Esse post tem spoiler do filme Bastardos Inglórios
e Tarantino não estava de brincadeira.
Sim, senhores, acabo de voltar do cinema e precisei escrever aqui sobre o filme que esperei por alguns anos. Desde que ouvi a primeira boataria de um filme da segunda guerra do Tarantino pensei que os dias do Soldado Ryan estavam contados.
Ledo engano.
Mister Quentin não quer saber de livros de hitórias ou batalhas que já passaram nos documentários da Nat Geo. Ele quer se divertir.
E faz isso com certa maestria. Em determinado momento, me perguntei o que iria acontecer, porque o filme estava tão parado, porque não batalhas e tiros e coisas a la Kill Bill?
Bem, porque ele já fez kill bill. E agora quis focar mais nos personagens. E como o fez. Aldo Raine e Coronel Landa são o Yn Yang de Tarantino para sempre. A dedicação dada a cada um que participa desse filme é assustadora. Os diálogos tarantinescos estão lá, só que dessa vez, em 1944, em plena frança ocupada.
O filme, apesar de ter colocado uma interrogação na minha cabeça durante boa parte da projeção, acaba com uma exclamação e com muitas palmas. Estamos frente a frente com uma obra do tamanho de Pulp Fiction. Ou até maior.
COMO uma cena como a do cinema nunca foi filmada antes? COMO em toda a história do cinema ninguém pensou nisso? Porque nunca vi HITLER ser metralhado na minha frente?
Só ela vale o filme inteiro. E acho que todos saem um pouco melhor do cinema por causa dela. Sim, porque a certa altura, gostamos tanto de Landa que dá até vontade de torcer pelo terceiro reich. Mas vermos todos explodir nos deixa mais feliz e menos incomodados com nossos sentimentos.
Vejam. Agora.
"We few. We happy few. We Inglorious Basterds"
Música, cinema, literatura pobre, propaganda e um pouquinho de vida. Melancolia também, por que não?
quinta-feira, outubro 08, 2009
quarta-feira, outubro 07, 2009
ei.
vi Aconteceu em Woodstock (taking woodstock), do Ang Lee.
Bonito o filme, daqueles que faz você sair bem do cinema e com vontade de pegar uma mala e ganhar o mundo.
Ando pensando nisso e está cada vez mais na cara que devo ganhar o mundo mesmo. ou o Brasil, vai.
Sempre tive (e ainda tenho) aquela coisa de não curtir a ripongada toda. Muito menos esse espírito riponga, que alguns não ripongas adoram mostrar por aí. Mas enfim, ser hippie nessa época era ser contestador, mesmo que sua contestação fosse ficar doidão de ácido e maconha e trepar com quem você quisesse. E não podemos nos esquecer, sempre havia o rock n roll.
Sobre o filme, bom, Ang Lee mostra que tem o domínio das técnicas de cinema. MESMO.
Como controlar tantos figurantes, em tantas locações tão grandes?
sério, fiquei de queixo caído. A história do menino que, sem querer, faz o festival acontecer é interessante também e, em meio ao festival (que fica só no pano de fundo), acompanhamos sua jornada e nos interessamos por ela. E as interpretações dos pais, donos da pousada onde tudo meio que começa, são primorosas. A mãe (Imelda Staunton)merece pelo menos uma indicação ao Oscar de atriz coadjuvante. Por mim, merece ganhar.
E a cena da viagem de ácido é uma das mais belas trips da história do cinema.
vi Aconteceu em Woodstock (taking woodstock), do Ang Lee.
Bonito o filme, daqueles que faz você sair bem do cinema e com vontade de pegar uma mala e ganhar o mundo.
Ando pensando nisso e está cada vez mais na cara que devo ganhar o mundo mesmo. ou o Brasil, vai.
Sempre tive (e ainda tenho) aquela coisa de não curtir a ripongada toda. Muito menos esse espírito riponga, que alguns não ripongas adoram mostrar por aí. Mas enfim, ser hippie nessa época era ser contestador, mesmo que sua contestação fosse ficar doidão de ácido e maconha e trepar com quem você quisesse. E não podemos nos esquecer, sempre havia o rock n roll.
Sobre o filme, bom, Ang Lee mostra que tem o domínio das técnicas de cinema. MESMO.
Como controlar tantos figurantes, em tantas locações tão grandes?
sério, fiquei de queixo caído. A história do menino que, sem querer, faz o festival acontecer é interessante também e, em meio ao festival (que fica só no pano de fundo), acompanhamos sua jornada e nos interessamos por ela. E as interpretações dos pais, donos da pousada onde tudo meio que começa, são primorosas. A mãe (Imelda Staunton)merece pelo menos uma indicação ao Oscar de atriz coadjuvante. Por mim, merece ganhar.
E a cena da viagem de ácido é uma das mais belas trips da história do cinema.
segunda-feira, outubro 05, 2009
pensamentos alheios (onde coloco o que outras pessoas escreveram bem)
"Em um fenômeno da empolgação que o brasileiro passa com a internet neste país, Mallu Magalhães virou praticamente case e símbolo do que é a rede: gente amadora produzindo conteúdo para gente amadora que não produz conteúdo.
Só que amadorismo tem limite: na internet é engraçadinho; em disco e na Globo, é constrangedor. E irritante"
do http://silentinsanity.wordpress.com
*****************************************************************************
"Esse "case" Havaianas revela a inteligência adaptativa da propaganda e como ela é uma fronteira na sociologia contemporânea. Uma personagem vovó brinca com o senso comum de que jovens "estão adiante de seu tempo" -uma bobagem que só tem valor quando utilizada pra vender alguma coisa. Jovens são "conservadores" com tudo o que dão valor e "progressistas" com tudo o que não dão valor, assim como todos os mortais. O personagem jovem como agente de mudança é um mito.
Fora o mito, são repetidores de (novos) preconceitos, (novas) fofocas e (novas) repressões em meio às (velhas) baladas. Vou sair e comprar uma Havaianas dessas pra minha filha de 17 anos. Mesmo se for tudo uma grande criação de marketing, ainda assim, um show de bola."
do http://integras.blogspot.com
**********
dica do dia
a banda pública, que ganhou o vmb de melhor artista de rock alternativo disponibilizou seu bom disco no site oficial.
vai la e baixa logo isso. Só pela música Casa Abandonada, vale o download.
em http://publicaoficial.com/
"Em um fenômeno da empolgação que o brasileiro passa com a internet neste país, Mallu Magalhães virou praticamente case e símbolo do que é a rede: gente amadora produzindo conteúdo para gente amadora que não produz conteúdo.
Só que amadorismo tem limite: na internet é engraçadinho; em disco e na Globo, é constrangedor. E irritante"
do http://silentinsanity.wordpress.com
*****************************************************************************
"Esse "case" Havaianas revela a inteligência adaptativa da propaganda e como ela é uma fronteira na sociologia contemporânea. Uma personagem vovó brinca com o senso comum de que jovens "estão adiante de seu tempo" -uma bobagem que só tem valor quando utilizada pra vender alguma coisa. Jovens são "conservadores" com tudo o que dão valor e "progressistas" com tudo o que não dão valor, assim como todos os mortais. O personagem jovem como agente de mudança é um mito.
Fora o mito, são repetidores de (novos) preconceitos, (novas) fofocas e (novas) repressões em meio às (velhas) baladas. Vou sair e comprar uma Havaianas dessas pra minha filha de 17 anos. Mesmo se for tudo uma grande criação de marketing, ainda assim, um show de bola."
do http://integras.blogspot.com
**********
dica do dia
a banda pública, que ganhou o vmb de melhor artista de rock alternativo disponibilizou seu bom disco no site oficial.
vai la e baixa logo isso. Só pela música Casa Abandonada, vale o download.
em http://publicaoficial.com/
domingo, outubro 04, 2009
eu tenho um blog.
e não tenho sono.
essas coisas acontecem mesmo, não só nos filmes.
E de repente, estamos escrevendo a alma.
ausente, no meu caso.
***
vi uns dois blocos do VMB.
Daqui a 10 anos vejo de novo.
mas uma pergunta não quer calar:
o que aconteceu com a mtv?
ou ainda
o que aconteceu com a juventude?
eu via clip do nirvana, do iron maiden, via o massari pregando no lado B (uai, ele era o reverendo, né), vi o Gastão à frente do Fúria Metal às 4 da tarde...
vi beavis e butthead, the Maxx, Aeon Flux...
uma reticência para dona mtv
(...)
e não tenho sono.
essas coisas acontecem mesmo, não só nos filmes.
E de repente, estamos escrevendo a alma.
ausente, no meu caso.
***
vi uns dois blocos do VMB.
Daqui a 10 anos vejo de novo.
mas uma pergunta não quer calar:
o que aconteceu com a mtv?
ou ainda
o que aconteceu com a juventude?
eu via clip do nirvana, do iron maiden, via o massari pregando no lado B (uai, ele era o reverendo, né), vi o Gastão à frente do Fúria Metal às 4 da tarde...
vi beavis e butthead, the Maxx, Aeon Flux...
uma reticência para dona mtv
(...)
sexta-feira, outubro 02, 2009
bobeira, bobeira, bobeira não é não, mas estamos na capa do mundo.
Como sair do Rio com a porra da copa em 2014 e o cacete da olimpiada em 2016?
camaradas é a hora de faturar.
e nem digo das mocinhas inocentes do uzbequistão ou a atleta atiradora de martelo da Dinamarca.
Estou falando de pensar em meios de fazer grana com o turismo aqui nessa cidade, abrir um albergue, um empresa de turismo esportivo, de turismo cultural/alternativo, de turismo sexual para a terceira idade.. enfim, o ouro está aqui (com trocadilhos) e devemos descobrir como explorá-lo para tirar um ótimo proveito.
Bom, se nada mais der certo, vou voltar a trabalhar com propaganda em Vitória.
Como sair do Rio com a porra da copa em 2014 e o cacete da olimpiada em 2016?
camaradas é a hora de faturar.
e nem digo das mocinhas inocentes do uzbequistão ou a atleta atiradora de martelo da Dinamarca.
Estou falando de pensar em meios de fazer grana com o turismo aqui nessa cidade, abrir um albergue, um empresa de turismo esportivo, de turismo cultural/alternativo, de turismo sexual para a terceira idade.. enfim, o ouro está aqui (com trocadilhos) e devemos descobrir como explorá-lo para tirar um ótimo proveito.
Bom, se nada mais der certo, vou voltar a trabalhar com propaganda em Vitória.
quinta-feira, outubro 01, 2009
Sei que várias pessoas estão esperando esse filme como a salvacão de 2009 e é por isso que vou me deter para escrever sobre ele aqui. recém visto, via festival do Rio (grandes coisas, ele estreia em outubro mesmo)...
DISTRITO 9
Esqueçam tudo o que vocês leram por aí incensando o filme. De verdade. Juro que fui de peito aberto, sem maiores expectativas, só querendo me divertir. Sim, sabia que rolaria um lance meio documentário e só.
O filme, caros amigos, é uma mistura de Transformers com A mosca e outras produções muito mais desabonadoras.Querem ver um BOM filme de alien?
Que tal Aliens - o resgate ou ainda Tropas Estelares?
Enfim, o filme é covarde e se perde antes de sua metade, virando um filme qualquer de ação. Aliens? Por que não árabes? ou terroristas chechenos?
O recado está dado. Sei que a maioria das pessoas vai querer ver este fiasco no cinema, alguns podem até gostar. Mas é possível esperar por ele no DVD ou pior ainda, na sessão das dez, no SBT.
***
Hoje, dia 01 de outubro chegou às bancas a revista SET. DE SETEMBRO!!!!!
Sou leitor da SET faz bastante tempo e quando a revista saiu da editora Peixes para a Editora do Jornal do Brasil, engoli em seco. A revista, no entanto, ganhou peso. As matérias começaram a fugir do óbvio e passaram a ser bem mais "pesadas" de se ler. A SET deixou de ser uma revista que eu lia em 40 minutos para se tornar uma revista a ser lida durante o decorrer do mês. Bom, claro que a mudança não poderia durar muito. Revistas de cultura no Brasil não andam, não vão à frente, simplesmente não funcionam.
E adivinhem?
A SET foi vendida DE NOVO em MENOS DE TRÊS MESES!!!!
Agora a Editora AVER comprou a revista e trouxe, pelo que vi, a mesma equipe que trabalhava antes na revista. sai mario marques, volta roberto sadovski. Saem colunistas entram os posteres de filmes. Comprei e li novamente em 40 minutos. E então?
Então que se você quer saber de cultura pop, tá tudo lá. Daqui a pouco voltam as páginas vendendo a programação de TV, e até discos.
É (A)VER quanto tempo a SET se mantém nessa editora também.
Se pelo menos entrar nos eixos e passar a ser lançada no mesmo mês que está escrito na capa, está tudo bem.
DISTRITO 9
Esqueçam tudo o que vocês leram por aí incensando o filme. De verdade. Juro que fui de peito aberto, sem maiores expectativas, só querendo me divertir. Sim, sabia que rolaria um lance meio documentário e só.
O filme, caros amigos, é uma mistura de Transformers com A mosca e outras produções muito mais desabonadoras.Querem ver um BOM filme de alien?
Que tal Aliens - o resgate ou ainda Tropas Estelares?
Enfim, o filme é covarde e se perde antes de sua metade, virando um filme qualquer de ação. Aliens? Por que não árabes? ou terroristas chechenos?
O recado está dado. Sei que a maioria das pessoas vai querer ver este fiasco no cinema, alguns podem até gostar. Mas é possível esperar por ele no DVD ou pior ainda, na sessão das dez, no SBT.
***
Hoje, dia 01 de outubro chegou às bancas a revista SET. DE SETEMBRO!!!!!
Sou leitor da SET faz bastante tempo e quando a revista saiu da editora Peixes para a Editora do Jornal do Brasil, engoli em seco. A revista, no entanto, ganhou peso. As matérias começaram a fugir do óbvio e passaram a ser bem mais "pesadas" de se ler. A SET deixou de ser uma revista que eu lia em 40 minutos para se tornar uma revista a ser lida durante o decorrer do mês. Bom, claro que a mudança não poderia durar muito. Revistas de cultura no Brasil não andam, não vão à frente, simplesmente não funcionam.
E adivinhem?
A SET foi vendida DE NOVO em MENOS DE TRÊS MESES!!!!
Agora a Editora AVER comprou a revista e trouxe, pelo que vi, a mesma equipe que trabalhava antes na revista. sai mario marques, volta roberto sadovski. Saem colunistas entram os posteres de filmes. Comprei e li novamente em 40 minutos. E então?
Então que se você quer saber de cultura pop, tá tudo lá. Daqui a pouco voltam as páginas vendendo a programação de TV, e até discos.
É (A)VER quanto tempo a SET se mantém nessa editora também.
Se pelo menos entrar nos eixos e passar a ser lançada no mesmo mês que está escrito na capa, está tudo bem.
quarta-feira, setembro 30, 2009
Bom, ontem teve aula,
ontem teve dor de cabeça,
ontem teve passos pra frente, mesmo quando o que queria era ficar deitado pra sempre.
E se teve tudo isso ontem, é uma pena, mas não teve festival.
: (
em compensação, vi Os Amantes, do James Grey. Lindo, lindo, lindo.
levado com uma delicadeza e com uma certa desesperança típica dos nossos tempos.
é difícil ter um pouco mais de trinta e tentar ser normal.
***
Hoje teve It Might Get Loud (traduzido como: A todo volume).
Documentários de guitarras e guitarristas. com the edge, jack white e jimmy page.
bem interessante, pra quem gosta de rock. POde ficar um pouco enfadonho para pessoas que não tem essa ligação maluca com os três acordes ou com as seis cordas.
Mas ver a cara do Edge e do White babando, enquanto page dedilha sua strato, vale o ingresso.
ontem teve dor de cabeça,
ontem teve passos pra frente, mesmo quando o que queria era ficar deitado pra sempre.
E se teve tudo isso ontem, é uma pena, mas não teve festival.
: (
em compensação, vi Os Amantes, do James Grey. Lindo, lindo, lindo.
levado com uma delicadeza e com uma certa desesperança típica dos nossos tempos.
é difícil ter um pouco mais de trinta e tentar ser normal.
***
Hoje teve It Might Get Loud (traduzido como: A todo volume).
Documentários de guitarras e guitarristas. com the edge, jack white e jimmy page.
bem interessante, pra quem gosta de rock. POde ficar um pouco enfadonho para pessoas que não tem essa ligação maluca com os três acordes ou com as seis cordas.
Mas ver a cara do Edge e do White babando, enquanto page dedilha sua strato, vale o ingresso.
vou tirar os nomes para não comprometer, mas o papo ficou interessante.
eu:
acabei de ver essa frase no orkut de uma amiga minha
"Love is like a butterfly. The more you pursue it, the more it eludes you."
ele:
traduz
eu:
o amor é como umaborboleta
quanto mais você o persegue, mais ele te engana
ele:
ahahahahahahahhahahahahahha
olha se todo mundo
acreditasse nesse trem
não teríamos inventado a ficada
e para os mais assanhadinhos o sexo casual
isso é frase de auto ajuda
faz parte para nos engarnamos e nos acharmos auto suficientes
eu:
ah sim
mas a ficada e a picada podem ser interessantes
ele:
ahahahahahahahahha
claro claro
eu:
é como pedir pra provar um sabor dentre todas as 500 opçoes na sorveteria\
você prova, mas é so uma pontinha de colher de plástico.
ele:
mas adoro o pedaço mais complicado
aquele que a gente precisa ser romeu e julieta num lugar só
o sorvete exótico dos 500
que vc não tem direito de experimentar
então tem que converser o sorveteiro
eu:
hahahaha
é, e pega todo o pote pra você.
ele:
isso ai
eu:
pena que no final, provar o mesmo sabor sempre, enjoa.
eu:
acabei de ver essa frase no orkut de uma amiga minha
"Love is like a butterfly. The more you pursue it, the more it eludes you."
ele:
traduz
eu:
o amor é como umaborboleta
quanto mais você o persegue, mais ele te engana
ele:
ahahahahahahahhahahahahahha
olha se todo mundo
acreditasse nesse trem
não teríamos inventado a ficada
e para os mais assanhadinhos o sexo casual
isso é frase de auto ajuda
faz parte para nos engarnamos e nos acharmos auto suficientes
eu:
ah sim
mas a ficada e a picada podem ser interessantes
ele:
ahahahahahahahahha
claro claro
eu:
é como pedir pra provar um sabor dentre todas as 500 opçoes na sorveteria\
você prova, mas é so uma pontinha de colher de plástico.
ele:
mas adoro o pedaço mais complicado
aquele que a gente precisa ser romeu e julieta num lugar só
o sorvete exótico dos 500
que vc não tem direito de experimentar
então tem que converser o sorveteiro
eu:
hahahaha
é, e pega todo o pote pra você.
ele:
isso ai
eu:
pena que no final, provar o mesmo sabor sempre, enjoa.
segunda-feira, setembro 28, 2009
quero achar uma forma, um jeito de sentar que me pareça confortável.
Tá cada vez mais difícil.
Noite de horas na frente do computador. Acho que só queria conversar. Por isso não entrei no MSN. Não dá mais pra entrar no msn.
a internet anda acabando com a minha capacidade de comunicação.
Quero sentar e escrever um roteiro, um conto, ouvir essas músicas tristes, ou esses pedaços tristes de músicas nem tanto, e ser mais produtivo. E menos prolixo. É o blog das repetições, já disse uma vez. Um muro das lamentações, que talvez fosse melhor nem ser público. ou não, quem sabe.
***
Essa maneira de pensar o mundo, mais moderna, em 140 toques não é comigo mesmo.
