terça-feira, maio 24, 2011

Sou um neófito no que diz respeito a cervejas. Entendo pouco de malte e lúpulo.
Sei de minha preferência, secular, pelo segundo. E desde sempre, achava sem graça as nacionais, gosto de nada engarrafado ou enlatada, em latas de alumínio.

No entanto, começo a sentir aromas, sabores, diferenciar cores e diferentes formações de espuma. Sou um enochato da cerveja. Um cervechato. Confesso que ainda estou nas europeias (com ou sem acento?). No Velho Mundo, é fácil achar uma cerveja com mais de 100, 200 anos de tradição. E quem faz cerveja a tanto tempo, não pode estar errado. Belgas, Tchecas, Alemãs, Inglesas...

Mas e daí? Daí que os americanos, chutaram a tradição, e resolveram fazer cerveja também. Diferente daquela American Lager, reproduzida a perder de vista e de sabor, tipo Buds e afins, os caras decidiram mexer em times que estavam ganhando. E, sem tradição para os amarrarem, saíram criando, sem medo de ser feliz. É uma ótima amostra dessa chamada nova escola americana que vem parar aqui no Brasil.
Rótulos como Flying Dog, Anderson Valley ou Rogue já estão nas prateleiras e o que falta para mim (ou faltava) era dar o primeiro passo.
Tradicionalista, como sou, demorei. Mas tive o prazer de ser apresentado a esse novo mundo, com trocadilho por favor, com uma bela escolha: uma Anderson Valley, Oatmeal Stout.


Americana, retiro de ti o meu preconceito...



ô cerveja gostosa, viu...
Preta, preta, pretinha, com uma espuma cor de caramelo. Lindíssima no copo. O tostado, defumado, o tempo todo no aroma e no paladar. Mas com os goles foi pesando na língua, lá atrás sabe, naquele lugar onde o lúpulo aparece... nos últimos goles, parecia que estava bebendo chumbo, tamanho o peso. Aí fui ler sobre as americanas e todos dizem que uma característica delas é ser forçada no lúpulo. É ruim? Não mesmo. Até achei equilibrada nos primeiros goles. Mas poderia ter dividido a garrafa com alguém.

É aquela história, a eterna falta do que fazer.

Estou de volta aos metrôs e aos veículos de transporte coletivo. Fico vendo as pessoas, de um lado para o outro. Histórias diferentes, fico criando. A mãe, simples, com seu bebê com síndrome de Down, que não parava de sorrir e olhar para todos os lados. A nordestina vesga, que falava alto ao celular. O aluno com calça rasgada e camisa do Malvados, escutando uma música em seu fone e acompanhando com o bater dos pés.

Criando, fico. Penso em cada um deles, nos passos, nas pessoas de suas vidas, em suas casas, em seus quartos. Como será a vida de uma pessoa que não pensa na outra pessoa, apenas vive, dia após o outro, sem pensar que nada disso vale nada, pois na esquina há o fim, um muro sem possibilidade de retorno, numa rua sem saída. Uma rua de onde nenhum de nós poderá sair.

Ficando criado, levando na boa. Pensando, pensando.
Pesado.

Aí, abrem-se as cortinas, as portas de ferro de correr e sai a boiada. Frente e verso, mesmo que partida e chegada. Menos que nada. Preciso partir. Agora fico aqui a pensar até dar a hora de voltar e poder encontrar novamente histórias que não as minhas, mesmo que indizíveis, mesmo que encobertas, mesmo que desconhecidas.
Mas fáceis de criar.

sexta-feira, maio 20, 2011

E depois de algum tempo:
Brejas



Comprei um peixe urbano da vida e ganhei um crédito em um restaurante no Leblon chamado Mekong. Com cozinha oriental, mas fugindo do básico rolinho primavera-yakisoba-sushi, o restô apresentou umas opções bem interessantes, tailandesas, vietnamitas e indianas, entre seus quitutes.
Mas o que me chamou a atenção mesmo foi a cerveja chinesa descrita no cardápio.
Essa danada aqui:



