domingo, janeiro 08, 2017


- Vamos embora? -


Primeiros dias de 2017.
2017, meu Deus.
Parece que foi ontem que passava o perrengue e o medo de ter que encarar o bug do milênio.
E já essa eExpresão mesmo, morta e nterrada, parece ficção de livro de história.

Mas o que quero dividir aqui são as coisas do passadomrecente.
Em 2014, setembro, passgem na mão e muitas incertezas na cabeça, joguei-me em direção à Europa. Digo joguei-me e ressalto sempre esta palavra porque não houve um planejamento longo e especifico para isso. Claro, desde a compra das passagens ate o embarque foram mais de seis meses. Teve o aviso previo, as despedidas, o desmonte do apartamento, a tentativa de junatar algum dinheiro, a compra de libras... tUdo isso num cenario nacional ja pre-crise. As contas batiam na agua e a agua batia na bunda.
Vendi carro, peguei emprestimos e com algum dinheiro da vendas dos moveis do apartamento - era minha casa, ne, nossa casa - da Tijuca, viemos.

Viajo entre as pessoas neste texto pois, apesar deste ser um blog pessoal, e muito dificil dissociar a ida a Juliana, minha esposa em contrato. Mas essa e outra historia que quem sabe, conto outro dia.

Chegamos em setembro, dia 22, em Londres. Fomos para um quarto em um airbnb por uma semana, no oeste de Londres, em Acton. Fomos para lá, pois precisaríamos esperar para que o quarto que nos acolheria por pelo menos os proximos tres meses fosse desocupado. Este quarto, num apartamento de 3 quartos em Chiswick, caiu do céu. Eu, admito, morria de medo de chegsr em Londres sem um lugar para ficar. Não estava indo sozinho, não estava com uma mochila. Levava, acredite, DEZ malas. Algumas apenas com CDs e DVDs. Nao era uma viagem de ferias, era uma mudança. De vida. Ter um lugar, por menor que fosse, por menos tempo que fosse, me deu uma sensação de segurança e tranquilidade nos primeiros dias e semanas. Com tempo, poderia buscar algum trabalho ou mesmo outro lugar para morar, mas a partir de uma base.

Com o tempo atrás de mim, não imagino como seria se tivesse que cOrrer atras de um lugar para ficsr em Londres, assim que cheguei. Provavelmente o stress da situação e, mais importante, o desconhecimento total da realidade da cidade levariam a uma decisao equivocada e apressada. Os 3 meses, neste momento, seriam essenciais. E assim, foi. Fomos, uma semana depois, de Acton para Chiswick High Road. Levamos as malas de metrô, uma estação e uma caminhada de uns 20 minutos entre as casas. Passamos um domingo inteiro, dia 28 de setembro, fazendo isso.

Acabamos já de noite e pedimos um combo da Domino's pizza para comemorarmos com nossos novos roommates - Felipe e Flavia.
Outubro, novembro, dezembro... Os meses passavam voando. Tudo era novidade. Ainda no Brasil já pirava com a chance de ver bandas que nunca pensei ver ao vivo. Tudo, agora, estava aoa meu alcance. Comprei, antes mesmo de chegar em Londres, ingressos para 17shows.
Acredite, DEZESSETE. O primeiro deles, Fu Manchu, 3 dias depois de chegar. Estava aproveitando tudo de bom que Londres podia proporcionar e, enquanto isso, iamos gastando o - pouco - dinheiro que tinha guardado. Mas valeu a pena. Não há arrependimento de minha parte.


- Londres não é mãe, é madastra. -


Desde antes de chegar, meu pensamento sempre foi continuar a trabalhar na área de comunicação. Traduzi meu currículo e atualizei meu linkedin. Rá... Rá...Rá...

Como se fosse fácil assim. No Rio de Janeiro, companheiro, com amigos, família, experiência e minha língua materna, sofri para arrumar um emprego decente, imagina em uma das maiores cidades do mundo, onde concorro com gente de toda Europa (UK ainda era da União Europeia - ainda é, mas até quando?) e, por que não, realmente do mundo todo.

