domingo, junho 02, 2019

Estive pensando (olha o perigo) e parece que a vida passa uma faca nas suas relações depois dos 40. Tudo bem que já tô nos 40 tem 3 anos, mas a realidade é que abaixo dos 40, pouca coisa faz sentido.
A gente muda, óbvio, muda para melhor. E quem ainda não mudou, não consegue entender. Não é como se o céu se abrisse em sabedoria divina. Não é isso. Mas é uma serenidade, uma calma para as coisas que você não tem antes. Como se a proximidade do fim, desse mais vontade de curtir cada pequena coisa. Não há a pressa de se ter tudo, há o prazer em sorver o que se tem.

A beleza muda, também. A mulher de 40 tem algo inexplicável nela. Uma beleza única e indistinguível para os mais moços. Os fios grisalhos cor de prata, vestidos como coroa, são tão lindos e tão menosprezados.
Ah, pobre do homem que só quer a juventude, quando o que se deveria buscar é a plenitude.
E essa, meus amigos, só começa a aparecer lá pelos 40.

terça-feira, maio 21, 2019

Tenho muito medo de morrer.
Mas o medo está passando.
E o enfado é tanto, que até a caveiruda já não parece tão assustadora.
Estou velho de novo. Cada ano que passa fico mais novo e mais velho. Um dia de cada vez. Mas hoje, estou velho, esfarrapado, carcomido...

Sofro pelo passado, pelo futuro que pode não acontecer e pelo presente que se faz de esperto e sabe se esconder e fugir de supetão, a todo instante.

Lembro de um sonho perdido, em algum lugar da minha memória. Não tenho a lembrança completa, só umas pequenas sensações de pertencimento e flashes de algo que não faz sentido. Coloco uma música triste para tocar, penso em me embebedar e penso se ainda vale à pena alguma coisa.

Hoje sofro por sofrer, por esporte, por prazer. Hoje não tenho futuro, esperança ou perspectiva. Hoje, sou velho. Amanhã, talvez, nasça jovem novamente...

A ver. A ver.

segunda-feira, maio 20, 2019

encontrei uns textos antigos, da série pequenas paixões e vou postando aqui aos poucos.
A menina que corria

Ela passou por mim como um fantasma. Um vulto em alta velocidade, um borrão que por muito pouco não escapou da minha retina. Mas os segundos em que a luz dela emanou - sim, ela emite luz, não reflete - foram o bastante. Obrigado, Hermes.

Do que vi, tudo ficou. Nem um detalhe deixei escapar de minhas memórias. Lembro como se fosse a chegada apoteótica de uma maratona, daquelas que passam em replay por dias a fio, suor, esforço e vitória. E ela era assim...

Os cabelos flutuando no ar, comandando o vento, cortando átomos de nitrogênio, oxigênio e hidrogênio. Uma pequena bomba atômica de cor negra explodindo a cada passada, destruindo tudo o que eu entendo por realidade passo sim e outro também. Ou seria meu coração desesperado batendo forte a cada inspiração e expiração?

As pequenas gotas de suor que caiam no chão criavam um mundo de aromas e perfumes que atraíram abelhas, formigas e diabéticos, em busca do néctar sagrado. Como se seu corpo fosse o filtro de uma outra dimensão inalcançável, onde tudo é melhor e mais perfeito. Como se dele não fosse criado ácido lático, mas o maná que alimentasse almas aflitas de amor.

Seu corpo era a personificação da Amazona, seus músculos trabalhando em tão perfeita sintonia que o esforço parecia de mentira. Uma brincadeira de pique entre crianças que nunca irão se cansar. Suas pequenas pintas, portas para universos onde exploradores ficarão para sempre perdidos e de onde só sairão se seguirem sua estrela. Com mil mundos a serem vistos e percorridos em cada uma delas, sentidos e tocados, vivendo somente à base de sua luz.

