segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Atualizada!!!!!

27/01 - The Rapture + Breakbot
Descrição ali embaixo, é só procurar.
03/02 - Mayer Hawthorne
Estarei em São Paulo. Não, não me pergunte muito sobre isso...
09/03 - Morrissey, na Fundição.
Ops, ainda não fui retirar meus ingressos...
17/03 - Happy Mondays, Circo Voador
Cancelado. Afinal, são os Crazy Mondays.
04/04 - Foster The People
05/04 – Gogol Bordello e Thivery Corporation
06/04 – Friendly Fires
21/04 – Buraka Som Sistema22/04 - Anthrax + Misfits
10/05 – The Kooks
04/05 - Tune-Yards, Teatro Odisséia
26/05 - Los Hermanos, Fundição Progresso SOLD OUT
27/05 - Los Hermanos, Fundição Progresso SOLD OUT
02/06 – Owl City
03/06 - Los Hermanos.
set/out - SWU
Fui procurar por Sorocaba no GoogleMaps.
Quando me vi, estava na fronteira do Brasil com o Paraguay.

Dei um pulinho ali pelo Chaco, vi umas rutas conhecidas e, sem entender como, lá estava eu de novo em Filadelfia.
Andava pelas ruas de terra, com a poeira a bater na cara. Pensava em milanesas com purê de papas. Via brasileiros e paraguaios olharem com desdém para os indígenas. Entrava na Toyota e a levava até o Boquerón para fazer comprar e olhar as pessoas fazendo algo da vida. Comia pizza enquanto assistia a filmes. Deitava no quarto quente e ligava o ar-condicionado. Tomava café da manhã, mate e tereré. Editava, editava e editava.

Bateu, claramente, a saudade. Com ela veio, em cheio, a melancolia.
A lembrança de um tempo perdido, improvável, de aventuras e sem rumo.
Deu vontade de tentar tudo de novo. Esquecer como devo viver a vida, seguindo convenções muito bem impostas, e seguir o caminho que escolhi.

O mundo ainda é pequeno, creiam.
Por mim.

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Acabou o carnaval.
Me impus uma auto-penitência.
Farei a quaresma. Sem beber cerveja por 47 dias.
Até domingo de páscoa.

***

Vamos ver quais as maiores mudanças até lá.
Fiquem ligados...
De metrô, faço o caminho casa trabalho e, aproximadamente 40 minutos.
Tempo o bastante para a empolgação da happy hour virar preguiça,
ou para a vontade de ir para casa virar sede de cevada.

Ontem foi um dia em que fiquei com vontade e sem vontade num período curto de tempo.
No entanto, quando liguei o mp3 e escolhi a trilha do Trent Reznor & Atticus Ross para
o filme The Girl with the Dragon Tatoo, meu mundo deu uma virada.

O filme ainda será lançado em terras tupiniquins, mas se a trilha servir de indicação,
ele será bem soturno e sombrio. Reznor sabe como ninguém dar significado a ruídos e barulhinhos e,
mais incrível ainda, juntar melodias incríveis a eles. Então, com essa trilha sonora, fui atrás de uma cerveja.

O local, onde já sou local, foi o Mr. Beer do Shopping Tijuca.
Aproveitando a promoção, comecei com uma Colorado Indica.
Garrafa de 500ml por R$11,90.

Da Indica acho que nem tenho mais o que falar.
É uma IPA (falo Ai Pi Ei), India Pale Ale.

A história desse estilo todo mundo já deve conhecer:
mais lúpulo e álcool numa pale ale inglesa para conservar a cerveja durante uma viagem até a India.
O culpado disso tudo? George Hodgson. Ou pelo menos é o que uma certa quantidade de exemplares de uma larga biblioteca etílica nos diz. Há, claro, os que são contrários à ideia de dar nome a UM inventor da IPA, uma vez que ela era feita por outras cervejarias também.
Esquecendo isso e indo para a cerveja:



A Colorado Indica é feita em Ribeirão Preto pela, em minha humilde opinião, melhor cervejaria brasileira. Como em todas as suas edições, há um ingrediente que faz a diferença: a adição de rapadura.
No copo, um cobre translúcido. Aroma de lúpulo, o que não tem como fugir muito numa IPA. Mas também tem um maltado, um toque da rapadura, certamente, que segue na boca.
Explosão de lúpulo no primeiro gole, com notas de malte torrado. Seca no final, pedindo o próximo gole.
Uma cerveja que, devo admitir, seria a minha primeira opção em qualquer ocasião.
Em nada assusta os 7%, perfeitamente equilibrados. Uma cerveja nota 10.

domingo, fevereiro 12, 2012

Domingo, início de tarde.
Falta do que fazer. O suor escorre torso abaixo. Paro para espirrar.
Mais tarde, o almoço será yakissoba. Amanhã, yakissobras.