Chegava a mandar uns 50 currículos por dia, às vezes. Não funcionou. Nada funcionava. Nem uma entrevista. Ok, segui mandando currículos. Mas não podia ficar parado, seria fechar o caixão. Esperar o dinheiro acabar para voltar para o Brasil, sem economias, sem emprego, sem casa para chamar de minha...

Como já estava ali pela Inglaterra mesmo, comecei a pesquisar uns mestrados. Mandava uns emails para universidades, levantava preços de cursos, via uma possibilidade nova: estudar e me preparar para um trabalho, com novos conhecidos, novas ofertas e, quem sabe, uma novo ramo de atuação?

Numa dessas buscas online, me deparei com um curso de Marketing Digital. Entendi que era de graça, mandei meus dados, esperei o início, em umas três semanas. Ligam em meu telefone, alguns dias depois e começam uma entrevista longa, com mais de uma hora de duração (e eu sem saber porque). Ao fim, dizem que eles me ligariam falando se eu iria poder fazer o curso ou não. Na minha cabeça pipocaram um monte de interrogações. Mas enfim ligaram e disseram que sim, eu poderia fazer o tal curso e que deveria pagar a primeira parte até o dia X. PAGAR?! Peraí, pensei, não era de graça?

Bom, já tinha feito a entrevista, já tinham me deixado fazer o curso, que descobri, seria totalmente online... Paguei para ver. Não foi barato. Acho que foram quase umas duas mil libras. Seis meses de curso. Comecei e, mesmo muitas vezes, aos trancos e barrancos, terminei o curso. Mal sabia que o curso, sozinho, não abriria nenhuma porta magicamente.

Depois desses 6 meses (novembro - maio), já estava mais do que na hora de fazer algo. Resolvi que iria largar de mão essa de trabalhar somente na minha área e iria buscar qualquer fonte de renda. E saí entregando currículos perto de onde morava. Sempre tinham umas placas de contrata-se pelas lojas de lá.

Uma em especial me chamou atenção: Rock Buyers needed. Algo como Compradores com conhecimento de Rock, para um sebo/brechó ali em Notting Hill. Fui ao escritório deixar meu CV e me deram um teste para completar com umas perguntas de Quizz de Pub, tipo: qual o nome do segundo álbum do Manic Street Preachers ou de quem é o disco metal machine music? De 30 perguntas, acho que acertei umas 18. Obviamente não iriam me utilizar como comprador de rock.
Dei sorte neste momento, pois no escritório da loja, no segundo andar, estavam discutindo sobre o uso das redes sociais para vender mais coisas e eu, como quem não queria nada, disse que poderia ajudar, afinal, tinha acabado de completar um curso sobre isso. Eles se mostraram animados e me chamaram para voltar no dia seguinte, para ver como a loja funcionava. Eu tinha arrumado um emprego em Londres.


- Jura que é assim? -


No dia seguinte, apareci cedo, como pedido. Lembrei-me do primeiro dia no meu primeiro emprego - fui (lá se vão meus 17 anos) com uma camisa do Botafogo para o trabalho. Eu era um balconista (era 95, seríamos campeões brasileiros este ano, a camisa era um motivo de orgulho). Meu patrão, gente finíssima, me pediu para ir em casa trocar de camisa. Troquei. No dia seguinte voltei para trabalhar de bermuda - era verão no Brasil. Tive que ir correndo para a casa do meu pai pegar uma calça dele e ir pro trabalho. Aprendi nos dois primeiros dias que se vestir para trabalhar com o público exige muito mais pensamento que a gente acha. Ainda assim, escolhi uma profissão que me fez NUNCA vestir um terno em minha vida - nem tenho um até hoje.