E isso tudo percebi por essa mesma luz, em milésimos de segundos que ficaram para sempre marcados em mim. Torcendo para que, após todas as voltas imaginárias que ela precisa cumprir, a linha de chegada seja sempre em mim.

domingo, maio 05, 2019

Nas notícias, as pessoas morrem e se matam. O dia fica pesado, a melancolia pesa e a tristeza aparece. Sem motivo, tudo fica triste e sem cor. A vida perde sentido e a verdade é que a idade pesa. Não de verdade, mas toda a história que vem com ela e que é preciso carregar como se fosse uma mochila ou ima cauda que fica mais pesada a cada dia, semana, mês, ano...
Meu aniversário tá chegando e não tenho a menor vontade de comemorar. Não tenho o que comemorar.


quantas mais não-comemorações terei?

terça-feira, abril 16, 2019

Quando os fantasmas começam a te encontrar. Na rua, a mulher faz-me lembrar de uma amiga a qual já não tenho contato faz tanto tempo. Na verdade, lembro-me em seguida que ela já se foi. A única coisa que tenho é sua lembrança, ainda que de seu nome muitas vezes me esqueça. Sua fisionomia é o bastante para se assombrado por risadas e viagens e bons momentos vividos dentro e fora do ambiente profissional. E esses fantasmas das lembranças das pessoas que se foram começam a ser não a exceção, mas a rotina. Pobre de mim. Pobre do mundo.

quinta-feira, março 28, 2019

Até que ponto dá para aguentar?
A dor, o vazio, o nada...

Até quando vou conseguir levantar? Andar? Curar?
Para quem e por quê? Não para mim, isso sei.
Nunca para mim...

quinta-feira, março 14, 2019

O primeiro passo para resolver um problema é perceber que há o problema. Eu tive tempo de perceber e, agora, vou resolve-lo.

quarta-feira, fevereiro 20, 2019

Tenho um arrependimento grande na vida: ter apagado um blog de anos com a apertar de um botão. Talvez tenha sido para melhor já que o blog foi feito na época mais complicada da minha vida (será?). Mas deep down eu bem que queria reler as minhas desventuras e rir daquilo tudo. Ah, como é bom envelhecer-pelo menos por isso.

Até nunca mais Day After. Long live the king with the absent soul.
Se você tem o sonho de morar em Londres, fazer o que eu faço todos os dias seria maravilhoso. E tento pensar nisso quase todos oa dias em que estou cansado, com dor e de saco cheio daqui.
Olhe como um turista, eu digo, na cidade onde moras e tereis a paz.

terça-feira, janeiro 08, 2019

2019

Feliz 2019.
Dia 8 de janeiro e, pela primeira vez, melancólico.
Escuto uma música meio bonita, meio para baixo e venho escrever. Gosto.
Quais as suas resoluções de ano novo? Você ainda crê nisso?
Vou escrever na porta do meu armário tudo o que quero para este ano. O que quero de mim.
Dinheiro no final do mês, viagens, shows e, claro, ser mais feliz e grato.
E quero dar presentes, quero amigos, quero abraço e beijo na boca. Saúde, claro.
E Liverpool campeão. :)

quinta-feira, dezembro 27, 2018

acordei com o despertador. Comi uma torta de maçã e bebi uma xícara de café.

essa é a sentença, sem tirar nem por. A interpretação fica a cargo do leitor. Em tempos de rede social, onde as vidas sao mostradas com filtros de maravilhosidade e indiferença segura, mas vistas e julgadas com lupas da verdade, um simples café da manhã vira um statement de superioridade.

Tudo aqui é mais saboroso do que parece, a vida é uma viagem digna de cinema e a rotina masaacrante é diluída nas frustações inexistentes do próximo perfil. Rola, rola, rola a tela. Insira, expira, respira.

