Faz dez anos.
Eu estava lá. No auge, com força nas pernas e muita vontade de gritar uhul para qualquer coisa que aparecesse na minha frente. Algumas delas realmente mereceram o cumprimento gutural. Outras, não. Mas há 10 anos atrás eu acabava passando por cima de convenções. Era um mundo mais estranho, menos preocupado com a natureza, com sacolas plásticas. Era um mundo diferente. E nele, o Sr. Medina quis fazer um mundo melhor. Ainda tenho os relatos escritos naquele tempo em algum arquivo perdido na web. E um e-mail do Caio, em sua sabedoria superior, me respondendo que aquilo ali ele já tinha visto e que, se não fosse um show do Hendrix, ele não encararia.
Hoje tenho a idade que ele tinha no RiR de 2001. E, como ele, tinha decidido não ir, não participar dessa louvação da bosta alheia. Mas acabei indo. Uma dívida histórica com o Metallica e a oportunidade de assistir (hum... verbinho difícil de ser conjugado em mega festivais) ao System Of a Down, depois de seu hiato de 4 anos. Como a volta do Bruce Dickinson ao Iron Maiden em 2001. Oportunidades históricas, que não foram feitas para serem perdidas. Sei que, no fim, acabam virando uma massaroca de memórias confusas em nossa cabeça, isso quando não se perdem em meio ao Alzheimer. Mas pelo momento, ah essa coisinha pequena e inestimável, vale.
Então deixa de lero-lero e vamos ao que interessa. Os relatos do RiR de 2011, menos rock do que nunca, mais evento social e VIP do que qualquer outro. Abro aqui um espaço para copiar as palavras do nosso querido capo, o Sr. Medina:
Um Rock in Rio para 15 mil pessoas a menos por dia, com o respaldo dos mesmos patrocinadores e um palco a mais, voltado a shows de street dance, foi anunciado ontem para 2013 por Roberto Medina, organizador do festival. Dez mil pessoas já compraram cartões que darão direito a ingressos, mesmo sem qualquer ideia de quem vai tocar - o que denota que o público concorda com Medina: "A música não é o mais importante, a banda X ou Y". "Ela faz parte do conjunto", esclareceu.”
Ou seja, as bandas poderiam ser trocadas por robôs (e não estou falando do Kraftwerk) e os instrumentos por mp3 players.
Eu, das antigas, ainda gosto de ver as bandas tocando. E por isso, resolvi acordar cedo no domingo, dia 25/09, para assistir ao show do Matanza, abrindo o palco Sunset, junto com o B Negão. Mas, como nada que a gente combina dá certo, não acordei tão cedo. Culpa do Márcio, da Aline e do Rodrigo, três grandes amigos que vieram prestigiar a nova cova da onça, em plena Tijuca.
Como eles chegaram por volta de 1 da tarde de sábado, e eu estava ansioso para mostrar a cidade inteira pra eles, acabamos rodando e rodando e rodando. Almoçamos uns quilos de carne em um restaurante no Humaitá, depois passeamos pela Cobal, voltinha na Lagoa, chuva e paramos no Enchendo Lingüiça, um bar no Grajaú, especializado em... lingüiça. Com fabricação própria, as maravilhas vêm recheadas de coração de galinha, pernil, calabresa apimentada, e até, acreditem, FEIJOADA. Cervejas e cervejas depois, voltamos para casa, onde continuamos a beber e ver DVDs.
Fui dormir às 4 da manhã, nada mal para quem encararia um dia inteiro de RiR. Mas Deus foi piedoso e o dia estava nublado, sem o solão de 40 graus da outra edição. Saímos de casa uma e pouco da tarde, entramos na “cidade do rock” as 4. O local, mais parece uma pracinha de cidade cenográfica, com suas graminhas verdes, de plástico que não morrem. Nada mal para quem viu o que aconteceu nos últimos espetáculos perdidos neste canto da cidade, meio barra, meio Jacarepaguá, meio nada.
Chegamos tarde para o Matanza, mas a tempo de ver um desfile de idosos, no Punk Metal All Stars, de dar dó. Clássicos e hits de grandes bandas, tocadas por pelo menos um integrante menos famoso de cada uma delas.
Era cedo, o Metallica começaria a tocar depois de meia-noite. Preferimos não encarar a turba e ficamos dando um mole ali na Rock Street. Um amontoado de casinhas estilo Projac, só com a frente falsa e um buraco onde colocaram todo e qualquer tipo de loja. Tinha Correios, Tam Viagens, Taco, Coca-Cola Clothing, Paco Rabbane... E, claro, milhares de pessoas em milhares de filas para comer, beber, comprar qualquer coisa. A revolução não será mais televisionada, ela será televisionada em pay-per-view e vendida depois em DvDs piratas na Uruguaiana. Tudo no RiR cheirava a marcas. Acho até que entendo o que o Medina quis dizer sobre a música. O que importa são os milhões aportando em sua, já bacana, conta corrente. Um espetinho MIMI, com um pires de batata frita por apenas 15 reais... Ah, claro, e entrar com comida ainda era proibido nessa primeira semana. A garrafa de Absolut Mandarin que um segurança não deixou passar na revista até entendo, mas meio pacote de biscoito?
Ah, claro, também tinham alguns shows. Que não vi. No máximo pude ouvir a narjara tureta gritando com o cara do Angra que depois disse não conseguir mais alcançar as notas mais agudas. Começa o primeiro show do Palco Mundo: Glória. Hora de ir para o outro palco, longe de qualquer caixa de som que amplifique esse martírio. Pena que no Sunset que tocava era o Sepultura. Com um som horrível, variando uma barbaridade, os seps seguraram um público imenso, que não conseguia se mexer. Foi ótimo e péssimo ao mesmo tempo. Fim de show, tempo para comer e beber mais.