TsingTao

Óbvio, quis experimentar. A lata, com cara de anos 80, tem um anel para abertura pequeno que me lembrou na hora das antigas brahmas daqui. Só faltou a lata ser de ferro. Em um texto escrito em inglês, vi que era uma Rice Beer. Isso mesmo, uma cerveja de arroz. Amarelinha, e super cheirosa, lembrando muito o cheiro do saquê. Meio óbvio, né? Arroz e herbal. Sabe aquelas imagens de plantações de arroz dos filmes de guerra americanos? Então, o cheiro é exatamente esse, como se você tivesse com água até os joelhos no meio de uma platação. No gosto, leveza e refrescância, com pouco retrogosto. Mais uma vez arroz e saquê vieram com força. Com um lupulozinho lá no fundo, chamado talvez pelo herbal. Na média, uma boa experiência, que faria parte do meu cardápio ocasional, caso fosse fácil encontrá-la nos mercados daqui.

Uma cerveja leve e refrescante, para tomar bem gelada.
Nota 5,2

INFORMAÇÕES
Cervejaria Tsingtao Brewery
Estilo Standard American Lager
Álcool (%) 4.8% ABV
Ingredientes Água, malte, lúpulo e arroz
Site http://www.tsingtaobeer.com/
Temperatura 0-4 °C

DETALHES
Degustada em 30/Abril/2011
Envasamento Lata
Volume em ml 300 ml
Onde comprou Mekong
Preço 8,00 (?)

quinta-feira, maio 19, 2011

Aqui antes

Na hora de escolher um disco para resenhar, uma série de fatores são levados em consideração. A banda ser bem conhecida, estar com um grande lançamento, ou uma nova banda com um disco que atraiu os holofotes são fatores que pesam na hora da escolha.

Dito isso, é necessário que a revelação seja feita: está cada vez mais difícil resenhar um lançamento. Ou o momento do lançamento não coincide com o da crítica, ou o disco nem veio com qualidade o suficiente para render uma resenha, ou ainda, na correria para encontrar uma inspiração para o texto, passar batido por um álbum que de primeira pareceu menor, mas que cresce com o tempo. O novo do Foo Fighters, Wasting Light, é um bom exemplo disso. O timing não é perfeito, a primeira audição foi atrapalhada, cheia de notas perdidas, e passou sem chamar a atenção. No entanto, com o passar dos dias, as músicas foram grudando, aparecendo, se desnudando. E bingo! Temos um grande disco, de uma banda bem conhecida, para falar.



É foo fighters, ok.

Os gritos e os refrões grudentos de Grohl estão de volta. E por falar em volta, a de Pat Smear devolveu ao quarteto um pouco da vitalidade dos primeiros álbuns, com seu peso, suas melodias e sua guitarra a mais. Bridge Burning e Rope mostram bem a versatilidade da banda, indo uma para o pop e a outra para o rock. Já White Limo, bem pesada para os padrões radiofônicos atuais poderia muito bem encontrar um espaço no primeiro disco de estúdio deles. Arlandria e These Days não saem da cabeça. E quando chegam I Should Have Known e Walk, as duas últimas, você fica se perguntando o que aconteceu naquele primeiro momento em que você achou que o disco não seria bom o suficiente para ganhar umas linhas. Ora bolas, eles são os Foo Fighters. E nunca, mesmo, fiquei desapontado com um disco deles. Espero que nem você, mas caso aconteça, aqui vai uma dica: paciência e Repeat. Bom proveito.

quarta-feira, maio 18, 2011

Textos para o site do Revista:
www.revistadocinemabrasileiro.com.br


Legião Urbana

Já faz algum tempo que o Brasil perdeu um de seus maiores expoentes dentro do cenário roqueiro nacional: Renato Russo. Mas o trovador solitário nunca saiu da cabeça e dos toca-discos dos brasileiros que o conheceram ou que apenas ouviram falar de sua genialidade.

Agora uma nova geração pode se preparar para conhecer a fundo o legionário e sua banda, formada também por Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos. Vem aí, nada menos do que três filmes que têm a Legião, ou suas músicas, como personagem. Faroeste Caboclo é uma ficção, dirigida por René Sampaio, baseada em um dos maiores sucessos da banda, de mesmo nome. O épico de 10 minutos de duração conta a história de João de Santo Cristo, dos seus primeiros dias até o duelo final com Jeremias, o bandido traidor.