Crio a minha torta de maçã, roubo a sua vida por uns instantes, vivo sua rotina perfeita, com seus filgos maravilhosos, suas férias felizes no exterior, seu amor mais que perfeito entre milhares de sorrisos...
Essa rápida viagem, exercício puro de criatividade, mas sem um pingo de empatia, acaba de supetão. Volto à realidade pueril e secular da minha vida - mas queria ser o herói que vejo na tela, queria mesmo ser você.

A minha torta parece agora um tapa na sua cara. Você não comeu torta de maçã, você não tomou café da manhã, você saiu correndo para não chegar atrasado no trabalho...
Como pude ter a ousadia, sim, de comer uma torta com café de manhã quando a situação do Brasil é caótica? Qual o motivo de dividir essa casualidade se não demonstrar superioridade? Onde posso achar uma torta de maçã no Brasil, ah claro, ele ainda falou nas entrelinhas que mora em Londres...
HOW DARE YOU?

Saí atrasado para o trabalho, pensando se postava ou não, e no meio do caminho a combinação torta com café virou uma azia. Bem-vindo à vida real.
Está virando tradição. Nas férias ("férias") de Natal, vamos sempre na emergência do hospital aqui perto de casa. Em 2017 foi a Ju com crise na vesícula - retirada em Janeiro de 2018.
Dessa vez fui eu com a dor no lado esquerdo do abdômen voltaram e a Ju com dor no ombro. Remédios para os dois e um alívio tremendo quando o médico disse que minha dor devia ser de uma pequena úlcera.

Omeprazol 2x ao dia e Gaviscon. E não é que a dor diminuiu dias depois e agora é só uma lembrança?
Sou um homem de fases. Estou na fase Romênia e Turquia. Doido para conhecer esses lugares.
Se irei, não sei.
Mas vou fazer de tudo para matar essa vontade em 2019.

sexta-feira, setembro 28, 2018

Já faz umas semanas que meu abdômen começou a queimar. Diferente de quando tenho azia e sinto na boca do estômago, subindo, agora a queimação é persistente e do lado esquerdo bem abaixo da costela. E não passa. Já até acordei de madrugada com esse desconforto, de tão desconfortável que é.
Fui ao médico, Omeprazol. Volto a tomar o remédio que tomo já faz uns 20 anos. Devia tet operado a hérnia de hiato quando era jovem. Meu estômago é fudido, eu sei. Sempre soube. Mas dessa vez parece que o negócio descambou mesmo. o famoso deu merda. tô tentando marcar uma endoscopia e tá difícil.
Veremos...

quinta-feira, setembro 27, 2018

Já ouvi muita música na minha vida, MUITA mesmo.
Hoje, a maioria das coisas novas não são interessantes o suficiente ou inovadoras o suficiente para se destacarem no meio do tsunami de coisas que temos à disposição em stremings, youtube, e outras plataformas onde a música é commoditie.

Dito isso, uma música que curti agora e vou esquecer daqui 2 minutos.

Aos 40...

tenho uma frase na cabeça, simples, mas real e que dói.
Acho que a maior perda dos 40 é a da possibilidade do amor.

Simples assim. Se não entendu, chegue aos 40 e boa sorte.

sexta-feira, junho 08, 2018

Bourdain se fué.

No trabalho gente que nem tinha ouvido falar dele. Muitos, Todos?
Parece quando fiquei em choque pela morte do Bowie por uns bons 15 minutos e as pessoas sem entender o porquê.
Vai se indo, até não fazer mesmo mais parte da atualidade. E sofrer com perdas que só fazem sentido em sua mente.
triste.

sexta-feira, maio 11, 2018

!!!Música!!!

Depois de muito tempo, música no blog!!!
Bandinhas que estão aparecendo com belos álbus de estreia

A primeira é Shame

Seu disco é Songs of Praise e foi lançado em 12 de Janeiro de 2018
Com uma levada post-punk e muita energia no palco, eles já estão tocando - como headliners - em casas de shows consideradas grandes (e já estão presentes em muitos festivais deste ano!)