Do Coheed and Cambria, só lembro do cabelo de samambaia. Acho que nessa hora fui no banheiro/pegar cerveja e buscar um lugar para ver o Motorhead que, se não alcançou grande destaque, também não decepcionou. Mas o show tava meio “pequeno” para um evento daqueles. É preciso mais presença de palco, Lemmy. Corre, pula, se joga na platéia, que hoje em dia, só música não segura. Pelo visto, quem aprendeu direitinho essa lição foi o Slipknot. Medo, uma pessoa me falou depois, tenho medo deles. E, sim, é para ter medo. O circo do inferno, com palhaço, monstro, nariz fálico e o escambau. Sempre achei o Slipknot uma banda com visual nota 10 e som, bom, nota 3. Em determinados momentos é só chato mesmo. Mas ali, para 100 mil pessoas, o espetáculo circense/teatral/musical funcionou às mil maravilhas. Colocar 100 mil pessoas agachadas, esperando a ordem para pular, não é para qualquer um. No palco, a emoção estava clara e transparente. Dava para ver os sorrisos por trás das máscaras. E, assim, o Slipknot detonou e colocou um monte de gente para correr atrás do som deles. O resto, vocês viram. Bateria de cabeça pra baixo, fogo, stage dive, só faltou o sangue, mas esse eles deixaram para a Ke$ha.
Com o trabalho de abertura bem feito pelos knots, o Metallica só teve que pegar a turma pelos cabelos e chacoalhá-los, enfileirando clássico atrás de clássico, com um pequeno coro de 100 mil vozes. Ou Whiplash é um clássico ou só é boa pra caralho, tanto que todo mundo conhece, gosta e canta junto.
E aqui fica a questão: Metallica ou Slipknot?
Slipknot atropelou, mas estavam todos ali para ver o Metallica. É como você ir a um grande restaurante conhecer seu prato clássico, comer uma entrada divina e confirmar que o prato é realmente clássico. Você foi afinal de contas, atrás do prato e não da entrada. Mas se curtiu os dois, melhor ainda.
Show por show, falando em aparato, bussiness, teatro, o do Slipknot foi melhor. Mas por isso, serem, afinal de contas, o Metallica, o prêmio de melhor show da noite fica com eles.
Espaço para abrir meu coração e falar que demorei demais para ver um show do Metallica. Cantei praticamente todas as músicas e percebi, no fim, que acompanho eles desde o início da carreira, passando por todas as fases, menos as de covers.
Ou seja, sou um fã.
Volta pra casa na madrugada, mortos de cansaço, com direito a caminho errado que dobrou (no mínimo) a caminhada que teríamos que fazer até o ônibus. Fora isso, volta tranqüila que terminou com um pão com mortadela e ovo, as sete da manha na padaria aqui do lado de casa.
***
Dia 02/10.
Não pensava em ir ao RiR. Ia ficar em casa, curtir um ou outro show ao vivo pela Globo mesmo (não tenho NeT em casa). Mas, uma manhã dessas, recebo o e-mail do Itaucard. Sou cliente deles e tenho preferência para comprar até dois ingressos por CPF. Opa, pensei. Acho que vou ver o Metallica.
Sem pensar duas vezes, comprei o ingresso e para não ficar mal na fita, comprei um pra Ju tb. Ela iria no dia do Coldplay, que já vi e não curti ano passado. Vejam bem, nessas horas, a adrenalina é total. Você não pode pestanejar ou perde o timing e os ingressos evaporam. Comprei na loucura, sem grana pra pagar, sem saber como iria até lá, essas coisas todas.
E, sorte das sortes, me lembrei de um cartão nunca desbloqueado que o banco tinha me enviado fazia uns seis meses, mais ou menos. Na hora liguei para lá desbloqueando o danado e ganhando, tãnam, a oportunidade de comprar mais um ingresso. Não pensei duas vezes, maldita adrenalina, e comprei um para o dia 02. Mais especificamente para o System of a Down.
Tudo jogava contra o dia. Era, afinal de contas, mais um show do Guns no RiR. O terceiro, seu Medina. Já tinha visto a papagaiada em 2001, depois do Oasis. Show, aliás, que não me segurou muito tempo, já que tinha que pegar um avião as 6 da matina para estar no trabalho as 8. Quase perdi o vôo, mas cheguei a tempo de ir virado e todo sujo de poeira, para a Criativa. Tirei as duas horas do almoço pra apagar e tentar recuperar alguns neurônios. Bom, voltando para 2011...
Saí tranqüilo de casa, às 18. Fui ouvindo o jogo do botafogo (uma merda de derrota ridícula pro Atlético de Goiânia), num ônibus que me levaria até a Alvorada, mas que deu uma voooolta que só pedindo arrego. Fico feliz de ter “errado” o ônibus sozinho e sem pressa. Mas ainda assim, cheguei na cidade do Rock a tempo de ver a pity(sic) matando uma canção do Nirvana. Deu até pena, com trocadilho. Mas na platéia, mocinhas, molecotas de preto e olhos pintados, mauriçolas parrudos e sem camisa e suas sempre juntas loiras de farmácia faziam o chifrinho e urravam, numa demonstração que deve ter feito a avó do Dio ter dado um esporro nele, lá no céu. Só por ter ensinado isso.
