quarta-feira, março 09, 2005

Escrever o que der na telha, mesmo qundo a telha tiver sido despedaçada por algum vento de um milhão de quilômetros por hora.
Minha telha, minha cabeça, minhas sinapses parecem estar sendo levadas a cada dia. Esquecer, repetir, não saber, lembrar e rir da piada. Liguem o som e me deixem com minhas confusões, sozinho, mais uma vez, num quarto escuro.
É madrugada.

***

A maior parte das vezes, acordo com o texto pronto, inteiro, começo, meio e fim, na minha cabeça. A forca para levantar, ligar o computador, escrever, digitar, salvar e voltar a dormir me faz tão mal que simplesmente desisto. É hora de descansar, não de escrever.
Acordo sem nem lembrar que tinha acordado.

***

Quero não cair mais no inúmeros buracos das ruas de Vitória. Sinto que meu carro está começando a se despedaçar e não sei se devo processar a Prefeitura por ter feito um trabalho tão porco no asfaltamento de Vitória. Vocês já perceberam que “eles” adoram abrir buracos para obras, mas que sempre os fecham mal e porcamente?
E a qualidade do asfalto? Será que ele não poderia ser um pouquinho melhor?
Vou deixando, em cada buraco, um pouco meu bom humor, do riso fácil no meu rosto. E assim, de buraco em buraco, de solavanco em solavanco vou me transformando em uma personagem digna de desenhos animados, um ser transtornado, com olhos vidrados embebidos em ódio. Um predador prestes a destroçar sua presa, pelo simples prazer do poder ou apenas pelo inebriante cheiro da morte.
Acho que vou começar a andar de bicicleta.

***

Vampiros. Adoro vampiros, suas histórias, seus filmes (por pior que sejam), sua lenda, sua sensualidade. Como eles, adoraria viver pelas noites seduzindo donzelas e sugando-lhes o sangue até deixar apenas uma carcaça seca. Saciar meu prazer, apenas com o líquido grosso e quente. Dá para ser um vampiro de verdade, mas o preço a ser pago é bem grande. É necessário abrir mão de inúmeras coisas, e a primeira delas é da companhia de outros seres vivos, agora nada mais que meu jantar.
É melhor parar de sonhar, pois o preço da solidão absoluta não me disponho pagar.

***

Líquido grosso e quente é o que sinto na garganta a cada golfada que dou. Meu refluxo não está mais brincando e eu não estou gostando nada de ter que levar isso a sério. Dietas, ei-me aqui. Adeus a tudo o que um dia me liberou serotonina suficiente. Passo adiante a chance de ser feliz.

***
Manhãs inúteis, rulaz.

terça-feira, março 08, 2005

Uma manhã em calmaria é o bastante para não ter o que fazer em frente ao editor de texto aberto na tela. Umas horas sem ter que pensar são o suficiente para me fazer pensar, por conta própria, para meu bel prazer, recebendo por isso. O ócio é ótimo.
No entanto, não consigo nunca terminar um roteiro, que criei para ser feito nos momentos de ócio. Já para o trabalho, paro uma tarde inteira, queimo a mufa e eureca, um roteiro está feito.
Já pensei em tomar um medida extrema e me matricular em uma escola de roteiro, onde precise entregar um por dia, durante um ano e meio, para perder de vez a mania de não terminar as coisas.
Só para terminar este texto aqui, feliz dia da mulher.

***
Já rolou, por aqui, que só minoria tem dia de comemoração. É índio, negro, homossexual, mulher, árvore, santo… Essas coisas. Portanto, NÃO aceitem o parabéns de qualquer um.
O meu, fiquem tranquilas, vocês podem aceitar.
como disse antes, sou um engenheiro das palavras.
Nunca tenho comentários suficientes quando faço esse tipo de pergunta, o que sempre deixa a escolha por minha parte. No final, ela acaba sempre sendo minha, não importa o quanto as pessoas escrevam. Mas vamos, lá:
É melhor escrever um pouco todo dia ou me destruir de escrever quando tiver vontade e publicar trinta textos em um só dia e esquecer o resto do mês?