Ainda nessa leva, o documentário Rock Brasília, Ninguém Segura Essa Utopia, de Vladmir Carvalho, mostra em imagens feitas desde a década de 80, como o rock feito na capital federal cresceu e virou gente grande, conquistando todo o Brasil. E para fechar, Somos tão jovens, de Antonio Carlos da Fontoura, que conta a adolescência de Renato Manfredini Júnior que sonhava em se tornar o maior roqueiro do Brasil. Se ele conseguiu? É só você se perguntar se conhece um tal de Renato Russo.
Urbana Legio Omnia Vincit.



Raulzito

Falar de rock no Brasil e não citar Raul Seixas é cometer um erro craso. Talvez um dos principais roqueiros da primeira leva, Raulzito causou com sua banda os Panteras, e deixou muita gente com a pulga atrás da orelha com músicas e atitudes nada convencionais.

O defensor da sociedade alternativa, parceiro de Paulo Coelho e carimbador maluco do Plunct Plact Zum terá sua vida (e morte) esmiuçada por ninguém menos que Walter Carvalho e Evaldo Mocarzel. Com imagens da Virada Cultural de 2009, onde os 20 anos da morte de Raul foram lembrados, depoimentos de familiares e colegas de palco, o documentário vai fazer muita gente se lembrar de hinos como Eu nasci há dez mil anos atrás, Metamorfose Ambulante e Maluco Beleza. Está mais do que na moda gritar: Toca Raul!!!!

quinta-feira, maio 12, 2011

Da Série: Coisas malucas que chegam no e-mail do trabalho

A/C Redação
Os jornalistas que comparecem ao evento ganham uma técnica de terapia complementar.

Paranapiacaba é sede da VIII Convenção de Bruxas e Magos

“Tudo que realmente acreditar é possível se concretizar”. Este foi o pensamento que Tania Gori, juntamente com a sua equipe da Casa de Bruxa, teve em 2004. Organizar uma Convenção de Bruxas e Magos em Paranapiacaba (Santo André) promovendo todas as formas de expressões ligadas ao misticismo e mundo espiritual, com respeito a adversidade, a história de cada tradição e principalmente, desmistificando o conceito sobre bruxaria. O sonho tornou-se real e no próximo dia 13 de maio tem início a oitava edição envolvendo profissionais do Brasil inteiro, com a expectativa de público de 12 mil pessoas em três dias de evento. O tema deste ano é “A Jornada da Alma” onde diversas linhas filosóficas, religiosas, esotéricas e afins apresentam sua perspectiva de um mundo melhor.

Consagrado como um dos maiores eventos do gênero, em âmbito nacional, a proposta é interagir informações sobre Energia, Natureza Humana, processos e técnicas terapêuticas, questões sobre metafísica, entre outras abordagens. Durante três dias (13, 14 e 15 de maio) serão abordados diversos caminhos que levam à busca do autoconhecimento e ao aprimoramento de seres humanos mais iluminados. O evento é de inciativa da Universidade Livre Holística Casa de Bruxa e conta com o apoio da Prefeitura de Santo André.

Para marcar o início da Convenção de Bruxas e Magos, às 21h, na Sexta-feira 13, acontece a tradicional Procissão de Velas para iluminação do caminho, atraindo felicidade e bem estar, por toda Vila de Paranapiacaba. Em seguida, no Locobrek (espaço onde ficava a ferrovia) será realizado o ritual de transformação, onde são focados todos os tipos de prosperidade.

No sábado e domingo, a partir das 9h, cerca de 70 profissionais estarão presentes em vários locais, com atividades diversas: palestras, workshops, apresentações de danças, teatro, rituais, oficinas e muito mais. Os temas são os mais variados possíveis: astrologia, kabala, oráculos, magia hermética, bruxaria, cultura grega, nórdica, oriental, cigana, xamã, mistérios do sagrado feminino, numerologia, ervas, anjos e arcanjos, druidismo, vampyrismo, chacras, entre outros temas de extrema importância e notoriedade nacional.