Canso de feicebuqui, de tuiter, de ter que estar conectado. Já estou pensando em voltar a trabalhar. As segundas e as sextas estão livres, já sem aula. tenho 12 horas ocupadas por semana e isso está começando a cobrar sua conta. Solidão.
contatos telefônicos, etéreos, virtuais.
nada de beijo, nada de abraço, nada de amor.
O importante é ser limpo, asséptico, alvo como as nuvens sem pretensão de virar chuva. Como os cachos louros da menina que pintou o cabelo.
***
pensei em escrever um roteiro sobre a minha vida.
deu um curta, muitíssimo do sem graça.
chato, né?
Tá cada vez mais difícil.
Noite de horas na frente do computador. Acho que só queria conversar. Por isso não entrei no MSN. Não dá mais pra entrar no msn.
a internet anda acabando com a minha capacidade de comunicação.
Quero sentar e escrever um roteiro, um conto, ouvir essas músicas tristes, ou esses pedaços tristes de músicas nem tanto, e ser mais produtivo. E menos prolixo. É o blog das repetições, já disse uma vez. Um muro das lamentações, que talvez fosse melhor nem ser público. ou não, quem sabe.
***
Essa maneira de pensar o mundo, mais moderna, em 140 toques não é comigo mesmo.
Canso de feicebuqui, de tuiter, de ter que estar conectado. Já estou pensando em voltar a trabalhar. As segundas e as sextas estão livres, já sem aula. tenho 12 horas ocupadas por semana e isso está começando a cobrar sua conta. Solidão.
contatos telefônicos, etéreos, virtuais.
nada de beijo, nada de abraço, nada de amor.
O importante é ser limpo, asséptico, alvo como as nuvens sem pretensão de virar chuva. Como os cachos louros da menina que pintou o cabelo.
***
pensei em escrever um roteiro sobre a minha vida.
deu um curta, muitíssimo do sem graça.
chato, né?
Are we fuck ups?
No we’re not fuck ups.
Assim pode se resumir a vida de nossa geração. Chegamos aos 30 sem rumo, sem saber o que fazer, sem saber onde morar, onde crescer. No final sempre nos resta a fuga rumo a infância perdida. Na melhor (?) das hipóteses, a casa dos pais.
Sam Mendes começou bem, ao usar o tom melancólico em seu filme, que dá lugar a risadas (alivio cômico) em alguns momentos, mas nunca se esquece de nos fazer pensar em quanto somos iguais aos desajustados que existem por aí. Afinal, como diz um ditado que não saberia citar, de perto, todo mundo é louco. E assim vamos experimentando loucuras maiores ou menores que ajudam a nos colocar entre um e outro, a encontrar nosso equilíbrio dentro de tanta desfuncionalidade.
Away we go é bonitinho. Mas é triste como poucos filmes que vi.
***
Distante nós vamos, em português, o terceiro filme da pequena maratona que resolvi fazer entre os lançamentos do Festival do Rio. É complicado colocar uma ordem de bom ou melhor entre os filmes que vi, mas esses três que vi até agora não me decepcionaram.
***
Ah, e se você quer saber o que eu acho que é a resposta para aquela pergunta ali de cima, sim, we are fuck ups. Mas quem não é?
No we’re not fuck ups.
Assim pode se resumir a vida de nossa geração. Chegamos aos 30 sem rumo, sem saber o que fazer, sem saber onde morar, onde crescer. No final sempre nos resta a fuga rumo a infância perdida. Na melhor (?) das hipóteses, a casa dos pais.
Sam Mendes começou bem, ao usar o tom melancólico em seu filme, que dá lugar a risadas (alivio cômico) em alguns momentos, mas nunca se esquece de nos fazer pensar em quanto somos iguais aos desajustados que existem por aí. Afinal, como diz um ditado que não saberia citar, de perto, todo mundo é louco. E assim vamos experimentando loucuras maiores ou menores que ajudam a nos colocar entre um e outro, a encontrar nosso equilíbrio dentro de tanta desfuncionalidade.
Away we go é bonitinho. Mas é triste como poucos filmes que vi.
***
Distante nós vamos, em português, o terceiro filme da pequena maratona que resolvi fazer entre os lançamentos do Festival do Rio. É complicado colocar uma ordem de bom ou melhor entre os filmes que vi, mas esses três que vi até agora não me decepcionaram.
***
Ah, e se você quer saber o que eu acho que é a resposta para aquela pergunta ali de cima, sim, we are fuck ups. Mas quem não é?
domingo, setembro 27, 2009
Antes aqui.

Primeiro foi o The Doors. Depois o Queen. Parece que para sair da aposentadoria, uma banda não precisa mesmo contar com todos os seus antigos integrantes. Nada mais natural do que o Alice in Chains, muito mais ligado temática e emocionalmente à perda e à morte, voltar também. Mesmo que para isso também tenha que superar a perda de seu vocalista para, digamos, um plano superior de existência. Mas, diferente de Fred Mercury e mesmo de Jim Morrison, Layne Staley não se tornou um ícone, apesar de sim, ter tido seu período de reconhecimento e auge, durante o boom do grunge no inicio da década de 90. O que até certo ponto facilita as coisas para a banda que sobrou. Porque é mesmo difícil para quem não é fã ter certeza de que é outro o vocalista, tamanha a identidade musical que se manteve no lançamento de Black Gives Way To Blue. As pegadas relembram os álbuns Facelift e Dirt. Mesmo que um tanto mais pesadas e algumas vezes um pouco menos arrastadas, ainda que sombrias. A primeira música, All Secrets Known, nos dá um sopro de esperança em voltarmos a ter aquela banda sempre subestimada, que cravou um dos melhores acústicos MTV de todos os tempos. E o transcorrer do disco (alguém ainda compra discos por aqui?) se dá oras por um caminho cheio de guitarras pesadas oras por melodias doloridas em baladas calmas. Pelo lado das guitarras entram em campo as faixas Check My Brain e Lesson Learned. Vestindo a camisa das baladas Private Hell e When The Sun Rose Again. O bom é que nessa partida (sem trocadilhos) quem ganha somos nós que temos de volta umas das melhores representantes do som de Seattle do início dos anos 90. Preparem as correntes, Alice está de volta.

Primeiro foi o The Doors. Depois o Queen. Parece que para sair da aposentadoria, uma banda não precisa mesmo contar com todos os seus antigos integrantes. Nada mais natural do que o Alice in Chains, muito mais ligado temática e emocionalmente à perda e à morte, voltar também. Mesmo que para isso também tenha que superar a perda de seu vocalista para, digamos, um plano superior de existência. Mas, diferente de Fred Mercury e mesmo de Jim Morrison, Layne Staley não se tornou um ícone, apesar de sim, ter tido seu período de reconhecimento e auge, durante o boom do grunge no inicio da década de 90. O que até certo ponto facilita as coisas para a banda que sobrou. Porque é mesmo difícil para quem não é fã ter certeza de que é outro o vocalista, tamanha a identidade musical que se manteve no lançamento de Black Gives Way To Blue. As pegadas relembram os álbuns Facelift e Dirt. Mesmo que um tanto mais pesadas e algumas vezes um pouco menos arrastadas, ainda que sombrias. A primeira música, All Secrets Known, nos dá um sopro de esperança em voltarmos a ter aquela banda sempre subestimada, que cravou um dos melhores acústicos MTV de todos os tempos. E o transcorrer do disco (alguém ainda compra discos por aqui?) se dá oras por um caminho cheio de guitarras pesadas oras por melodias doloridas em baladas calmas. Pelo lado das guitarras entram em campo as faixas Check My Brain e Lesson Learned. Vestindo a camisa das baladas Private Hell e When The Sun Rose Again. O bom é que nessa partida (sem trocadilhos) quem ganha somos nós que temos de volta umas das melhores representantes do som de Seattle do início dos anos 90. Preparem as correntes, Alice está de volta.
sexta-feira, setembro 25, 2009
assistidos:
Tokyo!
(podem ver. vejam. vale bem a pena. o que é a mulher virando cadeira, nas mãos do Michel Gondry?)
O Desinformante!
(matt damon barrigudo e careca, numa historia interessante. me lembrou o agarre-me se puderes. Visível e risível. Diversão sem maiores questões.)
Ingressos comprados para 500 dias com ela (zoey deschanel e seus maravilhosos olhões azuis), Inglorious Bastards (yeah baby!!! tarantino na segunda guerra!!!) e District 9 (aliens sem gasolina na África do Sul)
Tokyo!
(podem ver. vejam. vale bem a pena. o que é a mulher virando cadeira, nas mãos do Michel Gondry?)
O Desinformante!
(matt damon barrigudo e careca, numa historia interessante. me lembrou o agarre-me se puderes. Visível e risível. Diversão sem maiores questões.)
Ingressos comprados para 500 dias com ela (zoey deschanel e seus maravilhosos olhões azuis), Inglorious Bastards (yeah baby!!! tarantino na segunda guerra!!!) e District 9 (aliens sem gasolina na África do Sul)
Começa o Festival do Rio 2009.
É o segundo (sim, apenas o segundo) ano em que posso participar ativamente. O outro, bom, foi lá pelos idos de 2000, quando estudava aqui. ou em 99. enfim, sempre estava trabalhando nessas épocas e nunca podia ficar a mercê dos exatos 310 filmes (número deste ano) espalhados entre 24/09 e 08/10.
entre as formosuras deste ano, 500 dias com ela, Bastardos Inglórios, Aconteceu em Woodstock, O Informante!, Distrito 9, Tokyo! e Distante nós vamos.
A maioria deles com certeza estará numa tela perto de você daqui algum tempo. Por isso mesmo, o interessante é se jogar nos indies latinos, europeus e orientais. Aí, meus camaradas, a gente se perde porque é um tal de ter que sair de Botafogo e chegar no centro em 20 minutos, ou estar na Gávea e depois correr para a Barra e depois voltar para o Leblon...
Estou com dois guias todos rabiscados tentando entender a melhor estratégia para ver tudo. Impossível. E talvez seja esse o grande ensinamento do Festival do Rio. Por mais que você possa ter acesso, é impossível ter tudo ao mesmo tempo. É necessário conviver com a força de escolhas que irão tirar algo de você. Como disse minha tia, quando escolhemos perdemos a liberdade. Mas ganhamos a direção.
***
E por falar em frases, Carlos Heitor Cony estava explicando porque ele é meio cara fechada e mandou essa:
"A pessoa quando sorri muito é porque está mal informada".
É o segundo (sim, apenas o segundo) ano em que posso participar ativamente. O outro, bom, foi lá pelos idos de 2000, quando estudava aqui. ou em 99. enfim, sempre estava trabalhando nessas épocas e nunca podia ficar a mercê dos exatos 310 filmes (número deste ano) espalhados entre 24/09 e 08/10.
entre as formosuras deste ano, 500 dias com ela, Bastardos Inglórios, Aconteceu em Woodstock, O Informante!, Distrito 9, Tokyo! e Distante nós vamos.
A maioria deles com certeza estará numa tela perto de você daqui algum tempo. Por isso mesmo, o interessante é se jogar nos indies latinos, europeus e orientais. Aí, meus camaradas, a gente se perde porque é um tal de ter que sair de Botafogo e chegar no centro em 20 minutos, ou estar na Gávea e depois correr para a Barra e depois voltar para o Leblon...
Estou com dois guias todos rabiscados tentando entender a melhor estratégia para ver tudo. Impossível. E talvez seja esse o grande ensinamento do Festival do Rio. Por mais que você possa ter acesso, é impossível ter tudo ao mesmo tempo. É necessário conviver com a força de escolhas que irão tirar algo de você. Como disse minha tia, quando escolhemos perdemos a liberdade. Mas ganhamos a direção.
***
E por falar em frases, Carlos Heitor Cony estava explicando porque ele é meio cara fechada e mandou essa:
"A pessoa quando sorri muito é porque está mal informada".
quinta-feira, setembro 24, 2009
coisas chatas de se escrever:
não faço a menor idéia do que fazer com a vida.
não estou mais morrendo de tesão pelo curso de cinema.
preciso parar de beber, mas não consigo.
***
coisas lindas de se ler
"Feliz da Criatura q tem por guia e emblema uma estrela. Por isso que o Botafogo está sempre no caminho certo. O caminho da Luz.
Feliz do clube que tem por escudo uma invenção de Deus."
(Armando Nogueira)
não faço a menor idéia do que fazer com a vida.
não estou mais morrendo de tesão pelo curso de cinema.
preciso parar de beber, mas não consigo.
***
coisas lindas de se ler
"Feliz da Criatura q tem por guia e emblema uma estrela. Por isso que o Botafogo está sempre no caminho certo. O caminho da Luz.
Feliz do clube que tem por escudo uma invenção de Deus."
(Armando Nogueira)
sexta-feira, setembro 18, 2009
19/08 – Filadelfia, PY.
Anotações para futura entrevista.
O que es el chaco. Zona de transicion, com terreno muy arenoso, el Chaco Central. La situacion de la água, mucho polvo.
Anotações do portuñol –
Polvo = pó
Pollo = frango
Pueblo = cidadezinha, povoado.
Salimos de Filadelfia muy tremprano. Comemos o desayuno no hotel mesmo. A estrada é toda de terra, muito esburacada. Hablamos portunhol todo lo tiempo. Elles se gustan de musica brasilera. Colocamos gasolina em uma birosca no meio da estrada. Bebemos refrigerante, a nosso último luxo permitido. Seguimos viagem e começamos o trabalho de monitoreo, que consiste em manter contato com as pessoas das estâncias, monitorando seus desmatamentos (desmontes) e catalogando quem são as pessoas que la trabalham, quem são os proprietários (dueños) e explicarmos como fazer caso haja contato ou como identificar as señales de presencia de los aislados voluntários. Filmamos belas tomas. Mas o mais importante é documentar toda a conversa entre a equipe Amotocodie e as pessoas. Paramos para almoçar na sede do Parque Nacional Defensores Del Chaco, na entrada do Chaco Paraguayo. Árvores típicas como o Palo Santo e o Palo Borracho estavam identificadas lá. Me lembrei do Paulinho, o Paulo Borracho, famoso mindingo boca mole da jurubeba. Mais estrada, mais polvo/talco (poeira, pó), e chegamos a Água Dulce. Um posto militar. No início pediram informações, mas quando mostramos ser da IA, se mostraram bem hospitaleiros. Essa estação militar é no meio da estrada, e os militares que pra lá vão, ficam basicamente sem contato com o mundo por alguns meses. No começo são assim, durões. Mas com o tempo, vão percebendo que estão jogados ali, esquecidos quase, e começam a ficar mais desleixados. Esses tinham acabado de chegar, mas ofereceram a estação para nos quedarmos, caso quiséssemos.
Fomos adelante e despues volvemos, pois quando iríamos montar o acampamento, ameaçou chover. Antes porém, avistaram um venado (eamo, em ayoreo). Fomos hacer caceria. Pausa no relato para dizer que essa é uma das palavras mais legais de toda a viagem: caceria.
Na verdade, Carlos foi fazer caceria. Entrou um pouco no mato, mas não disparou a espingarda. Se abaixou e subiu com o que pensei ser dois cocos secos na mão. Nos aproximamos e vi que eram na verdade dois tatus. Quiriquinchos. Íamos come-los, mas como voltamos para o posto do exercito, fizemos uma sopa com cebola, molho de tomate, papas e carne. O que, descobri depois, não era uma sopa, mas a comida que nos acostumaríamos a ter em praticamente todas as refeições: guiso. No posto militar havia água encanada e foi possível tomar banho e dormirmos embaixo de um teto, ainda que dentro das barracas. Segundo todos os veteranos de viagens assim, esse seria uma noite em um hotel 5 estrelas.
A noite foi tranqüila nas barracas. Mas amanhã, devemos acampar mesmo no mato.
20/08 – Chaco – Posto Militar de Agua Dulce.
Neste exato momento em que escrevo, os militares estão conversando com os Ayoreo. Estamos explanando o que se trata a Iniciativa Amotocodie, os relatos e as características dos sinais e contando um pouco a história do grupo. Aqui ficamos sabendo que um casal estrangeiro avistou uma da gente del monte perto de cerro Leon. Ou seria Serro Leon?
Filmamos a entrevista toda. E um pouco depois, o ataque fulminante do gatinho do posto a um camundongo venenoso e traiçoeiro.
Saímos do acampamento e seguimos nosso caminho rumo ao Norte/Oeste do estado do Alto Paraguay. Agora começariam as visitas às estâncias, que a todo momento nos indica a proibição de caça e pesca. E também cartelles de No entre. Incrível como somos bem recebidos (modo ironia ON). Apesar dos cartazes de não entre, entramos mesmo assim. E encontramos seu Orlando, um Brasileiro de Sta. Catarina. Sua fazenda, Santa Paulina, tem esse nome em homenagem a primeira santa brasileira. Falamos com ele e obtivemos boas informações. A melhor? Ele acha que o botafogo não perdeu ontem para o Santo André. Informaçao essa que foi desmentida assim que voltamos ao Hotel, uns três dias depois. O botafogo, sim, tinha perdido por 2x1. Seguimos viagem e paramos para caçar e almoçar. Os ayoreo entraram na mata e ficaram lá por um tempo. Enquanto fazíamos o fogo e o guiso, eles voltaram com muitas, mas muitas tartarugas. Talvez umas 30. Tortugas, como dizem. Ainda bem que temos carne de vaca para comer. E lá se foi ela, com macarrão, batata, molho de tomate...
Continuamos o caminho e Carlos viu outro venado. Dessa vez não teve jeito do bicho (ou da bicha, já que era uma fêmea) escapar. Bam. Tiro e queda. Animal abatido. Ao ser carregado, assim como os tatus caçados, se cagou todo. Espero não me cagar todo quando for morrer. O incrível que para os indígenas, andar no mato é como fazer supermercado. Entram no monte (mata em spañol) e saem com mel, tortugas, carne, frutas, tatus, veados, tamaduás, palmito...
O que pode nos colocar a pensar, quanto tempo eu sobreviveria aqui sozinho? E eles vivem durante toda a sua vida neste mesmo lugar. Culturas diferentes, mas que não me deixam de sentir um pouco de tristeza por saber que essa cultura nos foi roubada por carros, sanduíches e programas de TV. A vida está aqui, no mato.
Entramos em outra estância, de um menonita e não fomos bem recebidos. Na volta, vimos um zorro (uma raposa). Depois do Guará em Goiás, só mesmo uma raposa cruzando o caminho no Chaco. Anoitecia rápido. Achamos o local onde iríamos acampar, baixamos as coisas, começamos o fogo, montamos as barracas. Em no maximo 15 minutos, tudo estava pronto. Jogamos os tatus no fogo. Eu comi o fígado de um deles, apesar do Elton se mostrar muito preocupado em adquirir uma leiximaniose, que disse ser coisa que se pega comendo carne de tatu. Ele fez questão de tentar comer uma perninha, cheia de cabelo, praticamente um torresmo de tatu. Ainda bem que o prato principal estava sendo preparado por Duidé. Enganchado em uma arbol, o veado era escalpelado. Carne fresca e saborosa para a ceia. Adoramos poder ter comido aquela veada de noite. E ter usado fio-dental em seguida. Com todos os trocadilhos que poderiam acontecer, descobrimos que só no Chaco poderíamos fazer isso e não ouvirmos nenhuma piada. Depois Duidé entoou canções dos Ayoreo à luz da fogueira. A noite parecia perfeita. Fomos dormir tranqüilos. Mas quem disse que a vida no Chaco é fácil? Nessa noite o frio quase não nos deixou quieto. As orelhas, o nariz, as mãos, as pernas... tudo doía de frio. De manhã, mais frio, mas o mate quente e a fogueira nos ajudariam a despertar.