Prove e aprove, Concrete ao vivo na rádio KEXP





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A outra é IDLES, bem mais punk - levada da breca, a tal da banda!

O disco é de 2017, mas música boa nunca fica velha. Na agressividade lembram um pouco Slaves. No entanto, o Slaves tem uma pegada mais comercializável. O IDLES é só feio e sujo e pesado.
E fez um clipe só de cueca, olha só! curte aí e dá um escarrada no chão!


Quando eu voltar pro Brasil / se eu voltar pro Brasil vou para uma cidadezinha do interior. Nao quero saber de carro, correria, metro, engarrafamento, vida bandida e o escambau.
Vou me esconder no meio do nada, assinar uma internet e curtir minha brahma gelada com torresmo ouvindo as novidades do Spotify.


sexta-feira, março 30, 2018

Oi você.
Tenho mil idéias passando pela cabeça aqui.
Calor do momento, basicamente, desde que meu avô morreu (hoje ele será cremado às 14.30 de Brasília - 14.30 do Rio de Janeiro).

Por falar em Rio, deixa eu reclamar um pouco aqui, para ser repetitivo.
Que mundo é esse em que vivemos, onde para se sentir seguro e ter uma vidinha mais ou menos você é obrigado a sair de sua cidade, de seu país?

Por que é preciso deixar pra trás lembranças, amizades, toda a sua família, sua cultura materna, suas influências e referências, para viver em paz?

Saí do Brasil pela aventura, não minto. Foi como ir para Cuiabá de novo. Uma aventura para colocar na pastinha de vivências - não quero riquezas, quero viver de experiências. Não me prendo mais em consumismos desnecessários. Inclusive, trabalho pra pagar as contas e viajar (como as contas se empilham em cima da mesa e os credores batem na porta dia sim, dia sim, não viajo mais.

Enfim...

Sinto saudades do meu país, da minha língua. Não escrevo, pois tenho uma preguiça encarniçada de escrever. Macunaímica, diria. Amo escrever e por mais que meus contos tenham sido sempre criticados por serem "não profissionais", meu blog continua a me receber de braços abertos.

E, muito de vez em quando, quando a coisa aperta aqui, descarrego tudo nessas páginas em branco, de onde nada sairá. Existem muitas coisas que não devem ser publicadas na rede do tio Z.
Inclusive, lá, só fotos e links de música. Ah, o brasil e o facebook, que duplinha! É lá onde ideologia política é confundida com caráter... veio-me esta frase. postei. sei dos meus leitores (vcs existem?). 

Volto, nessa montanha-russa de palavras, a falar dos meus. De mim. 
Saí do Brasil. Imigrante. Aportei em vários países e ainda não achei meu porto seguro. Vem na lembrança meus antepassados. Todos eles imigrantes. Todos tiveram que sair de seus países, ou saíram pela aventura, quem saberá?, e passaram a viver em outra realidade - para sempre separados de suas próprias famílias, amigos, raízes. Eu sou um retorno, como eles, morrerei imigrante, longe de todos. 

Serei enterrado em terras estranhas e virarei cinzas, como meu avô em algumas horas, que serão jogadas por aí. Pelo Velho Continente? Nas Américas? Um pouquinho em cada cidade onde vivi?

Sou isso, um desterrado ainda sem saber onde pousar.


