Hoje, terça-feira chuvosa, li no O Globo que Silva, estaria se apresentando no Rio de Janeiro, mais precisamente no CCBB, dentro do projeto Sai da Rede (que acontece durante todo o mês de janeiro).
Fui em busca de mais informações e soube do horário dos shows (às 12h30 e às 19h). Pô, 12h30, aqui do lado do trabalho?
Corri para assistir ao show no horário de almoço. Cheguei, fui comprar meu ingresso para o Teatro II - show sentado, com acústica absurda de boa - e descobri quanto estava custando.
SEIS reais. Com cartão pré-pago do metrô, idoso ou estudante pagava TRÊS. Me senti na obrigação de pagar uma inteira. E assisti a um showzão, com pouco mais de uma hora, que me fez arrepiar em vários momentos. Depois, almoço e estou leve, de volta ao trabalho.
O que a apresentação me fez pensar é já deu tentar empurrar congo na cabeça dos capixabas. O som que sai daí é cosmopolita, moderno e bom, muito bom. É só ver quem faz "sucesso" até hoje pelo Brasil (e fora dele): Zémaria e Silva.
Talvez seja hora de deixar a soberba cultural de que o que é bom é o nosso de lado e aprender com zés, silvas e souzas que estão por aí, pés no chão, tentando ser só o que são. E se divertindo com isso.
Música, cinema, literatura pobre, propaganda e um pouquinho de vida. Melancolia também, por que não?
terça-feira, janeiro 29, 2013
Antes aqui:
O país do Chocotone.
Todo mês de janeiro é a mesma coisa. Pilhas e pilhas de chocotones em promoção invadem as gôndolas dos supermercados. Isso quer dizer que: ou o chocotone está com pouca procura, ou tem chocotone demais no mercado. Eu fico com a segunda opção. E ela me chateia sobremaneira.
É bom explicar logo, sou um profundo apreciador do Panetone. Sim, você leu direito. Panetone. Gosto de saborear a tradição. O aroma inconfundível da massa cozida misturada com as frutas cristalizadas, gostinho de Natal. Mas parece que sou o único. De uns tempos para cá, as novas gerações simplesmente ignoram o poder da tradição e empurram sua vontade goela abaixo de todo o país. Como bebês gigantes, esperneiam por aí: queremos gotinhas de chocolate, não frutas cristalizadas!
Isso revela mais do que o gosto comum do brasileiro. Isso revela uma mudança de mentalidade. Saímos da idade adulta e voltamos á infância mimada. Se assim acontece com o pobre do panetone, imagine com as leis, com o respeito ao próximo e, por que não, com quem gosta de Panetone? Um bico de choro, um telefonema para o papai e a famigerada frase: “Você sabe com quem está falando?” e pronto, as gotinhas de chocolate começam a pingar, como chuva torrencial, maculando meu querido doce natalino.
É o Panetone que me lembra, todo ano, que o Natal é o período de troca, felicidade e boa vontade. E não estou disposto a abrir mão disso, só porque você não gosta de frutas cristalizadas, ainda cata cebola na comida ou não teve coragem de provar rabada. Sério, Brasil, já passou da hora de você crescer.
O país do Chocotone.
Todo mês de janeiro é a mesma coisa. Pilhas e pilhas de chocotones em promoção invadem as gôndolas dos supermercados. Isso quer dizer que: ou o chocotone está com pouca procura, ou tem chocotone demais no mercado. Eu fico com a segunda opção. E ela me chateia sobremaneira.
É bom explicar logo, sou um profundo apreciador do Panetone. Sim, você leu direito. Panetone. Gosto de saborear a tradição. O aroma inconfundível da massa cozida misturada com as frutas cristalizadas, gostinho de Natal. Mas parece que sou o único. De uns tempos para cá, as novas gerações simplesmente ignoram o poder da tradição e empurram sua vontade goela abaixo de todo o país. Como bebês gigantes, esperneiam por aí: queremos gotinhas de chocolate, não frutas cristalizadas!
Isso revela mais do que o gosto comum do brasileiro. Isso revela uma mudança de mentalidade. Saímos da idade adulta e voltamos á infância mimada. Se assim acontece com o pobre do panetone, imagine com as leis, com o respeito ao próximo e, por que não, com quem gosta de Panetone? Um bico de choro, um telefonema para o papai e a famigerada frase: “Você sabe com quem está falando?” e pronto, as gotinhas de chocolate começam a pingar, como chuva torrencial, maculando meu querido doce natalino.
É o Panetone que me lembra, todo ano, que o Natal é o período de troca, felicidade e boa vontade. E não estou disposto a abrir mão disso, só porque você não gosta de frutas cristalizadas, ainda cata cebola na comida ou não teve coragem de provar rabada. Sério, Brasil, já passou da hora de você crescer.
sábado, janeiro 12, 2013
A mão anda mesmo imprestável.
A dor aparece de repente, numa onda que parece me fazer tremer dos pés à cabeça.
o punho anda se tornando uma engrenagem velha, enferrujada, e percebo que muito disso se dá por conta da tala que prende meus movimentos.
Estou imobilizado. Levei uma chave de LER que me fez bater três vezes e pedir arrego.
A coisa boa é que estou cuidando disso a vera e pretendo estar de volta aos escritos o quanto antes.
***
Outra coisa boa do descanso forçado é colocar em dia uma lista de filmes e seriados que queria ver. E um tanto de leitura.
Foi numa dessas que vi, de uma enfiada só, The Pacific, a série da HBO que conta como a segunda guerra foi do lado de lá do mundo. É estranho como nunca entendi muito bem o porquê desse teatro de guerra, e a série me deu algumas respostas, ao mesmo tempo em que aumentou ainda mais a minha dúvida sobre a real necessidade de tantas e tantas batalhas.
Ao contrário da Europa, onde o campo de guerra eram países dominados, como França e Bélgica, no Pacífico, a confusão era em ilhotas. Pedaços esquecidos no mapa e que até hoje não passam de destino de poucos viajantes. Lá, a coisa foi feia, de verdade.
Temo dizer que foi pior que na Europa. E tudo o que os aliados conseguiram foram ser esquecidos. Essa sim, foi a guerra do soldado esquecido. Baixas e mais baixas, por centímetros de rocha vulcânica, que entravam em erupção despejando japoneses por todos os lados. E quando se está lutando com um inimigo que vê a morte como uma honra, a coisa nunca pode ser boa.
A série é até mais forte que sua antecessora, Band of Brothers, e merece ser vista. Nem que seja como uma ode à memória desses garotos que deram suas vidas para que comêssemos hambúrguer com Coca-Cola hoje.
A dor aparece de repente, numa onda que parece me fazer tremer dos pés à cabeça.
o punho anda se tornando uma engrenagem velha, enferrujada, e percebo que muito disso se dá por conta da tala que prende meus movimentos.
Estou imobilizado. Levei uma chave de LER que me fez bater três vezes e pedir arrego.
A coisa boa é que estou cuidando disso a vera e pretendo estar de volta aos escritos o quanto antes.
***
Outra coisa boa do descanso forçado é colocar em dia uma lista de filmes e seriados que queria ver. E um tanto de leitura.
Foi numa dessas que vi, de uma enfiada só, The Pacific, a série da HBO que conta como a segunda guerra foi do lado de lá do mundo. É estranho como nunca entendi muito bem o porquê desse teatro de guerra, e a série me deu algumas respostas, ao mesmo tempo em que aumentou ainda mais a minha dúvida sobre a real necessidade de tantas e tantas batalhas.
Ao contrário da Europa, onde o campo de guerra eram países dominados, como França e Bélgica, no Pacífico, a confusão era em ilhotas. Pedaços esquecidos no mapa e que até hoje não passam de destino de poucos viajantes. Lá, a coisa foi feia, de verdade.
Temo dizer que foi pior que na Europa. E tudo o que os aliados conseguiram foram ser esquecidos. Essa sim, foi a guerra do soldado esquecido. Baixas e mais baixas, por centímetros de rocha vulcânica, que entravam em erupção despejando japoneses por todos os lados. E quando se está lutando com um inimigo que vê a morte como uma honra, a coisa nunca pode ser boa.
A série é até mais forte que sua antecessora, Band of Brothers, e merece ser vista. Nem que seja como uma ode à memória desses garotos que deram suas vidas para que comêssemos hambúrguer com Coca-Cola hoje.