21/08
Começamos mais um dia com muito frio e entrando ainda mais dentro do Alto Paraguay. Se ainda não sabia o que é perrengue, agora sei. E posso dizer que até gosto dele. Dormir em barraca, com frio, sem travesseiro, sem colchão (ô colchonete duro, sô), sem banheiro, sem banho, comendo pão duro (o pão fica duro, mas dura pelo menos uma semana).
Entramos em uma estância chamada AGT, de outro menonita. Os donos estavam chegando, ou saindo, de monomotor, ou seja, teríamos que volvermos no mais tardar. Uma coisa interessante do Chaco é que, aqui, para se iniciar uma estância, a primeira coisa que se faz é a pista de pouso. Impossível contar com estradas mesmo. A línea 1, a 14 e a 2, que me lembro de ter passado são de assustar qualquer Land Rover.
Bom, depois do almoço nos separamos. Metade da equipe voltaria para AGT e a outra seguiria adiante em direção à Canoa, outra estância mais ao norte. Fui para Canoa onde fomos recebidos pelo administrador do local, seu Adolfo, um mineiro daqueles bem mineiros mesmo. Ficou feliz em hablar em português comigo. E como falou. Contou histórias do arco da velha e até nos mostrou onde estava um tucanito que ele e os dois irmãos paraguayos que trabalham com ele pegaram para “domesticar”. Ofereceu- nos local para ficar e comida. Mas continuamos nossa andança pelo Chaco e pelas estâncias, divulgando o trabalho da I.A. e do povo Ayoreo. Chegamos ao ponto mais ao norte de nossa viagem, uma pequena picada de onde é difícil seguir adiante. Estamos a 40 km da Bolívia, de acordo com o GPS. Daqui voltamos e encontramos um acampamento grande de trabalhadores. É uma sexta-feira e todos parecem estar desesperados por sair daqui e chegar a alguma cidade. Disseram que ficam na beira da estrada com as bolsas esperando que passem carros ou caminhões para dar carona a eles. Muitos deles terminaram seus serviços e simplesmente não tem como voltar para a cidade, ficam às vezes dias esperando uma carona. Tomamos terere, o difusor da gripe suína daqui, e seguimos em busca do local para nosso próximo acampamento. O acampamento era ao lado da Linea 14, um matagal próximo de uma casa abandonada. Limpamos o terreno e fizemos nosso acampamento. Dessa vez precisamos correr para montar tudo porque a luz estava caindo muito rapidamente. Carlos e Aquino foram ver a casa e voltaram de lá com 3 aboboras das grandes. Na casa não havia ninguém, nem sinal de que seu dono pudesse ter só dado uma volta. O abandono era real. Cozinhamos um guiso com arroz em vez de macarrão. Uma boa mudança de cardápio. Mas o restante era o mesmo: batatas, molho de tomate, carne. Despues, Carlitos fué dormir. E levou a espingarda consigo. Disse que poderia haver tigre (onça) e que esse poderia ser o motivo do abandono da casa pelo antigo dono. Porra, onça?! Agora, aqui?
Pensei que não passaria dessa noite, que não conseguiria dormir, paralisado pelo medo de virar o jantar de alguma onça safada. Ficamos todos tensos. Mais tarde uma camioneta apareceu. Trazia na caçamba um gato, como chamam uma oncita do tamanho de um gato grande caçado por eles. Acho que relaxamos um pouco mais depois disso e nos recolhemos as nossas barracas. Mais uma vez dividia espaço com mais três caras. Ainda bem que até esse dia as coisas pareciam sobre controle. As coisas seriam o cheiro de cada um já indo para o terceiro dia sem banho...
22/08
Vocabulário spañol-português (já diferente das Anotações do portuñol )
Jerga – gíria
Testigos – testemunhas
Testimonios - depoimentos
Yerba-erva
Galletas –biscoito, mas também uns pãezinhos llamados galletitas.
Levantamos inteiros, graças a Deus. Tomamos nossa yerba (mate), nosso café com leite e nosso pão cada vez mais parecido com uma pedra. Ou a pedra que ainda continuam a chamar de pão. Fui obrigado a joga-lo na caneca de café com leite, esperando que amolecesse para que a mordida não quebrasse algum dente. Afinal estava no meio do mato!
Voltamos ao local onde estava o acampamento ontem. Os caras que estavam no meio da estrada ainda estavam lá à espera de uma carona. Pobres coitados. Ali conversamos mais um pouco com um dos chefes do acampamento. Quer dizer, conversamos nada, porque o cara falava em guarani e só o Junior entendia e falava também. A intenção era chegarmos a uma laguna que tínhamos descoberto no GoOgle Earth. O local era ali perto e eles sabiam como chegar. Foram em um trator na frente para nos mostrar onde era a laguna. Lá, encontramos sinais dos ancestrais Ayoreo que habitavam essa área. Era importante filmarmos bem esse local, pois depois ele será mostrado para anciões nas aldeias e eles poderão reconhecer ou não esse lugar. O local é belíssimo realmente com muita grama e arvores frondosas, diferentes das arvores das áreas mais secas do Chaco. A sensação de Paz é incrível. Avistamos uma árvore com um corte feito por algum ayoreo carpinteiro. Provavelmente para fazer os sapatos que usavam. Marca indiscutível que antepassados habitaram essa área.
***
Pausa para recordar dados do pueblo ayoreo. Os Ayoreo tiveram seu primeiro contato com o homem branco no final dos anos 50. Ou seja, ha 50 anos mais ou menos. Entao, para Carlitos, Duidé, Aquino e Mateo, essa área é a área onde moravam seus pais e avós, e onde eles mesmos viveram até os sete, nove, doze anos de idade. E para comprovar como esse contato é recente e como é possível que existam alguns grupos sem contato algum ainda, segue um pequeno histórico dos últimos encontros/contatos:
1986/1987 – 1 grupo faz contato com jesuítas.
1997 – 2 grupos fazem contato
2004 – outro grupo faz contato e diz que saíram fugidos do grupo porque foram ameaçados, já que quebraram uma regra de convivência e a única forma de sobreviverem que encontraram foi sair do monte e fazer contato.
Ou seja, se a partir dessa época não houve outro contato, há PELO MENOS, um grupo isolado ainda. Mas sabe-se pela presença e pelo encontro de sinais que pode haver mais 4 ou 5 grupos, o que totalizaria 5 ou 6 grupos diferentes de indígenas ayoreo em isolamento voluntário. O problema, o grande problema, é a velocidade com que acontece o desmatamento da área para a plantação de pasto e para a criação de gado. Com a movimentação intensa em uma área normalmente calma, os ayoreo isolados estão sendo expulsos de suas terras, sendo empurrados para as poucas áreas em que encontram paz. Infelizmente o desmatamento causa também um impacto muito grande na vida selvagem do Chaco, o que dificulta a obtenção de comida, antes farta, de água, encontrada em pouquissimos locais no Chaco, e por isso tão importante para eles, e de local para o cultivo, possível apenas durante a época de chuva. Encurralados, os grupos correm um risco cada vez maior de ser encontrado, o que pode ser mortal para eles, por causa de nossas doenças. Uma bactéria mortal ou um germe pode estar presente até em uma inofensiva camisa. Ou mesmo mortal para quem os encontrar, pois podem se mostrar muito agressivos algumas vezes.
Dicionario ayoreo –
Coñones - homem branco
Eamo – veado
Eami – o mundo, o universo. Para eles, o Chaco, que é todo o universo que conhecem e o único que realmente importa.
Ñacanipis – obrigado
Voaia – oi, olá
***
Voltando ao local da laguna, nos afastamos um pouco dela e entramos fundo no Chaco acompanhando Carlos, Duidé e Mateo na busca por mais sinais que seus pais e avós poderiam ter deixado. É incrível se meter em el monte adentro e se sentir um ser tão estranho a ele. Nos mostraram alguns outros sinais e filmamos uns depoimentos. É muito, muito fácil se perder dentro da mata. O chão tem cipós que parecem cordas que prendem seus pés e pernas. Culpa dos espinhos tão presentes na flora daqui. Apesar das arvores serem espaçadas, delas caem mais cipós com espinhos, o que torna bem difícil a caminhada no monte. E apenas alguns passos monte adentro você perde a noção de onde estava e para onde vai. Ainda bem que com eles não há esse problema. Voltamos para os carros e para nossa pequena expedição. Terceiro dia sem banho. No máximo lavamos as mãos, que se sujam rapidamente. Como no Chaco é muito difícil encontrar um rio, uma lago, uma fonte natural de água, se coleta água da chuva que cai durante o ano. E é dessa água que bebemos. Quando possível, faz-se um poço artesiano. Quando possível, pois já furaram 300 metros e não acharam água alguma. Já furaram 60 metros e só acharam água salobra...
Já não nos preocupamos em lavar tão bem nossa louça, e comemos com a mão suja do pó que levanta das carreteras paraguayas, as lineas.
Não há como negar que viver assim, sem contato com o “mundo real” é animador. Sem informações, criamos a nossa própria realidade. Hoje sonhei que o Sarney havia renunciado. Ontem sonhei que era o namorado de uma amiga. A vida nesse lugar que parece afastado de tudo não é melhor nem pior, só diferente. Diferente do que nos acostumamos a chamar de normal.
Hoje antes do almoço, aquele guiso de sempre, coletamos dois palmitos. Foi a entrada. Só faltou o gosto do conservante que vem naquela água do palmito que como normalmente. Depois do almoço, outra estância. Dessa vez tivemos a infeliz idéia de entrarmos em uma fazendo que estava desmatando fervorosamente o Chaco. Topadoras trabalhavam trazendo o som da morte em suas engrenagens que pareciam gritar. Filmamos o acontecimento e conversamos com alguns trabalhadores, já a muito despidos de qualquer forma de auto-estima. Todos cobertos de poeira, e bebendo uma água assustadoramente ruim.
Sim, tomamos terere com eles também. E tínhamos um problema importantíssimo para sanar: nossa água tinha acabado. Lá nessa estância conseguimos encher um galão de água, mesmo que fosse dessa água salobra e com um gosto grosso, quase como um leite. No Chaco dizem ser necessário tomar, não dois, mas quatro litros de água por dia.
Seguimos viagem e saímos da línea 14 para línea 1. Há poeira por todo lado. Tenemos todos uma camada de pó sobre todo o corpo. Caminhões carregados de gado passam a todo o tempo, carregando 80 cabeças cada. Esses monstros quase não cabem na estrada, de terra, pequena e esburacada. Temos que praticamente nos jogarmos para fora da estrada para dar passagem para eles. E tome mais polvo levantado em cima de nosotros. LLegamos a uma estância, KARA KARA. Seu dono, muito furtivo, não nos disse seu nome. Primeiro se identificou como brasileiro. Depois como português e só então como moçambicano. Sua estância é belíssima, sem nem uma arvore a vista. Apenas grama. Havia um trator, três caminhões, um barco, um avião particular e pela primeira vez, todos os empregados andavam com armas na cintura. Todos da equipe o acharam muito suspeito. Seu envolvimento com Ponta Porã nos deixou ainda mais inquietos. Seria ele um Narco? Pelo menos nos ofereceu uma cervejinha gelada (e nos deu exatas 12 latinhas geladas da cerveza Ouro Fino e mais 6 garrafas de 500 ml de coca para os ayoreo que não bebem álcool). Segundo Elton, ele nos embebeda e depois nos mata. Assim fica mais fácil. Enchemos mais dois galões de água, essas sim beeeeem bebíveis e milhões de vezes melhor do que a dos trabalhadores da estância Chovoreca. Nos ofereceu sua propriedade para nos quedarmos, mas os ayoreo não se sentem a vontade perto dos estanceiros. É como se você fosse convidado para ficar na casa dos assassinos de alguém da sua família. Eu acho. Acampamos assim que saímos de Kara Kara. Fizemos nosso foguinho, e dessa vez eu fui o encarregado pelo jantar. Deixei o guiso quase sem água, com arroz em vez de macarrão. Um quase risoto. Não fez muito sucesso pelo jeito, mas também não houve reclamação. Os pães, de tão duros, já estão servindo apenas para serem triturados e transformados em uma espécie de farinha muito primitiva. Aqui tenho que lembrar também do picante de Bolívia que os Ayoreo trouxeram para a expedição. Picante=pimenta. Em pó. Delicia, forte e saborosa. Olha ali, um zorro. No meio do mato, nos olhando. Tentamos filmar, mas ele se foi. Apareceu somente de madrugada para pegar os restos da cebola q descascamos para fazermos o jantar. No meio da noite, éramos acordados com caminhões de gado que passavam pela línea, a não mais que alguns metros de nosso acampamento. Todos dormiram meio mal e se mexeram bastante durante a noite. As duas e meia da matina, os ayoreo acordaram e não dormiram mais. Nosotros acordamos as cinco da manha. Era dia 23/08. Domingo.
23/08 – Domingo
Enquanto haciamos o desayuno, os ayoreo olharam para o céu e disseram, vem chuva. Ok, pensamos. Daqui uma meia hora, disseram. 29 minutos depois, eles se levantaram, pegaram suas mochilas na barraca e entraram nos carros. Quando entendemos o porquê daquela debandada em massa dos indígenas, era tarde demais. A água começou a cair do céu. Corremos para desarmarmos as barracas, debaixo de chuva. O pó que cobria o chão se tornava em um barro fino que grudava na sola do sapato, fazendo com q a gente ganhasse centímetros e quilos a mais em questão de segundos. Depois de uns 10 minutos a chuva se foi. Segundo eles isso era um sinal. Se depois da chuva, viesse um sol forte e perene era sinal de perigo, talvez de morte. Se o céu continuasse fechado, poderíamos seguir com nossa viagem, por mais uns 100 kilometros ate quase a fronteira com o Brasil.
O céu continuou fechado. Mas agora o problema era outro. A possibilidade real de muita chuva, o que faria com que a estrada enchesse de água e nos obrigasse a ter que esperar a água baixar. Uma conferencia foi feita e depois de mais ou menos 1 hora de conversa foi resolvidos, voltaríamos. Arrumamos as nossas coisas (as barracas encharcadas) e começamos nossa volta. A estrada, se já não era das melhores, com a chuva ficou cheia de lama. Pulavamos mais do que feijones saltitantes. E as rodas da camioneta da frente jogava verdadeiras pedras de lama de seus pneus para o alto.
Vocabulário spañol-português (já diferente das Anotações do portuñol )
Poroto = feijão
Feijones = ...
Não existe tal palabra.
Arreglar – consertar
Estrañar – sentir saudade
Manejar – dirigir
Anojar-se – se irritar
Aborrido – aborrecido
Lechugas - alfaces
***
continua...
Anotações para futura entrevista.
O que es el chaco. Zona de transicion, com terreno muy arenoso, el Chaco Central. La situacion de la água, mucho polvo.
Anotações do portuñol –
Polvo = pó
Pollo = frango
Pueblo = cidadezinha, povoado.
Salimos de Filadelfia muy tremprano. Comemos o desayuno no hotel mesmo. A estrada é toda de terra, muito esburacada. Hablamos portunhol todo lo tiempo. Elles se gustan de musica brasilera. Colocamos gasolina em uma birosca no meio da estrada. Bebemos refrigerante, a nosso último luxo permitido. Seguimos viagem e começamos o trabalho de monitoreo, que consiste em manter contato com as pessoas das estâncias, monitorando seus desmatamentos (desmontes) e catalogando quem são as pessoas que la trabalham, quem são os proprietários (dueños) e explicarmos como fazer caso haja contato ou como identificar as señales de presencia de los aislados voluntários. Filmamos belas tomas. Mas o mais importante é documentar toda a conversa entre a equipe Amotocodie e as pessoas. Paramos para almoçar na sede do Parque Nacional Defensores Del Chaco, na entrada do Chaco Paraguayo. Árvores típicas como o Palo Santo e o Palo Borracho estavam identificadas lá. Me lembrei do Paulinho, o Paulo Borracho, famoso mindingo boca mole da jurubeba. Mais estrada, mais polvo/talco (poeira, pó), e chegamos a Água Dulce. Um posto militar. No início pediram informações, mas quando mostramos ser da IA, se mostraram bem hospitaleiros. Essa estação militar é no meio da estrada, e os militares que pra lá vão, ficam basicamente sem contato com o mundo por alguns meses. No começo são assim, durões. Mas com o tempo, vão percebendo que estão jogados ali, esquecidos quase, e começam a ficar mais desleixados. Esses tinham acabado de chegar, mas ofereceram a estação para nos quedarmos, caso quiséssemos.
Fomos adelante e despues volvemos, pois quando iríamos montar o acampamento, ameaçou chover. Antes porém, avistaram um venado (eamo, em ayoreo). Fomos hacer caceria. Pausa no relato para dizer que essa é uma das palavras mais legais de toda a viagem: caceria.
Na verdade, Carlos foi fazer caceria. Entrou um pouco no mato, mas não disparou a espingarda. Se abaixou e subiu com o que pensei ser dois cocos secos na mão. Nos aproximamos e vi que eram na verdade dois tatus. Quiriquinchos. Íamos come-los, mas como voltamos para o posto do exercito, fizemos uma sopa com cebola, molho de tomate, papas e carne. O que, descobri depois, não era uma sopa, mas a comida que nos acostumaríamos a ter em praticamente todas as refeições: guiso. No posto militar havia água encanada e foi possível tomar banho e dormirmos embaixo de um teto, ainda que dentro das barracas. Segundo todos os veteranos de viagens assim, esse seria uma noite em um hotel 5 estrelas.
A noite foi tranqüila nas barracas. Mas amanhã, devemos acampar mesmo no mato.
20/08 – Chaco – Posto Militar de Agua Dulce.
Neste exato momento em que escrevo, os militares estão conversando com os Ayoreo. Estamos explanando o que se trata a Iniciativa Amotocodie, os relatos e as características dos sinais e contando um pouco a história do grupo. Aqui ficamos sabendo que um casal estrangeiro avistou uma da gente del monte perto de cerro Leon. Ou seria Serro Leon?
Filmamos a entrevista toda. E um pouco depois, o ataque fulminante do gatinho do posto a um camundongo venenoso e traiçoeiro.
Saímos do acampamento e seguimos nosso caminho rumo ao Norte/Oeste do estado do Alto Paraguay. Agora começariam as visitas às estâncias, que a todo momento nos indica a proibição de caça e pesca. E também cartelles de No entre. Incrível como somos bem recebidos (modo ironia ON). Apesar dos cartazes de não entre, entramos mesmo assim. E encontramos seu Orlando, um Brasileiro de Sta. Catarina. Sua fazenda, Santa Paulina, tem esse nome em homenagem a primeira santa brasileira. Falamos com ele e obtivemos boas informações. A melhor? Ele acha que o botafogo não perdeu ontem para o Santo André. Informaçao essa que foi desmentida assim que voltamos ao Hotel, uns três dias depois. O botafogo, sim, tinha perdido por 2x1. Seguimos viagem e paramos para caçar e almoçar. Os ayoreo entraram na mata e ficaram lá por um tempo. Enquanto fazíamos o fogo e o guiso, eles voltaram com muitas, mas muitas tartarugas. Talvez umas 30. Tortugas, como dizem. Ainda bem que temos carne de vaca para comer. E lá se foi ela, com macarrão, batata, molho de tomate...
Continuamos o caminho e Carlos viu outro venado. Dessa vez não teve jeito do bicho (ou da bicha, já que era uma fêmea) escapar. Bam. Tiro e queda. Animal abatido. Ao ser carregado, assim como os tatus caçados, se cagou todo. Espero não me cagar todo quando for morrer. O incrível que para os indígenas, andar no mato é como fazer supermercado. Entram no monte (mata em spañol) e saem com mel, tortugas, carne, frutas, tatus, veados, tamaduás, palmito...