quinta-feira, novembro 16, 2017

“ Béli, esse é meu nome.
Ninguém =inda conseguiu me convencer que meus pais não estavam bêbados quando puseram esse =ome em mim.
Mas, de qualquer jeito, esse é meu nome.
- Béli, respondi. A morena sentada no balcão era mesmo =stonteante. O tipo de mulher que dá vontade de guardar numa moldura. E depois =assar o dia inteiro olhando.
- Como?
- Béli. B-E-L-I, com acento no E.
- Béli, igual... – ela deu um risinho, ficou =nvergonhada – béli?
- É, assim mesmo. Olha, se você não entendeu....
- Desculpa, ela me interrompeu. Odeio quando alguém me =nterrompe. Não foi isso que quis dizer. Eu perguntei se era béli igual a =elly. Belly, barriga em inglês.
- Deve ser. Não sei falar inglês direito. O que me =alta é vocabulário – Maldito vocabulário.
- Tadinho...
- Não tem problema. Sabe acho que meus pais estavam =êbados quando escolheram esse nome para mim. Meus pais e o escrivão que deixou =sso acontecer. Não conta pra ninguém, mas aquela era uma época muito =ouca. O mundo vivia bêbado, absorto em álcool.
- Não fala assim.
- Assim como? É verdade.
- Verdade? Ah, pára com isso. È ruim a pessoa guardar =ágoa, fica azeda. Pior ainda se for dos pais. Pais a gente não escolhe, a gente =ma. E ele só te deram um nome diferente.
- Barriga.
- O quê?!
- Você mesmo disse. Meu nome é barriga. Em inglês, =as ainda assim é barriga. E se você se chamasse tornozelo ou mão? Você ia =ostar?
- Espera...
Dessa vez fui eu que a interrompi. Percebi que ela também =ão gosta.
- Olha, eu já tenho muitos problemas com meu nome. Desde =oleque era só piada, brincadeira, todo mundo me sacaneando. Eu só vim =qui porque te achei uma pessoa bonita, legal, que podia ser diferente das outras. =chei que a gente pudesse se dar bem.
Me emocionei. Não tem jeito, me emociono muito fácil.
- Desculpa, eu não quis te magoar. Vamos fazer o =eguinte: a gente paga a conta e vai conversar em outro lugar. Aqui não é um lugar =uito propício para esse tipo de conversa. Tenho que me explicar direito. =á em casa tá legal?
- Tudo bem, enxuguei as lágrimas, mas não posso demorar =uito. Amanhã tenho que ir cedo visitar minha mãe no hospital
- Coitado...
Essa tá no papo.
- Pode ir saindo – funga – Deixa que eu pago =#8211; funga – te encontro lá fora.
Ela foi. E como foi. Andava como uma deusa. Que rebolado. A =onta chegou. Peguei o cheque, assinei. O atendente se aproximou pegou o =heque e leu meu nome.
- Poderia me mostrar sua identidade, senhor... Marco =ntônio.”
Coluna no London Burning sobre o Festival Dia D, em 2001


