domingo, novembro 08, 2026

Senhor.. senhor.. SENHOR

 Estava na fila de embarque para o meu voo com destino ao trabalho em São Paulo. Agora a vida é assim: viajo para trabalhar, gastando o dinheiro que me pagam para estar lá, vai entender. Enfim, estava na fila e veio o chamado dos grupos: 1, Magnum, 2 com bolsas a tiracolo, 3, 4 e 5, pessoas com gatos e crianças na frente. As linhas de pessoas ávidas em sentar num charuto de aço que voa se cruzam, se embolam, ninguém sabe para onde está indo. Nessa, me perco também.

Olho para um lado, pro outro e, quando dou por mim, estou localizado na metade de uma fila, mas fora dela. Parecia que eu estava furando. Mas juro: não estava.

Uma pessoa passa à minha frente. A fila anda. Fico parado, afinal, não quero parecer rude às 8h da manhã de um domingo.

Bom, nesse meio tempo, uma mulher — chamemo-la assim — parou e me deu passagem. Mas antes perguntou:

— O senhor está nessa fila?

Acabei falando que estava em alguma fila, mas que tudo tinha virado uma bagunça. Enfim, agradeci e segui para o embarque.

Mas a história toda não tem importância alguma. A única coisa que queria desenvolver foi ter sido chamado de senhor por alguém de, sei lá, quarenta e tantos anos?

Sei que a barba está branca, a barriga entrega os anos de alcoolismo, mas ainda estou com uma camisa do Pulp (bom, banda de 30 anos atrás), tênis (bom, de corrida para absorver os impactos no joelho e calcanhar) e um jeans que sei lá se grita VELHO.

Não era pra ser senhor. Mas aceitei. E, ao aceitar, me vi finalmente como um senhor. Já tenho lá meus anos de estrada, sei. Não tem como ser jovem, ter aquela pele bonita que a idade esquece de trazer dos vinte, trinta anos. Inclusive, como é bonita uma tez jovem. Aquela vitalidade sem experiência, pronta pro sol, poluição, horas de luz azul do monitor.

E assim virei um senhor. Acolho minha sobrancelha grisalha, minha experiência no trabalho, na vida, o conhecimento de 50 anos de vida, a vida analógica que tive até os 20 anos, as milhares de bandas que já ouvi, tudo pelo que já passei mentalmente, os lugares por onde morei. Acolho minhas escolhas, agradeço por ter chegado até aqui por causa delas — nem sempre as melhores, admito.

E acolho seguir caminhando. Sou um senhor, mas um jovem idoso, ainda. E se tem "jovem" no meio, ainda dá pra curtir. Eu vou. Vem comigo?

sábado, novembro 07, 2026

 Já tem algum tempo que não escrevo. Desculpas nunca faltaram. Escrevo para viver. Escrevo todo dia para milhões de pessoas (sim, é parte do meu trabalho, se bem que agora não são mais milhões, mas mil, milhares). Não tenho um computador com as acentuações do português (outra verdade, mas já faz uns meses que tenho, e ainda assim não comecei a escrever milagrosamente).

A verdade é que escrever não é prazer, nunca foi. Sempre foi deadline, entrega ou fruto de hiperfoco do TDAH (agora entendo).

O blog que era das reticências agora é do ponto final. Ou do ponto, vai. Deixa o final para depois. As coisas tendem a não ficar mais tão em suspenso, acho.

Para quem ainda não sabe, voltei ao Brasil em janeiro de 2026. Foi uma jogada boa, já que tinha direito a 2 meses de sabático na empresa onde trabalhava em Londres. Assim consegui vir para o Brasil, trabalhar até quando deu, e me estabelecer aqui neste ínterim.

Mentira, não me estabeleci e hoje tenho certeza que voltarei a morar no UK, mas enfim, papo para outra hora.

Acho que escrever também é um pouco como vestir um tênis. Quando está novo, como esse laptop está, as letras, as teclas parecem não fazer sentido, então preciso praticar até que pare de apertar o Enter, em vez do Ç. Ou que pare de escrever em caps lock, porque errei um A no meio da frase.

A parte boa é que o Google Docs salva tudo automaticamente e que o GPT ou outra AI daí irá revisar e corrigir todos os meus erros de digitação frenética sem acento e sem paciência.

Esse sou eu. Até a próxima.