pagas com atraso até cartinhas anônimas que escrevi para meninas que gostava na época do colégio mas não tive coragem para entregar. vou ligar pra ela. quem sabe não dá pra filar um almoço por lá? talvez até uma cerveja gelada que meu pai sempre deixa na geladeira depois que parou de trabalhar.
Boa idéia. o texto, bom ,o texto eu continuo um outro dia. Olha aí, essa pode ser uma boa idéia pro texto. malditos prazos.
Sob o titulo documento1

Domingo de manhã. Dia de nada. De mais um nada.
Quando queremos estar sozinhos nos esquecemos como é ruim estar sozinho. A solidão, aos poucos, se torna sua companheira, e fazer algum contato se torna cada vez mais difícil. Alguns amigos aparecem em sua geladeira, mas eles se vão logo, logo.
Tudo o que fica é esse gosto de uma manhã sem graça e sem um palito de fósforo pela casa.

É, antes que digam que é frescura, devo mostrar a quantas andam a cabeça. Talvez até melhor do que há anos atrás. Vamos sorrir, levar adiante as aparências, ser felizes. Vamos vibrar saúde, gratidão e alegria. Esse é o segredo, não?


Já se percebeu vivendo no automático?
Pois é. Será que pedir ajuda, ajuda?E por que a TV não funciona?
sob o titulo trabalho, em um arquivo de word perdido na máquina

Parati
Temos escritórios do Oiapoque ao Chuí.
E um que vive se movendo entre eles.


4.320 quilômetros. Essa é a distância que separa o Oiapoque do Chuí. Mas aqui na Autoglass, tem gente que costuma chamar estes mesmos quilômetros de escritório. Isso porque, para garantir a qualidade de nosso serviço, temos um time de especialistas que cai na estrada para auditar todos os 500 credenciados espalhados pelo Brasil. Nós da Autoglass sabemos que para ser reconhecido como especialista não podemos parar. É preciso estar sempre rodando. Dessa forma, garantimos a qualidade de nossos serviços. Primeiro para satisfazer seu cliente e depois, nós mesmos.
Autoglass. Um especialista tem que ser bem rodado.


Courrier
Autoglass Express. O maior espaço interno da categoria.
Ou você já viu caber tanto conhecimento em algum outro carro?

Muitos profissionais penduram seus diplomas e certificados na parede. A gente também adoraria ter como mostrar os nossos. Mesmo porque eles são o reconhecimento de nossa preparação, do nosso aprimoramento, e da forma profissional com que tratamos nossos clientes. Mas não é muito fácil achar espaço para pendurá-los dentro de um carro. Então, fizemos o seguinte: colocamos a marca Autoglass em todos os nossos veículos. Porque assim você tem certeza de que nele sempre vai um profissional muito bem treinado e que é especialista no que faz.
Autoglass. Um especialista tem que ser bem rodado.


Caminhão
Guiado por Deus. Certificado pela Autoglass.

Quando o dever chama, é impossível para um especialista não atender ao chamado. Principalmente quando ele é para dividir conhecimentos e formar novos especialistas. É por isso que a Autoglass mantém um centro de treinamento móvel pronto para passar todo o know-how que só nossa equipe de especialistas tem, para novos profissionais. Assim, além de garantir a qualidade do serviço da marca Autoglass por todo o Brasil, ajudamos a formar a mão-de-obra que tanto valorizamos: de verdadeiros especialistas.

quarta-feira, junho 06, 2007

Adorei. Ouvi um disco de uma banda de um ano desses por aí e surtei. Adorei.
A banda em questão é 120 Days. Direto da Noruega. O disco em questão também é chamado 120 Days. E o ano, aquele um lá de cima, não é 1, é 6. 2006.

*****

E o Dunga, hein?!
Leva Afonso, mas não leva Dodô...
deixa pra lá, melhor pra gente que joga completo.
Mas cá entre nós, uns 3 jogadores do Botafogo não poderiam
estar nessa sel(eca)o que irá pra copa américa da Venezuela de
nosso "querido" Chavéz.

segunda-feira, junho 04, 2007

para constar:

- Disco novo so White Stripes por aí, de bobeira, e todas as formas de conseguir músicas no trabalho cortadas.
ai ai

- Minha promessa de não mais sofrer com o Botafogo foi por água abaixo. Já estou eu, acompanhando cada passo do time, torcendo pelos gols de Dodô, pela correria de Jorge Henrique, pelas defesas de Júlio César e pelos petardos de Juninho.
Ainda bem que, pelo menos por enquanto, o time só me deu alegria. Está lá, dez pontos, na frente da tabela. Se o campeonato acabasse hoje, seríamos campeões. E com o título da quarta rodada do Brasileirão, me despeço.
segunda de certo frio,
casaco nas costas, Maicol sai para o trabalho.
De sua casa até a fábrica não são mais do que uns poucos quilômetros, mas mesmo assim,
Maicol faz o favor de esperar a condução da empresa. São alguns minutos no sereno da madrugada, mas o suficiente para ver quase todos os dias, o sol nascendo em seu esplendor.

Ao seu lado, quase sempre uma senhora, de uns 60 e poucos anos, esperando o ônibus para ir trabalhar em casa de família. Essa rotina já dura mais de ano e o máximo de aproximação que conseguiram foi um bom-dia perdido, há uns meses atrás. Talvez pela cara de poucos amigos que Maicol faz quando acorda muito cedo, mas também, ponto de ônibus não é lugar para se conversar. Ainda mais tão cedo.