Volto para o presente - agora já passado (praticamente 3 anos atrás - e caramba, como os anos voam agora...) - estreei na loja e fui alocado no brechó masculino. Fiquei um dia por lá, vendo como as coisas funcionavam, dei algumas ideias de como não confundir as chaves das vitrines - colei durex nelas com números e foi isso. No dia seguinte pediram para eu voltar. E fui voltando até o final d semana quando percebi que ninguém tinha me "contratado" ainda nem tinham me dado a senha do cartão de ponto eletrônico no computador, para contar minhas horas trabalhadas. Ganhava 7 libras por hora e tentava trabalhar por volta de 10 horas por dia, para juntar alguma coisa que pudesse ajudar a pagar o aluguel absurdo de uma quitinete. Depois de uma semana, me relocaram para o brechó dos refugos - existia uma certa hierarquia nas lojas - discos, roupas femininas, roupas masculinas, livros e quadrinhos, refugo das roupas 1, refugo das roupas 2 e tralhas e quinquilharias. 

Lá no refugo 2, a parte de cima da loja é cheia de tranqueiras e com algumas araras de roupas e a parte de baixo, o subsolo, é um emaranhado de restos de roupas baratas que ninguém quer comprar. E isso atrai um tipo muito específico de cliente, que quer comprar roupas baratas porque provavelmente não tem dinheiro para comprar roupas melhores e que acha que por isso pode descontar suas frustrações nos atendentes. Lá eu passava metade do tempo recolhendo sacos pretos de lixo cheios de roupas, colocando preço e tag de segurança nas peças. A outra metade do tempo, passava recolhendo peças de roupa que o pessoal provava e simplesmente jogava no chão. Limpava a loja quando chegava, e a todo momento precisava ficar de olho para ver se não tinha uma lata de Coca-Cola no chão ou um copo de milk-shake derrubado dentro dos provadores (sim, eu limpava isso tudo todo o tempo). 

Como vocês podem imaginar, era um trabalho ingrato. Saia com o pessoal do trabalho às sextas - às vezes - para um pint no pub e as pessoas eram bem legais. Todas meio perdidas na vida, algumas vivendo nos quartos em cima das lojas - eram umas seis enfileiradas numa área nobríssima de Londres. O dono das lojas? Um ex-beatnik lesado de droga que capengava e tinha acessos de fúrias, demitindo funcionários e os recontratando horas depois. Ainda assim, uma boa pessoa. 

Depois de quase um mês, perguntei se iriam me utilizar para outra coisa - o marketing digital para o qual me contrataram - e se a reunião com o dono da empresa para tratarmos disso (eu já tinha feito um  projeto de comunicação e tinha tudo anotado) iria acontecer. Logo quando comecei, me chamaram para falar com ele e eu comecei a discutir alguns pontos, como o SEO da página da loja, com links quebrados e a falta de atualização das redes sociais. Ele fez uma cara de "não entendi" e falou que precisaríamos fazer essa reunião com alguém que entendesse do que eu estava falando presente. hahahaha
Isso nunca aconteceu. Um dia, no horário de fechamento da loja, um dos sub-gerentes me chamou para conversar e disse que eles tinham chegado à conclusão que aquilo não era para mim. Que eu tinha que procurar alguma coisa no marketing mesmo e que já não precisava ir no outro dia. 
Por mim, tudo bem, disse. Na verdade, já estava um pouco cansado mesmo e não via futuro ali naquela bagunça empoeirada. 

E essa foi minha primeira experiência profissional na Europa. 

 - Tô sem emprego, o dinheiro está acabando, preciso de ajuda - 



segunda-feira, dezembro 26, 2016

Devo dizer que tenho um puta orgulho disso aqui. E que escrevo para mim.
Adoro me ler, depois de um tempo.
Mesmo sem revisão (foda-se), mesmo sem repensar, às vezes mesmo sem pensar.
Esse blog é meu streaming mental, é o que penso, em cada minuto marcado ali (dia 13 de dezembro, 20:48 - era assim que sentia, que escrevia, que pensava, que sofria).