sexta-feira, novembro 30, 2012
Então o ano acabou?
já era 2012?
Bom, este ano foi-se esvaindo aos poucos. E de maneira constante.
Foi um dos que quase não dá para contar os bons momentos.
Foi, mesmo, um bom ano.
Nem ligaria se tudo se acabasse mesmo daqui a 21 dias.
Ficaria triste pelos filmes que não veria, pelos livros que não teria condições de ler e pelas paisagens que não poderia desfrutar.
De resto, todo o resto, pareço estar satisfeito.
Não há mesmo muito do que reclamar.
já era 2012?
Bom, este ano foi-se esvaindo aos poucos. E de maneira constante.
Foi um dos que quase não dá para contar os bons momentos.
Foi, mesmo, um bom ano.
Nem ligaria se tudo se acabasse mesmo daqui a 21 dias.
Ficaria triste pelos filmes que não veria, pelos livros que não teria condições de ler e pelas paisagens que não poderia desfrutar.
De resto, todo o resto, pareço estar satisfeito.
Não há mesmo muito do que reclamar.
Antes Aqui
Mais um ano se encerra e 2012 já abre passagem para 2013. Rápido como a luz, trocamos páginas de agendas, calendários e folhinhas. E como fazemos há quase 10 anos, não poderíamos deixar de fazer uma rápida retrospectiva do que apareceu de melhor nesses últimos 12 meses.
Pausa para reconhecer um ano especial em matéria de música. Muitos discos bons apareceram e, faz tempo, não ouvia tanta música nacional feita com qualidade. Bem, é melhor deixar de papo e começar a quebrar a cabeça para separar o que de real marcou 2012.
Jack White – Blunderism
O primeiro grande álbum do ano. Mais uma presença de Mr. Jack White (ex-White Stripes) na lista de melhores. Íntegro e coeso, um belo começo de carreira solo.
Hot Chip – In Our Heads
Demorei até finalmente ouvir o novo do Hot Chip. E desde então não me canso de ouvi-lo uma vez mais, sempre que possível. Ponto altíssimo da carreira dos ingleses.
Hot Water Music – Exister
Um disco que deve ter feito todas as outras bandas de rock tremerem na base. Depois desse lançamento, com peso, melodia e refrões impecáveis alinhados do início ao fim, a altura do sarrafo de 2012 foi mandada para o alto.
Curumin – Arrocha
Outro nacional que cavou seu espaço nesta lista. Um disquinho gostoso que só, com levadas eletrônicas mudernosas, mas bem feitas, e em extrema harmonia com o que o artista se propõe.
Los Sebosos Postizos - Los Sebosos Postizos interpretam Jorge Ben Jor
A Nação Zumbi tem tanto talento que, mesmo sem alguns integrantes, fez um projeto entrar nos melhores álbuns de 2012. Dengue, Lucio Maia, Du Peixe e Pupilo tocam as músicas de Jorge Ben (Jor) com ainda mais suingue (como se isso fosse necessário).
Alt-J - An Awesome Wave
O grande vencedor do Prêmio Mercury deste ano foi, talvez, a melhor surpresa de 2012. Som macio, malandro e muito, muito bom.
Two Door Cinema Club – Beacon
O segundo disco do TDCC é complicado, difícil e estranho. Ou nada disso. Entre a crítica, ouve divergências, mas aqui, este foi um dos melhores do ano, com canções lindas como Handshake e Beacon.
Tame Impala – Lonerism
O ano parece ser mesmo das afirmações. O Tame Impala, depois de dominar o mundo com Innerspeaker, volta com o equilibrado Lonerism. Um pouco mais de psicodelia com ecos de Beatles. Nada mal.
DIIV – Oshin
A felicidade de ouvir este disco deve ser parecida com ouvir um dos clássicos do New Order, assim que foram lançados. Baixo marcado, levadas oitentistas e muitas músicas boas.
E 2012 parece ter sido também o ano das mulheres. Algumas delas lançaram belíssimos trabalhos e não custa anda ressaltar seus nomes por aqui. Então anote aí: Cat Power, Norah Jones, Fionna Apple, Grimes, Céu e Feist. Você não levará um fora dessas vozes, fique tranquilo.
Mais um ano se encerra e 2012 já abre passagem para 2013. Rápido como a luz, trocamos páginas de agendas, calendários e folhinhas. E como fazemos há quase 10 anos, não poderíamos deixar de fazer uma rápida retrospectiva do que apareceu de melhor nesses últimos 12 meses.
Pausa para reconhecer um ano especial em matéria de música. Muitos discos bons apareceram e, faz tempo, não ouvia tanta música nacional feita com qualidade. Bem, é melhor deixar de papo e começar a quebrar a cabeça para separar o que de real marcou 2012.
Jack White – Blunderism
O primeiro grande álbum do ano. Mais uma presença de Mr. Jack White (ex-White Stripes) na lista de melhores. Íntegro e coeso, um belo começo de carreira solo.
Hot Chip – In Our Heads
Demorei até finalmente ouvir o novo do Hot Chip. E desde então não me canso de ouvi-lo uma vez mais, sempre que possível. Ponto altíssimo da carreira dos ingleses.
Hot Water Music – Exister
Um disco que deve ter feito todas as outras bandas de rock tremerem na base. Depois desse lançamento, com peso, melodia e refrões impecáveis alinhados do início ao fim, a altura do sarrafo de 2012 foi mandada para o alto.
Curumin – Arrocha
Outro nacional que cavou seu espaço nesta lista. Um disquinho gostoso que só, com levadas eletrônicas mudernosas, mas bem feitas, e em extrema harmonia com o que o artista se propõe.
Los Sebosos Postizos - Los Sebosos Postizos interpretam Jorge Ben Jor
A Nação Zumbi tem tanto talento que, mesmo sem alguns integrantes, fez um projeto entrar nos melhores álbuns de 2012. Dengue, Lucio Maia, Du Peixe e Pupilo tocam as músicas de Jorge Ben (Jor) com ainda mais suingue (como se isso fosse necessário).
Alt-J - An Awesome Wave
O grande vencedor do Prêmio Mercury deste ano foi, talvez, a melhor surpresa de 2012. Som macio, malandro e muito, muito bom.
Two Door Cinema Club – Beacon
O segundo disco do TDCC é complicado, difícil e estranho. Ou nada disso. Entre a crítica, ouve divergências, mas aqui, este foi um dos melhores do ano, com canções lindas como Handshake e Beacon.
Tame Impala – Lonerism
O ano parece ser mesmo das afirmações. O Tame Impala, depois de dominar o mundo com Innerspeaker, volta com o equilibrado Lonerism. Um pouco mais de psicodelia com ecos de Beatles. Nada mal.
DIIV – Oshin
A felicidade de ouvir este disco deve ser parecida com ouvir um dos clássicos do New Order, assim que foram lançados. Baixo marcado, levadas oitentistas e muitas músicas boas.
E 2012 parece ter sido também o ano das mulheres. Algumas delas lançaram belíssimos trabalhos e não custa anda ressaltar seus nomes por aqui. Então anote aí: Cat Power, Norah Jones, Fionna Apple, Grimes, Céu e Feist. Você não levará um fora dessas vozes, fique tranquilo.
domingo, novembro 18, 2012
quarta-feira, novembro 07, 2012
Comprei o livro Herzog, escrito pelo Prêmio Nobel Saul Bellow, por conta da crítica que li na VIP. Dei, como poucas vezes o fiz, crédito a um crítico. Ainda mais sendo de literatura, coisa que aprecio de uma forma muito particular. Mais do que comprar livros, gosto de lê-los. Só vejo-os em minha estante depois de devidamente usados.
Mas enfim, comprei e me joguei de cabeça na mente de Moses Herzog. Um professor brilhante perdido entre suas memórias e suas mulheres. Confuso com o fim de seu casamento, Herzog nos leva de forma esplendorosa por sua história repleta de erros e passos em falso e começamos a temer pelo seu futuro. Pela sua perspectiva de futuro, qualquer que ele seja. Entre lembranças, Herzog escreve cartas. Cartas para seus amigos de tempos, para suas ex-mulheres, para seu psicólogo e para o presidente dos Estados Unidos. Como e onde elas serão postadas, não precisamos saber. Nem ele sabe, escreve como um meio de eliminar as impurezas da alma. Como alguns de nós.
Um adendo - O livro praticamente exige uma leitura ininterrupta, parar deixa no ar a linha de pensamento, o fio da meada, de mesma forma que você se sente quando o interrompem em meio a um pensamento e ele voa para longe. Infelizmente ter o tempo necessário para saborear essa obra-prima é algo impossível em tempos de celulares, internet e hiperinformação. Quer tentar? Boa sorte.