Vontade de cappuccino. Muita vontade. A padaria não é tão longe. Mas não irei até lá.
Passou o tempo. Deixei o texto de lado.
Passou a vontade de cappuccino.
O suor, continua.
Como está quente essa cidade.

Essa cidade. Olho para janela e minha vista não é mais que uma série de janelas. Outros quartos que olham para o meu quarto. Nesses momentos em silêncio, penso.
Olha quanto prédio. Quanta gente morando no ar. Sim, no ar. O chão é dividido, centímetros para cada. O ar é nosso. Esse pedaço de cimento e vergalhões.
Para cada prédio desses, quanto dos recursos naturais da Terra está investido?

Quanta brita, pedra, areia, metal, madeira? Quanto?

O mar está subindo mesmo ou somos nós que subimos deixando a Terra mais baixa? Tiramos tanto para nos colocarmos aqui em cima que o buraco deixado está abaixo da linha do mar. Ah, mas isso é problema deles que moram embaixo.
Deixem que se virem, nadem se for o caso.
Eu, nada.
quebra de paradigma

não sei se é o caso do botafogo, mas tem time pagando 700 mil reais pra jogador meia bomba pra caramba por todo o Brasil.
Com essa grana não dá pra trazer um Sneijder, que tá com contrato quase encerrando na Inter?
Acho que chegou o momento de usar essa força financeira do Brasil e a crise na Europa pra trazer
uns caras bons, europeus de ponta, pra jogar no Brasil.
Ou nosso complexo de vira-latas não deixa?
Bunda


Senta a bunda e começa a escrever. Se quer viver de palavras é o que tem que fazer.

Não parece tão difícil de se pensar, mas é muito, mas muito mais complicado do que se pensa fugir do futebol na televisão, das páginas e páginas de bobeiras na internet ou da música que sai do fone. É um trabalho árduo, apesar de não cansar tanto os braços, escrever.

Então senta a bunda. Liga o computador. Esquece o futebol na televisão, diga não às malditas noticias da morte da última celebridade musical. Esquece a música... Bem, a música talvez não seja tão ruim. Ela relaxa, cria uma imensidão na mente. Com sorte pode trazer recordações, sensações, lembranças. Pode, mesmo, servir de musa. Inspiradora. Liga-se, então, a caixa sonora.

As melodias que saem como ondas levam as mãos a surfar pelo teclado.

Agora parece mais fácil dar adeus ao futebol na televisão, às muitas paginas de imbecilidades escritas na internet. Há que se admitir: a facilidade da negação é obtida pela falta de sinal do roteador wireless. Sem sinal, sem internet. Sem Facebook, sem Orkut, sem MSN, Gmail, notícias online, fotos de shows, vídeos da celebridade morta da vez.

Espera!

Pontinhos acessos, pirilampos em sua dança à procura de atenção. O sinal está de volta. Uma olhada nas mensagens recebidas na alta madrugada. Mesmo que você saiba, como sempre, que elas não serão mais do que anúncios de cupons de rodízio de pizza ou de diárias a preços nada módicos em pousadas afrodisíacas em Búzios. A onda musical também serve para um outro tipo de surf. Surfar as páginas, em intermináveis séries, cheias de vagas que te levam cada vez mais longe da costa segura do papel em branco, devir papel em telas de cristal líquido.

Segura a onda, camarada. Senta a bunda na cadeira, liga a máquina de escrever. Prepara a caneta para as anotações que virão. Começar a escrever, mantra, começar a escrever. A música, a internet, digita, vai, por favor, digita.

O locutor grita, berra, se esgoela. Por cima do gol. Tiro de meta, e lá vai a atenção chutada, junto com a bola, pelo goleiro. Correria, música, email, internet e a página, em branco.

Escrever é um ofício. Põe na cabeça. Não há Paris, não há festas. Lofts solitários em sobrados perdidos. Senta a bunda e...

Não. Esquece. Levanta a bunda. Isso, levanta a bunda, aproveita e leva o computador no colo. Aumenta o som. Vai pro sofá e se liga na TV. Depois escreve. Afinal, hoje é domingo.