O Dia D ficou marcado na história mundial como o dia da Invasão =os Aliados na Normandia. Mas aqui em Vitória, capital do esquecido Espírito =anto, faz três anos que Dia D significa outra coisa. Ele agora é o nome dado =o maior Festival de Música Capixaba do mundo. São 14 horas de festival, =om bandas para todos os gostos e mais do que isso, espaço para artistas, =oetas, performers e DJs. Com um detalhe, todos têm que ser da terrinha. =/P>
Esse ano, a produção montou toda a estrutura necessária para = festival receber as 20.000 pessoas previstas, e o evento aconteceu da forma =ais tranquila possível, sem confusões. As pessoas se dividiam entre os =inco palcos (Vitória, Muqueca, Capixaba, Expressões, Artes), as =arraquinhas de comida e bebida, a pista de skate e o paredão para escaladas. =fanismos à parte, o que vimos esse ano foi a consolidação da já consolidada =cena capixaba" de rock e reggae (uma pergunta que não quer calar: por que =urgem tantas bandas de reggae por aqui?). Algumas bandas prontas para =stourar, outras nem tanto, mas todas com o objetivo de mostrar (para quem =esmo?) que o Espírito Santo é mais do que um pedaço de terra separando o Rio =a Bahia. Os destaques do Festival ficaram por conta de bandas já "famosas" por =qui. As que mais se destacaram no festival foram:
O Manimal, tocando seu rockongo (o congo é um ritmo típico =o ES), mostrou a mesma competência de quem já fez vários shows pelo =rasil e Europa, inclusive abrindo para gente como Skank e Nando Reis. Boas canções =ops e outras mais no estilo mistureba. Vale a pena tentar ouvir seus dois =iscos.
Casaca. Misturando reggae com uma pitada de congo (ele de =ovo), fez um dos shows mais concorridos do festival, explicado pelos sete mil =iscos vendidos de seu primeiro disco independente, em apenas algumas =emanas. Atenção gravadoras...
Pé do Lixo. Dois discos lançados, vencedor de uma das =tapas do Ultrasom, antigo programa da MTV. Um show já conhecido dos =apixabas, com muita energia e boas músicas. Destaques para Terra Prometida e =assacre, levantando poeira. A apresentação contou com um desfile de moda, =om roupas feitas com material reciclado.
Lucy. Tocou seu repertório "Mutantes", capitaneados pela =oderosa voz de sua vocalista, Manuela (Rita Lee está de volta). Se você gosta =e Mutantes (por que só essa banda me vem a mente quando falo da Lucy?), se vire = consiga um disco, uma demo-tape, um mp3 deles. Você não vai se arrepender. =/P>
Lordose pra Leão, uma das bandas que tinha tudo para estourar = não o fez. Pena que, apesar das músicas serem do cacete, já cansaram um =ouco. Se você vai ouvir pela primeira vez, escute Homem-pássaro e a =ersão de Frevo Mulher do Zé Ramalho
Mukeka di Rato – Hardcore já conhecido por todo o =aís, que não conta com tanto reconhecimento local. Muito peso, barulho e ótima =resença de palco. A única ressalva é que é um tipo de som para adolescentes cheios =e hormônios em ebulição. Eu, sinceramente, já passei dessa fase.
O Dead Fish talvez fosse, dessas bandas, a com menos futuro =ela frente. Mas se a sinceridade já fez do Teenage Fanclub o que ele é =oje, porque não daria certo para os caras do Dead Fish? Eles acreditam no =om que fazem e por isso são tidos como uma das melhores bandas nacionais do =stilo punk-hardcore. Lançando o terceiro disco, Afasia, fizeram um show em =asa, com tudo de bom (e de ruim) que isso possa oferecer. Letras cheias de =ensagens, para nenhum fã de Bad Religion botar defeito. Um conselho: =onheçam.
Thor, uma banda de metal dos anos oitenta, se uniu mais de dez anos =epois para um único show, durante o Festival. Um do melhores shows da =oite. Fábio Boi, com passagens por bandas como Atomica e The Skulls, mostrou que =inda está em boa forma. Coisa que só as pessoas que acompanham seu novo =rojeto "Silence Means Death", conhecem. Gosto de saudade para uns, de =ovidade para outros (eu incluído) e a certeza de que música boa não tem =dade. Presenças na platéia de Gastão Moreira e Fábio Massari. (O que eles estavam =azendo aqui???)
Já que falei eles, não custa nada comentar o show mais pesado =a noite. O Silence Means Death, toca um thrash com algumas levadas hardcore que =á obteve críticas positiva em várias publicações especializadas tanto =o Brasil, quanto na Europa. Peso, melodia e tudo pra ser o que o Sepultura foi há =lguns anos atrás. Parece que chegou a vez deles.
As outras apresentações não chamaram atenção suficiente, =á que tiveram que brigar entre si pelo público, espalhado pelos cinco palcos =iferentes. Desse jeito, a tarefa mais difícil ficou para os espectadores. Ter que =scolher entre um ou outro artista, correndo de um lado para outro Uma tarefa =m pouco árdua para quem tinha nada mais do que 52 bandas para assistir.