Destaque especial para o Centro das Terapias Naturais (Galpão do Judô) que promoverá as Terapias Vibracionais e Naturais para o reequilíbrio energéticos, das 10h às 12h e das 14h às 16h, pelo valor do convite a R$ 10,00. No sábado a noite, promovendo a confraternização entre os presentes, acontece às 22h, o Sarau “Entre Brumas e Sonhos: A Jornada da Alma” e em seguida, o Bailado Cigano – com Grupo Luz de Sara Kali

A VIII Convenção de Bruxas e Magos em Paranapiacaba é uma idealização da Universidade Livre Holística Casa de Bruxa cuja anfitriã é Tania Gori, idealizadora da Bruxaria Natural no Brasil. Os temas abordados e a linha de pensamento são de total responsabilidade de seus percussores, não necessariamente sendo a mesma diretriz adotada pela instituição.

Os convites que estão sendo vendidos a R$ 25,00 que dão direito, com exceção do Centro de Terapias, a todas as demais atividades.

Programações específicas: http://www.casadebruxa.com.br/convencao/2011/

Demais informações:
Universidade Livre Holística Casa de Bruxa
Rua Almirante Protógenes, 281 - Bairro Jardim – Sto André

quarta-feira, maio 11, 2011

Talvez os últimos textos meus a entrarem no site do Revista do Cinema Brasileiro.

Ponto de Encontro


No meio da tarde o seu parceiro de projetos te liga e pede uma reunião urgente. O local fica a sua escolha. Claro que nesse momento você já deve ter pensado em, pelo menos, três opções diferentes. Mas se você faz cinema e mora no Recife, uma dessas opções é bem óbvia: o café em frente ao cinema da Fundação Joaquim Nabuco.

O proprietário, Leonardo Lacca, é um jovem realizador com alguns filmes no currículo e que não se furta de comentar sobre a cena cinematográfica do Recife e sobre tipos de café. A ideia de unir o útil ao agradável surgiu em uma viagem a São Paulo. E desde então, o café tem servido de ponto de encontro de cineastas e artistas que, entre uma xícara e outra, trocam ideias e discutem projetos.

Quando ligamos para marcar com Lacca uma conversa, ele pediu para ser depois da reunião que teria no local. Aceitamos, mas chegamos antes para testemunhar o encontro. Só esquecemos que isso não era necessário. Enquanto ele, Tião e Daniel conversavam, o cheiro de café servia como fundo para pelo menos outras duas reuniões. Energia é o que não falta pra esse pessoal. Nem local para se reunir.


CINE-PE


O cinema brasileiro precisa fazer público, botar seu bloco na rua. Se hoje essa frase pode parecer datada, há quinze anos atrás, em pleno início da retomada, era a mais pura verdade. E um Festival de Cinema resolveu abrir suas portas para uma multidão. É de público que precisamos? Então toma mais de duas mil pessoas por sessão.

É claro que estamos falando do Festival de Recife, hoje já Cine-PE. Na gigantesca sala de exibição do Centro de Convenções já foram lançados filmes como Central do Brasil e Baile Perfumado. O público agradece. E comparece. Nesta décima quinta edição, comemorada a contento, tivemos homenagens a veículos de comunicação, atores, atrizes e técnicos, a diretores e, é claro, a sua Revista do Cinema Brasileiro, pelos seus 15 anos de programa completados no final de 2010.

E como não poderia deixar de ser, muitos filmes. Família Vende Tudo, de Alan Fresnot; Estamos Juntos, de Toni Venturi; Casa 9, de Luiz Carlos Lacerda; Vamos Fazer um Brinde, de Sabrina Rosa e Cavi Borges; Casamento Brasileiro, que marca a volta do diretor Fauzi Mansur ao cinema; e JMB, O Famigerado, de Luci Alcântara participaram da mostra competitiva de longas e dividiram espaço com curtas digitais e em 35mm. Entre os curtas, destaque para Flash; Mens sana in Corpore sana; Braxília; Calma, Monga, Calma; Ovos de Dinossauro na Sala de Estar e Traz Outro Amigo Também. Como dá para perceber, qualidade e quantidade são características nem um pouco distintas quando estamos falando do Cine-PE.

sexta-feira, abril 29, 2011

Da Série: Coisas inusitadas na caixa postal do trabalho.


Aviso de credenciamento | Festa Flávia Noronha – TV FAMA
Responder com dados do repórter e do veículo



No próximo dia 29 a apresentadora do TV FAMA, Flávia Noronha, comemora 28 anos e a ótima fase profissional em uma grande festa.