Saiu Pitty, vejamos o que vem a seguir... Evanescence. Não, amigos, não dá. Fui caminhar, catar um bob’s de 15 reais para comer, e beber umas cervas pra entrar no clima da noite. No caminho, percebi que tinham uns caras começando a tocar no sunset. Eram os titãs com os xutos e pontapés. Assisti ao show deles inteiro. Até durante o momento Toca Raul em que eles realmente tocaram. Sou das antigas, considero o Cabeça Dinossauro o meu primeiro disco de rock, presente do meu pai que não aceitou minha escolha por outra banda (acho que era a Blitz). Ele me disse: “ou leva esse ou não leva nada.” Levei. E desde então curto titãs. Uma curtição que foi perdendo força à medida que a banda ia perdendo seus integrantes. E desconsiderei a possibilidade de vê-los ao vivo, depois de tantos passos mal dados na carreira. Afinal, tive muitas chances, desperdiçadas, de vê-los no auge.
Melhor assim, que sem muita cobrança pude ouvir, pela primeira vez, AAUU, ao vivo. Foi emocionante.
Findado o show, caminho para conseguir um lugar mais perto do palco, mas ainda assim, looonge pacas. Perguntei para os jovens ao meu lado se eles eram fãs da banda ou se estavam ali para ver o Guns. Todos disseram que estavam lá só pelo System. Ótimo. Achei minha turma.
Silêncio. Bandeirona System of a Down no palco, veio a informação via facebook de alguém mais conectado que eu: são 29 músicas. Cacete, pensei...
E tomei a cacetada na cabeça, de peito aberto.
Som pesado, melódico, esquizofrênico, bonito, burro, bruto, gritado, urrado, sussurado...
Vocês também viram. Qualquer um pode ver, afinal, está tudo lá no youtube. Os engraçadinhos de casa tuitaram um monte de besteira. Mas nós, que lá estávamos, experimentamos um pouco do apocalipse. Esses caras não se vestem de palhaços, mas tem um circo dos infernos para apresentar para a gente. Em notas e letras. Apesar disso, um show com 29 músicas foi longo. Sempre pensei que isso era o mais próximo de perfeição que um concerto pode chegar, um mar de músicas enfileiradas, uma atrás da outras. Mas, admito, cansa. Lá pelas tantas, comecei a pensar que seria melhor ver um com 18 músicas, redondíssimo, cheio de hits, que maximizasse a energia de todos ali, que em determinada hora começou a se dispersar.
Diminui a nota da banda? Nunca. Mas coloca você para pensar se não é melhor ficar com o gostinho de quero mais, do que sair com a barriga cheia de comida, to estufado que tudo o que você consegue fazer é se jogar numa cama e apagar.
Estufado como estava com o show do SOAD, só tive uma alternativa: tomar o rumo de casa. Mas, em último dia de RiR, por experiência própria, nada é fácil. A galera alegre se transforma em animal. Todos querem ir para o mesmo lugar ao mesmo tempo e pelo mesmo caminho. Nada anda, empurra-empurra, fãs de guns, acostumados com o certeiro desdenho de seu ídolo, sentavam no chão aguardando a longa espera que, com certeza, viria. Preferi esperar sem me mover e uns 15 minutos depois, tudo estava mais calmo e vazio. A garoa já tinha aparecido e resolvi então me por a caminho. Na metade da caminhada de 1,5km até o terminal de ônibus, cai o toró. Água pra acabar de vez com qualquer força de vontade. Cheguei, uma hora e meia depois, em casa. Só encharcado, sem essa licença poética de alma lavada. Tomei um banho e liguei a TV. A água caia forte no RiR e o Axl perdia o fôlego a cada verso. Bem feito, fã de Guns merece sofrer.
Foi bom ver que ainda agüento perrengue, já que o SWU ta aí do lado, me acenando com MUITO perrengue. Fiquei feliz de ter visto os shows que queria ter visto, apesar de ser, vocês sabem, o festival mais vergonha alheia que existe. No final, até fiquei com vontade de tentar mais uma vez em 2013. Ainda mais agora que acabei de ver que o Medina disse que a prioridade dele é trazer The Boss, Bruce Springsteen.
E aí, alguém topa encarar uma outra viagem até a cidade do rock?
Música, cinema, literatura pobre, propaganda e um pouquinho de vida. Melancolia também, por que não?
terça-feira, outubro 04, 2011
segunda-feira, setembro 19, 2011
***ATUALIZADA***
Cheguei à conclusão que preciso fazer uma agenda de shows, com o risco de ter que ir a dois em um mesmo dia. (não disse que precisava fazer a lista? esqueci o Bad Religion)
02/09 - Metronomy (não comprado) nada feito.
11/09 - Judas Priest (última turnê - não comprado)
16/09 - The Pains of Being Pure at Heart + Ariel Pink's Haunted Graffiti (não comprado)
Cheguei a conclusão que não vou aos shows os quais não compro o ingresso com antecedência.
Um pouco que seja. A casa está sempre convidativa, alegre e feliz por me receber depois de uma semana de trabalho.
Será que perdi alguma coisa imperdível? Morrerei? Não mesmo.
Até morando perto de tudo e de todos é possível ser só.
23/09 - Primal Scream (comprado)
25/09 - RIR III (comprado)
02/10 - RIR III (comprado)
07/10 - Warpaint (não comprado)
15/10 - Bad Religion (comprado)
22/10 - Cut Copy (não comprado)
28/10 - The Kills (não comprado)
06/11 - Pearl Jam (comprado)
07/11 - Queremos festival (comprado)
08/11 - Queremos festival (comprado)
14/11 - SWU (não comprado)
Cheguei à conclusão que preciso fazer uma agenda de shows, com o risco de ter que ir a dois em um mesmo dia. (não disse que precisava fazer a lista? esqueci o Bad Religion)
16/09 - The Pains of Being Pure at Heart + Ariel Pink's Haunted Graffiti (não comprado)
Cheguei a conclusão que não vou aos shows os quais não compro o ingresso com antecedência.