O colunista está de férias
Antes de começar eu gostaria de pedir para vocês um pouco de =ompreensão. Se tiverem vontade de deixar de ler na metade do texto, continuem, =açam uma forcinha. Prometo que vou tentar fazer o melhor possível.
Começo mais uma vez a escrever para esse espaço concedido pelo =ono do portal e vejo que a empolgação inicial, a vontade de polemizar =oram se tornando um fardo. Começo a perceber o quão difícil é esse =ipo de trabalho. É duro sentar para escrever e não ter assuntos novos, experiências interessantes. Parar para pensar em outras saídas, outros caminhos =ara levá-los até a última linha do texto é um desafio. Poderia =almamente, fugir da responsabilidade e falar da calcinha da enfermeira (proibida) do =unk, do novo corte de cabelo do Ronnie Von ou mesmo do Silvio Santos =esfilando na Sapucaí. E ao invés disso tento colocar no ar questionamentos, =ndignações, pensamentos imperfeitos... Na verdade o meu grande problema é querer =olocar alguma coisa que valha a pena ser lida.
Não sei quantas pessoas gastam seu tempo lendo essas linhas, =sses parágrafos. Mas, mesmo que não sejam muitas, elas merecem a minha consideração. Por isso mando a minha contribuição direitinho, =entro do prazo, por mais chula que ela possa parecer. É estranho pensar que alguém =ue eu não conheça pode estar lendo e até refletindo sobre algo que escrevi. =alvez me mandando mentalmente ao raio que o parta, talvez se identificando com =lguma opinião. Pessoas, as quais nunca verei, me conhecendo por meio de =inhas palavras, desse tempo que passo em frente ao computador.
É difícil pensar que partes da minha vida não pertencem mais =ó a mim. Que minhas opiniões são um livro aberto (ou e-book, seguindo a nova =endência) para quem quer que acesse esse link.
Alguém, por acaso, pode visitar a página e vivenciar minha =emana cheia de problemas. Ou sentir a mesma alegria de ver meu time campeão. Não =reciso de psicólogo nem de divã. Freud não explica. Eu escrevo. Exorcizo =eus medos, divido minhas alegrias e sofrimentos com mais alguém. Vocês, para =er mais preciso.


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Com-puta-dor
Tirei o dia para pensar em todos os benefícios que o computador =rouxe para a sociedade moderna. Informações correndo o mundo em segundos, =omplexos cálculos matemáticos feitos com a dificuldade de um 2+2, =ampeões de xadrez perdendo seus reinados, enfim, milhares de pequenas coisas que mudaram = ainda mudam cada um de nossos dias. Qualquer trabalhador minimamente =specializado precisa ter "conhecimento em informática" digitado em seu =urrículo, feito no computador. E com isso, passamos cada vez mais horas na frente do =icro.
É claro que também existem desvantagens. Tudo na vida (e no =niverso) é um jogo de dá e tira. Um mero pique de energia ou um problema de backup =odem levar horas, dias ou até meses de trabalho para o "céu dos =rquivos". Se bem que esse é o menor dos problemas. O pior ainda está por vir e do =eito que estamos, com certeza, um dia ele chegará. Talvez mais cedo do que =ocê pensa. Ou você acha que o computador tem esse nome à toa? Pensem bem: com =uta dor...
Digitar se tornou um martírio para as secretárias, para os =ornalistas, para os caixas do banco e para mais uma monte de profissões. E não =dianta tentar fugir. Se o trabalho não for feito na frente do computador, =ão há trabalho. Hoje, saudável é ser carregador de sacos de cimento ou =r morar numa fazendinha, com direito a amarelão e barriga d´água. Sinal dos =empos. Ao invés de nos preocuparmos (já na velhice) com o coração, =ulmão ou mesmo com a memória, temos que cuidar é da postura. Urgentemente.
E o com puta dor não trouxe só mudanças na área da saúde. =udou também a nossa língua. Muito mais até do que simplesmente adicionar termos =nócuos como deletar ou escanear. Ele está mudando a língua do dia a dia, =quela que a gente ouve nos balcões de bar, ou nas conversas de banco de praça. =xpressões que eram familiares aos nossos avós, hoje fazem parte do linguajar =heio de gíria da juventude. Tendinite, LER, artrite, fisioterapia viraram =arcas a serem consumidas e ostentadas, cheios de orgulho. É o fim. De =erdade. Meus dedos doem enquanto escrevo isso, não dá para continuar.
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Joey Ramone morreu de desgosto. O Punk virou moda, a revolta passou = ser vendida no shopping e as músicas viraram... bem, vocês viram o que =las se tornaram. A única saída foi, pacificamente, dizer adeus.


