From: "Luis Taylor" <tayllor@hotmail.com>
>To: taylor@superig.com.br>Subject: Cuiabá e eu. Date: Fri, 08 Sep 2006 14:52:42 +0000
>
>Eu aqui. O começo é sempre complicado, cidade nova, tudo novo. Você não
>conhece nada... Cheguei no domingo, me tranquei no quarto do hotel e liguei
>o ar. Só saí segunda pra ir trabalhar. O calor assustou no começo. Na terça
>da primeira semana, aprendi qual ônibus pegar para ir trabalhar e qual
>pegar para ir ao Shopping. Tranqüilo. Na segunda semana tava de boa aqui.
>Com 10 dias meu pai chegou com meu carro e aí, foi só partir pro abraço.
>Hoje ando tudo aqui. Vou pra qquer lugar. Claro que ainda falta conhecer
>MUITA coisa da cidade, como onde tem armarinho, onde é os botequinhos pé de
>cachorro, essas coisas que a gente só aprende com o tempo. Mas, serei muito
>sincero, você não tem idéia de como essa mudança fez bem pra mim. Estou
>tranqüilo, feliz, MUITO MENOS estressado... E gostei daqui. Uma pena ser
>tão longe de Vitória, porque queria mostrar pra todo mundo as coisas legais
>daqui. Outra vida, em outro lugar, mas no mesmo país. O Brasil é doido
>demais por causa dessas distâncias malucas e das diferenças de um lugar pra
>outro. Agora quero ir morar no nordeste e no sul. Recife e Poa,
>respectivamente. Vamos ver quando. Sair de casa, mudar tão totalmente de
>lugar dá uma sensação de liberdade incrível. Você percebe que ir e vir é
>simples e nada complicado. A vida é muito curta pra gente se prender em um
>só lugar, cara.
>A gente tem essa facilidade de não ter filhos, de só ter que se cuidar...
>Eu resolvi virar nômade total. Hehehe
>
>Vamos voltar para Cuiabá. A cidade tem muito de Vitória. É capital, mas não
>Capital. Como Vitória. Tem seus shoppings, seus bares, suas lojas. Mas
>ainda tem aquele arzinho de interior. Afinal, é Mato Grosso, né... Muito
>sertanejo, muito agronegócio, muito peixe... A cidade em si é mais
>espalhada, e tem uma cidade vizinha que é praticamente a Vila Velha daqui.
>Mas sem pedágio na ponte, e com a ponte beeeeem menor. Ela só passa por
>cima do Rio Cuiabá e não da Baía de Vitória. Essas duas cidades juntas
>(Cuiabá e Várzea Grande)devem ter quase o dobro de Vitória.
>Estou enturmado com o pessoal do trabalho (o povo é muito hospitaleiro).
>Saio de vez em quando e às vezes saio sozinho mesmo. Na cara dura, pego
>minha cerveja olho ao redor e já vou chegando com o papo de “Oi, aqui é
>sempre assim? É que sou de fora...”
>Pronto, sempre arrumo alguém pra conversar. Heheheh
>
>O nível do trabalho aqui é mais baixo que em Vitória (quer dizer, que na
>MP). Mas isso é até bom. Dou umas idéias malucas aqui e o pessoal gosta. O
>cliente não aprova, mas o pessoal da agência acha legal. To mostrando
>serviço, e isso é o que importa. Só faço campanha filé, então, to afim de
>pegar todos os prêmios do ano que vem daqui. Não deve ser difícil e ia ser
>do caralho, pro pessoal perceber que valeu a pena me trazer e ainda pra
>aumentarem meu salário!
>
>A grana que tiro aqui ta boa. Dá pra manter o nível de Vitória tranqüilo e
>se bobear ainda salvar um tanto todo mês. Coisa q aí não rolava. Dependendo
>do moral que eu ganhe aqui, de aumento de salário e tal, penso em ficar até
>um pouquinho mais.
>De qualquer forma, a pressão é MUITO menor e dá pra sair no horário
>tranqüilo. Que aqui é as 6 da tarde. Quando dá oito horas já to em casa faz
>um tempão. Qualidade de vida. Foda.
>
>Que mais?
>
>Ah, estou jogando basquete 2 vezes por semana. Tudo bem que começamos
>agora, mas não vamos deixar isso acabar. Vou começar a malhar no Sesc (na
>minha carteira, recebo salário de comerciário, posso ser sócio do SESC. E
>aqui tem o SESC PANTANAL que é foda de lindo. [http://www.sescpantanal.com.br)]www.sescpantanal.com.br).
>Fechei a boca legal. Fritura, gordura, colesterol não fazem mais parte do
>meu cardápio. Dei uma bela secada, mas a barriga não some de jeito nenhum,
>mesmo porque parar de tomar cerveja eu não vou! Hahah
>A comida aqui é muito baseada na mandioca. Tem todo dia em todo restaurante
>e acompanha todos os pratos, até mesmo a feijoada. A farinha daqui é bem
>diferente e MUITO melhor. Peixe, só de rio. Pacu e Pintado são os mais
>comidos. Tem a pirapitanga também, mas essa eu ainda não provei. Tem uns
>rodízios de peixe em uns restaurantes flutuantes na beira do rio que são
>massa. Não fui ainda, mas o clima é show. Caldinho de feijão é distribuído
>em alguns bares como um agrado. De graça mesmo. E a cerveja, assim como as
>coisas no supermercado são um pouco mais caras.
>O sotaque me assustou no começo. O erre deles é muito puxado, tipo interior
>de São Paulo. Porrrrrta, interiorrrrrrrr, licorrrrrr....hahhahah Mas a
>gente se acostuma. Eu me acostumei. Só não posso começarrrrrr a falarrrrrr
>assim. Eles falam bem rápido também, as vezes é embolado e difícil de
>entender.
>
>Meu ap fica bem perto da agencia, 1 km, mais ou menos. Do lado do shopping,
>perto de supermercado... bem tranqüilo. To no 9° andar, três quartos.
>Fechamos uma mudança pra cá por 1500 paus. De graça, já que tinha gente
>cobrando 10 pratas. Na verdade, todo mundo meio que cobrava esses 10 paus.
>
>Hum...
>
>Ah, claro. Tem a chapada dos Guimarães que é um tapa. Muito perto, 60 km. E
>é lindíssimo lá. Tem uma cidade chamada chapada dos Guimarães, que é bem
>gostosinha, estilo Tiradentes, com umas lojinhas legais, achei parecido com
>Búzios (guardada as devidas proporções) Sem falar da paisagem que é um
>desbunde. Aí da cidade a gente anda um pouquinho e já tá no Parque Nacional
>da Chapada Dos Guimarães. De lá tem um monte de trilhas pra se fazer,
>encontrar umas cachoeiras, tomar banho. O engraçado é que a vegetação é de
>cerrado. Total livro de geografia mesmo. Árvores espaçadas e retorcidas.
>Hehehe
>
>Enfim, estou adaptado já. Agora só falta vcs aqui pra conhecer.
>abrás
>Taylor