Um pouco que seja. A casa está sempre convidativa, alegre e feliz por me receber depois de uma semana de trabalho.
Será que perdi alguma coisa imperdível? Morrerei? Não mesmo.
Até morando perto de tudo e de todos é possível ser só.
23/09 - Primal Scream (comprado)
25/09 - RIR III (comprado)
02/10 - RIR III (comprado)
07/10 - Warpaint (não comprado)
15/10 - Bad Religion (comprado)
22/10 - Cut Copy (não comprado)
28/10 - The Kills (não comprado)
06/11 - Pearl Jam (comprado)
07/11 - Queremos festival (comprado)
08/11 - Queremos festival (comprado)
14/11 - SWU (não comprado)
ora, ora, ora.
quem diria que um dia
nada não. Ah, não.
Gosto de brincar com as palavras, vê-las formando sonoridades mais do que sentidos.
Diferentes, deferentes.
Brincar com o que o significado pode e não pode querer dizer.
Rabiscar uma tela em branco, criando vórtices de nada,
de letras embaralhadas.
vez ou outra aparecem sinais aqui.
Aqui mesmo nesse local.
Sinais que me mostram que é melhor ficar longe
do que penso ser poesia.
É só brincadeira.
Mas que às vezes insiste em ser levada à sério.
fazer o que?
ora, ora, ora.
Escrever.
quem diria que um dia
nada não. Ah, não.
Gosto de brincar com as palavras, vê-las formando sonoridades mais do que sentidos.
Diferentes, deferentes.
Brincar com o que o significado pode e não pode querer dizer.
Rabiscar uma tela em branco, criando vórtices de nada,
de letras embaralhadas.
vez ou outra aparecem sinais aqui.
Aqui mesmo nesse local.
Sinais que me mostram que é melhor ficar longe
do que penso ser poesia.
É só brincadeira.
Mas que às vezes insiste em ser levada à sério.
fazer o que?
ora, ora, ora.
Escrever.
segunda-feira, setembro 12, 2011
Valores.
É disso que falam as câmeras que enquadram pessoas como bichos em realitys shows de todo o tipo.
Dissecando cirurgias plásticas, fazendeiros ou marombados.
Pessoas que precisam aprender a conviver forçadamente com diferenças e diferentes. Um casamento onde o divórcio não é uma opção.
E, a partir daí, as personas vão se definindo. Os arquétipos, ô coisa mais batida, são vestidos à vontade.
Cada um já não é mais si próprio, mas o personagem definido pela mente do público, milhão de público.
Não importa se é verdade a sua forma de ver o mundo (alguma vez é?).
O que importa é o que eu penso de você (não é sempre assim?).
Se você é o vilão, sério, desista. Você será sempre o vilão, por mais que tente se livrar dessa carapuça.
Se você é a mocinha gostosa, terá sempre a admiração dos machos, mesmo que seja mau caráter.
Quem se preocupa com caráter depois de ver uma bunda gigante, coxas grossas ou a cara de cavalo emoldurada por dourados fios longos e lisos?
Eu, um sempre postulante à fama efêmera, começo a me cansar da repetição maniqueísta que esses programas tentam nos enfiar cabeça adentro e goela abaixo.
A vida fora das quatro paredes, ou mesmo aquela mísera fatia ainda que só fora da telinha (cada vez mais telona), parece ter mais sabor e muito, mas bota muito nisso, nuances de cores.
A TV em preto e branco ficou perdida na história. Mas o que vejo na programação não é nada colorido.
É disso que falam as câmeras que enquadram pessoas como bichos em realitys shows de todo o tipo.
Dissecando cirurgias plásticas, fazendeiros ou marombados.
Pessoas que precisam aprender a conviver forçadamente com diferenças e diferentes. Um casamento onde o divórcio não é uma opção.
E, a partir daí, as personas vão se definindo. Os arquétipos, ô coisa mais batida, são vestidos à vontade.
Cada um já não é mais si próprio, mas o personagem definido pela mente do público, milhão de público.
Não importa se é verdade a sua forma de ver o mundo (alguma vez é?).
O que importa é o que eu penso de você (não é sempre assim?).
Se você é o vilão, sério, desista. Você será sempre o vilão, por mais que tente se livrar dessa carapuça.
Se você é a mocinha gostosa, terá sempre a admiração dos machos, mesmo que seja mau caráter.
Quem se preocupa com caráter depois de ver uma bunda gigante, coxas grossas ou a cara de cavalo emoldurada por dourados fios longos e lisos?
Eu, um sempre postulante à fama efêmera, começo a me cansar da repetição maniqueísta que esses programas tentam nos enfiar cabeça adentro e goela abaixo.
A vida fora das quatro paredes, ou mesmo aquela mísera fatia ainda que só fora da telinha (cada vez mais telona), parece ter mais sabor e muito, mas bota muito nisso, nuances de cores.
A TV em preto e branco ficou perdida na história. Mas o que vejo na programação não é nada colorido.
sexta-feira, setembro 09, 2011
***ATUALIZADA***
Cheguei à conclusão que preciso fazer uma agenda de shows, com o risco de ter que ir a dois em um mesmo dia. (não disse que precisava fazer a lista? esqueci o Bad Religion)
02/09 - Metronomy (não comprado) nada feito.