E domingo é dia de futebol.

sábado, fevereiro 11, 2012

Ando longe daqui, né?
não quer dizer que parei de escrever.
Agora ando rabiscando um pobresquine.
Mas escrever no metrô é difícil, viu?
Tudo treme, fico inelegível até para mim mesmo.

De qquer forma, vamos voltar aos shows, a lista que estou mantendo desde o início do ano.
Com essa notícia abaixo, e com a confirmação da compra do ingresso pro Morrissey, a lista começa a se alongar.
A grana é que aperta...

A vinda de atrações internacionais ao Brasil parece não ter fim. Nesta manhã, o Circo Voador anunciou diversos shows em sua agenda. Foster The People, Gogol Bordello, Thievery Corporation, The Kooks, Friendly Fires, Owl City e Buraka Som Sistema se juntam aos já confirmados The Naked and The Famous, The Vaccines e The Ting Tings entres os meses de março e junho.

As datas das apresentações, disponibilizadas no site do Circo Voador são as seguintes:
04/04 - Foster The People
05/04 – Gogol Bordello e Thivery Corporation
06/04 – Friendly Fires
21/04 – Buraka Som Sistema
10/05 – The Kooks
02/06 – Owl City

quarta-feira, fevereiro 01, 2012



Rapture e Breakbot no Circo Voador

Bom, estava sem grana e até as 20 horas não ia ao show.
De repente, me aparece alguém oferecendo ingresso pela internet.
Pedi e ganhei. Simples assim.

Fui ao show, debaixo de chuva. Chuva esta que nos acompanharia a noite inteira,
dando inclusive uma apertada durante o inicio do set do Breakbot.
As companhias especiais tornaram o show ainda mais legal. E vamos a ele.
O Rapture ficou conhecido mundialmente com House of Jealous Lovers.
Era obrigatório tocar esta música nas festinhas que fazia em 2001/2002.
Isso mesmo, há 10 anos atrás.
De lá pra cá, muita coisa mudou.
Os seguidores do hype, esses esqueceram a banda.
Os apreciadores pegaram tudo o que viram na internet e compraram os outros discos,
conforme foram lançados.
Bom, acontece que dez anos é tempo pra caramba. A banda amadureceu, diriam uns,
envelheceu dizem outros. O pique no palco não é mais o mesmo. A banda não é mais a mesma,
e como um daqueles apreciadores, sinto muita falta do Mattie Safer, que fazia contraponto à voz esganiçada do Luke Jenner.
As músicas, e aí, coloque a culpa no último disco, também não são mais as mesmas, sem o pique que fazia você pular como pipoca.
Há que se pesar na balança a morte da mão de Jenner e a influência do ocorrido na concepção do novo disco, "In the grace of your love", título auto-explicativo.
Dito isso, assistimos a um show de uma banda mais contida. Mais velha, mas com tudo no lugar.
Se as novas músicas não fazem pular, dá para apreciá-las numa boa, porque são boas.
E nas músicas mais "antigas", o pique está todo lá de volta, com direito a gritos e refrões cantados em uníssono.
O show, curto, até para os padrões do circo, deixou algumas pérolas de fora, como Sister Savior.
Mas teve essas duas daí do vídeo, na melhor e mais animada parte do concerto. Colado com a versão de How Deep is Your Love, fechando a noite.
Depois de dez anos, foi bom revê-los. E tive a certeza de que aquela empolgação presente no Tim Festival, onde fizeram o que considerei um dos shows da minha vida (até aquele momento), nunca mais voltará.


***

Breakbot

De repente, surge duas caixas em cima do palco, com um equipamento em cima delas.
Breakbot entraria em cena e faria seu dj set. Como ele mesmo disse, ainda está para lançar seu álbum
em algum momento deste ano. Aí sim, começará a fazer shows. No entanto, tocou sua mais famosa música (baby, i´m yours) logo no início do set e enveredou, em seguida, por um caminho meio trilha de Amaury Jr. Disco com uma levada sexye. Detalhe pro visual Jesus do camarada.



terça-feira, janeiro 31, 2012

"E assim prosseguimos, botes contra a corrente, impelidos incessantemente para o passado."

O Grande Gatsby; F. Scott Fitzgerald


Essa deve ser umas das frases mais citadas na internê.
Pudera, carrega em si muitas das nossas fraquezas e angústias.
Quem nunca soube, ou melhor, teve certeza de que o melhor já passou?
De que, daqui para a frente, tudo o que o destino trouxer vai ser um arremedo de sentimentos, emoções,
uma cópia inferior do que já vivemos?