A alma ausente é minha, e apesar de parecer dar as caras por aqui, tempos em tempos,
ainda não a encontrei.

Minhas primeiras postagens, de um blog já debutante.


Dia de textão - apesar de odiar o termo cheio de maus exemplos em tempos de intolerância ao diferente nas redes sociais.
Mas acontece que 2016 está acabando e esse foi um ano em que todos, sem exceção, tiveram mais motivos para reclamar do que para agradecer. Eu, deste lado de cá, reclamei também, mas poderia, e devo, agradecer mais.

Vamos aos fatos.

Virei 2015 para 16 em Gibraltar, um pedacinho de terra no sul da Espanha que faz parte do Reino Unido. O mesmo Reino Unido que, em junho, resolveu que precisava sair da União Europeia, deixando uma enorme incógnita quanto ao meu futuro por aqui.
Viemos para a Europa, primariamente, para morar em Londres (cidade mais cara do mundo - e sentimos isso na PELE). Se não em Londres, na Inglaterra. Ficamos uma ano lá (um pouco menos, uns 11 meses). Foram tempos difíceis e, além de ter que controlar o desbunde de estar na capital de tudo por um ano, tive a oportunidade de começar a arrumar uns bicos, empregos nada fáceis, mas que davam um dinheirinho ao fim do mês. No mês que mais ganhei, recebi quase mil libras. Fui, feliz, comprar um iPad novo para mim e para a Ju. O nosso anterior já era um trambolho e dava defeitos demais.

Bom, fiquei um ano enviando currículos por lá, e não rolou muita coisa na minha área. O dinheiro estava acabando e precisava, urgentemente, arrumar qualquer coisa que pudesse nos sustentar. MESMO. Era isso ou voltar para o Brasil. E então veio o chamado para cá. Gibraltar.

Não tínhamos nem a opção de discutir se viríamos ou não. Viemos e, veja, só, depois de muito tempo, consegui uma recolocação no mercado, agora europeu. Sei como isso é difícil e como devo ser grato por não estar mais nos bicos que pagam mixaria por hora trabalhada. Sei como é difícil se tornar um profissional aqui (e olha que vim pra cá com 38 anos) e deixar de ser a mão-de-obra imigrante barata. E consegui. Foi difícil, foi duro, foi sofrido (e ainda é, por N motivos), mas foi.

Enfim, virei o ano novo aqui. Tomei um porre e torci o pé. hahahaha

No trabalho, mostrei serviço. Na vida, abri as portas para receber amigos queridos (várias vezes durante o ano) em minha casa. Fui com eles a Gibraltar, rodamos muito pela Andalucía, Sevilla, Málaga, Marbella...

Tive meu pai em casa por 21 dias. Veio para passar meu aniversário aqui. Foi bom, foi ruim e foi como deveria ser. Deixou saudade, claro. Conhecemos uma amiga querida que passou voando por aqui e por motivos de saúde já voltou para o Brasil. Mas que nos deixou uma lição de vida, uma plantinha e sua bicicleta.

Por razões estranhas e vias tortas, fui promovido na empresa. Entrei na área de Marketing Digital, finalmente. Fiquei 3 meses. Por mais razões estranhas e vias tortas, fui relocado para outra área, ainda dentro do marketing, em agosto. Reiniciei minha carreira profissional 3 vezes, em menos de um ano. Motivos para alegria, confesso.
E aí, teve o Brexit. A libra despencou, despencou meu salário (que é sempre convertido de libra para euro) e as contas aumentaram. Tivemos que nos mudar para um apartamento menor e mais barato. E comprei um carro, já que locomoção é um problema por aqui. São contas que batem pesado e muitas vezes tiram o chão, dando lugar ao desespero e sofrimento. Reclamo, esperneio, tenho crises. É bom escrever, para passar por cima e ver que o mundo não acaba em uma conta atrasada. Enquanto tiver pernas, irei caminhar.