De uns dias para cá, percebeu uma nova pessoa no ponto. Um jovem, no máximo quinze anos. Mochila nas costas, boné enterrado na cabeça, casaco felpudo. Se colocassem um grafite na mão dele ou um cachimbo de crack cairia bem. Maicol se prende muito a estereótipos.

A buzina soa duas vezes. É o ônibus da empresa que chegou. Maicol se distraiu vendo o sol e percebendo, de soslaio, nas pessoas ao seu redor, algumas atrasadas, outras caídas de pára-quedas no seu ponto. A senhora, de lenço na cabeça, já tinha ido para a casa de família, ou assim pensava Maicol. O guri também já devia estar perto da escola, se aquela mochila estava mesma cheia de livros, em vez de latas de tinta e pedras de crack.

A porta se abre e, degraus depois, lá vai Maicol rumo a mais um dia de trabalho.
Era uma segunda, meio fria. O sol que surgiu não pareceu ter forças para esquentar muito o dia.
Ainda bem que Maicol saiu com o casaco nas costas. De noite, ele vai vir a calhar.
Da série "É agora que eu vou"

cervejas e vodkas depois, um ser intenso se apoderou de mim.
tomei a dianteira e abri a geladeira. Era a hora da saideira.
Sem eira nem beira, e sem rimas também, abri uma caixa de fatias de bacon
congeladas. Elas fazem festa em meu refrigerador faz algum tempo.
E resolvi acabar com a alegria delas. Fiz em uma forma, todas as fatias presentes
na mal dita caixa. Depois de prontas, a gordura escorria pela peça de metal no forno.
a carne, no entanto e apesar de pouca, estava saborosa.

Muita gordura em muito pouco tempo. Misturando isso com álcool
e com mais carne e ainda chocolate e coca-cola.
Dormi às 8. Acordei às 3 e meia achando que ia ter um treco. O coração pulava como nunca
a barriga estava toda retorcida e a cabeça parecia explodir a cada inspirada de ar fresco.

Mas ainda não foi dessa vez.
E por outra dessa, já me decici, nunca mais passarei.

sexta-feira, junho 01, 2007

Fala Zorzal, comedor de pizza com vinho
sem catchup. Escrevi isso daí de baixo,
antes de ler seu comentário, o que quer dizer:
o assunto não acabou. O sonho, sim.
O assunto não.
Outro dia descobri que o soulseek aqui no trampo funcionava.
Um tempo depois, corte da fonte. Devia estar baixando coisa demais...

Aí, parti para os blogs fantásticos e seus links de rapidshares maravilhosos. Só para, meia semana depois, ver a farra cortada.

Pó, será que baixo tanta coisa assim?! Será que atrapalha tanto os diretores de arte em busca de uma foto?
Hahhhahaah. Sim, atrapalha, mas fazer o que? Preciso de melodias novas a cada segundo!!!!!!!

(*(*(*(*(*(*(*(*(*(

Sem querer, comecei a me complicar com um monte de projetos. Não que ele tenham alguma chance de sair do papel, mas pelo menos me comprometi a coloca-los no papel.
Então fico aqui, com 3 argumentos fechados de curtas, um roteiro pronto, mas precisando de um segundo tratamento, e duas idéias muito boas. Veja só, estou produzindo como ninguém.
Hahahahahahaah

Qualquer dia desses busco um Oscar lá pra nóis.

*******

Ouço e penso. Penso, penso...
A melancolia e o nada para fazer são ótimos para escrever. Mesmo que a escrita seja quase um nada para se ler. Mas pelo menos estou detonando as teclas com as pontas do meu dedão.

sexta-feira, maio 25, 2007

Acabo de saber, numa troca rápida de palavras que teremos um mini festival por estas bandas. Estas bandas que, inclusive, andam bem movimentadas quando o assunto é agitação e ferveção cultural. DOIS festivais de cinema, TRES prêmios de publicidade, ALGUNS festivais de rock espalhados pelo ano, BOAS bandas (de verdade)...

MQN e Lucy and the Popsonics estão na lista das apresentações "de fora". Ainda faltam umas 4 bandas que, sinceramente, não me lembro. Mas que também vão botar pra quebrar!

Já no aguardo!

quinta-feira, maio 24, 2007

Aqui faz frio. A cidade do calor eterno se apagou.
Hell City não parece mais o inferno.
Assim é como vou vendo e vivendo as coisas a 2,200 quilômetros do lugar que forçosamente aprendi a chamar de casa. A tristeza da separação já nem era tanta no momento de sair. Era como um grito de liberdade, um arrebentar de correntes que me mantinham preso havia 25 anos.

E foi assim. O mundo se abriu, de vez. Os medos, as perguntas, a insegurança se foram com um chamado para o embarque. Embarque para uma vida que, mesmo tardiamente, controlo de forma total.

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O tempo que passa, mesmo depois de tudo certo, dói. A melancolia, e como gosto dela, deve ser aproveitada até o último momento. Sofra, pense, sofra mais. Esprema aquela sensação de solidão, aquele aperto no peito, até ele virar palavras. Estenda o momento, mesmo que estranhamente familiar e acolhedor, até a hora de dormir. Até, pelo menos, o ponto final. Se questione, questione os outros. Escute músicas e descubra a beleza tristonha em cada uma delas. Engula em seco, sinta o nó se formar na garganta até o momento de explodir. E acabe com tudo isso de uma vez, se for essa sua opção. Ou ao contrário, saboreie tudo. Até a próxima vez, onde tudo começará novamente. Inclusive as patadas no teclado.