O que pode nos colocar a pensar, quanto tempo eu sobreviveria aqui sozinho? E eles vivem durante toda a sua vida neste mesmo lugar. Culturas diferentes, mas que não me deixam de sentir um pouco de tristeza por saber que essa cultura nos foi roubada por carros, sanduíches e programas de TV. A vida está aqui, no mato.
Entramos em outra estância, de um menonita e não fomos bem recebidos. Na volta, vimos um zorro (uma raposa). Depois do Guará em Goiás, só mesmo uma raposa cruzando o caminho no Chaco. Anoitecia rápido. Achamos o local onde iríamos acampar, baixamos as coisas, começamos o fogo, montamos as barracas. Em no maximo 15 minutos, tudo estava pronto. Jogamos os tatus no fogo. Eu comi o fígado de um deles, apesar do Elton se mostrar muito preocupado em adquirir uma leiximaniose, que disse ser coisa que se pega comendo carne de tatu. Ele fez questão de tentar comer uma perninha, cheia de cabelo, praticamente um torresmo de tatu. Ainda bem que o prato principal estava sendo preparado por Duidé. Enganchado em uma arbol, o veado era escalpelado. Carne fresca e saborosa para a ceia. Adoramos poder ter comido aquela veada de noite. E ter usado fio-dental em seguida. Com todos os trocadilhos que poderiam acontecer, descobrimos que só no Chaco poderíamos fazer isso e não ouvirmos nenhuma piada. Depois Duidé entoou canções dos Ayoreo à luz da fogueira. A noite parecia perfeita. Fomos dormir tranqüilos. Mas quem disse que a vida no Chaco é fácil? Nessa noite o frio quase não nos deixou quieto. As orelhas, o nariz, as mãos, as pernas... tudo doía de frio. De manhã, mais frio, mas o mate quente e a fogueira nos ajudariam a despertar.
21/08
Começamos mais um dia com muito frio e entrando ainda mais dentro do Alto Paraguay. Se ainda não sabia o que é perrengue, agora sei. E posso dizer que até gosto dele. Dormir em barraca, com frio, sem travesseiro, sem colchão (ô colchonete duro, sô), sem banheiro, sem banho, comendo pão duro (o pão fica duro, mas dura pelo menos uma semana).
Entramos em uma estância chamada AGT, de outro menonita. Os donos estavam chegando, ou saindo, de monomotor, ou seja, teríamos que volvermos no mais tardar. Uma coisa interessante do Chaco é que, aqui, para se iniciar uma estância, a primeira coisa que se faz é a pista de pouso. Impossível contar com estradas mesmo. A línea 1, a 14 e a 2, que me lembro de ter passado são de assustar qualquer Land Rover.
Bom, depois do almoço nos separamos. Metade da equipe voltaria para AGT e a outra seguiria adiante em direção à Canoa, outra estância mais ao norte. Fui para Canoa onde fomos recebidos pelo administrador do local, seu Adolfo, um mineiro daqueles bem mineiros mesmo. Ficou feliz em hablar em português comigo. E como falou. Contou histórias do arco da velha e até nos mostrou onde estava um tucanito que ele e os dois irmãos paraguayos que trabalham com ele pegaram para “domesticar”. Ofereceu- nos local para ficar e comida. Mas continuamos nossa andança pelo Chaco e pelas estâncias, divulgando o trabalho da I.A. e do povo Ayoreo. Chegamos ao ponto mais ao norte de nossa viagem, uma pequena picada de onde é difícil seguir adiante. Estamos a 40 km da Bolívia, de acordo com o GPS. Daqui voltamos e encontramos um acampamento grande de trabalhadores. É uma sexta-feira e todos parecem estar desesperados por sair daqui e chegar a alguma cidade. Disseram que ficam na beira da estrada com as bolsas esperando que passem carros ou caminhões para dar carona a eles. Muitos deles terminaram seus serviços e simplesmente não tem como voltar para a cidade, ficam às vezes dias esperando uma carona. Tomamos terere, o difusor da gripe suína daqui, e seguimos em busca do local para nosso próximo acampamento. O acampamento era ao lado da Linea 14, um matagal próximo de uma casa abandonada. Limpamos o terreno e fizemos nosso acampamento. Dessa vez precisamos correr para montar tudo porque a luz estava caindo muito rapidamente. Carlos e Aquino foram ver a casa e voltaram de lá com 3 aboboras das grandes. Na casa não havia ninguém, nem sinal de que seu dono pudesse ter só dado uma volta. O abandono era real. Cozinhamos um guiso com arroz em vez de macarrão. Uma boa mudança de cardápio. Mas o restante era o mesmo: batatas, molho de tomate, carne. Despues, Carlitos fué dormir. E levou a espingarda consigo. Disse que poderia haver tigre (onça) e que esse poderia ser o motivo do abandono da casa pelo antigo dono. Porra, onça?! Agora, aqui?
Pensei que não passaria dessa noite, que não conseguiria dormir, paralisado pelo medo de virar o jantar de alguma onça safada. Ficamos todos tensos. Mais tarde uma camioneta apareceu. Trazia na caçamba um gato, como chamam uma oncita do tamanho de um gato grande caçado por eles. Acho que relaxamos um pouco mais depois disso e nos recolhemos as nossas barracas. Mais uma vez dividia espaço com mais três caras. Ainda bem que até esse dia as coisas pareciam sobre controle. As coisas seriam o cheiro de cada um já indo para o terceiro dia sem banho...
22/08
Vocabulário spañol-português (já diferente das Anotações do portuñol )
Jerga – gíria
Testigos – testemunhas
Testimonios - depoimentos
Yerba-erva
Galletas –biscoito, mas também uns pãezinhos llamados galletitas.
Levantamos inteiros, graças a Deus. Tomamos nossa yerba (mate), nosso café com leite e nosso pão cada vez mais parecido com uma pedra. Ou a pedra que ainda continuam a chamar de pão. Fui obrigado a joga-lo na caneca de café com leite, esperando que amolecesse para que a mordida não quebrasse algum dente. Afinal estava no meio do mato!
Voltamos ao local onde estava o acampamento ontem. Os caras que estavam no meio da estrada ainda estavam lá à espera de uma carona. Pobres coitados. Ali conversamos mais um pouco com um dos chefes do acampamento. Quer dizer, conversamos nada, porque o cara falava em guarani e só o Junior entendia e falava também. A intenção era chegarmos a uma laguna que tínhamos descoberto no GoOgle Earth. O local era ali perto e eles sabiam como chegar. Foram em um trator na frente para nos mostrar onde era a laguna. Lá, encontramos sinais dos ancestrais Ayoreo que habitavam essa área. Era importante filmarmos bem esse local, pois depois ele será mostrado para anciões nas aldeias e eles poderão reconhecer ou não esse lugar. O local é belíssimo realmente com muita grama e arvores frondosas, diferentes das arvores das áreas mais secas do Chaco. A sensação de Paz é incrível. Avistamos uma árvore com um corte feito por algum ayoreo carpinteiro. Provavelmente para fazer os sapatos que usavam. Marca indiscutível que antepassados habitaram essa área.
***
Pausa para recordar dados do pueblo ayoreo. Os Ayoreo tiveram seu primeiro contato com o homem branco no final dos anos 50. Ou seja, ha 50 anos mais ou menos. Entao, para Carlitos, Duidé, Aquino e Mateo, essa área é a área onde moravam seus pais e avós, e onde eles mesmos viveram até os sete, nove, doze anos de idade. E para comprovar como esse contato é recente e como é possível que existam alguns grupos sem contato algum ainda, segue um pequeno histórico dos últimos encontros/contatos:
1986/1987 – 1 grupo faz contato com jesuítas.
1997 – 2 grupos fazem contato
2004 – outro grupo faz contato e diz que saíram fugidos do grupo porque foram ameaçados, já que quebraram uma regra de convivência e a única forma de sobreviverem que encontraram foi sair do monte e fazer contato.
Ou seja, se a partir dessa época não houve outro contato, há PELO MENOS, um grupo isolado ainda. Mas sabe-se pela presença e pelo encontro de sinais que pode haver mais 4 ou 5 grupos, o que totalizaria 5 ou 6 grupos diferentes de indígenas ayoreo em isolamento voluntário. O problema, o grande problema, é a velocidade com que acontece o desmatamento da área para a plantação de pasto e para a criação de gado. Com a movimentação intensa em uma área normalmente calma, os ayoreo isolados estão sendo expulsos de suas terras, sendo empurrados para as poucas áreas em que encontram paz. Infelizmente o desmatamento causa também um impacto muito grande na vida selvagem do Chaco, o que dificulta a obtenção de comida, antes farta, de água, encontrada em pouquissimos locais no Chaco, e por isso tão importante para eles, e de local para o cultivo, possível apenas durante a época de chuva. Encurralados, os grupos correm um risco cada vez maior de ser encontrado, o que pode ser mortal para eles, por causa de nossas doenças. Uma bactéria mortal ou um germe pode estar presente até em uma inofensiva camisa. Ou mesmo mortal para quem os encontrar, pois podem se mostrar muito agressivos algumas vezes.
Dicionario ayoreo –
Coñones - homem branco
Eamo – veado
Eami – o mundo, o universo. Para eles, o Chaco, que é todo o universo que conhecem e o único que realmente importa.
Ñacanipis – obrigado
Voaia – oi, olá
***
Voltando ao local da laguna, nos afastamos um pouco dela e entramos fundo no Chaco acompanhando Carlos, Duidé e Mateo na busca por mais sinais que seus pais e avós poderiam ter deixado. É incrível se meter em el monte adentro e se sentir um ser tão estranho a ele. Nos mostraram alguns outros sinais e filmamos uns depoimentos. É muito, muito fácil se perder dentro da mata. O chão tem cipós que parecem cordas que prendem seus pés e pernas. Culpa dos espinhos tão presentes na flora daqui. Apesar das arvores serem espaçadas, delas caem mais cipós com espinhos, o que torna bem difícil a caminhada no monte. E apenas alguns passos monte adentro você perde a noção de onde estava e para onde vai. Ainda bem que com eles não há esse problema. Voltamos para os carros e para nossa pequena expedição. Terceiro dia sem banho. No máximo lavamos as mãos, que se sujam rapidamente. Como no Chaco é muito difícil encontrar um rio, uma lago, uma fonte natural de água, se coleta água da chuva que cai durante o ano. E é dessa água que bebemos. Quando possível, faz-se um poço artesiano. Quando possível, pois já furaram 300 metros e não acharam água alguma. Já furaram 60 metros e só acharam água salobra...
Já não nos preocupamos em lavar tão bem nossa louça, e comemos com a mão suja do pó que levanta das carreteras paraguayas, as lineas.
Não há como negar que viver assim, sem contato com o “mundo real” é animador. Sem informações, criamos a nossa própria realidade. Hoje sonhei que o Sarney havia renunciado. Ontem sonhei que era o namorado de uma amiga. A vida nesse lugar que parece afastado de tudo não é melhor nem pior, só diferente. Diferente do que nos acostumamos a chamar de normal.
Hoje antes do almoço, aquele guiso de sempre, coletamos dois palmitos. Foi a entrada. Só faltou o gosto do conservante que vem naquela água do palmito que como normalmente. Depois do almoço, outra estância. Dessa vez tivemos a infeliz idéia de entrarmos em uma fazendo que estava desmatando fervorosamente o Chaco. Topadoras trabalhavam trazendo o som da morte em suas engrenagens que pareciam gritar. Filmamos o acontecimento e conversamos com alguns trabalhadores, já a muito despidos de qualquer forma de auto-estima. Todos cobertos de poeira, e bebendo uma água assustadoramente ruim.
Sim, tomamos terere com eles também. E tínhamos um problema importantíssimo para sanar: nossa água tinha acabado. Lá nessa estância conseguimos encher um galão de água, mesmo que fosse dessa água salobra e com um gosto grosso, quase como um leite. No Chaco dizem ser necessário tomar, não dois, mas quatro litros de água por dia.
Seguimos viagem e saímos da línea 14 para línea 1. Há poeira por todo lado. Tenemos todos uma camada de pó sobre todo o corpo. Caminhões carregados de gado passam a todo o tempo, carregando 80 cabeças cada. Esses monstros quase não cabem na estrada, de terra, pequena e esburacada. Temos que praticamente nos jogarmos para fora da estrada para dar passagem para eles. E tome mais polvo levantado em cima de nosotros. LLegamos a uma estância, KARA KARA. Seu dono, muito furtivo, não nos disse seu nome. Primeiro se identificou como brasileiro. Depois como português e só então como moçambicano. Sua estância é belíssima, sem nem uma arvore a vista. Apenas grama. Havia um trator, três caminhões, um barco, um avião particular e pela primeira vez, todos os empregados andavam com armas na cintura. Todos da equipe o acharam muito suspeito. Seu envolvimento com Ponta Porã nos deixou ainda mais inquietos. Seria ele um Narco? Pelo menos nos ofereceu uma cervejinha gelada (e nos deu exatas 12 latinhas geladas da cerveza Ouro Fino e mais 6 garrafas de 500 ml de coca para os ayoreo que não bebem álcool). Segundo Elton, ele nos embebeda e depois nos mata. Assim fica mais fácil. Enchemos mais dois galões de água, essas sim beeeeem bebíveis e milhões de vezes melhor do que a dos trabalhadores da estância Chovoreca. Nos ofereceu sua propriedade para nos quedarmos, mas os ayoreo não se sentem a vontade perto dos estanceiros. É como se você fosse convidado para ficar na casa dos assassinos de alguém da sua família. Eu acho. Acampamos assim que saímos de Kara Kara. Fizemos nosso foguinho, e dessa vez eu fui o encarregado pelo jantar. Deixei o guiso quase sem água, com arroz em vez de macarrão. Um quase risoto. Não fez muito sucesso pelo jeito, mas também não houve reclamação. Os pães, de tão duros, já estão servindo apenas para serem triturados e transformados em uma espécie de farinha muito primitiva. Aqui tenho que lembrar também do picante de Bolívia que os Ayoreo trouxeram para a expedição. Picante=pimenta. Em pó. Delicia, forte e saborosa. Olha ali, um zorro. No meio do mato, nos olhando. Tentamos filmar, mas ele se foi. Apareceu somente de madrugada para pegar os restos da cebola q descascamos para fazermos o jantar. No meio da noite, éramos acordados com caminhões de gado que passavam pela línea, a não mais que alguns metros de nosso acampamento. Todos dormiram meio mal e se mexeram bastante durante a noite. As duas e meia da matina, os ayoreo acordaram e não dormiram mais. Nosotros acordamos as cinco da manha. Era dia 23/08. Domingo.
23/08 – Domingo
Enquanto haciamos o desayuno, os ayoreo olharam para o céu e disseram, vem chuva. Ok, pensamos. Daqui uma meia hora, disseram. 29 minutos depois, eles se levantaram, pegaram suas mochilas na barraca e entraram nos carros. Quando entendemos o porquê daquela debandada em massa dos indígenas, era tarde demais. A água começou a cair do céu. Corremos para desarmarmos as barracas, debaixo de chuva. O pó que cobria o chão se tornava em um barro fino que grudava na sola do sapato, fazendo com q a gente ganhasse centímetros e quilos a mais em questão de segundos. Depois de uns 10 minutos a chuva se foi. Segundo eles isso era um sinal. Se depois da chuva, viesse um sol forte e perene era sinal de perigo, talvez de morte. Se o céu continuasse fechado, poderíamos seguir com nossa viagem, por mais uns 100 kilometros ate quase a fronteira com o Brasil.
O céu continuou fechado. Mas agora o problema era outro. A possibilidade real de muita chuva, o que faria com que a estrada enchesse de água e nos obrigasse a ter que esperar a água baixar. Uma conferencia foi feita e depois de mais ou menos 1 hora de conversa foi resolvidos, voltaríamos. Arrumamos as nossas coisas (as barracas encharcadas) e começamos nossa volta. A estrada, se já não era das melhores, com a chuva ficou cheia de lama. Pulavamos mais do que feijones saltitantes. E as rodas da camioneta da frente jogava verdadeiras pedras de lama de seus pneus para o alto.
Vocabulário spañol-português (já diferente das Anotações do portuñol )
Poroto = feijão
Feijones = ...
Não existe tal palabra.
Arreglar – consertar
Estrañar – sentir saudade
Manejar – dirigir
Anojar-se – se irritar
Aborrido – aborrecido
Lechugas - alfaces
***
continua...
segunda-feira, setembro 14, 2009
Filmes 2009 - a lista
ressaca de amor (assistido. veredito: OK)
sonho de cassandra
Presságio
Um ato de liberdade
Che
Novo Mundo
Entre os muros
Casamento de rachel (assistido. veredito: muito bom)
A troca
Max Payne
A espiã
Control(assistido. veredito: muito bom)
Vale das Sombras
Paris, te amo
solução final
Guru do amor
A amor não tem regras
O passado
Milagre em Sta. Ana
Guerra ao Terror
Rede de Mentiras (assistido. veredito: bom)
Controle Absoluto
Corrida Mortal
Arquivo X
O nevoeiro
Bolas em pânico
Um louco apaixonado
Coraline
Segurança de Shopping
Crepúsculo\\
ressaca de amor (assistido. veredito: OK)
sonho de cassandra
Presságio
Um ato de liberdade
Che
Novo Mundo
Entre os muros
Casamento de rachel (assistido. veredito: muito bom)
A troca
Max Payne
A espiã
Control(assistido. veredito: muito bom)
Vale das Sombras
Paris, te amo
solução final
Guru do amor
A amor não tem regras
O passado
Milagre em Sta. Ana
Guerra ao Terror
Rede de Mentiras (assistido. veredito: bom)
Controle Absoluto
Corrida Mortal
Arquivo X
O nevoeiro
Bolas em pânico
Um louco apaixonado
Coraline
Segurança de Shopping
Crepúsculo\\
Bobeira dizer isso mas a letra L é a letra do electrorock. Ou seja lá o que seja isso. Synthpop talvez.
Veja só: La roux e ladyhawke. Lifelike e Le CastleVania.
De gruja lazersnakes e Lilly Allen.
***
Frente fria no Rio. O pessoal diz que foram os paulistas que mandaram porque esse domingo fez um puta dia lindo aqui no Rio, com praia e futebol e chopp e tudo mais.
Veja só: La roux e ladyhawke. Lifelike e Le CastleVania.
De gruja lazersnakes e Lilly Allen.
***
Frente fria no Rio. O pessoal diz que foram os paulistas que mandaram porque esse domingo fez um puta dia lindo aqui no Rio, com praia e futebol e chopp e tudo mais.
sexta-feira, setembro 11, 2009
Aos poucos vai saindo o diário da viagem ao Paraguay.
o problema é digitar tudo o que já está escrito no caderno. Mas enfim, um pedaço já escrevi.