11/09 - Judas Priest (última turnê - não comprado)
16/09 - The Pains of Being Pure at Heart + Ariel Pink's Haunted Graffiti (não comprado)
23/09 - Primal Scream (comprado)
25/09 - RIR III (comprado)
02/10 - RIR III (comprado)
07/10 - Warpaint (não comprado)
15/10 - Bad Religion (comprado)
22/10 - Cut Copy (não comprado)
28/10 - The Kills (não comprado)
06/11 - Pearl Jam (comprado)
07/11 - Queremos festival (comprado)
08/11 - Queremos festival (comprado)
14/11 - SWU (não comprado)
Cheguei à conclusão que preciso fazer uma agenda de shows, com o risco de ter que ir a dois em um mesmo dia. (não disse que precisava fazer a lista? esqueci o Bad Religion)
11/09 - Judas Priest (última turnê - não comprado)
16/09 - The Pains of Being Pure at Heart + Ariel Pink's Haunted Graffiti (não comprado)
23/09 - Primal Scream (comprado)
25/09 - RIR III (comprado)
02/10 - RIR III (comprado)
07/10 - Warpaint (não comprado)
15/10 - Bad Religion (comprado)
22/10 - Cut Copy (não comprado)
28/10 - The Kills (não comprado)
06/11 - Pearl Jam (comprado)
07/11 - Queremos festival (comprado)
08/11 - Queremos festival (comprado)
14/11 - SWU (não comprado)
terça-feira, setembro 06, 2011
segunda-feira, setembro 05, 2011
Antes aqui
Burocracia no rock
Se sua música está cada vez mais difícil de diferenciar-se dos milhões de artistas e mp3 jogados na rede, deixe crescer um bigode na cara. Faça shows em festivais grandes onde a música muitas vezes nem é o mais importante. E nunca, em hipótese alguma, saia de sua zona de conforto.
E ainda teve boatos que o Red Hot Chili Peppers estava numa pior. E parece que estão mesmo. Faz algum tempo, desde Californication há 12 anos atrás, que a ex-banda mais maluca da cidade não lança um álbum relevante. O próprio Californication já sinalizava uma mudança no estilo, com uma levada mais pop. A partir daí, os pimentas se esforçaram para jogar no limbo uma carreira até então inventiva, mesmo que não muito coesa. E parece que conseguiram. A banda hoje está mais para um Dave Mathews Band, o famoso suflê de chuchu, do que para Faith No More.
Acumulando discos que afastaram os fãs, tentando a qualquer custo manter-se na crista da onda, o RHCP chega a mais um trabalho: o insosso I'm With You. Está tudo lá, de novo. As baladas bonitas, que já não viram mais clipes de alta rotação na MTV, são Brendan's Death Song e Police Station. As grooveadas, para dar aos fãs uma ligeira impressão de que eles ainda sabem fazer aquilo bem, também estão presentes. Factory of Faith é um bom exemplo. O resto passa por encheção de lingüiça, as famosas fillers, músicas que não se destacam nem trazem aquela vontade de ouvir mais uma vez para descobrir pequenas boas partes. Em um álbum sem refrões pegajosos ou riffs marcantes (ainda mais com a saída de John Frusciante), o que sobra é a voz de Kiedis, e a cozinha certinha de Flea e Chad Smith. Pelo menos são “apenas” 14 músicas, diferente de Stadium Arcadium e suas 28, mas que poderiam muito bem ser umas sete ou oito.
I´m With You?
Não, Red Hot, eu não estou mais com vocês.
Burocracia no rock
Se sua música está cada vez mais difícil de diferenciar-se dos milhões de artistas e mp3 jogados na rede, deixe crescer um bigode na cara. Faça shows em festivais grandes onde a música muitas vezes nem é o mais importante. E nunca, em hipótese alguma, saia de sua zona de conforto.
E ainda teve boatos que o Red Hot Chili Peppers estava numa pior. E parece que estão mesmo. Faz algum tempo, desde Californication há 12 anos atrás, que a ex-banda mais maluca da cidade não lança um álbum relevante. O próprio Californication já sinalizava uma mudança no estilo, com uma levada mais pop. A partir daí, os pimentas se esforçaram para jogar no limbo uma carreira até então inventiva, mesmo que não muito coesa. E parece que conseguiram. A banda hoje está mais para um Dave Mathews Band, o famoso suflê de chuchu, do que para Faith No More.
Acumulando discos que afastaram os fãs, tentando a qualquer custo manter-se na crista da onda, o RHCP chega a mais um trabalho: o insosso I'm With You. Está tudo lá, de novo. As baladas bonitas, que já não viram mais clipes de alta rotação na MTV, são Brendan's Death Song e Police Station. As grooveadas, para dar aos fãs uma ligeira impressão de que eles ainda sabem fazer aquilo bem, também estão presentes. Factory of Faith é um bom exemplo. O resto passa por encheção de lingüiça, as famosas fillers, músicas que não se destacam nem trazem aquela vontade de ouvir mais uma vez para descobrir pequenas boas partes. Em um álbum sem refrões pegajosos ou riffs marcantes (ainda mais com a saída de John Frusciante), o que sobra é a voz de Kiedis, e a cozinha certinha de Flea e Chad Smith. Pelo menos são “apenas” 14 músicas, diferente de Stadium Arcadium e suas 28, mas que poderiam muito bem ser umas sete ou oito.
I´m With You?
Não, Red Hot, eu não estou mais com vocês.
Se isso é estar na pior, porra.... A música americana é mesmo uma piada.
vejam os vencedores do VMA 2011 e comparem com os vencedores de, sei lá, 1996...
Parece mesmo que estamos perdidos, sem muito rumo. A MTV deixou de ser relevante faz alguns anos.
A MTV está morta! Viva a Internet!!!
Neste domingo (28/08), a MTV americana premiou os melhores artistas da música americana. A 28ª edição do Video Music Awards (VMA) foi realizado no Nokia Theater, em Los Angeles e teve a apresentação de vários artistas, incluindo um tributo a Amy Winehouse.
Conheça abaixo os vencedores do VMA 2011.