Mas enfim, comprei e me joguei de cabeça na mente de Moses Herzog. Um professor brilhante perdido entre suas memórias e suas mulheres. Confuso com o fim de seu casamento, Herzog nos leva de forma esplendorosa por sua história repleta de erros e passos em falso e começamos a temer pelo seu futuro. Pela sua perspectiva de futuro, qualquer que ele seja. Entre lembranças, Herzog escreve cartas. Cartas para seus amigos de tempos, para suas ex-mulheres, para seu psicólogo e para o presidente dos Estados Unidos. Como e onde elas serão postadas, não precisamos saber. Nem ele sabe, escreve como um meio de eliminar as impurezas da alma. Como alguns de nós.
Um adendo - O livro praticamente exige uma leitura ininterrupta, parar deixa no ar a linha de pensamento, o fio da meada, de mesma forma que você se sente quando o interrompem em meio a um pensamento e ele voa para longe. Infelizmente ter o tempo necessário para saborear essa obra-prima é algo impossível em tempos de celulares, internet e hiperinformação. Quer tentar? Boa sorte.

Aqui antes:
É um mistério. Alguns juram de pés juntos que é falso. Um truque. Outros que é uma aparição. Astrólogos diriam se tratar da conjunção de planetas e constelações em condições perfeitas de temperatura e pressão. Eu digo que é real.
Não só digo como posso provar que já vi. Presenciei com esses olhos que um dia a terra há de comer. Foram duas ou três vezes. Não mais que isso. A última aconteceu faz poucos meses, no centro da cidade. Ela passou quase ao meu lado e, de repente, tudo ao redor se tornou uma espécie de espera. Ela não caminhava. O que fazia era mais próximo de um levitar. Como se estivesse pisando em nuvens.
Ok, isso não é verdade. Era bem real e pisava, sim, no chão. Mas alguma coisa faz com que certas mulheres tenham um tipo de caminhar diferente. Como se o chão não existisse, ou fosse feito de ar. Passos leves e diretos, perfeita harmonia entre pés, pernas, músculos. Algumas, pouquíssimas, têm a qualidade excepcional de caminhar perfeitamente, olhos para cima, nariz arrebitado, como se estivesse em uma passarela de asfalto, pedras portuguesas, buracos e chicletes mascados. Como se a vida fosse ser levada sempre com a mesma pose. Diria, até, com certo ar monárquico.
Percebam que não falo de um tipo específico de corpo, de tamanho de pé ou de altura. O que mais importa é a imponência, um vagar que vem da alma.
Próximo a elas - essas fadas que caminham entre nós, pobres mortais de pés tortos, joelhos bichados e sapatos apertando joanetes - todos se sentem hipnotizados. É como se o tempo parasse. E lá vem ela. Pedestres abrem espaço, prendem a respiração, alguns homens menos fortes desfalecem pelas calçadas, atingidos por tamanho esplendor. É como estar frente a frente com um momento sublime. Da Vinci ao pintar Gioconda, Van Gogh ao cortar sua orelha, a primeira vez que as notas da nona sinfonia foram tocadas. É a sensação da presença de uma obra de Deus, à perfeição. Mesmo que só dure alguns passos.
Poucos são os felizardos que podem assistir a uma mulher que levita dessa forma. Uma maneira tão simples, um pé após o outro, que as mulheres têm de reforçar, de forma tão completa, seu domínio sobre os homens. Estaremos sempre aos seus pés.
É um mistério. Alguns juram de pés juntos que é falso. Um truque. Outros que é uma aparição. Astrólogos diriam se tratar da conjunção de planetas e constelações em condições perfeitas de temperatura e pressão. Eu digo que é real.
Não só digo como posso provar que já vi. Presenciei com esses olhos que um dia a terra há de comer. Foram duas ou três vezes. Não mais que isso. A última aconteceu faz poucos meses, no centro da cidade. Ela passou quase ao meu lado e, de repente, tudo ao redor se tornou uma espécie de espera. Ela não caminhava. O que fazia era mais próximo de um levitar. Como se estivesse pisando em nuvens.
Ok, isso não é verdade. Era bem real e pisava, sim, no chão. Mas alguma coisa faz com que certas mulheres tenham um tipo de caminhar diferente. Como se o chão não existisse, ou fosse feito de ar. Passos leves e diretos, perfeita harmonia entre pés, pernas, músculos. Algumas, pouquíssimas, têm a qualidade excepcional de caminhar perfeitamente, olhos para cima, nariz arrebitado, como se estivesse em uma passarela de asfalto, pedras portuguesas, buracos e chicletes mascados. Como se a vida fosse ser levada sempre com a mesma pose. Diria, até, com certo ar monárquico.
Percebam que não falo de um tipo específico de corpo, de tamanho de pé ou de altura. O que mais importa é a imponência, um vagar que vem da alma.
Próximo a elas - essas fadas que caminham entre nós, pobres mortais de pés tortos, joelhos bichados e sapatos apertando joanetes - todos se sentem hipnotizados. É como se o tempo parasse. E lá vem ela. Pedestres abrem espaço, prendem a respiração, alguns homens menos fortes desfalecem pelas calçadas, atingidos por tamanho esplendor. É como estar frente a frente com um momento sublime. Da Vinci ao pintar Gioconda, Van Gogh ao cortar sua orelha, a primeira vez que as notas da nona sinfonia foram tocadas. É a sensação da presença de uma obra de Deus, à perfeição. Mesmo que só dure alguns passos.
Poucos são os felizardos que podem assistir a uma mulher que levita dessa forma. Uma maneira tão simples, um pé após o outro, que as mulheres têm de reforçar, de forma tão completa, seu domínio sobre os homens. Estaremos sempre aos seus pés.
quinta-feira, outubro 04, 2012
ANTES AQUI
Two Door Cinema Club – Beacon
É cada vez mais difícil decorar o nome dos caras (ou meninas) de suas bandas favoritas. Ainda mais se eles não tiverem o tino para o marketing autopromocional, qualidade que anda lado a lado com a competência para escrever boas canções. Alex Trimble poderia passar como um ilustre desconhecido pela maior parte do mundo e, tenho que admitir, até por mim mesmo.
Mas seus discos não passam. Senti-me estranhamente apegado por umas músicas de uma banda com um nome grande e estranho há uns anos atrás. Era o Two Door Cinema Club. Tourist History foi um dos discos de 2010. E apegado a essa memória, a qualidade demonstrada no passado, tive paciência em não descartar na primeira audição “Beacon”. Hoje agradeço aos céus. Aos poucos fui me inteirando das músicas, pescando um pedacinho de paraíso aqui, um backing vocal legal ali, uma batida que me deixou feliz acolá. O disco foi crescendo e no exato momento em que escrevo, não sei se poderia apontar algum defeito. Já qualidades despontam a cada segundo em faixas como Pyramid, Handshake, Next Year e, quem sabe, na melhor música do ano: Beacon, que fecha o álbum.
Mas é bom ressaltar, como todo fã posso estar meio cego (nesse caso, surdo).

***
Pílulas
Tame Impala – Lonerism
Os australianos apareceram numa tacada do destino e maravilharam o mundo da crítica com seu praticamente perfeito primeiro disco – Innerspeaker. Agora de volta com o segundo trabalho, Lonerism, o Tame Impala continua trilhando firme e forte o caminho iniciado na psicodelia e nas viagens entre notas musicais. Um disco que merece uma boa parcela de atenção este ano. Principalmente para uma das mais belas linhas de baixo do ano, em “Apocalypse Dreams”, e para voz do “novo John Lennon”, que realmente impressiona.

ZZ Top – La Futura
Trace uma linha reta. Início, meio e fim. Para algumas bandas isso é o que pode ser chamado de resumo de suas atividades. Em uma palavra: integridade. Não há curvas, evoluções desnecessárias ou mudança de rumos na carreira. O que se fez é o que se faz. E há uma multidão de fãs ávidos por mais do mesmo. É assim com o ZZ Top. Guitarras, cada vez menos presentes nos sons de hoje em dia, blues e rock, poeira e muito uísque cowboy.

Two Door Cinema Club – Beacon
É cada vez mais difícil decorar o nome dos caras (ou meninas) de suas bandas favoritas. Ainda mais se eles não tiverem o tino para o marketing autopromocional, qualidade que anda lado a lado com a competência para escrever boas canções. Alex Trimble poderia passar como um ilustre desconhecido pela maior parte do mundo e, tenho que admitir, até por mim mesmo.
Mas seus discos não passam. Senti-me estranhamente apegado por umas músicas de uma banda com um nome grande e estranho há uns anos atrás. Era o Two Door Cinema Club. Tourist History foi um dos discos de 2010. E apegado a essa memória, a qualidade demonstrada no passado, tive paciência em não descartar na primeira audição “Beacon”. Hoje agradeço aos céus. Aos poucos fui me inteirando das músicas, pescando um pedacinho de paraíso aqui, um backing vocal legal ali, uma batida que me deixou feliz acolá. O disco foi crescendo e no exato momento em que escrevo, não sei se poderia apontar algum defeito. Já qualidades despontam a cada segundo em faixas como Pyramid, Handshake, Next Year e, quem sabe, na melhor música do ano: Beacon, que fecha o álbum.
Mas é bom ressaltar, como todo fã posso estar meio cego (nesse caso, surdo).
***
Pílulas
Tame Impala – Lonerism
Os australianos apareceram numa tacada do destino e maravilharam o mundo da crítica com seu praticamente perfeito primeiro disco – Innerspeaker. Agora de volta com o segundo trabalho, Lonerism, o Tame Impala continua trilhando firme e forte o caminho iniciado na psicodelia e nas viagens entre notas musicais. Um disco que merece uma boa parcela de atenção este ano. Principalmente para uma das mais belas linhas de baixo do ano, em “Apocalypse Dreams”, e para voz do “novo John Lennon”, que realmente impressiona.