********
Se sábado se tornou quase que inesquecível, por causa do show do Friendly Fires, maravilhosos e totalmente em forma, o mesmo não pode se dizer do domingo que o seguiu. Acordei perto da uma da tarde, meio destruído de duas noites seguidas de shows e bebida. Como havia me programado para sair daqui do Rio rumo a Jacareí, hometown do brother Elton, às 9 da matina, me senti meio perdido. E aí, e agora? Me lembrei do ônibus das 3 da tarde. É nesse que vou, ok, tenho tempo e tudo mais. Arrumei as coisas, naquela velocidade de olhos de ressaca, como diria Machado, e almocei, numa nice. Porra, são quase duas e meia, hora de sair!!!! Mais do que hora de sair, atrasei-me. Se perco o ônibus das 3, não sei o que fazer. Talvez ficar, tenho medo mesmo do que pode me esperar. Beber água da chuva? Que porra é essa... Dormir em campo, no meio do mato, sem banho por muitos dias? Lugar onde cada um escreve as próprias leis? Coisas que estavam em um e-mail que recebemos que me deixou cabreiro. As 2 e 56 cheguei na rodoviária do Rio, correndo, esbaforido, 33 reais mais pobre, dos 300 que peguei do banco emprestado (eu e os empréstimos de ultima hora urgentes do banco...). sessenta reais mais pobre depois de comprar a passagem, chego as 3 em ponto dentro do ônibus. Desce a adrenalina. Desce a poeira, que só voltaria a subir, e bota subir nisso, no Paraguay. Pego o caderno, a lapiseira e começo mais um diário de viagem.
16/08/09 – 15:00 – ônibus da Viação Sampaio - Rio x Jacareí
O reencontro
Começa mais uma aventura embalada a correria e ressaca. Na hora que saí de casa, dificilmente seria possível chegar a tempo na rodoviária, comprar a passagem e embarcar. Mas embarquei. E agora sigo viagem, rumo a Jacareí e depois, ao desconhecido.
No caminho que me mostra o Rio que ainda não tive a felicidade de conhecer, desmascaro pedaços de um estado que não o tempo e a distancia ainda não me deram a oportunidade de conhecer. Vilar do Teles, Parada de Lucas e Meriti, conforme o ônibus avança. É assim que vou conhecendo o Rio. De uma janela de vidro, com o ar condicionando tosses e espirros.
É incrível a facilidade que a estrada tem em me acalmar. O silencio, só quebrado pelo ruído do motor e do encontro da borracha com o asfalto, a paisagem nova, o balançar... tudo parece fazer parte de mim, da vontade de estar em tudo.
17/08/09 – 13:34 – Hora Local (traduzido do idioma universalmente desconhecido para o Portunhol Selvagem)
Ahora nos quedamos em Asuncion. Hablo español. A viagem foi tranqüila e descobri que estamos milionários. Literalmente. A idéia de cambiar 500 dolares daria um valor de mais de 2 milhoes de guaranis. La ciudad es muy bonita e los carros importados, grandiosos. Fizemos o cambio e fomos almoçar. Paramos em um shopping. A vontade de entrar nas lojas e brincar com a facilidade dos milhões deve ser contida. Tenis, eletrônicos, roupas, perfumes.

Diñero
Comemos uma milanesa (a partir de agora uma companheira fiel da viagem). Não soube pedir o que queria, mas veio assim mesmo. O problema é que o almoço aqui é uma carne e um acompanhamento. Purê de batatas. Pedi “papas” e adelante fue. A quantidade de shoppings, os cassinos e as concessionárias me fizeram pensar: aqui deve haver grana. Talvez um eldorado a ser encontrado. En portuñol. As bandeiras do Paraguay se multiplicam por toda a cidade. O transito é de dar medo, tal o caos. Aqui sim se dirige mal. Agora distanciado do calor do momento e tendo passado mais uns dias em Asuncion, me comprometo em nunca mais dizer que farei uma baianada no transito. From now on, farei uma paraguayada. Ou uma paraguaya, nome mais curto e bonitinho para minhas pequenas infrações de transito.
Ainda em Asuncion, pegamos um friozinho gostoso. 12 graus. Na estrada um pouco de lluvia. Me quedei a pensar: porque nosotros somos os únicos que não hablamos spañol em toda a sudamerica? Assim poderia viajar por la Latinoamerica entendiendo todo e pedindo, certo, o purê de batatas.
Pegamos o ônibus para Filadélfia, capital de Boqueron, o Estado, aqui llamado Departamiento. Agora, em direção ao Chaco. Como antes, pegamos a mesma direção: centro hasta el norte. Porém, agora, em um país diferente. Asuncion x Chaco.
No omnibus da Viaçao Nasa com tecnologia puramente paraguaia. Mas espere um momento, e aquele cartelle escrito “Deus é meu pastor e nada me faltará” em Português?
Sim senhor. A tecnologia é puramente brasileira. Não podemos nos queixar do Paraguay. Nossos ônibus vem para cá, curtir a aposentadoria. Tosses e espirros dos mais diversos calibres se fazem presente durante toda a viagem, no ônibus que vai com todas as janelas travadas e sem ar-condicionado. Pronto, gripei.

Viação NASA

Em Filadelfia, Hotel Florida. Fomos recebidos pelas pessoas da Iniciativa Amotocodie (link). Conversamos rapidamente, nos apresentamos, pegamos a llave da habitacion 104 e deixamos as coisas. Volvemos para o jantar, no Hotel mesmo, com las personas de la iniciativa. Beno, Jing, Marcos e Miguel Junior. Nos apresetamos, dissemos o que faríamos durante a viagem, nos deixamos completamente a disposição deles para qualquer coisa que pudessem precisar. Eles pareceram gostar de nosso primeiro contato e colocam muita esperança em nosso trabajo. Tenemos que hacer bonito. Comemos uma pizza, ok, 3 pizzas (para 6 personas). Bebemos a Baviera Premium. Cerveja de primeira qualidade no Paraguay. Depois da Brahma made in paraguay que probamos na hora del almuerzo, a Baviera puxava el sabor bem para a lager, com a suavidade de uma pilsen. Como se fosse possível fazer uma Heineken com cara de Skol. Na TV, filmes dublados no TCM e na TNT. Classes de spañol de graça. Na ESPN, o noticiário argentino. Apresentacoes de jogadores e preparativos para as partidas da Nissan Sudamericana. A temporada começa agora para eles.

HOTEL FLORIDA

BAVIERA PREMIUM
Para entender essa parte do Paraguay, procurem entender os Menonitas.
18/08. Filadelfia, Oficina da Iniciativa Amotocodie.
Hoy tiramos o dia para hablar con las personas que irão na viagem com nosotros. Coñecemos na oficina da IA, las tres chicas que ayudan no trabajo de logística local. Liz, Sonia e Silvia. Buenas personas, totalmiente na delas. Hablamos com Manu e Marcos, dos hermanos que nos acompañarão. Despues llegaran los indígenas del pueblo Ayoreo: Duide, Mateo e Aquino. Mateo é o anciano, presidente de la UNAP (link). Aquino és um ex-presidente da UNAP e esta envolvido con los projectos de lo pueblo Ayoreo. Duide és otro anciano que poço habla español. Se comunica com los otros em Ayoreo mismo. Despues llego Carlos, que veio de outra comunidade Ayoreo. Hicemos algunas tomas de la preparacion, de las camionetas e das personas hablando nuestros objectivos e direcciones en esta viagem. Tudo pronto, volvemos Al hotel. Fizemos as malas, as menores possíveis, com o mínimo de coisas necessárias. Passamos en el super e compramos dos cantis e dos lantiernas. Elas se mostrariam muy buenas e necessárias despues, mas tarde en La viagem.

Os Ayoreo
19/08 – Filadelfia, PY.
Anotações para futura entrevista.
O que es el chaco. Zona de transicion, com terreno muy arenoso, el Chaco Central. La situacion de la água, mucho polvo.
Anotações do portuñol –
Polvo = pó
Pollo = frango
Pueblo = cidadezinha, povoado.
Salimos de Filadelfia muy tremprano. Comemos o desayuno no hotel mesmo. A estrada é toda de terra, muito esburacada. Hablamos portunhol todo lo tiempo. Elles se gustan de musica brasilera. Colocamos gasolina em uma birosca no meio da estrada. Bebemos refrigerante, a nosso último luxo permitido. Seguimos viagem e começamos o trabalho de monitoreo, que consiste em manter contato com as pessoas das estâncias, monitorando seus desmatamentos (desmontes) e catalogando quem são as pessoas que la trabalham, quem são os proprietários (dueños) e explicarmos como fazer caso haja contato ou como identificar as señales de presencia de los aislados voluntários. Filmamos belas tomas. Mas o mais importante é documentar toda a conversa entre a equipe Amotocodie e as pessoas. Paramos para almoçar na sede do Parque Nacional Defensores Del Chaco, na entrada do Chaco Paraguayo. Árvores típicas como o Palo Santo e o Palo Borracho estavam identificadas lá. Me lembrei do Paulinho, o Paulo Borracho, famoso mindingo boca mole da jurubeba. Mais estrada, mais polvo/talco (poeira, pó), e chegamos a Água Dulce. Um posto militar. No início pediram informações, mas quando mostramos ser da IA, se mostraram bem hospitaleiros. Essa estação militar é no meio da estrada, e os militares que pra lá vão, ficam basicamente sem contato com o mundo por alguns meses. No começo são assim, durões. Mas com o tempo, vão percebendo que estão jogados ali, esquecidos quase, e começam a ficar mais desleixados. Esses tinham acabado de chegar, mas ofereceram a estação para nos quedarmos, caso quiséssemos.

Posto de gasolina

Defensor del Chaco

Palo Borracho

Posto Militar
o problema é digitar tudo o que já está escrito no caderno. Mas enfim, um pedaço já escrevi.
********
Se sábado se tornou quase que inesquecível, por causa do show do Friendly Fires, maravilhosos e totalmente em forma, o mesmo não pode se dizer do domingo que o seguiu. Acordei perto da uma da tarde, meio destruído de duas noites seguidas de shows e bebida. Como havia me programado para sair daqui do Rio rumo a Jacareí, hometown do brother Elton, às 9 da matina, me senti meio perdido. E aí, e agora? Me lembrei do ônibus das 3 da tarde. É nesse que vou, ok, tenho tempo e tudo mais. Arrumei as coisas, naquela velocidade de olhos de ressaca, como diria Machado, e almocei, numa nice. Porra, são quase duas e meia, hora de sair!!!! Mais do que hora de sair, atrasei-me. Se perco o ônibus das 3, não sei o que fazer. Talvez ficar, tenho medo mesmo do que pode me esperar. Beber água da chuva? Que porra é essa... Dormir em campo, no meio do mato, sem banho por muitos dias? Lugar onde cada um escreve as próprias leis? Coisas que estavam em um e-mail que recebemos que me deixou cabreiro. As 2 e 56 cheguei na rodoviária do Rio, correndo, esbaforido, 33 reais mais pobre, dos 300 que peguei do banco emprestado (eu e os empréstimos de ultima hora urgentes do banco...). sessenta reais mais pobre depois de comprar a passagem, chego as 3 em ponto dentro do ônibus. Desce a adrenalina. Desce a poeira, que só voltaria a subir, e bota subir nisso, no Paraguay. Pego o caderno, a lapiseira e começo mais um diário de viagem.
16/08/09 – 15:00 – ônibus da Viação Sampaio - Rio x Jacareí
O reencontro
Começa mais uma aventura embalada a correria e ressaca. Na hora que saí de casa, dificilmente seria possível chegar a tempo na rodoviária, comprar a passagem e embarcar. Mas embarquei. E agora sigo viagem, rumo a Jacareí e depois, ao desconhecido.
No caminho que me mostra o Rio que ainda não tive a felicidade de conhecer, desmascaro pedaços de um estado que não o tempo e a distancia ainda não me deram a oportunidade de conhecer. Vilar do Teles, Parada de Lucas e Meriti, conforme o ônibus avança. É assim que vou conhecendo o Rio. De uma janela de vidro, com o ar condicionando tosses e espirros.
É incrível a facilidade que a estrada tem em me acalmar. O silencio, só quebrado pelo ruído do motor e do encontro da borracha com o asfalto, a paisagem nova, o balançar... tudo parece fazer parte de mim, da vontade de estar em tudo.
17/08/09 – 13:34 – Hora Local (traduzido do idioma universalmente desconhecido para o Portunhol Selvagem)
Ahora nos quedamos em Asuncion. Hablo español. A viagem foi tranqüila e descobri que estamos milionários. Literalmente. A idéia de cambiar 500 dolares daria um valor de mais de 2 milhoes de guaranis. La ciudad es muy bonita e los carros importados, grandiosos. Fizemos o cambio e fomos almoçar. Paramos em um shopping. A vontade de entrar nas lojas e brincar com a facilidade dos milhões deve ser contida. Tenis, eletrônicos, roupas, perfumes.
Comemos uma milanesa (a partir de agora uma companheira fiel da viagem). Não soube pedir o que queria, mas veio assim mesmo. O problema é que o almoço aqui é uma carne e um acompanhamento. Purê de batatas. Pedi “papas” e adelante fue. A quantidade de shoppings, os cassinos e as concessionárias me fizeram pensar: aqui deve haver grana. Talvez um eldorado a ser encontrado. En portuñol. As bandeiras do Paraguay se multiplicam por toda a cidade. O transito é de dar medo, tal o caos. Aqui sim se dirige mal. Agora distanciado do calor do momento e tendo passado mais uns dias em Asuncion, me comprometo em nunca mais dizer que farei uma baianada no transito. From now on, farei uma paraguayada. Ou uma paraguaya, nome mais curto e bonitinho para minhas pequenas infrações de transito.
Ainda em Asuncion, pegamos um friozinho gostoso. 12 graus. Na estrada um pouco de lluvia. Me quedei a pensar: porque nosotros somos os únicos que não hablamos spañol em toda a sudamerica? Assim poderia viajar por la Latinoamerica entendiendo todo e pedindo, certo, o purê de batatas.
Pegamos o ônibus para Filadélfia, capital de Boqueron, o Estado, aqui llamado Departamiento. Agora, em direção ao Chaco. Como antes, pegamos a mesma direção: centro hasta el norte. Porém, agora, em um país diferente. Asuncion x Chaco.
No omnibus da Viaçao Nasa com tecnologia puramente paraguaia. Mas espere um momento, e aquele cartelle escrito “Deus é meu pastor e nada me faltará” em Português?
Sim senhor. A tecnologia é puramente brasileira. Não podemos nos queixar do Paraguay. Nossos ônibus vem para cá, curtir a aposentadoria. Tosses e espirros dos mais diversos calibres se fazem presente durante toda a viagem, no ônibus que vai com todas as janelas travadas e sem ar-condicionado. Pronto, gripei.
Em Filadelfia, Hotel Florida. Fomos recebidos pelas pessoas da Iniciativa Amotocodie (link). Conversamos rapidamente, nos apresentamos, pegamos a llave da habitacion 104 e deixamos as coisas. Volvemos para o jantar, no Hotel mesmo, com las personas de la iniciativa. Beno, Jing, Marcos e Miguel Junior. Nos apresetamos, dissemos o que faríamos durante a viagem, nos deixamos completamente a disposição deles para qualquer coisa que pudessem precisar. Eles pareceram gostar de nosso primeiro contato e colocam muita esperança em nosso trabajo. Tenemos que hacer bonito. Comemos uma pizza, ok, 3 pizzas (para 6 personas). Bebemos a Baviera Premium. Cerveja de primeira qualidade no Paraguay. Depois da Brahma made in paraguay que probamos na hora del almuerzo, a Baviera puxava el sabor bem para a lager, com a suavidade de uma pilsen. Como se fosse possível fazer uma Heineken com cara de Skol. Na TV, filmes dublados no TCM e na TNT. Classes de spañol de graça. Na ESPN, o noticiário argentino. Apresentacoes de jogadores e preparativos para as partidas da Nissan Sudamericana. A temporada começa agora para eles.
Para entender essa parte do Paraguay, procurem entender os Menonitas.
18/08. Filadelfia, Oficina da Iniciativa Amotocodie.
Hoy tiramos o dia para hablar con las personas que irão na viagem com nosotros. Coñecemos na oficina da IA, las tres chicas que ayudan no trabajo de logística local. Liz, Sonia e Silvia. Buenas personas, totalmiente na delas. Hablamos com Manu e Marcos, dos hermanos que nos acompañarão. Despues llegaran los indígenas del pueblo Ayoreo: Duide, Mateo e Aquino. Mateo é o anciano, presidente de la UNAP (link). Aquino és um ex-presidente da UNAP e esta envolvido con los projectos de lo pueblo Ayoreo. Duide és otro anciano que poço habla español. Se comunica com los otros em Ayoreo mismo. Despues llego Carlos, que veio de outra comunidade Ayoreo. Hicemos algunas tomas de la preparacion, de las camionetas e das personas hablando nuestros objectivos e direcciones en esta viagem. Tudo pronto, volvemos Al hotel. Fizemos as malas, as menores possíveis, com o mínimo de coisas necessárias. Passamos en el super e compramos dos cantis e dos lantiernas. Elas se mostrariam muy buenas e necessárias despues, mas tarde en La viagem.
19/08 – Filadelfia, PY.
Anotações para futura entrevista.
O que es el chaco. Zona de transicion, com terreno muy arenoso, el Chaco Central. La situacion de la água, mucho polvo.
Anotações do portuñol –
Polvo = pó
Pollo = frango
Pueblo = cidadezinha, povoado.
Salimos de Filadelfia muy tremprano. Comemos o desayuno no hotel mesmo. A estrada é toda de terra, muito esburacada. Hablamos portunhol todo lo tiempo. Elles se gustan de musica brasilera. Colocamos gasolina em uma birosca no meio da estrada. Bebemos refrigerante, a nosso último luxo permitido. Seguimos viagem e começamos o trabalho de monitoreo, que consiste em manter contato com as pessoas das estâncias, monitorando seus desmatamentos (desmontes) e catalogando quem são as pessoas que la trabalham, quem são os proprietários (dueños) e explicarmos como fazer caso haja contato ou como identificar as señales de presencia de los aislados voluntários. Filmamos belas tomas. Mas o mais importante é documentar toda a conversa entre a equipe Amotocodie e as pessoas. Paramos para almoçar na sede do Parque Nacional Defensores Del Chaco, na entrada do Chaco Paraguayo. Árvores típicas como o Palo Santo e o Palo Borracho estavam identificadas lá. Me lembrei do Paulinho, o Paulo Borracho, famoso mindingo boca mole da jurubeba. Mais estrada, mais polvo/talco (poeira, pó), e chegamos a Água Dulce. Um posto militar. No início pediram informações, mas quando mostramos ser da IA, se mostraram bem hospitaleiros. Essa estação militar é no meio da estrada, e os militares que pra lá vão, ficam basicamente sem contato com o mundo por alguns meses. No começo são assim, durões. Mas com o tempo, vão percebendo que estão jogados ali, esquecidos quase, e começam a ficar mais desleixados. Esses tinham acabado de chegar, mas ofereceram a estação para nos quedarmos, caso quiséssemos.
quarta-feira, setembro 09, 2009
ei blog lindo!!!
feliz.
é estou feliz, crê?
talvez pelo fim de semana regado à companhia, com churrasco, feijoada, pizza e bife com fritas, dias após dia, em família e em amor.
agora é suar pra valer na academia, suar pra valer na escola (em seu ultimo semestre), suar pra valer no verão carioca que se aproxima.
Este ano bati o recorde, já estou em setembro, me equilibrando como dá entre dívidas, emprestimos, viagens e infiltrações no apê capixaba.
Vou levando, quase completando um ano. Um ano de volta à casa.
***
Ontem fui no Casa Cor Rio 09. Primeira vez que vou no casa cor em toda a minha vida. estranho, engraçado e assustador. tudo ao mesmo tempo.
queria morar num daqueles cantos de lá, e para isso, precisaria de um bom emprego. E bota booooooooom nisso. Precisaria me estabelecer, montar a casa, ter o imóvel, pagar contas, enfim, levar uma vida que aprendi a desgostar. Mas que gosto assim que sinto o gostinho dela. Os espaço, a decoração, os ajustes e as novidades para "casa" são de dar água na boca.
acho que ano que vem vou de novo.
feliz.