Pensar na vitalidade dos 15, dos 20, dos 25 anos, com a mentalidade dos 35, 40, 45 é opressor.
O peso das escolhas esmagam o passado, como se fossemos fugitivos, atravessando portas à medida
que um andar se desfaz atrás de nossos passos.
No point of return.
Sem voltas, sem reviravoltas.
Escrito, selado.

O que resta é caminhar. Seguir.
Esquecer os remos e deixar a correnteza levar.


***

Fala-se de amores. Amores imperfeitos, skankeando a frase.
Ainda assim, perfeitos encobertos ao véu do tempo.
Dilacerador de realidades.
Tomo um exemplar que discorre sobre futuro. Internet. Cibercultura.
Sou, então, tragado por um redemoinho que me força a voar.
Necessidade de olhar, observar, experimentar, sentir a realidade que teimar em não se realizar.

O futuro é agora.
E o passado? Aquele para o qual sempre voltamos nosso pensamento?
Como conciliar a necessidade de futuro, com o presente preso ao passado?

Deixo para vocês a pergunta para a qual, segundo após segundo, tento encontrar a resposta.

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Da queda

Hoje o Rio acordou meio amuado. Ou, poderia dizer, ainda não acordou. O pesadelo é real, apesar de parecer tão distante. Possível apenas do lado de lá da tela.

Nos rostos das pessoas indo cedo para o trabalho dá para perceber que há uma ruga a mais, de tristeza. A cidade está de luto. Quieta. Impassível.

Impossível evitar que os pensamentos parem ali na 13 de maio, um ponto antes do que o devido. Para uma olhada, tentar entender o como e o porquê.

O silêncio, respeitoso, mantido por todo o trajeto. Como uma prece sem palavras pela cidade, pelos parentes e, quem sabe, já que ainda não se sabe, pelas possíveis vítimas.

O Rio ainda não acordou, mas já sabe que esse é um sonho do qual não quer se lembrar.

terça-feira, janeiro 24, 2012

Opa...
mais um pra lista


09/03 - Morrisey - Fundição Progresso

vamos ver se os sites de venda de ingressos
me ajudam a assistir este show.

quinta-feira, janeiro 19, 2012

Pra quem não sabe, entrei numa onda de leitura.
Desde o início do ano já li dois livros e comecei o terceiro ontem,
chamado O Grande Gatsby.

Daí que escrevi um textinho e gostaria de dividi-lo com você:

Ler o livro do Fritzgerald é como comer uma pizza de calabresa.
Você come o todo, a massa com queijo e molho de tomate,
mas o momento que espera é aquele pedacinho crocante de calabresa bem salgadinho.
Aquele que faz tudo valer a pena. O telefonema pra pizzaria, o preenchimento do cheque, a espera...

Ele escreve bem, o livro anda legal, e até aí tudo normal.
Mas no meio de um capítulo você se depara com uma frase que é simplesmente maravilhosa.
Te faz parar de ler e pensar.
Como uma calabresa, numa fatia de pizza de calabresa.

as calabresas do fritzgerald.


ERRATA: onde lê-se fritzgerald ler Fitzgerald

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Atualizada!!!!!

27/01 - The Rapture + Breakbot
03/02 - Mayer Hawthorne
Estarei em São Paulo. Não, não me pergunte muito sobre isso...
17/03 - Happy Mondays, Circo Voador
22/04 - Anthrax + Misfits
04/05 - Tune-Yards, Teatro Odisséia
26/05 - Los Hermanos, Fundição Progresso
27/05 - Los Hermanos, Fundição Progresso
SOLD OUT
03/06 - Los Hermanos. Eis que surgem mais duas datas!!!!
set/out - SWU

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Preciso eternizar aqui o meu embasbaque com Admirável Mundo Novo, do Huxley.
O terceiro capítulo, em especial, é de uma genialidade ímpar.
E pensar que o cara fez isso antes, muito antes das mudernidades literárias.
Para quem não sabe, há três cenas acontecendo ao mesmo tempo, em cortes abruptos.
No fim, temos uma linha de cada uma, num crescendo de urgência absurdo.
É de fechar o livro e recuperar o fôlego.