Melhor Clipe Pop
Britney Spears – ‘Till the World Ends’
Melhor Clipe de Rock
Foo Fighters – ‘Walk’
Melhor Clipe de Hip-Hop
Nicki Minaj – ‘Super Bass’
Melhor Parceria Musical
Katy Perry feat. Kanye West – ‘E.T.’
Melhor Clipe Masculino
Justin Bieber – ‘U Smile’
Revelação
Tyler, The Creator – ‘Yonkers’
Melhor Clipe Feminino
Lady Gaga – ‘Born This Way’
Clipe do Ano
Katy Perry – ‘Firework’
Direção de Arte
Adele – ‘Rolling in the Deep’
Coreografia
Beyoncé – ‘Run the World (Girls)’
Fotografia
Adele – "Rolling in the Deep"
Edição
Adele – ‘Rolling in the Deep’
Clipe com Mensagem
Lady Gaga – ‘Born This Way’
Efeitos Especiais
Katy Perry feat. Kanye West – ‘E.T.’
vejam os vencedores do VMA 2011 e comparem com os vencedores de, sei lá, 1996...
Parece mesmo que estamos perdidos, sem muito rumo. A MTV deixou de ser relevante faz alguns anos.
A MTV está morta! Viva a Internet!!!
Neste domingo (28/08), a MTV americana premiou os melhores artistas da música americana. A 28ª edição do Video Music Awards (VMA) foi realizado no Nokia Theater, em Los Angeles e teve a apresentação de vários artistas, incluindo um tributo a Amy Winehouse.
Conheça abaixo os vencedores do VMA 2011.
Melhor Clipe Pop
Britney Spears – ‘Till the World Ends’
Melhor Clipe de Rock
Foo Fighters – ‘Walk’
Melhor Clipe de Hip-Hop
Nicki Minaj – ‘Super Bass’
Melhor Parceria Musical
Katy Perry feat. Kanye West – ‘E.T.’
Melhor Clipe Masculino
Justin Bieber – ‘U Smile’
Revelação
Tyler, The Creator – ‘Yonkers’
Melhor Clipe Feminino
Lady Gaga – ‘Born This Way’
Clipe do Ano
Katy Perry – ‘Firework’
Direção de Arte
Adele – ‘Rolling in the Deep’
Coreografia
Beyoncé – ‘Run the World (Girls)’
Fotografia
Adele – "Rolling in the Deep"
Edição
Adele – ‘Rolling in the Deep’
Clipe com Mensagem
Lady Gaga – ‘Born This Way’
Efeitos Especiais
Katy Perry feat. Kanye West – ‘E.T.’
domingo, setembro 04, 2011
***ATUALIZADA***
Cheguei à conclusão que preciso fazer uma agenda de shows, com o risco de ter que ir a dois em um mesmo dia. (não disse que precisava fazer a lista? esqueci o Bad Religion)
02/09 - Metronomy (não comprado) nada feito.
11/09 - Judas Priest (última turnê - não comprado)
16/09 - The Pains of Being Pure at Heart + Ariel Pink's Haunted Graffiti (não comprado)
23/09 - Primal Scream (comprado)
25/09 - RIR III (comprado)
02/10 - RIR III (comprado)
07/10 - Warpaint (não comprado) - adicionado recentemente
15/10 - Bad Religion (comprado)
06/11 - Pearl Jam (comprado)
07/11 - Queremos festival (comprado)
08/11 - Queremos festival (comprado)
14/11 - SWU (não comprado)
Cheguei à conclusão que preciso fazer uma agenda de shows, com o risco de ter que ir a dois em um mesmo dia. (não disse que precisava fazer a lista? esqueci o Bad Religion)
11/09 - Judas Priest (última turnê - não comprado)
16/09 - The Pains of Being Pure at Heart + Ariel Pink's Haunted Graffiti (não comprado)
23/09 - Primal Scream (comprado)
25/09 - RIR III (comprado)
02/10 - RIR III (comprado)
07/10 - Warpaint (não comprado) - adicionado recentemente
15/10 - Bad Religion (comprado)
06/11 - Pearl Jam (comprado)
07/11 - Queremos festival (comprado)
08/11 - Queremos festival (comprado)
14/11 - SWU (não comprado)
Velhice ou nível de qualidade?
Então acho que cheguei na idade em que pesa o bem estar, a vontade de ter paz, as dores nas costas e uma boa cerveja no gelo.
Apesar de toda a vontade, coloquei no fim de um longo dia de trabalho, o show até então "imperdível" do Metronomy na balança.
E resolvi não ir.
Estava cansado, estou sem dinheiro e com um monte de outros shows comprados.
Estava sem vontade de encontrar a modernice hype.
Estava começando a repensar o adjetivo "imperdível" aplicado ao show.
Estava mais velho, com uma cacetada de bons shows, shows medianos e alguns clássicos nas costas.
Mais um, menos um, não me faria diferença alguma. Pensei na hora no Caio que diz que para tirar ele de casa,
só se fosse um show do hendrix. Não vou tão longe, mas também não vai ser mais tão fácil me tirar de casa
para ver um show qualquer de agora em diante.
Mas o Warpaint vem aí, e esse eu considero imperdível.
Pelo menos até ter que sair às oito e meia da noite do trampo na sexta.
Então acho que cheguei na idade em que pesa o bem estar, a vontade de ter paz, as dores nas costas e uma boa cerveja no gelo.
Apesar de toda a vontade, coloquei no fim de um longo dia de trabalho, o show até então "imperdível" do Metronomy na balança.
E resolvi não ir.
Estava cansado, estou sem dinheiro e com um monte de outros shows comprados.
Estava sem vontade de encontrar a modernice hype.
Estava começando a repensar o adjetivo "imperdível" aplicado ao show.