ZZ Top – La Futura
Trace uma linha reta. Início, meio e fim. Para algumas bandas isso é o que pode ser chamado de resumo de suas atividades. Em uma palavra: integridade. Não há curvas, evoluções desnecessárias ou mudança de rumos na carreira. O que se fez é o que se faz. E há uma multidão de fãs ávidos por mais do mesmo. É assim com o ZZ Top. Guitarras, cada vez menos presentes nos sons de hoje em dia, blues e rock, poeira e muito uísque cowboy.

sábado, setembro 22, 2012
Aí cheguei em casa ontem, sexta à noite, e coloquei uma cerveja pra gelar e um dvd do Oasis, nova aquisição, para rodar.
Em questão de segundos, sabia que a cerveja não seria mais necessária. Os vídeos do Oasis, todos os 38, me mantiveram naquele limiar entre a sublimação e a realidade, onde tudo parece ser colorido e feliz.
Mas, peraí. Deixe-me contar esta história direito.
Faz quase 20 anos que descobri, por acaso, a banda. E, desde então, é a única que faço questão de acompanhar de perto. Ok, tem o Verve também, mas esse é um outro assunto. Voltando ao Oasis, me lembro de chamá-los de Oásis, bem no comecinho, tentando abrasileirar o som, tão inglês, aos meus ouvidos, que pareciam ser estrangeiros em sua própria terra. Tentei empurrar a novidade tímpanos adentro de vários amigos.
Não rolou.
Virei um aficionado solitário.
Como em toda história de amor, houve altos e baixos, brigas e desentendimentos.
No fim, é o sentimento que fala mais alto e acabávamos sempre bem. Felizes.
Isso tudo é para falar que, mesmo anos depois, sorri a cada acorde, mentalizando as linhas de guitarra, baixo e viradas de bateria, solos e cantando TODAS as letras dos três primeiros álbuns (e de alguns b-sides) de cabeça. Como pode, tanto tempo depois, ainda me recordar disso tudo?
Bem, quando estamos falando de um amor para toda a vida, tudo é possível.
Oasis, a maior banda de todos os tempos, enquanto eu viver.

trilha sonora da noite
1. Supersonic
2. Supersonic (US Version)
3. Shakermaker
4. Live Forever
5. Live Forever (US Video)
6. Cigarettes & Alcohol
7. Whatever
8. Some Might Say
9. Roll With It (Colour Version)
10. Wonderwall
11. Don't Look Back In Anger
12. D'You Know What I Mean?
13. Stand By Me (Original Version)
14. All Around The World
15. Go Let It Out (Video)
16. Who Feels Love?
17. Sunday Morning Call
18. The Hindu Times (Original Version)
19. Stop Crying Your Heart Out (Video)
20. Little By Little (Video (Live))
21. Songbird (Video)
22. Lyla (Video)
23. The Importance Of Being Idle (Video)
24. Let There Be Love (Video)
25. Lord Don't Slow Me Down
26. The Shock Of The Lightning (Video)
27. I'm Outta Time (Video)
28. Falling Down (Video Version)
29. Rock 'n' Roll Star
30. Morning Glory
31. Champagne Supernova
32. Acquiesce (Live)
33. Don't Go Away
34. Where Did It All Go Wrong?
35. Gas Panic! (Live)
36. Little By Little (Live)
37. The Masterplan (2006 Video)
38. Acquiesce (2006 Video)
Em questão de segundos, sabia que a cerveja não seria mais necessária. Os vídeos do Oasis, todos os 38, me mantiveram naquele limiar entre a sublimação e a realidade, onde tudo parece ser colorido e feliz.
Mas, peraí. Deixe-me contar esta história direito.
Faz quase 20 anos que descobri, por acaso, a banda. E, desde então, é a única que faço questão de acompanhar de perto. Ok, tem o Verve também, mas esse é um outro assunto. Voltando ao Oasis, me lembro de chamá-los de Oásis, bem no comecinho, tentando abrasileirar o som, tão inglês, aos meus ouvidos, que pareciam ser estrangeiros em sua própria terra. Tentei empurrar a novidade tímpanos adentro de vários amigos.
Não rolou.
Virei um aficionado solitário.
Como em toda história de amor, houve altos e baixos, brigas e desentendimentos.
No fim, é o sentimento que fala mais alto e acabávamos sempre bem. Felizes.
Isso tudo é para falar que, mesmo anos depois, sorri a cada acorde, mentalizando as linhas de guitarra, baixo e viradas de bateria, solos e cantando TODAS as letras dos três primeiros álbuns (e de alguns b-sides) de cabeça. Como pode, tanto tempo depois, ainda me recordar disso tudo?
Bem, quando estamos falando de um amor para toda a vida, tudo é possível.
Oasis, a maior banda de todos os tempos, enquanto eu viver.

trilha sonora da noite
1. Supersonic
2. Supersonic (US Version)
3. Shakermaker
4. Live Forever
5. Live Forever (US Video)
6. Cigarettes & Alcohol
7. Whatever
8. Some Might Say
9. Roll With It (Colour Version)
10. Wonderwall
11. Don't Look Back In Anger
12. D'You Know What I Mean?
13. Stand By Me (Original Version)
14. All Around The World
15. Go Let It Out (Video)
16. Who Feels Love?
17. Sunday Morning Call
18. The Hindu Times (Original Version)
19. Stop Crying Your Heart Out (Video)
20. Little By Little (Video (Live))
21. Songbird (Video)
22. Lyla (Video)
23. The Importance Of Being Idle (Video)
24. Let There Be Love (Video)
25. Lord Don't Slow Me Down
26. The Shock Of The Lightning (Video)
27. I'm Outta Time (Video)
28. Falling Down (Video Version)
29. Rock 'n' Roll Star
30. Morning Glory
31. Champagne Supernova
32. Acquiesce (Live)
33. Don't Go Away
34. Where Did It All Go Wrong?
35. Gas Panic! (Live)
36. Little By Little (Live)
37. The Masterplan (2006 Video)
38. Acquiesce (2006 Video)
sexta-feira, setembro 21, 2012
Apesar de estar um pouco ausente, tenho pensado em milhares de textos que não coloco aqui.
Sabem como é, vida corrida, agenda cheia...
deixo de lado as coisas que mais gosto: meu bloguito e escrever.
Então, por conta disso, e para dar uma sacudidela neste espaço, com novidades e afins, inicio uma nova coluna, irmã da Primeiro aqui e do Eu quero.
É a Não Gosto
Inicio hoje com não gosto de:
SABONETE DOVE

Veja bem, não é que o cheiro seja ruim. Apesar de não ser o que eu considero cheiroso, o Dove está longe de ser fedido. O problema vem com a famosa frase que o diferencia dos outros sabonetes: feito com sei lá quantos porcento de creme hidratante. Meus queridos, se eu quisesse creme hidratante na minha pele, com certeza eu compraria um.
E não o deixaria dentro do box para passá-lo em meu delicioso corpitcho molhado.
Acontece que esses tantos porcento, fazem da fórmula Dove+água um desastre.
O sabonete simplesmente derrete em contato com a água. Ainda mais se a sua saboneteira for daquelas que enchem de água. No dia seguinte é melhor você jogar a água com o fluido doveano em uma bucha para tomar seu banho porque o sabonete não estará lá.
Outra coisa que não suporto no Dove é o fato de que, por mais que eu me enxague, sempre fica aquela babinha no corpo. O sabão não sai por inteiro do corpo. Deve ter um óleo na fórmula para dar essa impressão, sei lá. Mas o fato é que aquela sensação de baba grudada na pele é bem, mas beeem diferente da sensação de "uau, passei um belo hidratante pelo meu corpo".
São motivos que me fazem chegar à conclusão de que não, eu não gosto de sabonete Dove.
Sabem como é, vida corrida, agenda cheia...
deixo de lado as coisas que mais gosto: meu bloguito e escrever.
Então, por conta disso, e para dar uma sacudidela neste espaço, com novidades e afins, inicio uma nova coluna, irmã da Primeiro aqui e do Eu quero.
É a Não Gosto
Inicio hoje com não gosto de:
SABONETE DOVE