Prestes a completar um ano à frente do programa TV FAMA, ao lado de Nelson Rubens, a apresentadora celebra o sucesso do programa, os projetos profissionais e também os pessoais. Flávia é noiva do empresário Alexandre Abraão e esta com o casamento marcado para o inicio de 2012.

Além de continuar no comando diário do TV FAMA, Flávia marcou o inicio de 2011 com grandes projetos publicitários, apresentando pelo segundo ano consecutivo o carnaval da REDE TV (uma das maiores audiências da emissora) e outros projetos ambiciosos.

Companheiros de emissora e outros artistas já confirmaram presença para a festa. Valeska Popozuda vem celebrar a data com a amiga e promete um show para animar os convidados.




Dia: 29/04
Horário: 21h
Local: Museum – R. James Joule, 65.
Brookling Novo, São Paulo – SP

terça-feira, abril 26, 2011

Mais textinhos que estão no site


Som

Em um estúdio de áudio tudo o que não esperávamos encontrar era silêncio. E foi justamente com ele que nos deparamos ao chegar. Simone, Maria e Louzeiro, três sócios e editores de som, sabem que além criar um ambiente tranqüilo para o trabalho, o silencio é como uma folha em branco, pronta para ser rabiscada com sons, efeitos e trilhas.

O silêncio foi quebrado, no entanto, assim que começamos a conversar. Com a experiência de quem trabalhou em mais de uma centena de longas, os três contaram histórias e lembraram momentos curiosos. Como o que Glauber Rocha pediu para saturar todo o som de um de seus filmes. O responsável pelo som disse que aquilo não ficaria nada bom. Só que naquela época, o resultado alcançado pelos estúdios de sonorização era sofrível. Glauber então disse: se vai ficar uma merda que fique tudo uma merda. Pelo menos vou poder dizer que é estilo.

Enquanto percorremos o estúdio de mixagem, sala certificada pela Dolby, e as ilhas de edição, fomos conhecendo um pouquinho mais da realidade de quem trabalha com som, tantas vezes relegado ao segundo plano. Só que é importante lembrarmos sempre essa é uma arte audiovisual, escrita assim mesmo, com o áudio a frente do vídeo.



Montagem

Uma sala, uma máquina, um corpo. A única coisa que pode causar estranheza nesse cenário até então normal são as duas telas no computador. Ok, você já deve ter percebido, estamos no novo formato da ilha de edição. As moviolas, os pedaços de filme jogados no chão, as grandes máquinas de edição linear, as fitas. Tudo isso parece coisa de cinema, ou melhor, do passado. Hoje, bastam os programas certos, os arquivos certos, e, claro, um bom profissional.

Marcelo Moraes está em casa e no momento edita o longa Meu Pé de Laranja Lima, de Marcos Bernstein. No seu currículo, sucessos de público como Meu nome não é Johnny, Muita calma nessa hora e De pernas pro ar. Sua visão, na hora de montar, é a de um espectador. Ele busca as emoções primárias, aquela que você sente no momento em que vê uma cena, e tenta mantê-la no corte final. Pelo resultado que seus filmes vem alcançando, essa parece mesmo ser uma boa forma de conquista. O público, já na casa dos milhões, que o diga.

Esse programa também ficou bem legal.
E tome mão minha nas matérias...
Pipoca quentinha

Buscar um pipoqueiro para participar do programa não foi uma tarefa das mais fáceis. O famoso pipoqueiro do Espaço de Cinema, em Botafogo, com sua carrocinha cheia de poemas, cartazes de filme e fotos de estrelas, simplesmente voltou para o nordeste depois do Festival do Rio de 2010. Os outros, ou não queriam falar ou estavam realmente desanimados com a difícil realidade do mercado do milho estourado em frente aos cinemas. Estava quase desistindo quando aos 45 do segundo tempo encontramos o Seu Salvador. Quarenta e cinco anos de pipoca, em frente ao Antigo Cine Coral, hoje Arteplex Unibanco.

Sem celular ou telefone fixo para mantermos contato, o encontro foi marcado em frente a um prédio na Praia de Botafogo. O carrinho foi preparado para a filmagem, com um tapa no visual. Nada mais do que um pedacinho de fórmica para segurar uma porta. Seu Salvador estava com Cícero, seu ajudante. Na verdade, é Cícero quem faz a pipoca, enquanto Salvador dá conta da venda. O cheiro que sobe atrai a atenção das pessoas que começam a se aproximar, perdendo o medo da câmera.