Só isso já me valeu todos os livros que lerei este ano.
E o ano promete.

terça-feira, janeiro 10, 2012

Dos primórdios da internet,
quando ainda conversávamos em chats,
quando o Terra ainda era ZAZ e tínhamos que pagar para usar um e-mail,
baixar músicas era um negócio complicado.
É por isso que tenho um carinho especial pelas bandas que ouvia naquela época.
Época que volta até 1996,1997, 1999 no máximo.

Uma delas, que me marcou, tanto que lembro até hoje dela foi a
Orchards & Vines. Baixei umas músicas e ouvia até cansar.
Poucas músicas, umas duas ou quatro.

Daí que catei o disco deles hoje, onde tudo parece estar ali à mão.
Pois é, parece.
Esse disco tem UM, isso mesmo UM à venda na Amazon.com, por estranhos 47 dólares.
E nada, eu disse, NADA nos blogs, rapidshares ou mediafires da vida.
No Torrent procurarei mais tarde.

Então, se você tiver pego este disco ou baixado e quiser me passar um link,
uma fita casete ou mesmo um cdzinho gravado, aceitarei de bom gosto.


1. Tomorrow's Yesterday
2. Across The Waters
3. Violet
4. Breathing
5. My Own Sky
6. Ever Dream of Moonlight
7. Drifting
8. In The Darkness
9. Storm
10. Song of the Selkie
11. Dolphin Song
12. Sunergy
13. Turtle Bliss


Dessas, poucas eu ouvi.
Quem diria...

segunda-feira, janeiro 09, 2012

O Proustituto

O apartamento era simples, dois cômodos. Quarto, sala, outro quarto. Ele nunca descobriu qual o propósito do segundo quarto, com uma cama de solteiro, mas mais para frente acabaria achando uma ocupação para o cômodo. O outro quarto, o principal, a suíte, tinha uma cama de casal com o lençol sempre desarrumado. Jornais colados na janela serviam de blecaute. Na mesa de cabeceira um aparelho de som e um despertador quebrado. Na estante, uma pilha de livros deitados acumulava poeira. A não ser um, limpo e de pé, separado dos outros. Como um troféu que merecesse ser adorado, aquele livro de capa azul ficava em destaque.

Na sala, nada que pudesse chamar a atenção. Sofá, TV de tubo, carpete e uma pequena mesa de jantar, para quatro pessoas, não mais. Apesar disso, só o mesmo amigo de sempre é que aparecia, do nada, nos finais de semana em busca de um almoço requentado ou de uma conversa fresca. O assunto não diferia muito: cinema, mulheres e, às vésperas das férias de um ou outro, viagens.

Em um dia de strogonoff de frango com batatas assadas em papel alumínio, o amigo lembrou que uma menina tinha perguntado quem era aquele sujeito de camisa de botão que tinha estado no bar com ele. Não é necessário dizer que o tal sujeito era ele mesmo.

- Mas que menina é essa? Como ela é?

- Se lembra que cumprimentei uma garota numa mesa, logo que a gente chegou? A namorado do Vlad?

- Hum...

- Então. Ela estava nessa mesa e, depois, perguntou pra ela quem era você. Eu não acreditei, claro. Mas ela me passou o telefone e pediu pr´eu te entregar.

O almoço acabou ficando meio sem sal e a cabeça, bom, perdida em inúteis tentativas de roteirizar a ligação, do primeiro alô até o momento em que, depois de gozar, caía pro lado, cansado e suado, ela abraçada a ele, ainda quente e vermelha. A ligação demorou a acontecer, mas depois de umas duas semanas, tomou coragem. Marcaram um sanduíche natural numa loja nova, perto de sua casa. Aproveitou a ocasião para cortar o cabelo, ajeitar a pequena barba que teimava em não crescer e usar, como na primeira vez que o vira, a camisa de botão.

Mordidas e sucos depois, entram no pequeno apartamento. O porteiro, de soslaio, sacou a presença da quinta mulher diferente em menos de dois meses. Sabia que no dia seguinte iam acabar se encontrando e que ouviria uma piadinha do tipo “Outra, hein Seu Davi?”. No AP ficaram de papo no sofá. Falaram de cinema, marcaram uma sessão de DVD qualquer dia desses, pode ser aqui em casa mesmo, você até pode escolher o filme. Ah, quero ver aquele da filha do Copolla. Tudo bem. Gosto muito dela. Quer beber algo? Tenho uma ice na geladeira.

Sempre tinha. Era assim que começava. Ou acabava, dependendo da situação. Duas, três.

- Ah, deixa eu te mostrar uma coisa que adoro! Tá lá no quarto.