Veja bem, não é que o cheiro seja ruim. Apesar de não ser o que eu considero cheiroso, o Dove está longe de ser fedido. O problema vem com a famosa frase que o diferencia dos outros sabonetes: feito com sei lá quantos porcento de creme hidratante. Meus queridos, se eu quisesse creme hidratante na minha pele, com certeza eu compraria um.
E não o deixaria dentro do box para passá-lo em meu delicioso corpitcho molhado.
Acontece que esses tantos porcento, fazem da fórmula Dove+água um desastre.
O sabonete simplesmente derrete em contato com a água. Ainda mais se a sua saboneteira for daquelas que enchem de água. No dia seguinte é melhor você jogar a água com o fluido doveano em uma bucha para tomar seu banho porque o sabonete não estará lá.
Outra coisa que não suporto no Dove é o fato de que, por mais que eu me enxague, sempre fica aquela babinha no corpo. O sabão não sai por inteiro do corpo. Deve ter um óleo na fórmula para dar essa impressão, sei lá. Mas o fato é que aquela sensação de baba grudada na pele é bem, mas beeem diferente da sensação de "uau, passei um belo hidratante pelo meu corpo".
São motivos que me fazem chegar à conclusão de que não, eu não gosto de sabonete Dove.
terça-feira, setembro 18, 2012
Para quem não acredita em coincidência.
DECRETO Nº 43.597 DE 16 DE MAIO DE 2012
REGULAMENTA O PROCEDIMENTO DE ACESSO A INFORMAÇÕES PREVISTO NOS ARTIGOS CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA, E NA LEI FEDERAL N.º 12.527, DE 18.11.2011 5º, XXXIII, E 216, § 2º, DA
O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, no uso de suas atribuições constitucionais e legais,
CONSIDERANDO:
- que todos têm direito a receber do Poder Público informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, nos termos do art. 5º, XXXIII, da Constituição da República Federativa do Brasil;
- que à Administração Pública compete a gestão da documentação governamental e as
providências para franquear sua consulta a quantos dela necessitem, conforme o previsto pelo art. 216, § 2º, da mesma Constituição;
- a necessidade de regulamentação da Lei Federal nº 12.527, de 18 de novembro de 2011,visando a garantir o acesso dos interessados a informações contidas em documentos produzidos ou custodiados pelos órgãos e entidades que integram a Administração Pública Estadual;
- que a Lei Federal citada contém normas gerais, aplicáveis a todos os entes federativos, e normas especiais, dirigidas expressamente apenas à Administração Pública Federal, o que acarreta a necessidade de regulamento próprio no âmbito do Poder Executivo do Estado do Rio de Janeiro;
DECRETA:
CAPÍTULO I
DO ACESSO A INFORMAÇÕES
Art. 1º - Fica regulamentado por este Decreto o acesso a informações contidas em documentos em poder de órgãos e entidades públicas da administração direta e indireta do Poder Executivo do Estado do Rio de Janeiro.
Parágrafo único - Considera-se documento, para os fins deste Decreto, qualquer unidade de registro de informações, qualquer que seja o suporte ou formato.
Art. 2º - Todos os documentos produzidos ou custodiados pela Administração Estadual
deverão ser classificados simultaneamente à sua elaboração ou recebimento pela autoridade competente.
Art. 3º - Deverão ser classificados no prazo de 2 (dois) anos, a contar da vigência do presente Decreto, todos os documentos anteriormente produzidos ou custodiados e que ainda não tenham sido objeto de classificação.
Art. 4º - O Estado manterá, em Portal de Acesso à Informação Pública na internet, os seguintes dados:
I - estrutura organizacional e descrição das atribuições dos órgãos que compõem a
Administração Pública;
II - endereços, telefones e horários de atendimento ao público das repartições estaduais;
III - registros da execução orçamentária e financeira, incluindo repasses ou transferências de recursos;
IV - editais e resultados de licitações, bem como atos de dispensa e inexigibilidade de licitação, além de extratos de contratos, convênios e termos de cooperação celebrados;
V - acompanhamento de programas, projetos, ações ou obras em andamento;
VI - respostas a perguntas mais freqüentes da sociedade.
Art. 5º - Os documentos poderão ser classificados como ostensivos, reservados, secretos ou ultrassecretos, observado o seu teor e em razão de sua imprescindibilidade à segurança da sociedade ou à defesa do Estado.
§ 1º - A classificação referida no caput não exclui a aplicação das demais hipóteses de sigilo previsto em lei, bem como a tutela dos direitos autorais e da propriedade industrial.
§ 2º - A tutela das informações pessoais, pelo prazo legal máximo de 100 (cem) anos,
independe da classificação do documento em que estejam contidas.
§ 3º - Serão classificados no grau mínimo de reservados os documentos relativos às atividades de inteligência, inclusive os produzidos no âmbito do Sistema de Inteligência de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (SISPERJ).
§ 4º - Serão igualmente classificados no grau mínimo de reservados os documentos pertinentes às atividades de investigação, fiscalização ou auditoria em andamento. Os relatórios finais de investigação, fiscalização ou auditoria deverão receber a classificação de maior sigilo aplicada a documento neles mencionado.
§ 5º - Poderão ser classificados como reservados os documentos inerentes à fase interna ou preparatória de procedimentos administrativos em que haja tal previsão. O acesso a tais documentos somente será possível caso sejam reclassificados como ostensivos após a conclusão do procedimento ou homologação pela autoridade competente, ou expirado o prazo de restrição previsto no § 1º do art. 6º.
Art. 6º - São de acesso público todos os documentos classificados como ostensivos, cabendo, quanto aos demais, observar os prazos de restrição respectivos.
§ 1º - Os prazos máximos de restrição de acesso à informação são:
I - documentos reservados: 5 (cinco) anos;
II - documentos secretos: 15 (quinze) anos;
III - documentos ultrassecretos: 25 (vinte e cinco) anos.
§ 2º - Os prazos, conforme a classificação prevista, vigoram a partir da data de produção do documento.
§ 3º - O prazo previsto no inciso III do § 1º deste artigo poderá ser renovado, uma única vez, motivadamente.
§ 4º - Esgotados os prazos definidos no § 1º, o documento tornar-se-á, automaticamente, de acesso público.
Art. 7º - É competente para a classificação do sigilo das informações:
I – no grau ultrassecreto:
a) o Governador do Estado;
b) o Vice-Governador do Estado;
c) os Secretários de Estado, no âmbito de suas respectivas Secretarias de Estado.
II – no grau secreto, as autoridades referidas no inciso I, os Subsecretários de Estado ou ocupantes de cargos equivalentes (Símbolo SS) e os titulares de autarquias, fundações ou empresas públicas e sociedades de economia mista estaduais;
III – no grau reservado, as autoridades referidas nos incisos I e II e os agentes públicos a quem essa atribuição for delegada.
Parágrafo único - As autoridades previstas nos incisos I e II poderão delegar a competência para classificação de documento a agente público, vedada a subdelegação.
CAPÍTULO II
DO PROCEDIMENTO
Art. 8º - O interessado deverá apresentar requerimento a ser protocolado no órgão ou entidade que tenha os documentos pretendidos, conforme o formulário-padrão de acesso à informação (ANEXO I), acompanhado do respectivo termo de responsabilidade (ANEXO II).
Art. 9º - O requerimento será imediatamente encaminhado à Comissão de Gestão de Documentos do respectivo órgão ou entidade estadual, que será competente para apreciar o pedido.
Parágrafo único - Os requerimentos de acesso deverão ser respondidos no prazo de até 20 (vinte) dias a contar do protocolo, prorrogáveis justificadamente por 10 (dez) dias.
Art. 10 - O acesso aos documentos ostensivos será assegurado pela própria Comissão de
Gestão de Documentos, que proverá os meios para que o interessado exerça o direito de acesso.
§ 1º - Será indeferido o pedido quando o documento estiver classificado como reservado, secreto ou ultrassecreto, ou quando contiver informações protegidas por sigilo assegurado por lei ou por decisão judicial, devendo constar tal dado da motivação da decisão de indeferimento.
§ 2º - Para cumprir o dever constitucional de tutelar as informações pessoais, a Comissão de Gestão de Documentos poderá tarjar os dados sensíveis, ainda que o documento requerido esteja classificado como ostensivo.
Art. 11 - Caso o documento pedido tenha sido extraviado, danificado ou destruído, a Comissão de Gestão de Documentos deverá comunicar à autoridade superior, para apurar o ocorrido mediante sindicância, informando ao requerente.
Parágrafo único - Será dispensada a sindicância quando o documento tiver sido eliminado em cumprimento aos prazos previstos nas Tabelas de Temporalidade de Documentos regentes das atividades-meio e atividades-fim da Administração Pública.
Art. 12 - Se o documento requerido ainda não houver sido analisado para fins de classificação, a Comissão de Gestão de Documentos encaminhará o requerimento à autoridade competente nos termos do art. 7º, que promoverá a classificação e decidirá sobre o pedido de acesso.
Art. 13 - Caso haja a negativa de acesso, pela Comissão de Gestão de Documentos, em razão da classificação do documento, poderá o interessado requerer a desclassificação à autoridade competente nos termos do artigo 7º.
Art. 14 - O requerente deverá arcar com os custos da reprodução dos documentos pretendidos, fixados em R$ 0,10 (dez centavos de real) por fotocópia em papel de tamanho A4 ou ofício.
Parágrafo único - Terá direito à isenção dos custos o interessado que comprovar renda total familiar de no máximo 4 (quatro) salários mínimos mensais.
CAPÍTULO III
DOS RECURSOS
Art. 15 – Contra a decisão que indeferir o acesso à informação ou a desclassificação da informação, caberá recurso, no prazo de 10 (dez) dias, que será julgado:
I - pelo Secretário de Estado respectivo, pelo dirigente máximo da autarquia, fundação, empresa pública ou sociedade de economia mista, ou pelo agente público a quem tenha sido delegada a atribuição, quando a decisão tiver sido proferida pela Comissão de Gestão de Documentos;
II – por uma Comissão formada por representantes, com seus respectivos suplentes, das
seguintes Secretarias de Estado: Secretaria da Casa Civil, Secretaria de Fazenda, Secretaria de Planejamento e Gestão e Procuradoria Geral do Estado.
Parágrafo único - O interessado dirigirá o recurso à autoridade prolatora da decisão, que poderá modificá-la, permitindo o acesso, ou manter a decisão, encaminhando o requerimento à autoridade competente para a sua apreciação.
CAPÍTULO IV
DAS SANÇÕES
Art. 16 - A violação do direito de acesso à informação sujeitará o infrator às penalidades previstas na legislação, aplicando-se, no que se refere às sanções administrativas, os respectivos regimes jurídicos disciplinares dos servidores públicos estaduais.
CAPÍTULO V
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS
Art. 17 – É aplicável subsidiariamente ao procedimento de que trata este Decreto a Lei Estadual nº 5.427/2009.
Art. 18 – Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação.
Rio de Janeiro, 16 de maio de 2012.
SÉRGIO CABRAL
Governador
(Publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro em 17 de maio de 2012.)
quarta-feira, setembro 12, 2012
Oi minh´alma.
Faz tempo que escrevi sobre as píRulas (adoro escrever isso errado, já que a sonoridade do erro é mais belo que o acerto ortográfico) que ia tomar.
Tomo-as faz quase dois meses. Muita coisa mudou.
A vida ganhou uma direção, quase como se o avião que estivesse sem piloto, ao fim tomasse rumo.
Tudo é tranquilo e normal.
Acho que é isso.
Passei do sofrimento à normalidade.
um dia após o outro.
É como se elas, as píRulas, colocassem uma névoa entre minha mente e o futuro.
e me fizesse ser feliz com o que tenho, com o presente.
Funcionou.
Mesmo que tenha me tirado um pouco a alma ausente.
Faz tempo que escrevi sobre as píRulas (adoro escrever isso errado, já que a sonoridade do erro é mais belo que o acerto ortográfico) que ia tomar.
Tomo-as faz quase dois meses. Muita coisa mudou.
A vida ganhou uma direção, quase como se o avião que estivesse sem piloto, ao fim tomasse rumo.
Tudo é tranquilo e normal.
Acho que é isso.
Passei do sofrimento à normalidade.
um dia após o outro.
É como se elas, as píRulas, colocassem uma névoa entre minha mente e o futuro.
e me fizesse ser feliz com o que tenho, com o presente.
Funcionou.
Mesmo que tenha me tirado um pouco a alma ausente.
Coisas a escrever.
Estive em Porto Alegre. Cidade, que ao lado de Belém, envolvia meus sonhos em uma bruma de mistérios e belezas. Talvez devido às companhias, que me fizeram sentir como se fosse fluente na cidade, a cidade fez jus a todas as expectativas que criei para ela. Bonita, lembrando Buenos Aires em determinados momentos, São Paulo e seu interior, em outros, ou simplesmente sendo ela mesma. A fumaça do churrasco, os gaúchos (ou os lá radicados) passeando no parque com suas térmicas penduradas pelo ombro, as bombachas, o frio, os estádios de Inter e Grêmio, o orgulho pela Revolução, as cores da bandeira e a própria em diversos mastros da cidade, enfim, todos os clichês que fizeram da cidade (e, por que não dizer, do Estado) reconhecida por todo Brasil, presentes em carne e osso. Muito mais carne do que osso, obviamente.