Estava mais velho, com uma cacetada de bons shows, shows medianos e alguns clássicos nas costas.
Mais um, menos um, não me faria diferença alguma. Pensei na hora no Caio que diz que para tirar ele de casa,
só se fosse um show do hendrix. Não vou tão longe, mas também não vai ser mais tão fácil me tirar de casa
para ver um show qualquer de agora em diante.
Mas o Warpaint vem aí, e esse eu considero imperdível.
Pelo menos até ter que sair às oito e meia da noite do trampo na sexta.
sábado, setembro 03, 2011
Como fazer quando a cabeça transborda de ideias mas não há a força necessária para colocá-las no papel?
***
A vida nos prega peças interessantes. Muito interessantes. Bom, andei sem trabalho, estudando cinema, filmando curtas (eram as únicas atividades/oportunidades profissionais que apareciam), sem grana, viajando, assumindo quaisquer riscos e desmandos e até, quem diria, às vezes sorrindo.
Agora, trabalho, montei um ap legal, tenho uma tv grande e um video-game. No entanto, às vezes sinto falta de pegar um avião quarta-feira pela manhã e ir passar um mês no meio do nada paraguaio, cercado de cobras, menonitas e indígenas.
***
Voltei a gostar de comer bananas. Nunca deixei de gostar, mas agora sinto falta.
***
Mais uma peça da vida.
Estava a meu caminho, o caminho metrô-trabalho/casa. No entanto, resolvi mudar o trajeto quer faço quase sem pensar. Passei por outras ruas e em frente de lojas de eletrodomésticos/eletrônicos. Casas Bahia, Casa e Vídeo, Ponto Frio...
E em uma dessas, de frente para a rua, onde a vida não para para respirar (grande erro tirarem o acento de pára), um sem-teto estava parado. Sem-teto, sem-trampo,sem-trato, com seu saco de estopa pendurado a tiracolo, encostado na coluna que separa a rua, da qual também é dono, da loja, onde nunca poderá estar. E lá, parado, olhava para as muitas telas de led, lcd, plasma brilhando. Nelas, vejam só que coisa, acontecia uma festa. Dessas com DJ, moças bonitas, luzes nervosas e muito confete, caindo a todo tempo. Não se ouvia a música, mas as imagens não deixavam enganar.
O que ele devia estar pensando naquela hora, naquele exato instante? Como seria ter uma vida de festas, mulheres, drogas e diversão? Ou será que, perdido, não conseguia distinguir aquelas formas e imagens, tão longe de sua realidade? Seria saudade, esperança ou uma força que o mantinha parado ali, a mesma que o derrubara na vida, o mantendo pobre, coitado, nas ruas que domina agora tão bem?
Uma câmera seria a perfeita forma de captar aquela imagem, mas nunca conseguiremos captar a vida que passou diante dele e de tantas pessoas, para as quais, festa e felicidade são mesmo só uma imagem em uma TV na porta de uma loja onde há um cartaz proibindo sua entrada.
***
Corre pela internet, na mesma velocidade que as amizades midiáticas, um filme antigo, de 1936, com imagens do Rio. O Rio antigo, como gostam de chamar. Infelizmente, o Rio antigo.
O Rio atual é muito, mas muito pior. Se mudaremos de referencial, podemos chamar este de Rio antigo e aquele de Rio novo, novíssimo. Limpo, lindo, monumental. Aquele sim, uma cidade maravilhosa. Essa, em que vivemos, é um arremedo sem humor daquela cidade que vemos ali. A verdade é uma só: estragamos a cidade mais linda do mundo. Se é possível comparar aquela cidade de 36 com Paris, a de hoje não encontra tão facilmente uma outra que a acompanhe. Vemos os sinais da degradação, não em concreto/ferro/aço, mas nas pessoas. Somos piores, somos sujos, somos incultos e pernósticos. Somos essa cidade manchada, acanhada e tentando sobreviver.
Creio que a imagem que mais me marcou foi a Cinelândia.
Uma praça com áreas verdes, desenho em pedras portuguesas, pessoas de bem passeando´.
Hoje o mesmo lugar é ponto de encontro de pedestres que a atravessam com pressa, saída do metrô, mendigos, trombadinhas, barracas cheias de cartazes de protesto, protestos, pombos fétidos e mancos, misto quente de um real com refresco de água açucarada...
ou seja, uma negação da ingenuidade existente há 75 anos atrás. Este fim de semana mostrarei o filme para meu avô de 92. Ele tinha 17 anos em 1936.
Talvez seja por isso que ele sai tão pouco de casa agora. Medo da realidade.
***
A vida nos prega peças interessantes. Muito interessantes. Bom, andei sem trabalho, estudando cinema, filmando curtas (eram as únicas atividades/oportunidades profissionais que apareciam), sem grana, viajando, assumindo quaisquer riscos e desmandos e até, quem diria, às vezes sorrindo.
Agora, trabalho, montei um ap legal, tenho uma tv grande e um video-game. No entanto, às vezes sinto falta de pegar um avião quarta-feira pela manhã e ir passar um mês no meio do nada paraguaio, cercado de cobras, menonitas e indígenas.
***
Voltei a gostar de comer bananas. Nunca deixei de gostar, mas agora sinto falta.
***
Mais uma peça da vida.
Estava a meu caminho, o caminho metrô-trabalho/casa. No entanto, resolvi mudar o trajeto quer faço quase sem pensar. Passei por outras ruas e em frente de lojas de eletrodomésticos/eletrônicos. Casas Bahia, Casa e Vídeo, Ponto Frio...