Os dois, entorpecidos, sentam na cama. Ele vai até a estante, pega o livro de capa azul, como um troféu. Com as duas mãos, oferece a ela o volume.

- Nunca ouvi falar. É bom?

- Não vou nem te responder. Vou ler um pedacinho para você. É um pouco longo, acho que umas cinco ou seis páginas. Tá até marcado, amo essa parte. Você vai ver só. É a melhor descrição que uma memória pode ter, um monte de páginas para falar de uma madaleine com chá.

- É tipo um bolinho, um doce francês. Coisa fina.

E lá foi ele, página após página. Ao fim, derramava uma lágrima planejada.

- Desculpa. É que me lembro da minha avó.


Um abraço. Um beijo. Outro beijo. A gozada e a queda para o lado, suado, ela a abraçá-lo. Os dois adormecem. Ele a acorda perto da manhã. Ela entende o recado. Pega suas coisas, ajeita o cabelo, passa o blush e vai até a garagem, onde parou seu carro. Ele a acompanha, de pijama e chinelo, e se despede com um beijo frio no rosto. Sobe os 12 andares até seu apartamento, o pequeno apartamento. Entra devagar, tira o chinelo. Bebe um copo de água e vai até o quarto. Na penumbra do amanhecer, conseguiu decifrar os contornos do volume, em meio aos lençóis e travesseiros. Pegou com carinho o livro, beijou o nome do autor, escrito em negrito, logo acima do título, Marcel Proust. Foi até a estante e passou a mão com carinho sobre o canto onde o livro estava. Em seguida passou a mão sobre a capa e ajeitou o Caminho de Swann na estante. Em pé, como um troféu. E foi dormir.







A prisão

Vezemquando dá uma vontade danada de escrever. Sento a bunda, ligo o computador, preparo a cabeça e...

Abro o navegador, o browser, o chrome, ou como você costuma chamar a janela que te leva direto para a internet. De lá, fica difícil sair. O que seria escrito se perde, a cabeça se esvazia (oficina do diabo), as imagens descritas perdem lugar e entra em cena o loop mortal do pensamento. Clica aqui, clica ali. Lê um pouco aqui: olha que interessante, clica acolá e vá mais adiante. Lê mais um pouco, vê fotos, sorri. Entra em uma das milhares de páginas que mostra o que geral tá fazendo ou pensando. E o que me interessa saber o que fulaninho comeu no almoço ou pior, que sicraninho está no dentista?

Interessar, não interessa. Mas e o sair, o vagar, o flanar por vidas e realidades distintas? O se sentir parte de um mundo idiossincrático, sem mexer um músculo da cintura para baixo (não contam as pernas nervosas que balançam sem parar)? Isso deve valer a pena. Algo deve valer a pena. Por que, catzo, então, nos colocaríamos felizes em uma forma de exílio auto-imposto?

Não ao pensamento linear. Não às frases completas e orações subordinadas. Não aos subgêneros da literatura contemporânea.

Clique aqui. Clique ali. Clique acolá. Se perca. Se prenda. Onde estava, afinal? Ah, sim. Fotos das gêmeas de biquíni. Cachorros fofos e frases escritas erradas em desenhos desenhados errados. Tudo de propósito. Crianças chorando ou cantando ou dançando em milhões de hits. Não, não era isso. Era aqui. Estava aqui, no texto. Escrevendo. Preciso organizar as minhas ideias. Colocá-las para fora, fechar o browser, Bowser, chrome ou como você chama a janelinha para o mundo. A tal janelinha que parece aberta vendo de lá para cá, mas que de cá para lá parece cheia de barras, encarceradas. Cárcere de ideias. Cárcere das palavras.

Aperta o X. Fecha. Alt F4.

Pronto. Acabou. Fechar aqui é abrir, começar, reiniciar. Já sinto o cérebro respirar aliviado. Onde é que estava, afinal, pergunto novamente? Não sei. Não me lembro. Vou desistir. Ficar por aqui. E já que não sei sobre o que vou escrever mesmo, porque não dar um olhada na internet? IE, Firefox ou Chrome, dois cliques e...


sexta-feira, janeiro 06, 2012

Hoje no metrô, capengando de uma perna, li uma frase do Proust.

Toda vez que leio uma frase do Proust, daquelas que acertam em cheio, sinto ter me aproximado um pouco mais de Deus. Dá um arrepio por todo o corpo e uma vontade absurda e intensa de chorar, ainda que de alegria.