Mas 2016 também teve Eurocopa e Portugal foi campeão. Quando fui para o Brasil, na correria, em julho, estava guardando o passaporte quando um outro passageiro me falou, forçando o português inexistente, "Parabéns". Não entendi nada e virei para trás, perguntando o motivo. Ele apontou para o passaporte português e disse: "Pela Eurocopa". Agradeci, tomando o floreio como uma graça, mas não sentindo-me portador de tal título, ainda que, pela nacionalidade, seja.

Não me enxergo mais como português, brasileiro, carioca ou o que seja. Quando essas barreiras nacionais são derrubadas e convives com uma multitude de nacionalidades e personalidades, passas a dar valor ao que a pessoa é, em caráter. Trabalho com gente que nem sei de que país é, e isso realmente não faz a menor diferença.

Uma das coisas que mais me marcou em 2016 foi ter feito 40 anos. Não sem antes aparecer, de supetão, um pequeno "problema" de saúde relacionado à idade. Tive uma lesão na retina, com descolamento de alguma meleca dentro do meu cristalino. Passei a ver sombras no olho esquerdo, muitas sombras. As famosas moscas volantes. Situação comum em quem tem mais de 5 graus de miopia (tenho 5 1/2) e mais de 40 anos. Uma bosta. Ou seja, além de todos os questionamentos que já tenho com relação a idade, ao envelhecimento aparente do corpo, dos amigos e da barba branca, ainda terei que conviver com esta merda pelo resto da minha vida. Vida.

Tantas pessoas morreram em 2016. Tantos "famosos". Nossos ídolos vão nos deixando, um a um. Agradeço por ter uma família resistente. Uma tia-avó rumo aos 101 anos, meu avô indo pros 98 e minha avó para os 91. Penso se, como eu, eles ainda são as mesmas pessoas dos 15, 18, 20 anos...
O tempo passa, as responsabilidades são jogadas em seus ombros, queira ou não, e você se "torna" um adulto. Nunca serei, infelizmente.
Estou mais para idoso do que para adolescente e não me considero um adulto. Tenho carro, pago aluguel, trabalho, mas e daí?
Existirá um momento em que tudo fará mais sentido como adulto? Ou só levaremos essa vida questionando isso até a morte chegar? Ainda tenho atitudes infantis, mas sinto a urgência dos 40. Diferente dos 30, quando não via sentido e achava que não tinha nada na vida, hoje sei dar valor ao que tenho, e vejo a porta se fechando lá na frente. Preciso aproveitar tudo ao máximo antes que me torne um imprestável. O futuro assombra. Disso, me queixo.

Aos 40, tornei-me vegetariano, ou pescateriano (ainda como peixe, envergonhado, é verdade). Não consigo mais ser responsável pela morte de animais. Mesmo que não seja eu o assassino, era por minha causa também que eles eram (e ainda são) abatidos. Já não quero mais este karma para mim. Terei tempo para limpar minha vida e buscar o Darma de não comer mais carne animal?

Junto com a idade e o aperto financeiro, descobri que posso viver sem muito luxo. E o mais importante, sem comprar nada. Nada, não, que ainda vou a mercado. Mas itens materiais, não compro mais. Desde junho não compro um disco. Roupas, a Ju compra, mesmo que diga não ser necessário. Mas mesmo isso caiu para uma vez a cada 4 meses. Tenho coisas demais e tempo de menos pra consumi-los. Para que tê-los, em verdade?

Quero ter cada vez menos. Ser leve, juntar minha vida em uma mochila. Tentar entender-me internamente e não criar um ser externo com experiências materiais - ser = ter.

Aproximo-me de uma divindade, penso mais, respeito mais, agradeço mais. Talvez a religiosidade seja uma porta que jovens não conseguem abrir. Espero ter esta chave, em busca de paz. Prometo, em 2017, reclamar menos e agradecer mais.