Entre entrecots, cervejas artesanais e gaúchas altas com pernas de grilo, salvaram-se todos. E a melhor parte é que ainda é possível comprar um apartamento por lá com pouco mais de cem mil reais.

Isso...

...vira isso!
Felizmente, gostei tanto de Belém como de Porto Alegre.
Elas continuam sendo minhas cidades preferidas.
Espero que Tóquio, Mumbai e Santiago sejam legais também.
Estive em Porto Alegre. Cidade, que ao lado de Belém, envolvia meus sonhos em uma bruma de mistérios e belezas. Talvez devido às companhias, que me fizeram sentir como se fosse fluente na cidade, a cidade fez jus a todas as expectativas que criei para ela. Bonita, lembrando Buenos Aires em determinados momentos, São Paulo e seu interior, em outros, ou simplesmente sendo ela mesma. A fumaça do churrasco, os gaúchos (ou os lá radicados) passeando no parque com suas térmicas penduradas pelo ombro, as bombachas, o frio, os estádios de Inter e Grêmio, o orgulho pela Revolução, as cores da bandeira e a própria em diversos mastros da cidade, enfim, todos os clichês que fizeram da cidade (e, por que não dizer, do Estado) reconhecida por todo Brasil, presentes em carne e osso. Muito mais carne do que osso, obviamente.
Entre entrecots, cervejas artesanais e gaúchas altas com pernas de grilo, salvaram-se todos. E a melhor parte é que ainda é possível comprar um apartamento por lá com pouco mais de cem mil reais.
Isso...

...vira isso!
Felizmente, gostei tanto de Belém como de Porto Alegre.
Elas continuam sendo minhas cidades preferidas.
Espero que Tóquio, Mumbai e Santiago sejam legais também.
segunda-feira, julho 16, 2012
Antes Aqui
Maxïmo Park - The National Health
É como acontece muitas vezes durante sua vida. Você vê uma menina (ou um menino) linda(o) e quer ter ela(e) ao seu lado para sempre. Afinal, aquela beleza tem que ser sua, só sua. O problema é que, mesmo uma Ferrari, parada na garagem, vira um Fusca. Em outras palavras, a beleza vai embora na primeira briga e o cotidiano faz você se acostumar com o que, antes, te deixava sem fôlego.
O quarto trabalho do Maximo Park, banda que já estava na corda bamba, me pegou de surpresa durante uma caminhada e tirou um sorriso fácil do meu rosto. “Que disco!” pensei na hora. E passei a ouvi-lo continuamente, durante uma semana. Acontece que me acostumei. A paixão deu uma arrefecida e, de um discaço, tinha agora um bom disco.
National Health, o novo trabalho desses ingleses, começa fulminante, destilando melodias e boas composições. Após a pequena introdução, The National Health, Hips And Lips e The Undercurrents fazem o coração bater mais rápido. É aquele tipo de música que você espera ouvir sempre que coloca um disco novo para rodar: bem feita e que fica na cabeça durante um bom tempo.
A produção de Gil Norton que, entre outros, trabalhou com Foo Fighters e Pixies, também trouxe mais guitarras ao som da banda, que vinha perdendo as cores com o tempo. Fácil de perceber na Waves Of Fear, que fecha o disco, e em Banlieue. E as baladas não foram deixadas de lado, como na calminha Unfamiliar Places.
Às vezes é difícil tentar se lembrar da primeira vez, resgatar aquele primeiro sentimento esquecido no tempo. Você já é íntimo, reconhece os pequenos defeitos. Mas também descobre outras qualidades. A paixão vira um amor calmo e seguro. Indiscutível, como a qualidade desse disco. E você, leitor, está pronto para se apaixonar?
Pílulas:
DIIV – Oshin

No meio da enxurrada de novidades destes últimos meses, um, em especial, merece destaque. Com uma linha de baixo à la New Order e uma aura etérea, o Diiv consegue ser uma das melhores releituras oitentistas que estão por aí, com um álbum bom da primeira a última faixa. Escute Doused e Sometime e tente se ver livre deles.
Odair José – Praça Tiradentes