Entre milho, óleo, açúcar e sal, histórias de quem passou muito tempo vivendo com o cinema ao seu lado. Desde a época em que era lanterninha e porteiro, até a pipoca de depois da aposentadoria, os encontros com Sofia Loren, Wagner Moura e outros astros do cinema e até mesmo uma confissão: “Não sei muito bem o nome dos atores dos filmes nacionais. É que todos eles são de novela, né. E eu não acompanho novelas.” Claro, Seu Salvador. A gente entende. Afinal, novela nunca combinou com pipoca.

terça-feira, abril 19, 2011

Arthur Xexéo

Cinemas de rua, pipoca, filmes antigos, grandes estrelas. Com assuntos como esses permeando todo o programa, nosso entrevistado não poderia ser outro. Foi com um grande e animado bate papo que o jornalista Arthur Xexéo visitou Júlia Lemmertz nos estúdios do Revista do Cinema Brasileiro.

A conversa começou pelos cinemas e filmes da infância de Xexéo, em Piquete, no interior de São Paulo, onde assistia aos filmes no cinema da Vila Militar, onde morava. Depois, passou por Juiz de Fora, onde também teve acesso aos filmes pelo clube de outra Vila Militar e parou em Copacabana, aonde veio se instalar, e que foi carinhosamente chamada de a “verdadeira Cinelândia”.

Depois, numa demonstração de sua facilidade em guardar nomes, momentos e filmes, relembrou seus momentos de Cineclube no Leme, onde participava organizando sessões e debates em plena ditadura. O encontro, que era para ser um bate-papo, acabou se tornando uma pequena aula sobre cinema e, principalmente, sua magia.


Admito, rolou uma certa tietagem.

quinta-feira, abril 14, 2011



Esse foi o primeiro programa que teve a minha mão em praticamente todas as matérias.
Me pediram para fazer uma pequena playlist e escrever um pouco sobre ela.
Fiz e compartilho aqui com vocês.






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e o pequeno texto que escrevi, sem revisão, claro...


Caramba, fazer uma playlist pra colocar num site que nem é meu. Difícil isso, viu.
Desde que comecei a botar som, lá se vão quase 10 anos, me preocupo com que os outros querem ouvir. Ou pelo menos deveria me preocupar. Sempre escolho as melodias mais pegajosas, pois penso que são elas que levam os pés pra um lado e para outro, e abrem um sorriso na cara de quem quer pular no meio da pista.
Nem sempre as melodias que me agradam são as que agradam o grande público, mas pelo menos fico com a consciência limpa, pois sei que fiz minha parte.

Na playlist, acabei não me prendendo a épocas, estilos ou rótulos. Selecionei o que passou pela cabeça na hora, o que mais tenho ouvido, ou mesmo o que já ouvi muito e me marcou de alguma forma.
Para começar, três pérolas pop. Se isso não faz você feliz, pouca coisa o fará.
Depois, uma música do novo disco do Strokes, a única que consegui ouvir até agora, e que achei sensacional.
As próximas três são daquelas que marcaram um momento, Two Door Cinema Club, Trail of Dead e Death Cab. Tim Maia porque, bom, é o Tim Maia. E você tem a chance de comprar grande parte dos discos dele na banca. Toro y Moi ta na lista para você conhecer, gostando ou não.
E para encerrar, duas pedradas: Mastodon, a melhor banda pesada da atualidade e Matanza, que também sabe construir melodias, mascaradas pelo peso, como ninguém.



Acho que é isso. Bom Proveito.

terça-feira, abril 12, 2011

St. Patrick´s Day

ou a parte dele que foi documentada. Muita, muita cerveja. E olha que eu só ia tomar uma Guinness sozinho pra descontrair. Mas aí encontrei um conhecido com uma amiga dele de Sampa. Ele curte cerveja, eu curto cerveja...
Foi pra conta.