Vocês me lêem? Vocês me entendem?
O que vocês querem?
Com o tempo fui deixando de frequentar algus lugares. Alguns bares. Algumas pessoas.
Sinto falta de todos, é claro, mas sei que um dia estiveram em minha vida e a lembrança, às vezes, me basta.
Disse isso pois, ultimamente, tenho ido a bares mais bem frequentados, mais caros e mais chiques. Disse isso pois pensei na porção de polenta frita do Botequim Atual, na Praia do Canto, e tive vontade de ir até lá, tomar uma Baaden Baaden de onze reais e comer uma dessas porções bem servidas e suculentas. Não sou um frequentador do lugar, entretanto. Fui lá apenas algumas vezes, menos de uma dezena com certeza. Mas hoje em dia, prefiro suas cadeiras acolchoadas, seu serviço perfeito, sua cerveja cara e gelada ou seu chopp lindo na caldereta transparente e suada a ter que me sujeitar a sentar a céu aberto, numa cadeira de madeira e ser atendido por pessoas com cara de cu, lá na Rua da Lama.

Abro exceção à presença dos amigos, pois saída que se preze precisa ter a presença de um bom papo, de uma boa gargalhada, de um abraço ou aperto de mão de despedida. Chego ao cúmulo de escrever aqui que, se o amigo não estiver presente, o chopp fica aguado, a cerveja desce quadrada e o petisco esfria rápido demais. Nesses dias prefiro ficar em casa. Lá, pelo menos, ainda posso contar com meu amendoim.

segunda-feira, março 07, 2005

"Eu sou o homem mais chato do mundo.
Mas a culpa não é minha. Ela raramente é. O que acontece é que o mundo em que vivo teima em se virar contra mim, às vezes até nas mínimas coisas. Vocês já viram alguém comprar uma caixa de fósforos com alguns palitos a menos? Ou alguém ser enganado no peso de seu prato em um restaurante a quilo? Pois é, essas coisas já aconteceram comigo. E “essas coisas” trouxeram, além de uma bela dose de reclamação imediata, um recalque que não temo em assumir. Sou azarado, sim. Sou perseguido, sim. Sou pessimista, sim. E assim fiquei meio amargo.

Entenderei se, a partir daqui, você parar de ler este texto. Ninguém se interessa pela desgraça dos outros, muito menos de alguém que já começa um jogo esperando perder. E além do mais, não tenho mesmo o menor jeito para escrever. Não vai ser surpresa se este texto nunca for publicado. E pensando bem, não sou o homem mais chato do mundo. Talvez seja do meu prédio ou do metro quadrado em que estou agora. Ser o maior do mundo em alguma coisa significa ser extremamente bom naquilo que você faz. Não compactuo com esse otimismo exarcebado. E acima de tudo, sou realista.

Quem sabe a gente não tem a oportunidade de se encontrar de novo aqui e, quem sabe, você se identifique com algumas das minhas opiniões. Mas o mais provável é que você vá caminhar pela manhã e se esqueça de me ler. Tudo bem, prometo tentar entender.

Até."

Por Deyvid Hornby

sexta-feira, março 04, 2005

Saí ontem. Bebi os copos gigantes. Não passei mal, difícil passar mal. Ressaca, se muito uma pontada na cabeça vez ou outra, espalhadas por três horas da minha manhã. Um vazio imenso toma parte da carcaça. Uma grande interrogação será carregada por todo o dia, até mais uma festa e mais uma chance de beber. Admito, isso não está cheirando bem, e o cheiro que exala é etílico até a alma e entorpece de verdade todos os sentidos. Principalmente quando você os quer alerta.

Um alerta, isso poderia ser seu significado. Uma verdade, difícil de se lidar. Mas inegável. A bebida o está levando embora. A cabeca já não é mais a mesma, o corpo já não é mais o mesmo, a vida está diferente.

Assim como chegou, pedindo a primeira dose, se levantou e foi embora, deixando jogado na mesa alguns trocados amassados. O bastante para pagar sua parte na conta.

terça-feira, março 01, 2005

A vida
Ou como nascem os serial killers.

Foda-se Deus, mas hoje eu pensei em matar alguém. De preferiencia muitas pessoas e ao mesmo tempo!!!
E com requintes de crueldade. TODOS merecem sofrer um pouco do que sofri hoje em que, apesar de não ter me machucado (ainda), tudo andou para trás.