é estou feliz, crê?
talvez pelo fim de semana regado à companhia, com churrasco, feijoada, pizza e bife com fritas, dias após dia, em família e em amor.
agora é suar pra valer na academia, suar pra valer na escola (em seu ultimo semestre), suar pra valer no verão carioca que se aproxima.
Este ano bati o recorde, já estou em setembro, me equilibrando como dá entre dívidas, emprestimos, viagens e infiltrações no apê capixaba.
Vou levando, quase completando um ano. Um ano de volta à casa.
***
Ontem fui no Casa Cor Rio 09. Primeira vez que vou no casa cor em toda a minha vida. estranho, engraçado e assustador. tudo ao mesmo tempo.
queria morar num daqueles cantos de lá, e para isso, precisaria de um bom emprego. E bota booooooooom nisso. Precisaria me estabelecer, montar a casa, ter o imóvel, pagar contas, enfim, levar uma vida que aprendi a desgostar. Mas que gosto assim que sinto o gostinho dela. Os espaço, a decoração, os ajustes e as novidades para "casa" são de dar água na boca.
acho que ano que vem vou de novo.
sexta-feira, setembro 04, 2009
Hoje vi um filme no vídeo muito massa.
o nome é The Great Buck Howard.
com John Malkovich DE CABELO!!!!!!!!
e bem bonito e dirigido e escrito. redondinho.
depois fui ver a pre-estreia de um DOCTV daqui do RIO, o HU.
HU de Hospital Universitário.
é que o HU da UFRJ, no Fundào, só tem metade do predio funcionando.a outra parte, conhecida como perna seca é abandonada.
Imaginem isso, milhares de toneladas de concreto pra nada...
enfim, valeu o dia.
semana que vem começam as aulas de verdade na Darcy e aí, volto a assistir filmes e filmes e filmes.
pro fim de semana já tem o Touro indomável aqui do lado da cama. Mais um clássico pra colocar na lista dos assistidos.
o nome é The Great Buck Howard.
com John Malkovich DE CABELO!!!!!!!!
e bem bonito e dirigido e escrito. redondinho.
depois fui ver a pre-estreia de um DOCTV daqui do RIO, o HU.
HU de Hospital Universitário.
é que o HU da UFRJ, no Fundào, só tem metade do predio funcionando.a outra parte, conhecida como perna seca é abandonada.
Imaginem isso, milhares de toneladas de concreto pra nada...
enfim, valeu o dia.
semana que vem começam as aulas de verdade na Darcy e aí, volto a assistir filmes e filmes e filmes.
pro fim de semana já tem o Touro indomável aqui do lado da cama. Mais um clássico pra colocar na lista dos assistidos.
quarta-feira, setembro 02, 2009
bem atrasado, a critica do Friendly Fires.
Friendly Fires incendeia Circo Voador e agrada público que conhece hits nunca lançados no Brasil
Publicada em 16/08/2009 às 08h54m
Ricardo Calazans
O grupo inglês Friendly Fires está entre os que mais recebe atenção atualmente no universo do rock. Caiu nas graças de crítica e público graças ao seu bem azeitado álbum de estréia, coleção de 11 músicas sacolejantes entre o balanço hedonista de Prince e as angústias distorcidas do indie rock. Foram estas exatas 11 canções que o público presente ao Circo Voador pode ouvir, ainda que não na mesma ordem do disco, na madrugada deste domingo.
Fãs colocam vídeos do show no YouTube. Assista a "In the hospital"
Por sorte, as músicas têm peso e pressão ao vivo. Da abertura "Lovesick" ao bis, com "Ex-lover", o Friendly Fires fez um show coeso, sem muita diferença para o que se ouve no disco, mas que manteve a atenção do público todo o tempo - mesmo que tenham sido apenas 50 minutos.
Forte concorrente a vencer o Mercury Prize, importante prêmio musical britânico, no próximo mês , o Friendly Fires era a atração principal do evento "Pop Load Gig". Para chegar até o grupo, a plateia teve que passar antes pelo Brollies and Apples, banda que reúne Bianca Jhordão (Leela) e Chernobyl (Comunidade Nin-Jitsu) com seus respectivos cônjuges no palco (capricharam na pose) e pelo Copacabana Club, quinteto de Curitiba um tanto mais desencanado e que fez um bom aquecimento para os ingleses. A vocalista Cacau V., com uma perna imobilizada, destaca-se na banda, que parece se divertir à beça no palco. Fosse um pouco mais curto e teria sido ainda melhor o show.
Quando eram 2h20, o Friendly Fires entrou acelerado no palco. A empolgação do vocalista Ed MacFarlane, um rebolativo rapaz de 24 anos, dá a dinâmica nervosa da banda no palco; o baterista Jack Savidge não perde o pique e tem a companhia de Rob Lee no baixo, Edd Gibson na guitarra e ainda de um naipe com trumpete e saxofone - que, por sinal, pouco disseram a que vieram.
Quanto mais suava a camisa e requebrava no palco, mais o público simpatizava com o pequeno dínamo MacFarlane. Seu sintetizador ajudava a dar peso à apresentação, e na terceira música, "Skeleton boy", o povo já caíra na farra. "In the hospital", decalcada de Talking Heads e embebida em música disco, conseguiu efeito semelhante logo em seguida. Em "Kiss of life", Edd Gibson se atracou a um tamborim, enquanto a banda exercitava sua vertente David Byrne - eles gostam de pesquisar timbres e batidas "exóticas", e são loucos pela bateria das escolas de samba do Rio. Antes do show, por sinal, o baterista Jack contou em seu Twitter que eles terão aula de samba no Rio, antes de subirem o Pão de Açúcar e se atracarem com um "churrasco brasileiro".
Um agogô aqui ou acolá, porém, e foi tudo que eles mostraram de carnavalesco no show. De resto, ficaram firmes no que, na época do New Order, era chamado de tecnopop (ainda que aqui, com mais guitarras). A novidade é que eles têm um hit sem intermediários chamado "Paris", direto do produtor ao consumidor, cantado em coro pela plateia, mesmo que a banda não tenha lançado disco no Brasil. (Mais um) sinal dos tempos.
Friendly Fires incendeia Circo Voador e agrada público que conhece hits nunca lançados no Brasil
Publicada em 16/08/2009 às 08h54m
Ricardo Calazans
O grupo inglês Friendly Fires está entre os que mais recebe atenção atualmente no universo do rock. Caiu nas graças de crítica e público graças ao seu bem azeitado álbum de estréia, coleção de 11 músicas sacolejantes entre o balanço hedonista de Prince e as angústias distorcidas do indie rock. Foram estas exatas 11 canções que o público presente ao Circo Voador pode ouvir, ainda que não na mesma ordem do disco, na madrugada deste domingo.
Fãs colocam vídeos do show no YouTube. Assista a "In the hospital"
Por sorte, as músicas têm peso e pressão ao vivo. Da abertura "Lovesick" ao bis, com "Ex-lover", o Friendly Fires fez um show coeso, sem muita diferença para o que se ouve no disco, mas que manteve a atenção do público todo o tempo - mesmo que tenham sido apenas 50 minutos.
Forte concorrente a vencer o Mercury Prize, importante prêmio musical britânico, no próximo mês , o Friendly Fires era a atração principal do evento "Pop Load Gig". Para chegar até o grupo, a plateia teve que passar antes pelo Brollies and Apples, banda que reúne Bianca Jhordão (Leela) e Chernobyl (Comunidade Nin-Jitsu) com seus respectivos cônjuges no palco (capricharam na pose) e pelo Copacabana Club, quinteto de Curitiba um tanto mais desencanado e que fez um bom aquecimento para os ingleses. A vocalista Cacau V., com uma perna imobilizada, destaca-se na banda, que parece se divertir à beça no palco. Fosse um pouco mais curto e teria sido ainda melhor o show.
Quando eram 2h20, o Friendly Fires entrou acelerado no palco. A empolgação do vocalista Ed MacFarlane, um rebolativo rapaz de 24 anos, dá a dinâmica nervosa da banda no palco; o baterista Jack Savidge não perde o pique e tem a companhia de Rob Lee no baixo, Edd Gibson na guitarra e ainda de um naipe com trumpete e saxofone - que, por sinal, pouco disseram a que vieram.
Quanto mais suava a camisa e requebrava no palco, mais o público simpatizava com o pequeno dínamo MacFarlane. Seu sintetizador ajudava a dar peso à apresentação, e na terceira música, "Skeleton boy", o povo já caíra na farra. "In the hospital", decalcada de Talking Heads e embebida em música disco, conseguiu efeito semelhante logo em seguida. Em "Kiss of life", Edd Gibson se atracou a um tamborim, enquanto a banda exercitava sua vertente David Byrne - eles gostam de pesquisar timbres e batidas "exóticas", e são loucos pela bateria das escolas de samba do Rio. Antes do show, por sinal, o baterista Jack contou em seu Twitter que eles terão aula de samba no Rio, antes de subirem o Pão de Açúcar e se atracarem com um "churrasco brasileiro".
Um agogô aqui ou acolá, porém, e foi tudo que eles mostraram de carnavalesco no show. De resto, ficaram firmes no que, na época do New Order, era chamado de tecnopop (ainda que aqui, com mais guitarras). A novidade é que eles têm um hit sem intermediários chamado "Paris", direto do produtor ao consumidor, cantado em coro pela plateia, mesmo que a banda não tenha lançado disco no Brasil. (Mais um) sinal dos tempos.
terça-feira, setembro 01, 2009
noticias rapidas:
digito o diario da viagem. logo o coloco aqui, com fotos tb.
deve dar para entender o que foi a viagem ao Chaco.
***
Oasis chega ao fim com a saída de Noel Gallagher?
não sei, mas Oasis sem Noel não é Oasis. É quase como, sei lá, um queen sem o freddie mercury. Mas com eles eu posso ficar, assisti a tres shows, em todas as passagens deles pelo Brasil, nas turnes dos albuns "Be Here Now", depois do "Standing in the Shoulder..." e "Familiar to Millions", e agora, faz pouquinho, do "Dig Out Your Soul". E assim, acaba uma das maiores bandas de todos os tempos. E com certeza uma das três maiores dos últimos quinze anos.
***
De volta as aulas. de volta ao Rio. transito em copa, transito na lagoa. aulas pela tarde ate o fim de semana (aquela enrolaçao de semana de abertura). Filmes e filmes pra gente ver. Hj vi "A lira do Delírio". Delirante. hahahah
Amanhã tem clássico: Os Fuzis, do Ruy Guerra.
entro também no curso de 1 semestre de operador de câmera.
Ah, tem um de fotografia, viu Elton, em dois finais de semana em Outubro.
dias 8 e 9 e dias 22 e 23.
Contatos avançados para a filmagem de roteiros próprios acontecem a toda hora.
digito o diario da viagem. logo o coloco aqui, com fotos tb.
deve dar para entender o que foi a viagem ao Chaco.
***
Oasis chega ao fim com a saída de Noel Gallagher?
não sei, mas Oasis sem Noel não é Oasis. É quase como, sei lá, um queen sem o freddie mercury. Mas com eles eu posso ficar, assisti a tres shows, em todas as passagens deles pelo Brasil, nas turnes dos albuns "Be Here Now", depois do "Standing in the Shoulder..." e "Familiar to Millions", e agora, faz pouquinho, do "Dig Out Your Soul". E assim, acaba uma das maiores bandas de todos os tempos. E com certeza uma das três maiores dos últimos quinze anos.
***
De volta as aulas. de volta ao Rio. transito em copa, transito na lagoa. aulas pela tarde ate o fim de semana (aquela enrolaçao de semana de abertura). Filmes e filmes pra gente ver. Hj vi "A lira do Delírio". Delirante. hahahah
Amanhã tem clássico: Os Fuzis, do Ruy Guerra.
entro também no curso de 1 semestre de operador de câmera.
Ah, tem um de fotografia, viu Elton, em dois finais de semana em Outubro.
dias 8 e 9 e dias 22 e 23.
Contatos avançados para a filmagem de roteiros próprios acontecem a toda hora.
domingo, agosto 30, 2009
ei minha gente.
num shopping em assuncion, capital de paraguay.
nao achei a galopeira, mas tambem nao fui a nenhum baile.
quase fui ao Defensores del Chaco pra ver Olimpia x Cerro Porteño.
o classico dos classicos daqui. estadio lotado, falacao por toda a cidade.
acabei deixando de lado a ideia e vim ver o jogo no xopim.
as torcidas tomam conta das pracas de alimentacao, cantando, aplaudindo e sofrendo como nos, brasileiros, dificilmente fazemos em frente a tv.
foi legal de ver.
hum... sem mais delongas, entao.
beijos a todos
num shopping em assuncion, capital de paraguay.
nao achei a galopeira, mas tambem nao fui a nenhum baile.
quase fui ao Defensores del Chaco pra ver Olimpia x Cerro Porteño.
o classico dos classicos daqui. estadio lotado, falacao por toda a cidade.
acabei deixando de lado a ideia e vim ver o jogo no xopim.
as torcidas tomam conta das pracas de alimentacao, cantando, aplaudindo e sofrendo como nos, brasileiros, dificilmente fazemos em frente a tv.
foi legal de ver.
hum... sem mais delongas, entao.
beijos a todos
sexta-feira, agosto 28, 2009
quarta-feira, agosto 26, 2009
Confira o manifesto em defesa do 'portunhol selvagem'
Publicada em 17/08/2008 às 18h00m
Fátima Sá - O Globo
RIO - No ano passado, o portunhol virou estrela de um divertido movimento literário que nasceu no Paraguai e não pára de fazer seguidores no Brasil. A proposta é escrever em uma nova "língua", batizada de portunhol selvagem - uma mistura de português e espanhol, claro, mas também de guarani, inglês e o que mais estiver no repertório do autor.
Karta-Manifesto-del-Amor-Amor-en-Portunhol-Selvagem
Esta karta-manifesto aparece, ojerá, brota como flor selbagem del suelo fértil de las playas imaginárias de las noches transnacionales de la kapital mundial de la ficción 2008 em que artistas, músicos, bailarines, actores y escritores se reuniram durante 2 finales de semanas del julio del 2222 nel hermozo Hotel del Lago fundado em 1888 em San Bernardino junto al lago azul de ypakaraí
En aquellas hermozas noches sem trampas llenas de saudades máriopalmerianas em la voz de Lucy Yegros, escribimos la karta-manifesto-salbahem mismo sem haberla escrito
Lo que sigue es uma cópia escrita de la karta-manifesto que ya había sido escrita em pleno 2222 de la kapital mundial de la ficcón 2008
Nosotros poetas y demás artistas reunidos em la kapital mundial de la ficción 2008 escribimos esta carta-manifesto a Lula y a Lugo para pedirles que non deixem de hacer algo que solamente Lugo y Lula lo pueden hacer: QUEMAR EL CONTRATO VIGENTE DE LA ITAIPÚ BINACIONAL. contrato redigido por ditadores em época de ditaduras y que hasta el PRESENTE PRESENTE apenas ha servido para dificultar las buenas relaciones, la integración cultural, política y econômica entre ambos países fronteros desde 1870 hasta el 2008 que nos toca vivir
Después de QUEMAR com fuego guaranítiko, fuego incorruptible, fuego del amor amor, fuego divino, fuego humano, fuego inumano, el mencionado contrato mau de Itaipu Binacional, pedimos a Lugo y a Lula y a Itamaraty que inventem um nuebo contrato que de hecho seja justo y beneficie de fato a ambos países em la mesma medida y si possível escrito em portunhol selvagem, la lengua mais hermoza de la triple frontera, pues que nel portunhol selvagem cabem todas las lenguas del Brasil y del Paraguay (incluso las ameríndias) y todas las lenguas del mundo
Será um gesto de alta voltagem poética humana que ficará para la história como uno de los momentos de gran alta voltagem de la humanidade
¡LULA Y LUGO NON PUEDEN PERDER ESTA MARAVILHOSA OPORTUNIDADE HISTÓRICA-POÉTIKA-FILOSÓFICA DE HACER VOLAR UMA IMAGEM PODEROSA DE AMOR AMOR A TODA LA GLUEBOLÂNDIA!
Después de esse ritual mítico de índole guaranítika, LA QUEIMA & INVENCIÓN DEL CONTRATO DE ITAIPÚ, Lugo y Lula puedem transformar Itaipu em uma usina mucho mais que hidroelétrica, uma usina de arte, de nuebas idéias, de aprendizado filosófico y estético de la vida, um punto de encuentro de artistas, pensadores y creadores de todo el mundo, com uma hermosa biblioteca, algo rarofilamente hermozo nunca visto, um centro de inbención permanente de soluciones a miles de problemas idiotas que el hombre hay creado al hombre...
¡Itaipu non puede mais continuar sendo administrada estilo PAPAI-MAMÃE!
Itaipú non pode continuar sendo apenas uma fonte de lucro mal aproveitado y concentrado em contas bancárias de uma minoria de beneficiados
Kompañeros del nuebo fluir amerikano Lugo y Lula: rediseñemos esa barragem contenedora de corrupción y egoísmo de pokos por um hermozo dike contenedor da esperanza da gente paraguaya y brasileira de todo el mundo y de los que nunca quiseram tener fronteras porque desde sempre estiveron em esta tierra sem mal, los antepassados avás mbyás aches pai-tavyteras tupis ñandevas y tantos otros de los palos cruzados em flor, de los diademas resplandescentes que volaron miles de xamanístikas vezes sobre 7 Quedas, Saltos del Guairá, Kataratas del Yguazú umía kuéra que hasta hoy seguem haciendo sonar suas marakas de las águas bajos las águas, pieles de dioses y diosas dormidas bajo las pieles y kantos de piedras que resuenan em nostros suenhos mais bellos
Itaipu vuelará mejor quando funcione como USINA DE ELETRICIDADE HUMANA, DE FUTUROS MEJORES, DE CULTURA, DE POSTCULTURA, DE TRANSCULTURA, DE TOLERANTE AMOR AMOR A LA VIDA Y A LAS PESSOAS, assim, muy pretensiosamente sem limites
LOS LUCROS MONSTRUOSOS DEVEM SER INVESTIDOS NEL COMBATE AL HAMBRE Y A LA MALA ONDA ECONOMICA Y AL DESENCANTO Y A LA BURRICE Y A LA PARANÓIA GANANCIOSA Y A LA IGNORÂNCIA DESENFRENADA: PERO LO QUE SE OBSERVA HOY DIA ES QUE LOS LUCROS DERIVADOS DE ITAIPÚ BINACIONAL ESTÁN CONCENTRADOS EN BANCOS NACIONALES E INTERNACIONALES
Enquanto el lucro CREA apenas pelos em las bolas mofando em bancos de todo el mundo, perde-se el kalor del MOMENTO MÁXIKO de investir em educación, TRANS-EDUCACIÓN, PÓST-EDUCACIÓN, contra la barbárie de la COBIZA y de la RABIA Y DE LA IGNORÂNCIA associada al lucro y la possesión de bienes y objetos materiales
¡ITAIPÚ PUEDE Y DEBE SER INBENTADA NUEBAMENTE!
¿DELÍRIOS LUNÁTIKOS TRANSNACIONALES DE INDETERMINADAS ORIGENES GALÁCTIKAS DE ALGUNOS ARTISTAS TRIPLEFRONTEROS DEL FUTURO AGORA?
¡HAY LLEGADA LA HORA DE LAS GRANDES FELICIDADES DE TODOS LOS TAMANHOS!
¡HAY LLEGADA LA HORA DE INBENTAR EL NUEBO MUNDO POST-HYSTÓRIKO!
