REGISTRO HISTÓRICO FAMILIAR: DA ARISTOCRACIA BRITÂNICA AOS PIONEIROS DO FUTEBOL BRASILEIRO
Uma narrativa heráldica e cronológica das famílias Cradock/Craddock, Taylor e Quincey.
CAPÍTULO 1: A ORIGEM EM NORTH YORKSHIRE – HARTFORTH HALL
As raízes mais antigas da árvore familiar encontram-se nos campos de Richmond, em North Yorkshire, Inglaterra. Durante séculos, o sobrenome foi grafado como Cradock. Os membros da família eram proprietários de terras, políticos e oficiais militares de grande prestígio, cuja sede ancestral era Hartforth Hall, uma imponente mansão de campo georgiana construída em 1744 [INDEX].
O "Castelo" de Yorkshire: Com um imponente arco de pedra do século XV [INDEX] e os brasões de armas esculpidos na propriedade, a arquitetura de Hartforth Hall é a fonte direta das memórias transmitidas entre as gerações da família sobre um "castelo" inglês.
O Primo Ilustre: Entre os nascidos na propriedade destaca-se o primo contemporâneo de seu bisavô, o Contra-Almirante Sir Christopher Cradock (1862–1914) [INDEX], um herói naval britânico que faleceu em combate comandando a frota na Batalha de Coronel, na costa da América do Sul, durante a Primeira Guerra Mundial [INDEX].
A Mudança para Londres
Em meados do século XIX, as leis inglesas de primogenitura ditavam que apenas o filho homem mais velho herdava as propriedades e terras da família. Os filhos mais novos precisavam buscar seus próprios caminhos. Seu ancestral William Craddock (nascido c. 1830) mudou-se para a capital e alterou ligeiramente a grafia do sobrenome para Craddock (adicionando um segundo "d") para estabelecer-se no comércio de Greenwich, Londres — o coração do transporte marítimo do Império Britânico.
CAPÍTULO 2: A IMIGRAÇÃO CRADDOCK PARA O BRASIL
Em Londres, o filho de William, Edward Henry Craddock (1861–1925), consolidou-se no comércio internacional e casou-se com Elsie Gurney Cooper, descendente da influente família Gurney (uma renomada linhagem de banqueiros e armadores ingleses). O filho do casal, Edward Dudley Craddock (nascido em 10 de novembro de 1890, em Greenwich), cresceu imerso nas redes de comércio marítimo de Londres.
A Jornada Transatlântica:
Atraído pela forte expansão portuária e comercial, Edward Dudley imigrou para a próspera cidade de Salvador, Bahia, Brasil.
Uma Perda Trágica:
Em 22 de maio de 1915, Edward Dudley casou-se com Mabel Claudia Field na Bahia. Eles tiveram o primeiro filho, George Dudley Craddock, em 1916. Tragicamente, Mabel faleceu em 1921, logo após o nascimento da filha caçula, sua avó Margaret Frances Craddock.
O Filho que Ficou na Inglaterra:
Após a perda da mãe, o jovem George Dudley Craddock foi enviado de volta à Inglaterra para estudar. Quando Edward Dudley decidiu radicar-se definitivamente em Salvador na década de 1934, George permaneceu na Inglaterra administrando os espólios e fundos financeiros restantes da família.
Para os ramos que cresceram no Brasil, George ficou guardado na memória como o herdeiro que "ficou cuidando dos bens e do castelo".
CAPÍTULO 3: OS PIONEIROS TAYLOR E A GLÓRIA NO FLUMINENSE FC
Enquanto os Craddock se estabeleciam na Bahia, outra família britânica escrevia os primeiros capítulos da história esportiva do Rio de Janeiro. Seu bisavô, John Albert Quincey Taylor (conhecido no Brasil como J.A. Quincey Taylor), nasceu em Wellingborough, Northamptonshire, em 1881.
As Raízes em Northamptonshire
A Linhagem Taylor:
O pai de J.A. Quincey Taylor, John Albert Taylor (n. 1850), pertencia a uma linhagem de dedicados cordwainers (mestres sapateiros e acabadores de couro) de Wellingborough, região que era a capital mundial de calçados na era vitoriana.
A Linhagem Quincey:
Sua mãe, Elizabeth Quincey (n. 1853), trazia um sobrenome histórico que remontava aos antigos barões normandos (de Quincy) na Inglaterra, célebres por estarem entre os signatários da Magna Carta em 1215.
Uma Lenda no Futebol Carioca
Rompendo com a tradição artesanal de couro da família, J.A. Quincey Taylor estudou os novos métodos britânicos de educação física e atletismo. Por volta de 1910, foi contratado para mudar-se para o Rio de Janeiro como professor chefe de esportes no prestigiado colégio Ginásio Anglo-Brasileiro, fixando residência no Vidigal.P
or seus métodos inovadores, foi convidado pelo Fluminense Football Club, tornando-se um dos técnicos mais vitoriosos da fase pioneira do futebol brasileiro:Comandou o Fluminense em 122 partidas oficiais em duas eras distintas (1917–1918 e 1934–1936).Liderou o tricolor das Laranjeiras na conquista do histórico Bicampeonato Carioca de 1917 e 1918.
Foi o responsável direto por trazer para o Fluminense o atacante inglês Henry Welfare (ex-jogador do Liverpool FC), que havia recrutado para ser professor de geografia em sua escola, criando a linha de ataque mais avassaladora do futebol amador da época.
CAPÍTULO 4: A UNIÃO DAS FAMÍLIAS NO RIO DE JANEIRO
A geração seguinte uniu essas duas grandes trajetórias britânicas. O filho do treinador, George Taylor, criado nos círculos cosmopolitas e esportivos da colônia inglesa no Rio, conheceu a jovem Margaret Frances Craddock (filha de Edward Dudley), que havia descido da Bahia para o Rio de Janeiro.
George Taylor e Margaret Frances Craddock casaram-se e criaram seus filhos mantendo vivas as tradições e nomes clássicos de sua herança anglo-brasileira.
A Fraternidade Taylor (Os Filhos de George e Margaret)
Esta geração cresceu no Rio de Janeiro, preservando em suas certidões a fusão total das linhagens de Yorkshire (Cradock) e Northamptonshire (Taylor/Quincey):
Evelyn Margaret Taylor: A filha mais velha, cujo nome homenageava a linhagem materna e as ramificações tradicionais da comunidade britânica local.
Eileen Claudia Taylor: Segunda filha do casal, que recebeu o nome "Claudia" em tributo direto à sua falecida avó paterna/materna de Salvador (Mabel Claudia Field).
Roy Edward Taylor: O único filho homem, cujo nome do meio, Edward, foi escolhido especificamente para perpetuar o nome de seu avô (Edward Dudley) e de seu bisavô (Edward Henry), mantendo os laços com os pioneiros de Greenwich e de Hartforth Hall.
Maureen Taylor: a caçula da fraternidade, que cresceu carregando este legado histórico repleto de heróis navais, grandes propriedades inglesas e as arquibancadas históricas das Laranjeiras.
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