De manhã, estava tudo tranquilo. Mas logo ao sair de casa, a SOLA do meu tênis SOLTOU!!!
Fiquei com a sola presa pela metade. Isso e a calça que tá longa demais e fica entrando debaixo do meu pé. SACO!!!
Na hora do almoço, resolvi fazer as coisas que tinha logo antes de comer. Fui para Vitória, já que teria que ir ao DETRAN. Mas o carro começou acelerar demais, fazendo MUITO barulho e morrendo quando parava. PORRA, se acelerei ele para justamente não morrer, porque que o danado resolve morrer de vez!? Agora gasto mais gasolina e não adianta de nada.
Pelo menos chegaria logo em casa. Que puxa, na terceira ponte tava tendo aferição dos radares e só uma pista estava funcionando. Eu com o carro gritando a cada parada fiquei num engarrafamento na PONTE!!
PORRA!!!
Finalmente cheguei a Vitória, com o carro aceleradíssimo. Cocaína pouca é bobagem pelo jeito frenético que eles estava. O bicho parece um cavalo louco, eu freio e ele quer correr. Já quase bati umas três vezes.
Desesperado, parei perto da casa do meu pai, com o tênis já pela metade. Queria o carro dele emprestado para ir ao detran, mas ele não estava em casa. Aproveitei e comi logo (belo almoço). Fui para o Detran e putaqueopariu, o detran não funciona mais lá na Reta da Penha. Começa a chover e eu, com uma sandália emprestada do meu pai começo a me molhar e a molhar o meu pé. Detalhe para o look ridiculo, camisa azul molhada de chuva, calça jeans e PAPETE!!! Putaqueospariu!!!!
Mandei um torpedo para a Lu, mas perdi o filodaputa porque o cel dela não está fucionando. Fui pro outro detran, mas lá o atendimento é dos piores possíveis e depois de 40 minutos a toa, resolvi voltar para o trabalho, afinal, eram 14:40. Ao chegar no carro, a fechadura da porta resolveu não abrir. É isso mesmo. Tinha um jeitinho que eu fazia para abrir tranquilamente, mas foi tudo pro saco e fiquei uns cinco minutos tomando chuva na cabeça até resolver entrar pela porta do carona. Minha perna prendeu embaixo do painel e levei um arranhão fudido.
Bom, nem precisa dizer que peguei um trânsito fudido em Vila Velha e demorei mais 15 minutos para chegar, com o carro ainda fudido.
Mas o que é um peido pra quem tá cagado?

Resolvi destruir o carro dando socos e pontapés, mas minha mãe não entenderia. Respirei fundo e resolvi jogar todo o meu ódio nesse texto simples e sincero.
UFA!!!

Espero que o resto do dia seja um pouco melhor…
FUI NO ANTHRAX

Ok, ok, ok.
O show. Bom, foi aquela coisa, reencontro com amigos do colégio (antigos metaleiros), com os brothers de Colatina, com os brothers de Vitória e o não reencontro com o pessoal que faz a cena “rock/alternativa” atual. Uma pena, uma pena. Mas melhor para mim, porque pude me jogar com força na grade e ver de perto, de MUITO perto, o Scott Ian matar baratas e gritar até perder o voz quase todas as músicas. NFL e Got the Time marcaram um início arrasador, como poucas bandas de hoje poderiam ter. Depois, não me lembro direito da ordem das músicas, mas Indians e Antisocial foram pontos altos, com a WARDANCE da Indians transformando os poucos desavisados do Álvares em demônios conjurados pelas levadas carregadas de peso e cadência de Ian. Na verdade, ver um dos maiores ídolos da minha adolescência de perto foi foda, poder tocar junto com ele cada riff, ainda que só no air, foi felomenal. Inesquecível.
O resto da banda segura bem o rojão e até o John Bush, que gosto muito, apesar dele não ter feito parte da época de ouro do Anthrax, mostrou que o Beladona é passado mesmo.
As músicas mais novas (menos de 15 anos) como Only e Room for One More e até Safe Home, se encaixaram bem num setlist equilibrado, clássico e curto. Apesar da 1:20h de show, eu poderia ouvir ainda mais umas quatro ou cinco músicas.

Depois de certa hora, resolvi deixar de lado a paixão irracional por cinco peludos e ir ver tudo afastado. Sim, porque se da grade tive uma impressão, das arquibancadas ela foi bem diferente e, digamos, broxante. A irracionalidade ficava no máximo em 20 figuras lá na frente. O resto do ginásio parado, vendo o show. Quando Bush puxava um coro, o som das pessoas gritando não conseguia chegar nem na metade da quadra, apesar de lá da frente parecer que um milhão de fãs estavam se esgoelando. Talvez essa seja a palavra adequada, esgoelar. 20 ou 40 pessoas se esgoelando como se fosse o dia do juízo final e um monstro de concreto indiferente, sem ajudar em nada.
Mas quer saber, para essas 40 pessoas, cada gota de suor e cada falha na voz no dia seguinte valeram por anos de espera. Muitos anos para alguns. Alguns, não, para a maioria. Muitos anos para todos que estavam lá, já que a juventude prefere ignorar as bandas mais antigas. (provei do meu próprio veneno).