Com cada vez mais seguidores entre a juventude antenada, Odair José volta, depois de 6 anos, a lançar um disco de inéditas: Praça Tiradentes. Lugar pródigo em putas, motéis baratos, cornos e corruptos, a praça é um passeio pelos temas das principais canções de Odair. Produzido por Zeca Baleiro, com composições próprias e de gente do nível de Arnaldo Antunes, Chico César e do próprio Zeca, Praça Tiradentes brilha com ótimas canções, como Vida que não Para n°2, E Depois Volte pra Mim e a própria Praça Tiradentes. Como ele mesmo já cantou “o que existe são momentos felizes”. Bem-vindo a mais um.
É como acontece muitas vezes durante sua vida. Você vê uma menina (ou um menino) linda(o) e quer ter ela(e) ao seu lado para sempre. Afinal, aquela beleza tem que ser sua, só sua. O problema é que, mesmo uma Ferrari, parada na garagem, vira um Fusca. Em outras palavras, a beleza vai embora na primeira briga e o cotidiano faz você se acostumar com o que, antes, te deixava sem fôlego.
O quarto trabalho do Maximo Park, banda que já estava na corda bamba, me pegou de surpresa durante uma caminhada e tirou um sorriso fácil do meu rosto. “Que disco!” pensei na hora. E passei a ouvi-lo continuamente, durante uma semana. Acontece que me acostumei. A paixão deu uma arrefecida e, de um discaço, tinha agora um bom disco.
National Health, o novo trabalho desses ingleses, começa fulminante, destilando melodias e boas composições. Após a pequena introdução, The National Health, Hips And Lips e The Undercurrents fazem o coração bater mais rápido. É aquele tipo de música que você espera ouvir sempre que coloca um disco novo para rodar: bem feita e que fica na cabeça durante um bom tempo.
A produção de Gil Norton que, entre outros, trabalhou com Foo Fighters e Pixies, também trouxe mais guitarras ao som da banda, que vinha perdendo as cores com o tempo. Fácil de perceber na Waves Of Fear, que fecha o disco, e em Banlieue. E as baladas não foram deixadas de lado, como na calminha Unfamiliar Places.
Às vezes é difícil tentar se lembrar da primeira vez, resgatar aquele primeiro sentimento esquecido no tempo. Você já é íntimo, reconhece os pequenos defeitos. Mas também descobre outras qualidades. A paixão vira um amor calmo e seguro. Indiscutível, como a qualidade desse disco. E você, leitor, está pronto para se apaixonar?
Pílulas:
DIIV – Oshin

No meio da enxurrada de novidades destes últimos meses, um, em especial, merece destaque. Com uma linha de baixo à la New Order e uma aura etérea, o Diiv consegue ser uma das melhores releituras oitentistas que estão por aí, com um álbum bom da primeira a última faixa. Escute Doused e Sometime e tente se ver livre deles.
Odair José – Praça Tiradentes