O ano foi essa confusão de pensamentos e, agora, memórias. Não fiz jus ao que vivi nestas linhas. Nem era esta minha intenção. Talvez a vontade era apenas de escrever e tirar o banzo do fim de ano pesado e de dívidas. Se foi isso, consegui.
Que venha mais desafios, mais amores e sofrimentos, mais perdas e encontros, mais um pouco de tudo, que a gente ainda tá aguentando bem o tranco. Fiquemos com Deus, pois.

Feliz Ano Novo.









sábado, dezembro 17, 2016

Demorei 40 anos para parar de comer carne.
Aprendo devagar, já viu.

****

Ainda não aprendi a beber.
Quer dizer, aprendi faz muito tempo.
O que não aprendi foi a parar de beber.
Principalmente quando o clima é bom, entre amigos e com diversão. Aí, a bebida desce sem rédeas. E, em pouco tempo, o combalido corpo de guerra entra em colapso.

quinta-feira, dezembro 08, 2016

Antes aqui:



Metallica – Hardwired... to Self-Destruct

Hoje em dia é difícil escrever sobre um lançamento. O que mais há é opinião por aí. Ou seja, resenhar é sempre uma batalha por evitar revisitar o que já foi lido e debatido e tentar trazer algo novo para a mesa. Muitas vezes, não é possível . Mas desta vez, admito, estou animado para encarar o desafio

Faz algumas semanas o Metallica, a maior banda de rock pesado do planeta, lançou seu décimo álbum de estúdio (só considero os álbuns autorais): Hardwired… To Self-Destruct. O disquinho foi celebrado como um retorno às origens, um sopro de renovação para a banda. Um paradoxo interessante, ter que voltar às origens para se renovar.
O ponto é que o Metallica se tornou relevante uma vez mais.

Com uma estratégia de divulgação absurdamente bem feita (não esqueçam, o Metallica é uma máquina bem azeitada de fazer dinheiro e marketing), o disco foi o centro das discussões dos círculos musicais durante pelo menos, uma semana. Uma eternidade neste mundinho efêmero de hoje. Alguns aplaudiram. Outros cornetaram. Mas todos falaram deles. Bom, escrevi até aqui e não falei do disco. E aí, o disco é bom?

Em minha humilde opinião, o disco é bom, sim. Não é um clássico, mas é bem feito. E para comparar, andei escutando os lançamentos anteriores deles (Death Magnetic – 2008 - e St. Anger – 2003). Não resisti e dei uma gargalhada ao ouvir os primeiros minutos do disco de 2003. Esqueçam-no! Hardwired é um disco do Metallica. Riffs, peso, melodia e até uns refrões. O grande defeito é que a edição deluxe traz um disco a mais, com versões de músicas do Rainbow retiradas do tributo ao DIO, do Iron Maiden, uma música lançada apenas em single (a melhor de todo o álbum – Lords of Summer) e umas gravações ao vivo bem dispensáveis.

Como já disse, não é um lançamento que irá mudar a vida de ninguém. Mas ainda assim, vamos bater os pezinhos, tocar air guitars, chacoalhar a cabeça e colocar uns milhões a mais na conta do Metallica.

terça-feira, dezembro 06, 2016

sexta-feira, novembro 18, 2016

meu blog tem quase 15 anos, 3395 postagens e 3 seguidores.
Sou um case de fracasso.

E adoro isso.

Antes aqui:

Oi, Tio!

Parei no vermelho. Dei bobeira e a janela ficou aberta. Um enxame de microemprendedores de sinal apóia os braços na porta do carro e, cada um ao mesmo tempo agora, tenta me empurrar alguma buginganga que não preciso. Não preciso, mas não nego que muitas delas me impressionam e adoraria ter um tempo maior do que um sinal vermelho para discutir a utilidade de cada uma em minha vida. Mas o sinal abre e dou adeus a todos eles, sem comprar nada, a não ser um saquinho de irresistíveis balas de café.