Na próxima, vejo vocês em São Paulo ou no Rio.
A saudade é um sentimento triste, mas muito legal. Triste porque ao mesmo tempo que você se lembra, você sente falta. Queria poder voltar a viver aquilo tudo, já sabendo o que o futuro reserva. Mas isso não é possível. No entanto, é essa incerteza que faz tudo ser tão especial, tudo tão excepcionalmente único. Cada dia é uma nova aventura, mesmo aqueles onde você só sai de casa para o trabalho para a casa. E até nesses dias você guarda uma lembrança, uma conversa ou uma paisagem na memória. Só para depois sentir saudades.

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Não tenho tido tanto contato com bandas novas quanto gostaria, mas é até bom este tempo longe dos downloads alucinados de música porque dá para ouvir com mais carinho o que juntei durante tanto tempo. Bom, mas não é fácil ficar tanto tempo sem novidades e na seca por ouvir uma coisa nova, peguei qualquer coisa que vi na internet, em sites mesmo. Uma música por banda, todas independentes. Homeopatia para os melômanos, mas melhor do que nada. E acabei me deparando com uma banda que acho que os leitores deste espaço podem gostar. O nome dela é Black Mountain e seu disco de estréia, homônimo, foi lançado em janeiro. A sonoridade dos instrumentos é bem lo-fi, lembrando os anos 70, meio Stones, meio Sabbath. Toques lisérgicos aqui e ali, melodias marcantes em outras partes. Enfim, interessante. Corri para as outras músicas e percebi que estava diante de um disco muito bom, uma surpresa agradável de uma banda desconhecida, por enquanto. Pode ser uma boa pedida se você, como eu, ainda espera pelos grandes lançamentos de um ano que promete. Vem por aí discos novos de bandas como Oasis, Coldplay e Los Hermanos, para citar uns poucos. Esperemos, portanto, com algo de qualidade nos ouvidos.


Black Mountain - do mesmo carinha por trás do Pink Mountaintop
Qual será a tara que ele tem por montanhas?!


***
Ouvindo com calma o último do Helmet, não consigo parar de pensar em como está parecido com um trabalho do Silverchair… Pode ser a voz do Hamilton, sei lá, mas tá me lembrando demais a banda dos rivais do Hanson.
hehehe

terça-feira, fevereiro 22, 2005

terça-feira.
terça feia.

***

bom, não tenho o que escrever. só queria dar uma passada por aqui, pois estou melancólico, triste mesmo. Mas tudo bem. Domingo tem um showzãozáço. Anthrax na cidade onde moro. Inacreditável.

***

hum...
é, vazio, vazio.

nada para colocar aqui.

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Um pedido:
iluminai meus dias e minha vida, protegei a todos que amo e mesmo aos que não amo ou não conheço. Todos merecem sua dádiva, todos o querem bem. Perdoai tudo o que fiz e farei de errado e não esqueçei que amo acima de tudo e de todos, apesar de não parecer ou ainda não demonstrar.
amém

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

E por falar em ânimo para escrever, do qual nem falei, ele parece estar de volta. Tinha muitos textos prontos para colocar aqui. Infelizmente eles não sobreviveram ao apagão de memória de uma tela com teclado da Apple.

Foram-se, sabe Deus para onde, talvez para o céu dos textos nunca lidos. São os contos perdidos do Luis. Uma raridade que nunca será publicada, como a maioria das baboseiras escritas de cabeça quente.

Foram, pelo menos, fontes de prazer enquanto os escrevia. Ler algo que gosto é bom. Ler algo que escrevi e que gosto é excelente. Não sou tamanho crítico, pelo contrário. Costumo dizer que escrevo meus textos para mim. Ao lê-los, parecem que não foram escritos por minhas mãos (dois dedos indicadores, na verdade). Filhos de um pai que não os reconhece, apenas sente uma vaga familiaridade. Uma letra específica, um pensamento, uma construção…

Em algum ponto da caminhada, as fugas acabam voltando e estapeando sua cara. Não quis ser engenheiro, apesar da facilidade em lidar com os cálculos (ciências exatas não têm erro nem a dádiva da dúvida). Mas construo textos. Uso a base da gramática, ligando com o cimento de verbos e vírgulas. O acabamento, deixa com os adjetivos. Contrua um mundo novo numa folha de papel.

É possível. Mas não é real.

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

A brincadeira perdeu a graça, ficou mais e mais séria e deixou para trás risadas e pegadas na terra fofa molhada pela chuva de um dia anterior.

O sorriso se foi. Após tres anos tudo se torna rotina. Até o acento que falta, o açúcar no café, o dinheiro do ônibus.

O acento não faz mais falta, o açúcar no café adoça de menos, o dinheiro do ônibus me foi levado pela felicidade momentanea de um copo de bebida.