¡HAY LLEGADA LA HORA DE LA TERNURA CALIENTE INVADIENDO KORAZONES Y KORAZONES Y KORAZONES DE TODAS LAS PARTES DE TODAS LAS GALÁXIAS DE TODOS LOS UNIVERSOS!
¡HAY LLEGADA LA HORA DE INBENTAR EL NUEBO MUNDO COM LA ELETRICIDADE DEL AMOR AMOR!
¡EL AMOR AMOR ES SINCERAMENTE SINCERO COMO KATARATAS DEL YGUAZÚ FALA EL ASTRONAUTA PARAGUAYO !
¡ABAJO LA MODA DE LA DEPRESION, DE LA CODIZIA, DEL STRESS, DE LA RÁBIA, DEL KANGUILON, DE LA IGNORÂNCIA, DE LA GUERRA, EL GLAMOUROSO HORROR, DE LA COMÉDIA SANGUINÁRIA!
¡HASTA LOS POMBEROS YASIYATERÊS KURUPÍS Y DEMAIS SERES MITOLÓGICOS DE LAS SELVAS AMERÍNDIAS APOYAM LUGO Y LULA Y EL NUEBO CONTRATO EN PORTUNHOLITO SELVAGEM!
Escribimos esta carta porque todavia amamos
¡NON SOMOS CONTRA NADA!
Avanzamos nomás tranki tranki
PRA FRENXI SEMPRE
el amor amor sem nacionalidades nem globalismos nem sexos nem sexismos nem poder desenfrenado nem lucros depravados
¡LA QUEIMA DEL CONTRATO MAU DE ITAIPÚ BINACIONAL ES EL PUNTO DE PARTIDA PARA LA INBENCIÓN DEL NUEBO MUNDO!
¡Y HAY LLEGADA LA HORA DE LA CARTA-MANIFESTO DEKOLAR AGORA DEL KORAZÓN DEL 2222 Y DEL 2008 A LA VEZ ASTRONAUTICAMENTE DE LA TORRE DE LA TIGREZA AVIADORA DEL HOTELITO DEL LAGO PARA TODAS LAS GALÁXIAS!
¡¡¡¡ZERO, QUATRO, OCHO, ZÁZ!!!!
La carta-manifesto es ya de cada uno que tatue su firma, sua assinaturam, yes amorcito, por supuesto, sem firulas, mais abajo.
Amarildo Garcia (Domador de Yacarés)
Aurora Bernardini
Carla Fabri
Douglas Diegues
Lucy Yegros
Osvaldo Codas
Cristino Bogado
Diego Brom
Xico Sá
Walther Castelli Júnior
Silvana Nuovo
Ricardo Alvarez
Enrique Collar
Alejandro Vial
Edgar Pou (EL POmbero Tamaguxi)
Fátima E. Rodríguez
Charles A. Perrone- Dept. of Spanish and Portuguese
University of Florida
Jorge Kanese
Guillermo Sequera
Eli Neira
Fátima Pérez C.
Fabian Casas
Alaí Garcia Diniz
Fredi Casco
Verónica Torres
Jorge Britez (Bochin)
Marisa Cubero
Aura Britez
Sérgio Medeiros
Dirce Waltrick do Amarante
Claudio Daniel
Diana Viveros
Susy Delgado
Miguelángel Meza
Luiz Roberto Guedes
Luis Serguilha
Assino aqui embaixo tambem:
LUIS FERNANDO TAYLOR DE CARVALHO
Publicada em 17/08/2008 às 18h00m
Fátima Sá - O Globo
RIO - No ano passado, o portunhol virou estrela de um divertido movimento literário que nasceu no Paraguai e não pára de fazer seguidores no Brasil. A proposta é escrever em uma nova "língua", batizada de portunhol selvagem - uma mistura de português e espanhol, claro, mas também de guarani, inglês e o que mais estiver no repertório do autor.
Karta-Manifesto-del-Amor-Amor-en-Portunhol-Selvagem
Esta karta-manifesto aparece, ojerá, brota como flor selbagem del suelo fértil de las playas imaginárias de las noches transnacionales de la kapital mundial de la ficción 2008 em que artistas, músicos, bailarines, actores y escritores se reuniram durante 2 finales de semanas del julio del 2222 nel hermozo Hotel del Lago fundado em 1888 em San Bernardino junto al lago azul de ypakaraí
En aquellas hermozas noches sem trampas llenas de saudades máriopalmerianas em la voz de Lucy Yegros, escribimos la karta-manifesto-salbahem mismo sem haberla escrito
Lo que sigue es uma cópia escrita de la karta-manifesto que ya había sido escrita em pleno 2222 de la kapital mundial de la ficcón 2008
Nosotros poetas y demás artistas reunidos em la kapital mundial de la ficción 2008 escribimos esta carta-manifesto a Lula y a Lugo para pedirles que non deixem de hacer algo que solamente Lugo y Lula lo pueden hacer: QUEMAR EL CONTRATO VIGENTE DE LA ITAIPÚ BINACIONAL. contrato redigido por ditadores em época de ditaduras y que hasta el PRESENTE PRESENTE apenas ha servido para dificultar las buenas relaciones, la integración cultural, política y econômica entre ambos países fronteros desde 1870 hasta el 2008 que nos toca vivir
Después de QUEMAR com fuego guaranítiko, fuego incorruptible, fuego del amor amor, fuego divino, fuego humano, fuego inumano, el mencionado contrato mau de Itaipu Binacional, pedimos a Lugo y a Lula y a Itamaraty que inventem um nuebo contrato que de hecho seja justo y beneficie de fato a ambos países em la mesma medida y si possível escrito em portunhol selvagem, la lengua mais hermoza de la triple frontera, pues que nel portunhol selvagem cabem todas las lenguas del Brasil y del Paraguay (incluso las ameríndias) y todas las lenguas del mundo
Será um gesto de alta voltagem poética humana que ficará para la história como uno de los momentos de gran alta voltagem de la humanidade
¡LULA Y LUGO NON PUEDEN PERDER ESTA MARAVILHOSA OPORTUNIDADE HISTÓRICA-POÉTIKA-FILOSÓFICA DE HACER VOLAR UMA IMAGEM PODEROSA DE AMOR AMOR A TODA LA GLUEBOLÂNDIA!
Después de esse ritual mítico de índole guaranítika, LA QUEIMA & INVENCIÓN DEL CONTRATO DE ITAIPÚ, Lugo y Lula puedem transformar Itaipu em uma usina mucho mais que hidroelétrica, uma usina de arte, de nuebas idéias, de aprendizado filosófico y estético de la vida, um punto de encuentro de artistas, pensadores y creadores de todo el mundo, com uma hermosa biblioteca, algo rarofilamente hermozo nunca visto, um centro de inbención permanente de soluciones a miles de problemas idiotas que el hombre hay creado al hombre...
¡Itaipu non puede mais continuar sendo administrada estilo PAPAI-MAMÃE!
Itaipú non pode continuar sendo apenas uma fonte de lucro mal aproveitado y concentrado em contas bancárias de uma minoria de beneficiados
Kompañeros del nuebo fluir amerikano Lugo y Lula: rediseñemos esa barragem contenedora de corrupción y egoísmo de pokos por um hermozo dike contenedor da esperanza da gente paraguaya y brasileira de todo el mundo y de los que nunca quiseram tener fronteras porque desde sempre estiveron em esta tierra sem mal, los antepassados avás mbyás aches pai-tavyteras tupis ñandevas y tantos otros de los palos cruzados em flor, de los diademas resplandescentes que volaron miles de xamanístikas vezes sobre 7 Quedas, Saltos del Guairá, Kataratas del Yguazú umía kuéra que hasta hoy seguem haciendo sonar suas marakas de las águas bajos las águas, pieles de dioses y diosas dormidas bajo las pieles y kantos de piedras que resuenan em nostros suenhos mais bellos
Itaipu vuelará mejor quando funcione como USINA DE ELETRICIDADE HUMANA, DE FUTUROS MEJORES, DE CULTURA, DE POSTCULTURA, DE TRANSCULTURA, DE TOLERANTE AMOR AMOR A LA VIDA Y A LAS PESSOAS, assim, muy pretensiosamente sem limites
LOS LUCROS MONSTRUOSOS DEVEM SER INVESTIDOS NEL COMBATE AL HAMBRE Y A LA MALA ONDA ECONOMICA Y AL DESENCANTO Y A LA BURRICE Y A LA PARANÓIA GANANCIOSA Y A LA IGNORÂNCIA DESENFRENADA: PERO LO QUE SE OBSERVA HOY DIA ES QUE LOS LUCROS DERIVADOS DE ITAIPÚ BINACIONAL ESTÁN CONCENTRADOS EN BANCOS NACIONALES E INTERNACIONALES
Enquanto el lucro CREA apenas pelos em las bolas mofando em bancos de todo el mundo, perde-se el kalor del MOMENTO MÁXIKO de investir em educación, TRANS-EDUCACIÓN, PÓST-EDUCACIÓN, contra la barbárie de la COBIZA y de la RABIA Y DE LA IGNORÂNCIA associada al lucro y la possesión de bienes y objetos materiales
¡ITAIPÚ PUEDE Y DEBE SER INBENTADA NUEBAMENTE!
¿DELÍRIOS LUNÁTIKOS TRANSNACIONALES DE INDETERMINADAS ORIGENES GALÁCTIKAS DE ALGUNOS ARTISTAS TRIPLEFRONTEROS DEL FUTURO AGORA?
¡HAY LLEGADA LA HORA DE LAS GRANDES FELICIDADES DE TODOS LOS TAMANHOS!
¡HAY LLEGADA LA HORA DE INBENTAR EL NUEBO MUNDO POST-HYSTÓRIKO!
¡HAY LLEGADA LA HORA DE LA TERNURA CALIENTE INVADIENDO KORAZONES Y KORAZONES Y KORAZONES DE TODAS LAS PARTES DE TODAS LAS GALÁXIAS DE TODOS LOS UNIVERSOS!
¡HAY LLEGADA LA HORA DE INBENTAR EL NUEBO MUNDO COM LA ELETRICIDADE DEL AMOR AMOR!
¡EL AMOR AMOR ES SINCERAMENTE SINCERO COMO KATARATAS DEL YGUAZÚ FALA EL ASTRONAUTA PARAGUAYO !
¡ABAJO LA MODA DE LA DEPRESION, DE LA CODIZIA, DEL STRESS, DE LA RÁBIA, DEL KANGUILON, DE LA IGNORÂNCIA, DE LA GUERRA, EL GLAMOUROSO HORROR, DE LA COMÉDIA SANGUINÁRIA!
¡HASTA LOS POMBEROS YASIYATERÊS KURUPÍS Y DEMAIS SERES MITOLÓGICOS DE LAS SELVAS AMERÍNDIAS APOYAM LUGO Y LULA Y EL NUEBO CONTRATO EN PORTUNHOLITO SELVAGEM!
Escribimos esta carta porque todavia amamos
¡NON SOMOS CONTRA NADA!
Avanzamos nomás tranki tranki
PRA FRENXI SEMPRE
el amor amor sem nacionalidades nem globalismos nem sexos nem sexismos nem poder desenfrenado nem lucros depravados
¡LA QUEIMA DEL CONTRATO MAU DE ITAIPÚ BINACIONAL ES EL PUNTO DE PARTIDA PARA LA INBENCIÓN DEL NUEBO MUNDO!
¡Y HAY LLEGADA LA HORA DE LA CARTA-MANIFESTO DEKOLAR AGORA DEL KORAZÓN DEL 2222 Y DEL 2008 A LA VEZ ASTRONAUTICAMENTE DE LA TORRE DE LA TIGREZA AVIADORA DEL HOTELITO DEL LAGO PARA TODAS LAS GALÁXIAS!
¡¡¡¡ZERO, QUATRO, OCHO, ZÁZ!!!!
La carta-manifesto es ya de cada uno que tatue su firma, sua assinaturam, yes amorcito, por supuesto, sem firulas, mais abajo.
Amarildo Garcia (Domador de Yacarés)
Aurora Bernardini
Carla Fabri
Douglas Diegues
Lucy Yegros
Osvaldo Codas
Cristino Bogado
Diego Brom
Xico Sá
Walther Castelli Júnior
Silvana Nuovo
Ricardo Alvarez
Enrique Collar
Alejandro Vial
Edgar Pou (EL POmbero Tamaguxi)
Fátima E. Rodríguez
Charles A. Perrone- Dept. of Spanish and Portuguese
University of Florida
Jorge Kanese
Guillermo Sequera
Eli Neira
Fátima Pérez C.
Fabian Casas
Alaí Garcia Diniz
Fredi Casco
Verónica Torres
Jorge Britez (Bochin)
Marisa Cubero
Aura Britez
Sérgio Medeiros
Dirce Waltrick do Amarante
Claudio Daniel
Diana Viveros
Susy Delgado
Miguelángel Meza
Luiz Roberto Guedes
Luis Serguilha
Assino aqui embaixo tambem:
LUIS FERNANDO TAYLOR DE CARVALHO
outro estado do norte. O Alto Paraguay. essa é a GALERA DO CHACO!!!!
A bandeira paraguaya tremula no meio do nada.
.jpg)
carne de todas as formas e de todos os jeitos. aqui, como aquelas tequileiras de boate, tem as carneiras dos restaurantes. te amarram na cadeira, te jogam um pedaco de carne boca adentro e te sacodem de um lado para o outro. aqui me preparava para o almoco.
.jpg)
No Chaco a vida é cheia de espinhos.
.jpg)
Sim, matamos a mae do Bambi.
E sim, comemos veado.
E depois, sim, usamos fio dental.
Quando a bolsa vira travesseiro, algo esta muito errado. Ou voce está no Chaco Paraguayo.
Los defensores del chaco. e depois de 4 dias sem tomar banho, os defensores del chaco fedido.
po, e ontem a noite nao comecei a ficar com uma baita dor de dente?
justo do lado em que nem tenho mais dente...e agora?
ainda bem q o camarada daqui tem um amigo dentista. se piorar muito, corro pra la.
=====
fizemos ja um primeiro corte tosco do que filmamos para mostrar para os Ayoreo. Isso quer dizer que amanha voltaremos ao Chaco para mostrar a eles as filmagens que fizemos.
parece que sexta voltamos para assuncion e domingo para o Brasil.
parece, pelo menos...
Detalhe: gostaram tanto do trabalho que ja estao vendo uma outra data para retornarmos.
Que coisa. ¿Alguem quer algo do Paraguay?
justo do lado em que nem tenho mais dente...e agora?
ainda bem q o camarada daqui tem um amigo dentista. se piorar muito, corro pra la.
=====
fizemos ja um primeiro corte tosco do que filmamos para mostrar para os Ayoreo. Isso quer dizer que amanha voltaremos ao Chaco para mostrar a eles as filmagens que fizemos.
parece que sexta voltamos para assuncion e domingo para o Brasil.
parece, pelo menos...
Detalhe: gostaram tanto do trabalho que ja estao vendo uma outra data para retornarmos.
Que coisa. ¿Alguem quer algo do Paraguay?
segunda-feira, agosto 24, 2009
Eh, estou no paraguay, onde ha teclados sem acentos e muito uisque nacional.
mas tirando as brincadeiras, tudo trasncorreu tranquilo. chegamos bem ao aeroporto de assuncion, demos uma volta pela cidade e tomamos o onibus para Filadelfia...
era filadelfia e nao florida o nome da cidade.
saimos do sul dos EUA para perto de Washington DC.
hahahahah
depois saimos para o chaco, uma area totalmente selvagem e ja beeeem desmatada pelos criadores de gado. conosco (eu e elton) vieram 4 indios da etnia Ayoreo. Fizemos muitas filmagens e falamos muito em espanhol (ok, meio obvio isso...)
esta tudo bem legal apesar dos 4 dias acampando na beira da estrada e sem tomar banho. experiencia de vida incrivel.
como estou sem tempo, vou ficando por aqui.
prometo colocar fotos e o diario de viagem, dia a dia.
sim, voltei a fazer o diario de filmagem no caderno que trouxe.
daqui a uns dias, vou para assuncion, que quero conhecer um pouco mais e depois, volto ao cinema e a minha vida (nada) normal.
mas tirando as brincadeiras, tudo trasncorreu tranquilo. chegamos bem ao aeroporto de assuncion, demos uma volta pela cidade e tomamos o onibus para Filadelfia...
era filadelfia e nao florida o nome da cidade.
saimos do sul dos EUA para perto de Washington DC.
hahahahah
depois saimos para o chaco, uma area totalmente selvagem e ja beeeem desmatada pelos criadores de gado. conosco (eu e elton) vieram 4 indios da etnia Ayoreo. Fizemos muitas filmagens e falamos muito em espanhol (ok, meio obvio isso...)
esta tudo bem legal apesar dos 4 dias acampando na beira da estrada e sem tomar banho. experiencia de vida incrivel.
como estou sem tempo, vou ficando por aqui.
prometo colocar fotos e o diario de viagem, dia a dia.
sim, voltei a fazer o diario de filmagem no caderno que trouxe.
daqui a uns dias, vou para assuncion, que quero conhecer um pouco mais e depois, volto ao cinema e a minha vida (nada) normal.
domingo, agosto 16, 2009
Caralho...
a palavra para definir o show do friendly fires.
os melhores 60 reais investidos desde sempre!!!!!
quer dizer, tirando aqueles para ver a mariana em vix.
banda no auge, fazendo show fino pra caralho e mostrando pras bandas nacionais que abriram a noite que nao precisa ser tosco pra fazer electro-rock.
detalhes do show, anres da minha viagem: ingresso autografado pelo vocalista, foto com o guitarrista, e direito a cantada do vocal pra cima de mim. sai fora seu doido!!!
nota 10 com todos os louvores.
a palavra para definir o show do friendly fires.
os melhores 60 reais investidos desde sempre!!!!!
quer dizer, tirando aqueles para ver a mariana em vix.
banda no auge, fazendo show fino pra caralho e mostrando pras bandas nacionais que abriram a noite que nao precisa ser tosco pra fazer electro-rock.
detalhes do show, anres da minha viagem: ingresso autografado pelo vocalista, foto com o guitarrista, e direito a cantada do vocal pra cima de mim. sai fora seu doido!!!
nota 10 com todos os louvores.
sábado, agosto 15, 2009
Luis Taylor diz:
Vodka, o diabo engarrafado
Carolina diz:
O seu problema é com a vodka, então?
Luis Taylor diz:
meu não, porque eu entro em estado de amnesia alcoolica e nao lembro de nada
Luis Taylor diz:
o problema é dos outros
Luis Taylor diz:
mas to afim de poupa-los desse infortúnio
Carolina diz:
Dos outros? Hahaha, essa é boa
Carolina diz:
Justo. Então vc pensa muito nos outros agora?
Luis Taylor diz:
penso
Luis Taylor diz:
e em nao cair mais e me machucar
Luis Taylor diz:
hahahaha
Carolina diz:
Hahahahahahahaha
Luis Taylor diz:
estou um pouco mais altruista
...
Vodka, o diabo engarrafado
Carolina diz:
O seu problema é com a vodka, então?
Luis Taylor diz:
meu não, porque eu entro em estado de amnesia alcoolica e nao lembro de nada
Luis Taylor diz:
o problema é dos outros
Luis Taylor diz:
mas to afim de poupa-los desse infortúnio
Carolina diz:
Dos outros? Hahaha, essa é boa
Carolina diz:
Justo. Então vc pensa muito nos outros agora?
Luis Taylor diz:
penso
Luis Taylor diz:
e em nao cair mais e me machucar
Luis Taylor diz:
hahahaha
Carolina diz:
Hahahahahahahaha
Luis Taylor diz:
estou um pouco mais altruista
...
só esse pedacinho do e-mail não tem problema de colocar aqui, né?