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O cheiro
Estamos na era digital. Não poderia ter sido mais óbvio em minha primeira frase. Mas o que defendo hoje, nesse espaço, é a legitimidade da tentativa de milhares de pessoas, em todo o mundo, de viver a parte do mundo feito de códigos binários e impulsos elétricos. Não é porque temos acesso (será que temos?) ao maravilhoso mundo informatizado que temos que nos curvar perante ele, como leais súditos. Chegou a hora de questionar, de comparar, de começar a colocar no papel as vantagens e desvantagens de cada novidade e de seus antepassados do mundo real.
E-book X livro (de papel) - Além desse nome ser feio que dói (e-book? Fala sério), o primeiro não dá pra ler deitado no sofá ou na cama antes de dormir. E os famosos o que vão falar ao responderem “Livro de cabeceira”, em um daqueles perfis do consumidor (algo do tipo: “Pasta de dente? Perfume? Parte do boi predileta? etc”.)? O título do e-book, o site em que está ou as especificações técnicas de seu micro? Mas o que dá a vitória, sem pestanejar ao livro (de papel) é o fato de podermos guardá-los nas estantes e depois mostrar para os amigos como prova de nossa incrivelmente ativa vida intelectual (mesmo que nunca tenhamos lido metade do que está ali. Por falar nisso, por que será que compramos muito mais livros do que podemos ler? Mas esse já é outro assunto, para outra coluna...).
Jornais online X Jornais (de papel) – Vitória apertada para a versão online que, apesar de não deixar tinta nas mãos, não dá para levar para o banheiro (prática que, por motivos de saúde, eu não aconselho). No jornal virtual também dá para seguir pesquisando o assunto da matéria lida, mas o que pesou mesmo foi, em época de otimização de tempo, usar ao mesmo tempo o telefone e ler o jornal do dia. E isso foi uma piada.
MP3 X CDs, DVDs, LPs e afins – Meus amigos passaram a venerar o Napster, o AudioGalaxie e afins. Eu até que gosto desses programas de troca de MP3, mas não posso simplesmente abrir mão da necessidade de sentir o cheiro do plástico envolvendo o CD, de folhear as páginas de um belo encarte(que também cheira muito bem), ver a arte no próprio CD. Putz, isso é bom demais. Mil vezes melhor do que ver aqueles CDs prateados, regravados, sem encarte nem cheiro nenhum. O MP3 abriu o mundo da música para qualquer um sem dinheiro o bastante para comprar todos os lançamentos mas com paciência de sobra para passar horas e horas esperando os MP3 baixarem e pesquisando novas bandas, músicas e cenas musicais. Mas não dá o prazer de adquirir um clássico num sebo ou de ver aquele disco memorável em promoção numa estante empoeirada da lojinha do bairro.
Colunas X Falta de Colunas – Puxando a brasa para o meu lado, vendendo meu peixe e tudo o mais, a internet deu oportunidade para simples desconhecidos, como eu, escrever o que bem entende. Se tenho leitores para isso? Realmente prefiro nem saber (posso ter uma grande decepção). Mas pelo menos faço minha parte.
Bom, no fim ficou tudo como estava desde o princípio. Empatado em dois a dois. Começo a perceber que essa coluna, no fim, não valeu grande coisa já que não chegamos a lugar nenhum, não tiramos nenhuma conclusão. Desculpe se você perdeu seu tempo. Desculpe não, bem feito. É isso que dá me deixar escrever.