Não vendo balinhas de café, mas adoraria ter o tempo de um sinal fechado para vender meus textinhos daqui para você. Entender o que esse público (meu público? tenho público?) quer ler ou pretende absorver em um texto curto de uma coluninha. Um sinal amarelo já bastava. Tudo o que eu quero é seu tempo, suas pupilas dilatadas, seu sorriso no meio dessa carona linda. Carona aqui, não tem nada a ver com automóvel, só com cara grande, uma forma carinhosa de falar, você sabe.

Acontece que hoje em dia o bem de mais valioso, e - putz - não renovável,  é o tempo. O meu, o seu, o do consumidor. Os impulsos de compra são decididos em micro-momentos, nos poucos segundos em que olho a tela do celular entre um email e outro. Os likes que solto por aí, o tempo que passo em cada blog ou site de notícias, tudo isso é monetizável (odeio essa palavra) em termos de internet. E, para que não passe mais tempo fora da internet, doando todo o tempo livre para os outros, as grandes corporações criam maneiras de acompanhar-nos em todo momento. Relógios com internet, cozinha com internet, telefones com internet, roupas conectadas, carros que não precisaremos mais dirigir e que nos darão mais tempo para, sim, ficarmos na internet. Isso até o momento em que vamos estar 100% do tempo em realidade virtual, doando 100% do nosso tempo para todos os outros, enquanto achamos que nos divertimos, passando um tempo a sós, consigo mesmo. Isso sim é aproveitar a vida.


Um sorriso leve aparece no canto da boca de algum empreendedor bilionário do outro lado da rede.

quarta-feira, novembro 02, 2016

Antes aqui:

Interruptor

Posso não parecer, mas sou um profundo admirador do ser humano. Nos últimos anos, no entanto, não há esperança na humanidade que sobreviva à realidade. Como disse certa vez o pensador Amaral, ótimo cabeça-de-área do Palmeiras nos anos 90, a esperança é a única que morre.

Lamento dizer, querid@, mas não é só a esperança que morreu. Ontem mesmo uma menina que foi atingida por uma explosão de bueiro faleceu. Ela estava saindo de uma festa. Para morrer basta estar vivo, é verdade. E ainda tem a tuma da piada pronta, a que ri de qualquer desgraça, dizendo que “Morreu? Antes ela do que eu.”

Até quando, no entanto? Ela veio antes, e antes dela teve o travesti que foi espancado até a morte por ser… ele mesmo. Ou a menina que levou uma bala perdida olhando a vista pela janela. Viver é perigoso. Mas o perigo chegou a níveis alarmantes no Brasil. Na verdade, quem está vivo até hoje é que faz parte das estatísticas. Morrer de causa natural (qual seria ela?) é uma improbabilidade. Haja colesterol, atropelamento de ciclista e armas de fogo…


Como disse acima, sou um profundo admirador da raça humana. Alcançamos algo que nenhuma outra raça conseguiu. Se auto-extinguir. Em termos de fazer merda, não dá para ninguém. A não ser, claro, que uma espaçonave pouse na Terra nas próximas décadas e me faça engolir cada uma dessas palavras jogadas ao ventilador. Mas aí, com um alienígena me olhando, engulo qualquer coisa.
A Rússia amigos é um país doido. Isso é ponto pacífico. Ou belicoso, já que um desses doidos está à frente do país. O mundo como conhecemos tem, no máximo, dois anos a mais de vida.

Irão desligar a Matrix. E seja o que Deus, ou quem quer que você acredite que seja o dono desta porra toda, quiser.
Escrever o que e por que?

Não quero que você leia isso aqui.
Ao mesmo tempo em que queria poder espalhar que estou escrevendo mais frequentemente no blog, sei que as coisas daqui são imensamente pessoais agora e não há motivo para sair por aí bragging about the things I write. (faltou a palavra e estou de saco cheio de buscar uma tradução para as expressões em outra língua que aparecem na minha cabeça na hora de escrever um texto).

Então, é um alívio e um medo verificar as estatísticas da página e ver o número ZERO lá. ZERO visualizações e ZERO comentários.

:)

Obrigado, blogger. Obrigado brógui. Obligado blóder.