Cinema x propaganda x videoclipe

Se há uma verdade tola na área do audiovisual, é a de que alguns formatos são menores e menos importantes do que o cinema. Os filmes publicitários e os videoclipes, principalmente, entram nesse lugar comum. Mas se formos ver os nomes que filmam em ambos os formatos, como Michel Gondry, Spike Jonze e Mark Webb, só para citar alguns mundialmente conhecidos, vemos que a história é outra. E aqui no Brasil não é diferente.

Andrucha Waddington, Breno Silveira, Fernando Meirelles... Todos já passaram pelas peças publicitárias e videoclipes e ainda voltam a eles, vez ou outra. Isso, claro, sem abrir mão de suas carreiras no cinema. Estar no set é importante para buscar novas formas de linguagem e experimentar novos ângulos e ideias, ainda mais na indústria nacional, onde anos separam um projeto de longa do outro.

A qualidade, os diretores brasileiros são categóricos em afirmar, vai além de plataforma ou formato. O importante é buscar sempre fazer o melhor, o que aprendemos, e bem, já faz algum tempo.
Cinema no Alemão

Quando começamos a conversar sobre a matéria de cinemas com cunho social, pensamos logo no Cine Carioca Nova Brasília, no Complexo do Alemão. Inaugurado na véspera de natal de 2010, o cinema foi um presente para uma comunidade que estava mais acostumada a cenas de ações na vida real do que nas telas.

Depois da ocupação do Complexo, a paz voltou a reinar, as obras começaram a andar e o poder (do) público finalmente pode voltar a mostrar sua cara. Desde sua abertura, o Cine Carioca é a sala com a maior média de ocupação da América Latina. Sorte? Preço baixo? Ou uma oportunidade para mostrar que quando há a oferta de cultura, independente de local, há a presença do público?

Wellington Cardoso, o gerente geral do Cine Carioca, e quase vizinho da sala, afirma que o preço é importante, já que com 10 reais se assiste ao filme, com direito a pipoca e refrigerante, mas a presença das crianças, vendo repetidas vezes filmes com tecnologia 3D, não esconde que a magia do cinema é mesmo um bichinho que quando morde é difícil se livrar.


***

Parece coisa da juventude Zona Sul (e é). Mas ir no coração do Alemão foi uma experiência e tanto. Almoçar em Olaria, do lado do alçapão da Bariri, ver as ruelas e casas amontoadas, milhares de fios acima de sua cabeça, em um emaranhado difícil de se decifrar, sentir o cheiro do morro, com tratores e escavadeiras num trabalho frenético, como se pagassem a conta de décadas de descaso. Ver crianças brincando, correndo, pessoas andando pra cima e pra baixo, formigueiro humano. Olhares de estranheza parecem me perfurar a cada passo que dou. Saem os fuzis, entram as câmeras de filmagem. A comunidade exposta. Não queria fazer isso, ser mais um "turista da paz". Mas é o ofício. Tenho que ir, tenho que perguntar, quero saber, no fundo.

As perguntas acabam acontecendo, fogem da boca e da cabeça, sem pudor. Como era antes? Como era a violência? As respostas são, quase todas, fugidias. Em vez da violência, vamos falar do futuro. Está bom, está bem. Vai melhorar. Aqui vai ser uma praça, ali um centro de treinamento em audiovisual...

Bom, melhor esquecer. Sem esquecer, na verdade. Para manter sempre um olho aberto, examinando como as feridas da violência estão cicatrizando. E se vão cicatrizar.
Chover no molhado, clichê, deja vú, já vi isso antes...
Mas não muda nunca. Malvados com o dedo na ferida.

terça-feira, abril 05, 2011

admito que tenho um fraco.
quando vou ao supermercado compro sempre um bono de chocolate.

***

Carol uma vez me disse que eu não era carioca porque ainda ficava impressionado quando via uns globais caminhando pelas calçadas manuel carlianas do Leblon.
Pois então estou prester a virar um. Ou só voltar a ser, já que carioca eu sempre fui.
O que mais faço, o que mais vejo, as pessoas com quem mais eu trabalho são, serão ou foram globais. artistas todos são, sem exceção.
o que é legal, porque a aura de incredulidade ao ver alguém que faz uma coisa bem feita cai por terra. E parece até que você também pode.

Dito isso, estou tirando o projeto do mestrado da gaveta, voltando a reler os meus roteiros e querendo aprender francês de uma vez por todas.