"Las condiciones de la estadía son las normales de todo viaje de terreno, con la salvedad que en el Chaco no hay ríos, arroyos o lagunas salvo en muy pocos sitios, nosotros estaremos en la zona más húmeda del norte del Chaco Paraguayo, pero no hay muchos sitios con agua, aquí tal vez encontremos algunos esporádicos. El agua que tomamos es de lluvia, que se recolecta en aljibes durante el verano y que llevamos en bidones para beber, si lo requieres podemos llevar agua mineral, nosotros solemos cargar 4 o 5 botellas de dos litros que acaban pronto, por lo que si nos avisas podemos preparar más"
peraí... beber água de chuva, é isso mesmo?!
"Las condiciones de la estadía son las normales de todo viaje de terreno, con la salvedad que en el Chaco no hay ríos, arroyos o lagunas salvo en muy pocos sitios, nosotros estaremos en la zona más húmeda del norte del Chaco Paraguayo, pero no hay muchos sitios con agua, aquí tal vez encontremos algunos esporádicos. El agua que tomamos es de lluvia, que se recolecta en aljibes durante el verano y que llevamos en bidones para beber, si lo requieres podemos llevar agua mineral, nosotros solemos cargar 4 o 5 botellas de dos litros que acaban pronto, por lo que si nos avisas podemos preparar más"
peraí... beber água de chuva, é isso mesmo?!
bom, bom, bom...
de ontem o que tenho a contar é que na última hora, consegui ingresso pro show do little joy por 29,90. coisa de brinde dos postos Ipiranga. umas coisas meio doidas que só aqui pra entender. e vi o show. mais uma vez, a fudição regresso deixou a banda sem som no meio do show (pelo menos foi pra Dead trees, banda de abertura).
e o little joy transcorreu fino, sem maiores acontecimentos. o som é legal, a banda é legal, as camisas eram legais (sim, mais uma pra coleçao). E assim, legal e com poucas cervejas foi o fim de noite. voltei depois do show pra casa, comi um bob's (pô, tinha dirigido 9 horas e jantado um pão com manteiga) e apaguei!!!
nota 7 pro show dos caras.
de ontem o que tenho a contar é que na última hora, consegui ingresso pro show do little joy por 29,90. coisa de brinde dos postos Ipiranga. umas coisas meio doidas que só aqui pra entender. e vi o show. mais uma vez, a fudição regresso deixou a banda sem som no meio do show (pelo menos foi pra Dead trees, banda de abertura).
e o little joy transcorreu fino, sem maiores acontecimentos. o som é legal, a banda é legal, as camisas eram legais (sim, mais uma pra coleçao). E assim, legal e com poucas cervejas foi o fim de noite. voltei depois do show pra casa, comi um bob's (pô, tinha dirigido 9 horas e jantado um pão com manteiga) e apaguei!!!
nota 7 pro show dos caras.
é, não tem jeito de volta ao perrengue de internet, e com a hora a 8 pratas, é melhor não brincar muito na frente do computador da lan house alheia.
o paraguai está ali do lado e parece que vai ser pedrada, mas vai ser massa porque vou aprender a cagar no mato.
e limpar com urtiga.
depois coloco as últimas infos aqui da viagem. só pra constar, indo amanhã de manhã pra SP e segunda de manhã embarco para assuncion. chegando lá, vamos para Flórida. Infelizmente, não a flórida com MIAMI e cubanos, mas a flórida paraguaia. é flórida, viu...
http://wikimapia.org/1891519/Villa-Florida-Paraguay
o paraguai está ali do lado e parece que vai ser pedrada, mas vai ser massa porque vou aprender a cagar no mato.
e limpar com urtiga.
depois coloco as últimas infos aqui da viagem. só pra constar, indo amanhã de manhã pra SP e segunda de manhã embarco para assuncion. chegando lá, vamos para Flórida. Infelizmente, não a flórida com MIAMI e cubanos, mas a flórida paraguaia. é flórida, viu...
http://wikimapia.org/1891519/Villa-Florida-Paraguay
terça-feira, agosto 11, 2009
Hoje fiz uma coisa que nunca pensei que tivesse coragem de fazer. Entrei numa locadora com lápis e papel na mão e fiz um pequena lista de todos os filmes que gostaria de ver e que estavam dando bobeira na locadora naquele momento.\segue a lista:
sonho de cassandra
Presságio
Um ato de liberdade
Che
Novo Mundo
Entre os muros
Casamento de rachel
A troca
Max Payne
A espiã
Control
Vale das Sombras
Paris, te amo
solução final
Guru do amor
A amor não tem regras
O passado
Milagre em Sta. Ana
Guerra ao Terror
Rede de Mentiras
Controle Absoluto
Corrida Mortal
Arquivo X
O nevoeiro
Bolas em pânico
Um louco apaixonado
Coraline
Segurança de Shopping
Crepúsculo\\
entre coisas boas e bombas completas, sempre sobra tempo para uns filmes que só eu mesmo tenho vontade de ver. talvez só pra dizer que é ruim mesmo. ou pra descobrir umas pérolas perdidas por aí.
sonho de cassandra
Presságio
Um ato de liberdade
Che
Novo Mundo
Entre os muros
Casamento de rachel
A troca
Max Payne
A espiã
Control
Vale das Sombras
Paris, te amo
solução final
Guru do amor
A amor não tem regras
O passado
Milagre em Sta. Ana
Guerra ao Terror
Rede de Mentiras
Controle Absoluto
Corrida Mortal
Arquivo X
O nevoeiro
Bolas em pânico
Um louco apaixonado
Coraline
Segurança de Shopping
Crepúsculo\\
entre coisas boas e bombas completas, sempre sobra tempo para uns filmes que só eu mesmo tenho vontade de ver. talvez só pra dizer que é ruim mesmo. ou pra descobrir umas pérolas perdidas por aí.
ao ver o lançamento da Antarctica Sub Zero, me lembrei da melhor cerveja que já tinha tomado (na minha adolescência), a Skol Ice. Não sei porque, mas essa cerveja está marcada até hoje como uma das mais perfeitas criações do ser humano etílico.

E por falar em cerveja boa, em 2006 fomos presentados com uma das mais maravilhosas edições especiais de uma cerveja nacional. Em homenagem à Copa da Alemanha, pudemos saborear (eu comprei um estoque depois, em Cuiabá) a deliciosa Brahma Bier. Estão aí as minhas duas cervejas nacionais fabricadas em escala industrial preferidas de todos os tempos. (as artesanais são outros quinhentos, né.)

E por falar em cerveja boa, em 2006 fomos presentados com uma das mais maravilhosas edições especiais de uma cerveja nacional. Em homenagem à Copa da Alemanha, pudemos saborear (eu comprei um estoque depois, em Cuiabá) a deliciosa Brahma Bier. Estão aí as minhas duas cervejas nacionais fabricadas em escala industrial preferidas de todos os tempos. (as artesanais são outros quinhentos, né.)
Era tarde. Madrugada de domingo, por volta das duas e vinte da manhã. Eu, sem sono, andava pelo apartamento. Se normalmente já tenho dificuldade em dormir, quando viajo a dificuldade de pregar o olho é ainda maior. Por mais que o Oscar tivesse sido um ótimo anfitrião, me cedendo sua casa, sua cama, sua cobertura no décimo sétimo andar, ainda assim sabia que não estava em casa. E tudo se torna mais difícil quando se está longe de todos os seus referenciais. Segunda é dia de reunião cedo, depois almoço com a perna desgarrada da família que mora aqui em Porto Alegre e de tardinha, graças a Deus, aeroporto e minha cidade, minha casa, minha TV e minha cama.
Parei em frente à janela. Dava pra ver, de cima, bem de cima, a cidade calma, tranquila. Em paz. Paz que buscava em reproduções de mantra de livros, dentro da minha cabeça, impondo uma sensação de alívio comprada e falsa para meus pensamentos. Acho que só queria mesmo dormir. E ali fiquei, minutos a fio, olhando para o nada, para o horizonte recortado por prédios altos e luzinhas vermelhas defendendo as construções dos aviões que passam, cada vez mais vezes por dia, arranhando a barriga nas cabeças que preferem morar nas alturas dos últimos andares e coberturas. Os olhos descansam nestes mesmos prédios, nas janelas escuras, nos espaços vazios das salas e das cozinhas. Aos poucos vou descobrindo pedaços de cortinas entreabertas que deixam fugir um pequeno facho de luz, abajures e ventiladores de teto ligados, pequenas vidas perdidas nessa mesma madrugada. Começo um de meus esportes preferidos, o voyerismo noturno. A imaginação voa por prédios, pessoas, casas, salas, camas, luzes acessas e geladeiras sendo assaltadas. Cada pequena luz perdida entre tantas janelas apagadas me traz a dúvida e a certeza de que mais alguém está ali. Um rapaz de férias termina de ver o filme alugado que precisa devolver no dia seguinte. A senhora de branco está com insônia e o leite a aquece, enquanto escuta algum de seus discos de sucessos de duas ou três décadas atrás. A menina está, escondida dos pais, conversando com a amiguinha na internet. Outro rapaz está vendo a última propaganda da programação da TV, esperando o telefonema de sua namorada. Telefonema que não vem e que, quem sabe, nunca virá.
As luzes apagadas também começam a ganhar vida. O casal se beija, se abraça, esfrega o corpo de um contra o do outro. Diferente dos anos de namoro, onde tudo era lindo e poético, hoje ela pede para apagar a luz. No escuro a vergonha da barriga já meio flácida também não pode ser vista. A criança está abaixo da janela do casal. Ela não consegue dormir. Acabo me lembrando de minha própria infância, do terror que a música do final do Fantástico produzia nas minhas entranhas, quando finalmente percebia que não iria dormir, que não conseguiria nunca mais descansar, que não teria a paz da noite ao meu lado. Nessas horas prestava atenção ao meu irmão mais velho que dividia o quarto comigo, já deitado, respirando profundamente. Uma respiração forte que de certa forma me confortava. E como todo irmão mais novo, tentava copiá-lo. A cada inspiração dele, uma minha. Cada expiração dele, uma minha. E nesse jogo, aos poucos ia me esquecendo dos problemas, da música do Fantástico, do silêncio da rua quebrado por algum grilo, da minha incapacidade de dormir. O menino já dorme, presenti. Acendi a luz do corredor e caminhei até o quarto. A pequena penumbra parecia convidativa. Deitei, e com a lembrança da respiração do meu irmão, dormi.
Parei em frente à janela. Dava pra ver, de cima, bem de cima, a cidade calma, tranquila. Em paz. Paz que buscava em reproduções de mantra de livros, dentro da minha cabeça, impondo uma sensação de alívio comprada e falsa para meus pensamentos. Acho que só queria mesmo dormir. E ali fiquei, minutos a fio, olhando para o nada, para o horizonte recortado por prédios altos e luzinhas vermelhas defendendo as construções dos aviões que passam, cada vez mais vezes por dia, arranhando a barriga nas cabeças que preferem morar nas alturas dos últimos andares e coberturas. Os olhos descansam nestes mesmos prédios, nas janelas escuras, nos espaços vazios das salas e das cozinhas. Aos poucos vou descobrindo pedaços de cortinas entreabertas que deixam fugir um pequeno facho de luz, abajures e ventiladores de teto ligados, pequenas vidas perdidas nessa mesma madrugada. Começo um de meus esportes preferidos, o voyerismo noturno. A imaginação voa por prédios, pessoas, casas, salas, camas, luzes acessas e geladeiras sendo assaltadas. Cada pequena luz perdida entre tantas janelas apagadas me traz a dúvida e a certeza de que mais alguém está ali. Um rapaz de férias termina de ver o filme alugado que precisa devolver no dia seguinte. A senhora de branco está com insônia e o leite a aquece, enquanto escuta algum de seus discos de sucessos de duas ou três décadas atrás. A menina está, escondida dos pais, conversando com a amiguinha na internet. Outro rapaz está vendo a última propaganda da programação da TV, esperando o telefonema de sua namorada. Telefonema que não vem e que, quem sabe, nunca virá.
As luzes apagadas também começam a ganhar vida. O casal se beija, se abraça, esfrega o corpo de um contra o do outro. Diferente dos anos de namoro, onde tudo era lindo e poético, hoje ela pede para apagar a luz. No escuro a vergonha da barriga já meio flácida também não pode ser vista. A criança está abaixo da janela do casal. Ela não consegue dormir. Acabo me lembrando de minha própria infância, do terror que a música do final do Fantástico produzia nas minhas entranhas, quando finalmente percebia que não iria dormir, que não conseguiria nunca mais descansar, que não teria a paz da noite ao meu lado. Nessas horas prestava atenção ao meu irmão mais velho que dividia o quarto comigo, já deitado, respirando profundamente. Uma respiração forte que de certa forma me confortava. E como todo irmão mais novo, tentava copiá-lo. A cada inspiração dele, uma minha. Cada expiração dele, uma minha. E nesse jogo, aos poucos ia me esquecendo dos problemas, da música do Fantástico, do silêncio da rua quebrado por algum grilo, da minha incapacidade de dormir. O menino já dorme, presenti. Acendi a luz do corredor e caminhei até o quarto. A pequena penumbra parecia convidativa. Deitei, e com a lembrança da respiração do meu irmão, dormi.
segunda-feira, agosto 10, 2009
e estando tudo certo, posso contar ao mundo que estou indo para o Alto Paraguai, no meio do chaco, acampar e filmar (se conseguir) os Ayoreo. Diz aí, Elton, se tá certo o que escrevi.
Mas enfim, tem história aqui nesse link .
e devoro um manual da Sony - PD170 que tenho que "dominar" antes de chegar lá no local. A vacina de febre amarela já foi devidamente aplicada uns dez dias antes da chegada no mato. e de lá, para onde depois?
Mas enfim, tem história aqui nesse link .
e devoro um manual da Sony - PD170 que tenho que "dominar" antes de chegar lá no local. A vacina de febre amarela já foi devidamente aplicada uns dez dias antes da chegada no mato. e de lá, para onde depois?
é muito sério o que vou escrever.
Às vezes me canso de vitorinha com uma facilidade...
***
Dá uma vontade de sair, de ir embora, de achar um lugar meu, de correr atrás das coisas que perdi por aí. Aqui, em vitorinha, já não sei o que tenho, já não sei quem é quem, já não sei mais o que fazer para passar o tempo. Já não me sinto em casa onde antes foi minha casa, já não me sinto bem onde antes me sentia, tenho preguiça de cumprimentar todo mundo na rua, de fazer cara de bom amigo, tenho vontade de virar a cara e fingir que não conheço (como afinal todo "capixaba" faz).
***
promessa é dívida:
agora só venho aqui ano que vem.
se vier, é claro...
Às vezes me canso de vitorinha com uma facilidade...
***
Dá uma vontade de sair, de ir embora, de achar um lugar meu, de correr atrás das coisas que perdi por aí. Aqui, em vitorinha, já não sei o que tenho, já não sei quem é quem, já não sei mais o que fazer para passar o tempo. Já não me sinto em casa onde antes foi minha casa, já não me sinto bem onde antes me sentia, tenho preguiça de cumprimentar todo mundo na rua, de fazer cara de bom amigo, tenho vontade de virar a cara e fingir que não conheço (como afinal todo "capixaba" faz).
***
promessa é dívida:
agora só venho aqui ano que vem.
se vier, é claro...
domingo, agosto 09, 2009
escrevo num domingo.
tres e meia da tarde, dia dos pais. Mais uma data para vender brindes e presentes em shoppings cheios de trabalhadores felizes em poder trocar horas de suas vidas por bens materiais. Eu sou assim, também. Comprei, finalmente, o Zodíaco (filme belíssimo) e fiquei muito feliz. Ainda estou me regozijando pelo meu poder de compra, sabe.
mas e daí? vejo o filme, guardo na estante e é isso.
fica chato morar num mundo assim. E a cobrança pela parte do "ganhar dinheiro", "ser decente" e "arrumar um emprego" também enche o saco.
Mas peraí...
dinheiro e trabalho não são sinal de felicidade. E o ermitão da Lagoa? Quem é aquela figura cabeluda e barbuda e pelada que corre pelas matas do Rio? Quem pode dizer que ele é triste ou infeliz?
Eu agora prefiro ter experiências de vida, sabem? Viver, ver as coisas, experimentar milhares de sensações e de vontades diferentes. E poder, na hora do vamos ver, olhar pra trás e em vez de ver a vida passando à frente dos meus olhos em segundos, perder minutos relembrando as loucuras que fiz, que vivi. Espero me lembrar de dias dentro de um carro cortando o Brasil, de bebedeiras homéricas, de quedas, de pontos, de vômitos, de beijos, de abraços, de amigos, de cidades, de pessoas, de projetos insanos, de cursos mil, de como desperdicei toda a grana que ganhei, de como sempre arrumei um jeito de pagar as contas sem ter um emprego fixo, das aulas que dei e que me foram dadas, de mestres e alunos, de músicas que compuseram a trilha sonora da minha vida.
Acho que é isso. Como já disseram os The Ramones:
I wanna live!!!
tres e meia da tarde, dia dos pais. Mais uma data para vender brindes e presentes em shoppings cheios de trabalhadores felizes em poder trocar horas de suas vidas por bens materiais. Eu sou assim, também. Comprei, finalmente, o Zodíaco (filme belíssimo) e fiquei muito feliz. Ainda estou me regozijando pelo meu poder de compra, sabe.
mas e daí? vejo o filme, guardo na estante e é isso.
fica chato morar num mundo assim. E a cobrança pela parte do "ganhar dinheiro", "ser decente" e "arrumar um emprego" também enche o saco.
Mas peraí...
dinheiro e trabalho não são sinal de felicidade. E o ermitão da Lagoa? Quem é aquela figura cabeluda e barbuda e pelada que corre pelas matas do Rio? Quem pode dizer que ele é triste ou infeliz?
Eu agora prefiro ter experiências de vida, sabem? Viver, ver as coisas, experimentar milhares de sensações e de vontades diferentes. E poder, na hora do vamos ver, olhar pra trás e em vez de ver a vida passando à frente dos meus olhos em segundos, perder minutos relembrando as loucuras que fiz, que vivi. Espero me lembrar de dias dentro de um carro cortando o Brasil, de bebedeiras homéricas, de quedas, de pontos, de vômitos, de beijos, de abraços, de amigos, de cidades, de pessoas, de projetos insanos, de cursos mil, de como desperdicei toda a grana que ganhei, de como sempre arrumei um jeito de pagar as contas sem ter um emprego fixo, das aulas que dei e que me foram dadas, de mestres e alunos, de músicas que compuseram a trilha sonora da minha vida.
Acho que é isso. Como já disseram os The Ramones:
I wanna live!!!
quinta-feira, agosto 06, 2009
Andanças na net me fizeram encontrar este site, de uma ONG internacional, que achei bem interessante. Trata-se da Survival.
Ela trabalha pela sobrevivência de tribos nativas de várias localidades de vários continentes. Tem tribos nativas do Brasil, Paraguai, Austrália, e até da Rússia. E vocês que achavam que só tinha índio no Brasil, hein?
vale a pena dar uma passada por lá, nem que seja só para ver as fotos ou os vídeos.
Abra-te-sésamo. Eu disse para minha cabeça.
Ela trabalha pela sobrevivência de tribos nativas de várias localidades de vários continentes. Tem tribos nativas do Brasil, Paraguai, Austrália, e até da Rússia. E vocês que achavam que só tinha índio no Brasil, hein?
vale a pena dar uma passada por lá, nem que seja só para ver as fotos ou os vídeos.
Abra-te-sésamo. Eu disse para minha cabeça.