***

E a brincadeira que parece ter perdido a graça com o passar de três anos? Três anos?
Dragões, jacas e bacalhaus ficaram para trás.
365 o tempo mais frio, o mês longe do blog, um par de músicas melancólicas e pronto. Lá vou eu para meu estado preferido de consciência. Uma estado fértil como o solo roxo do sul do país, pronto para fazer brotar palavras e pensamentos e raciocínios ilógicos, mais motivados por emoções e pelo sentimento de derrota iminente (gracas ao Botafogo).

Não sei. Nunca soube. Aprendo com o tempo, com o passar do tempo.
Os dias trazem quase sempre nada novo. Os dias se arrastam quase sempre levando minha forca vital por entre seus ponteiros frenéticos que, quando olho de supetão, posso jurar que estão andando para trás, roubando um segundo a mais, um instante que pode não ser devolvido, que pode não voltar. Meu tempo se esvai como o passar de um dia em frente a um computador, coisa que faço todo dia. Meu tempo é desperdício.

O que resta são coisas nas estantes de um quarto empoeirado, sensações, cheiros, dores no peito, apertos na garganta, viagens no tempo para frente e para trás, marcando cada segundo do passado com uma melodia.

O que resta são restos. Eles ficarão por aí, esperando o resgate que provavelmente nunca virá. O herói foi embora faz algum tempo e parece que ninguém percebeu. A conta, preciso agora. A conta, rapaz, que meu tempo se esgotou.
Hoje topo ouvir o que você disser. Hoje escuto sua voz a qualquer momento.

***
perdi. perdi meu computador da agencia, perdi meu arquivo 365, perdi uns 12 textos já prontos que esperavam por um texto de um sabado perdido. Precisavam ser colocados em ordem.

Agora não mais. Não há mais porque lutar. Nunca houve...

***

sexta eu viro feliz por algumas horas. Visto a carapuça, o disfarce e vou para o Clube Centenário. Me encontram lá, dias diferentes, músicas nem tanto. Fale comigo.
Prometo um sorriso.

sexta-feira, janeiro 14, 2005

359

A primeira sexta do ano não traz nenhum sentimento especial. Nem algo imperdível para fazer. Morar em uma cidade média tem dessas coisas. Tudo aqui é médio. A beleza da cidade é média. A das garotas, também passa com nota 5. Os trabalhos são médios, o salário, na média.
O custo de vida, advinhem? Nem muito alto, nem muito baixo. Médio.
Me consideram da classe média.

Que depressão. Pagar dois reais numa dose de cachaça e quatro num prato de torresmo é caro. Mas no café da manhã a gente pede uma média com pão na chapa, e ficam elas por elas. Pão na chapa é bom. Melhor se for o famoso mortadela com ovo. Depois de uma noite inteira de chapação, muito álcool e suor, um desjejum destes pode provocar o entupimento imediato de alguma artéria menos importante.

Onde foram parar os pedaços de mamão e o suco de laranja?

Um shopping médio e dois pequenos que, juntos, dão um médio. Uma ilha de mediunidade que recebe os espíritos do crescimento e do progresso vindos dos jorros negros do petróleo em nossas águas. Jorros estes que saem ou mais pro Norte ou mais pro Sul. Numa distância média da capital.

As rotas de fuga foram traçadas a centenas de anos, mas algo prende uma moçada aqui. Pessoas que ainda acreditam que boa vontade possa fazer a diferença. Mas todas elas estão na média, nenhuma está acima dela.

Sem escolhas, ficam por aqui mesmo. Não que isso seja ruim. Ou bom.
Vocês sabem, fica na média.
oi.
agora escrevo segunda e sexta. tinha dias que escrevia milhares de toques, tinha a dica de segunda, tinha a dica de quinta, tinham as seções especiais...
o blog mundanou.

Já era.
A vida tá corrida, cheia de coisas pra fazer, o que não é ruim.
Mas tenho tão pouco tempo pro meu ócio criativo que tô ficando dodói.
queria ficar de bobeira ouvindo música o dia inteiro. vendo Senhor dos anéis e lendo algum livro bom de ler.
Fiz isso nas minhas curtas férias. valeu a pena. mas dá um gostão de quero MUITO mais.

segunda-feira, janeiro 10, 2005

o 365 não acabou.
Não vai acabar antes de seu tempo.
Como todos nós.


iepa!!!!
voltei.

***

fui

***


calma, calma, calma.

A perna estranha me arrasta pelo mundo. Dor, aperto, varizes?

o ouvido entupido, fones cantando, sempre.
nariz pela metade, sempre. carne?

money money.