Com cada vez mais seguidores entre a juventude antenada, Odair José volta, depois de 6 anos, a lançar um disco de inéditas: Praça Tiradentes. Lugar pródigo em putas, motéis baratos, cornos e corruptos, a praça é um passeio pelos temas das principais canções de Odair. Produzido por Zeca Baleiro, com composições próprias e de gente do nível de Arnaldo Antunes, Chico César e do próprio Zeca, Praça Tiradentes brilha com ótimas canções, como Vida que não Para n°2, E Depois Volte pra Mim e a própria Praça Tiradentes. Como ele mesmo já cantou “o que existe são momentos felizes”. Bem-vindo a mais um.
sábado, junho 30, 2012
Lobão fala no Futura.
Lobão fala.
Fale mal ou fale bem, não dá para ser indiferente quando se escuta alguém com opinião falar.
Lobão tem a dele.
E numa dessas frases cunhadas pela sua verve, lá veio a crítica à internet.
"Hoje tem tudo por aí. Se eu vivesse nessa época, não teria lido Platão.
E muito provavelmente nunca leria. Ia ser mais um idiota."
Resumindo, nas palavras que minha memória me ajudou a salvar, foi isso.
A superficialidade das discussões (culpa dos 140 caracteres e dos pequenos relatos cotidianos no facebook) está aí, escancarada.
O papo aconteceu no Futura, enquanto na Xuxa, um sertanejo cantava. Era Zezé e Luciano.
E dos males, o menor.
Coloquemos em perspectiva, a evolução da nossa música. Os bossa novistas falavamde amores, de belezas e paisagens. Os tropicalistas criticavam nossa situação política e calice quem puder. Os oitentistas, com sua atitude mezzo pop, mezzo punk, queriam derrubar o sistema. Mas o que caiu foi o muro de Berlim, e com ele, veio a leva do pop limpo, sem letras assim, digamos, mais contundentes. Salvo raras exceções, como em todos os casos.
Agora, se preparem, meus amigos, porque o que veio depois, foi de chorar.
Tchans, boquinhas das garrafas, danças de vampiros, manivelas, maxixe, tcheca, é o bicho, é o bicho, vou te devorar. O que tentar entender disso? Ou melhor, o que interpretar em frases tão medíocres? Nada, não é mesmo?
Pois bem, quando achávamos ter achado o fundo do poço, vimos que o buraco é mais embaixo. E, adeus às palavras.
Nossas músicas agora, são escritas por sílabas. Tchus, Tchas, tcheretêtês e afins, todos doidos por fazer amor, doidos por te dar amor.
Para onde olhar? Que horizonte podemos (devemos?) buscar?
Voltemos ao Lobão. Ao subir dos créditos, vaza, deliberadamente, uma frase:
"Pô, eu falo pra caramba. Às vezes nem eu acredito nas besteiras que falo. Ficou bom?"
Eu respondo, querido lupino, mas antes, tenho que terminar um capítulo do Segundo Alcibíades. AH, a internet. Esse dínamo de informações ao alcance de todos.
Lobão fala.
Fale mal ou fale bem, não dá para ser indiferente quando se escuta alguém com opinião falar.
Lobão tem a dele.
E numa dessas frases cunhadas pela sua verve, lá veio a crítica à internet.
"Hoje tem tudo por aí. Se eu vivesse nessa época, não teria lido Platão.
E muito provavelmente nunca leria. Ia ser mais um idiota."
Resumindo, nas palavras que minha memória me ajudou a salvar, foi isso.
A superficialidade das discussões (culpa dos 140 caracteres e dos pequenos relatos cotidianos no facebook) está aí, escancarada.
O papo aconteceu no Futura, enquanto na Xuxa, um sertanejo cantava. Era Zezé e Luciano.
E dos males, o menor.
Coloquemos em perspectiva, a evolução da nossa música. Os bossa novistas falavamde amores, de belezas e paisagens. Os tropicalistas criticavam nossa situação política e calice quem puder. Os oitentistas, com sua atitude mezzo pop, mezzo punk, queriam derrubar o sistema. Mas o que caiu foi o muro de Berlim, e com ele, veio a leva do pop limpo, sem letras assim, digamos, mais contundentes. Salvo raras exceções, como em todos os casos.
Agora, se preparem, meus amigos, porque o que veio depois, foi de chorar.
Tchans, boquinhas das garrafas, danças de vampiros, manivelas, maxixe, tcheca, é o bicho, é o bicho, vou te devorar. O que tentar entender disso? Ou melhor, o que interpretar em frases tão medíocres? Nada, não é mesmo?
Pois bem, quando achávamos ter achado o fundo do poço, vimos que o buraco é mais embaixo. E, adeus às palavras.
Nossas músicas agora, são escritas por sílabas. Tchus, Tchas, tcheretêtês e afins, todos doidos por fazer amor, doidos por te dar amor.
Para onde olhar? Que horizonte podemos (devemos?) buscar?
Voltemos ao Lobão. Ao subir dos créditos, vaza, deliberadamente, uma frase:
"Pô, eu falo pra caramba. Às vezes nem eu acredito nas besteiras que falo. Ficou bom?"
Eu respondo, querido lupino, mas antes, tenho que terminar um capítulo do Segundo Alcibíades. AH, a internet. Esse dínamo de informações ao alcance de todos.
quinta-feira, junho 28, 2012
queridos leitores
sei que ando em falta com a maioria de vocês.
sei que ando em falta comigo.
é a síndrome da repetição.
não faço, mas quero fazer.
não leio, mas quero ler.
o novo trabalho e as pílulas me fazem olhar para a frente.
o passaporte europeu também.
quero viver.
preciso de anos, muitos deles, para aproveitar tudo o que posso ter.
Mas ainda preciso escrever. quero escrever.
prometo escrever.
Para tanto, vou me inspirar.
de hoje em diante, não chegarei em casa e cairei no sofá,
babando com uma tv acesa a minha frente.
Empreguete sou eu que vou virar se continuar a ouvir essas músicas da novela.
livros tenho aos montes. o que falta agora são aqueles 40 minutos de metrô, onde varria páginas com os olhos, limpando letras e jogando-as para debaixo do tapete de minha mente.
Tempo eu tenho, falta usá-lo melhor.
até a hora do jornal, terei que ler SEMPRE. ou ver um bom filme.
inspiração e trabalho.
é assim que volto a ficar juntinho de vocês.
Aqui.
sei que ando em falta com a maioria de vocês.
sei que ando em falta comigo.
é a síndrome da repetição.
não faço, mas quero fazer.
não leio, mas quero ler.
o novo trabalho e as pílulas me fazem olhar para a frente.
o passaporte europeu também.
quero viver.
preciso de anos, muitos deles, para aproveitar tudo o que posso ter.
Mas ainda preciso escrever. quero escrever.
prometo escrever.
Para tanto, vou me inspirar.
de hoje em diante, não chegarei em casa e cairei no sofá,
babando com uma tv acesa a minha frente.
Empreguete sou eu que vou virar se continuar a ouvir essas músicas da novela.
livros tenho aos montes. o que falta agora são aqueles 40 minutos de metrô, onde varria páginas com os olhos, limpando letras e jogando-as para debaixo do tapete de minha mente.
Tempo eu tenho, falta usá-lo melhor.
até a hora do jornal, terei que ler SEMPRE. ou ver um bom filme.
inspiração e trabalho.
é assim que volto a ficar juntinho de vocês.
Aqui.
domingo, junho 17, 2012
saudades de escrever.
muitas saudades.
tenho coisas escritas num molespobre que, afinal, adoro carregar comigo.
vez ou outra, paro, releio, e tenho certeza que devo colocar a dispô dos meus dois leitores.
Noutras, acho que tudo não passa de besteira da minha cabeça e tenho uma preguiça mortal de sentar numa cadeira sem conforto e digitar tudo no laptop, sem jeito nem posição perfeita para tanto.
Agora mesmo, tenho o computador de colo apoiado em minha perna, numa situação de conforto que não irá durar muito.
***
Coloquei como meta ler Ulysses, a nova tradução da Cia das Letras/Penguin.
Logo comprarei o calhamaço. Prometo deixá-los a par das idas e vindas de Leopold Bloom.
E parabéns pelo Bloomsday.
Li, a primeira tradução, do Houaiss, até a página 150 e pouco. Depois tive que devolver o livro para a dona, que me pediu.
Fiquei para sempre com aquelas imagens na cabeça e a vontade de continuar.
Agora, com o nome dele em alta, farei isso.
***
No trabalho novo, na secretaria de planejamento do Estado do Rio, trabalho como um louco. Mas trabalho feliz. Nunca pensei em ser funcionário público (e ainda não sou), mas é uma vida decente e boa, no fim das contas.
E, no fim, é isso que conta.
Agora vou lá comer pizza e terminar de ler o capítulo da Allmans Brothers Band, do livro Ponto Final. Recomendado para quem quer entender um pouco mais os anos 60. Eu nem queria, mas acabei entendendo e entendo muitas coisas agora. Até com certa curiosidade e reverência.
Anos loucos, esses sessenta.
muitas saudades.
tenho coisas escritas num molespobre que, afinal, adoro carregar comigo.
vez ou outra, paro, releio, e tenho certeza que devo colocar a dispô dos meus dois leitores.
Noutras, acho que tudo não passa de besteira da minha cabeça e tenho uma preguiça mortal de sentar numa cadeira sem conforto e digitar tudo no laptop, sem jeito nem posição perfeita para tanto.
Agora mesmo, tenho o computador de colo apoiado em minha perna, numa situação de conforto que não irá durar muito.
***
Coloquei como meta ler Ulysses, a nova tradução da Cia das Letras/Penguin.
Logo comprarei o calhamaço. Prometo deixá-los a par das idas e vindas de Leopold Bloom.
E parabéns pelo Bloomsday.
Li, a primeira tradução, do Houaiss, até a página 150 e pouco. Depois tive que devolver o livro para a dona, que me pediu.
Fiquei para sempre com aquelas imagens na cabeça e a vontade de continuar.
Agora, com o nome dele em alta, farei isso.
***
No trabalho novo, na secretaria de planejamento do Estado do Rio, trabalho como um louco. Mas trabalho feliz. Nunca pensei em ser funcionário público (e ainda não sou), mas é uma vida decente e boa, no fim das contas.
E, no fim, é isso que conta.
Agora vou lá comer pizza e terminar de ler o capítulo da Allmans Brothers Band, do livro Ponto Final. Recomendado para quem quer entender um pouco mais os anos 60. Eu nem queria, mas acabei entendendo e entendo muitas coisas agora. Até com certa curiosidade e reverência.
Anos loucos, esses sessenta.
terça-feira, maio 22, 2012
http://www.npr.org/blogs/krulwich/2012/05/17/152913171/the-essence-of-science-explained-in-63-seconds
mais do que ver o vídeo, é importante ler o texto.
Que está em inglês, infelizmente.
The Essence Of Science Explained In 63 Seconds
12:00 pm
May 17, 2012
by ROBERT KRULWICH
Here it is, in a nutshell: The logic of science boiled down to one, essential idea. It comes from Richard Feynman, one of the great scientists of the 20th century, who wrote it on the blackboard during a class at Cornell in 1964.
Think about what he's saying. Science is our way of describing — as best we can — how the world works. The world, it is presumed, works perfectly well without us. Our thinking about it makes no important difference. It is out there, being the world. We are locked in, busy in our minds. And when our minds make a guess about what's happening out there, if we put our guess to the test, and we don't get the results we expect, as Feynman says, there can be only one conclusion: we're wrong.
The world knows. Our minds guess. In any contest between the two, The World Out There wins. It doesn't matter, Feynman tells the class, "how smart you are, who made the guess, or what his name is, if it disagrees with the experiment, it is wrong."
This view is based on an almost sacred belief that the ways of the world are unshakeable, ordered by laws that have no moods, no variance, that what's "Out There" has no mind. And that we, creatures of imagination, colored by our ability to tell stories, to predict, to empathize, to remember — that we are a separate domain, creatures different from the order around us. We live, full of mind, in a mindless place. The world, says the great poet Wislawa Szymborska, is "inhuman." It doesn't work on hope, or beauty or dreams. It just...is.
View with a Grain of Sand
We call it a grain of sand,
but it calls itself neither grain nor sand.
It does just fine without a name,
whether general, particular,
permanent, passing,
incorrect or apt.
Our glance, our touch mean nothing to it.
It doesn't feel itself seen and touched.
and that it fell on the windowsill
is only our experience, not its.
For it, it is no different from falling on anything else
with no assurance that it has finished falling
or that it is falling still.
The window has a wonderful view of a lake,
but the view doesn't view itself.
It exists in this world,
colorless, shapeless,
soundless, odorless, and painless.
The lake's floor exists floorlessly,
And its shore exists shorelssly.
Its water feels itself neither wet nor dry
and its waves to themselves are neither singular nor plural.
They splash deaf to their own noise
on pebbles neither large nor small.
And all this beneath a sky by nature skyless
in which the sun sets without setting at all
and hides without hiding behind an unminding cloud.
The wind ruffles it, its only reason being
that it blows
A second passes.
A second second.
A third.
But they're three seconds only for us.
Time has passed like a courier with urgent news
but that's just our simile.
The character is invented, his haste is make-believe
his news inhuman.
mais do que ver o vídeo, é importante ler o texto.
Que está em inglês, infelizmente.
The Essence Of Science Explained In 63 Seconds
12:00 pm
May 17, 2012
by ROBERT KRULWICH
Here it is, in a nutshell: The logic of science boiled down to one, essential idea. It comes from Richard Feynman, one of the great scientists of the 20th century, who wrote it on the blackboard during a class at Cornell in 1964.
Think about what he's saying. Science is our way of describing — as best we can — how the world works. The world, it is presumed, works perfectly well without us. Our thinking about it makes no important difference. It is out there, being the world. We are locked in, busy in our minds. And when our minds make a guess about what's happening out there, if we put our guess to the test, and we don't get the results we expect, as Feynman says, there can be only one conclusion: we're wrong.
The world knows. Our minds guess. In any contest between the two, The World Out There wins. It doesn't matter, Feynman tells the class, "how smart you are, who made the guess, or what his name is, if it disagrees with the experiment, it is wrong."
This view is based on an almost sacred belief that the ways of the world are unshakeable, ordered by laws that have no moods, no variance, that what's "Out There" has no mind. And that we, creatures of imagination, colored by our ability to tell stories, to predict, to empathize, to remember — that we are a separate domain, creatures different from the order around us. We live, full of mind, in a mindless place. The world, says the great poet Wislawa Szymborska, is "inhuman." It doesn't work on hope, or beauty or dreams. It just...is.
View with a Grain of Sand
We call it a grain of sand,
but it calls itself neither grain nor sand.
It does just fine without a name,
whether general, particular,
permanent, passing,
incorrect or apt.
Our glance, our touch mean nothing to it.
It doesn't feel itself seen and touched.
and that it fell on the windowsill
is only our experience, not its.
For it, it is no different from falling on anything else
with no assurance that it has finished falling
or that it is falling still.
The window has a wonderful view of a lake,
but the view doesn't view itself.
It exists in this world,
colorless, shapeless,
soundless, odorless, and painless.
The lake's floor exists floorlessly,
And its shore exists shorelssly.
Its water feels itself neither wet nor dry
and its waves to themselves are neither singular nor plural.
They splash deaf to their own noise
on pebbles neither large nor small.
And all this beneath a sky by nature skyless
in which the sun sets without setting at all
and hides without hiding behind an unminding cloud.
The wind ruffles it, its only reason being
that it blows
A second passes.
A second second.
A third.
But they're three seconds only for us.
Time has passed like a courier with urgent news
but that's just our simile.
The character is invented, his haste is make-believe
his news inhuman.