E em uma dessas, de frente para a rua, onde a vida não para para respirar (grande erro tirarem o acento de pára), um sem-teto estava parado. Sem-teto, sem-trampo,sem-trato, com seu saco de estopa pendurado a tiracolo, encostado na coluna que separa a rua, da qual também é dono, da loja, onde nunca poderá estar. E lá, parado, olhava para as muitas telas de led, lcd, plasma brilhando. Nelas, vejam só que coisa, acontecia uma festa. Dessas com DJ, moças bonitas, luzes nervosas e muito confete, caindo a todo tempo. Não se ouvia a música, mas as imagens não deixavam enganar.
O que ele devia estar pensando naquela hora, naquele exato instante? Como seria ter uma vida de festas, mulheres, drogas e diversão? Ou será que, perdido, não conseguia distinguir aquelas formas e imagens, tão longe de sua realidade? Seria saudade, esperança ou uma força que o mantinha parado ali, a mesma que o derrubara na vida, o mantendo pobre, coitado, nas ruas que domina agora tão bem?
Uma câmera seria a perfeita forma de captar aquela imagem, mas nunca conseguiremos captar a vida que passou diante dele e de tantas pessoas, para as quais, festa e felicidade são mesmo só uma imagem em uma TV na porta de uma loja onde há um cartaz proibindo sua entrada.
***
Corre pela internet, na mesma velocidade que as amizades midiáticas, um filme antigo, de 1936, com imagens do Rio. O Rio antigo, como gostam de chamar. Infelizmente, o Rio antigo.
O Rio atual é muito, mas muito pior. Se mudaremos de referencial, podemos chamar este de Rio antigo e aquele de Rio novo, novíssimo. Limpo, lindo, monumental. Aquele sim, uma cidade maravilhosa. Essa, em que vivemos, é um arremedo sem humor daquela cidade que vemos ali. A verdade é uma só: estragamos a cidade mais linda do mundo. Se é possível comparar aquela cidade de 36 com Paris, a de hoje não encontra tão facilmente uma outra que a acompanhe. Vemos os sinais da degradação, não em concreto/ferro/aço, mas nas pessoas. Somos piores, somos sujos, somos incultos e pernósticos. Somos essa cidade manchada, acanhada e tentando sobreviver.
Creio que a imagem que mais me marcou foi a Cinelândia.
Uma praça com áreas verdes, desenho em pedras portuguesas, pessoas de bem passeando´.
Hoje o mesmo lugar é ponto de encontro de pedestres que a atravessam com pressa, saída do metrô, mendigos, trombadinhas, barracas cheias de cartazes de protesto, protestos, pombos fétidos e mancos, misto quente de um real com refresco de água açucarada...
ou seja, uma negação da ingenuidade existente há 75 anos atrás. Este fim de semana mostrarei o filme para meu avô de 92. Ele tinha 17 anos em 1936.
Talvez seja por isso que ele sai tão pouco de casa agora. Medo da realidade.
quinta-feira, agosto 25, 2011
Tem uma coisa que vem assombrando meus pensamentos faz uns dias e hoje, finalmente, me lembrei de escrever. É basicamente um raciocínio sonhos x realidade.
Vamos lá:
Estou vivendo no agora, um segundo depois do outro, largando o dedo no tempo, deixando pra trás milhares de batimentos, respirações e ações musculares. Bom, e daí?
Daí que todo o tempo que passou vira memória. E o que é memória?
É a arte de relembrar, de reconstruir uma realidade em sua mente. No seu eu, no seu âmago. Coisas que só você viveu, viu e sentiu. Mas com o tempo, as memórias vão se tornando mais turvas. Você esquece nome de amigos da faculdade, esquece a voz da menina pela qual era apaixonado no segundo grau, se esquece inclusive de parentes que morreram ou de acontecimentos que marcaram de uma forma ou outra nossa vida.
Bom, não sei você, querido leitor, mas minhas memórias não são fotográficas. São um emaranhado de ideias, sentimentos e desenhos. Sim, um desenho da realidade. Uma reprodução.
Bom, todos vocês têm memória e memórias. E garanto que a maioria já sonhou. A projeção física do sonho não é muito diferente da memória. É uma representação, tanto quanto a memória.
E agora a dúvida: o que separa a realidade do sonho? O que faz não acreditarmos no sonho como uma realidade vivida, sabe-se lá quando ou aonde... Prefiro viver sonhando agora, seja com cachorros grandes ou com festas com pessoas que nunca vi. E, junto com isso, ir misturando minhas memórias. Tirar o melhor das duas partes. E deixar o que tiver que acontecer, acontecer.
Vamos lá:
Estou vivendo no agora, um segundo depois do outro, largando o dedo no tempo, deixando pra trás milhares de batimentos, respirações e ações musculares. Bom, e daí?
Daí que todo o tempo que passou vira memória. E o que é memória?
É a arte de relembrar, de reconstruir uma realidade em sua mente. No seu eu, no seu âmago. Coisas que só você viveu, viu e sentiu. Mas com o tempo, as memórias vão se tornando mais turvas. Você esquece nome de amigos da faculdade, esquece a voz da menina pela qual era apaixonado no segundo grau, se esquece inclusive de parentes que morreram ou de acontecimentos que marcaram de uma forma ou outra nossa vida.
Bom, não sei você, querido leitor, mas minhas memórias não são fotográficas. São um emaranhado de ideias, sentimentos e desenhos. Sim, um desenho da realidade. Uma reprodução.
Bom, todos vocês têm memória e memórias. E garanto que a maioria já sonhou. A projeção física do sonho não é muito diferente da memória. É uma representação, tanto quanto a memória.
E agora a dúvida: o que separa a realidade do sonho? O que faz não acreditarmos no sonho como uma realidade vivida, sabe-se lá quando ou aonde... Prefiro viver sonhando agora, seja com cachorros grandes ou com festas com pessoas que nunca vi. E, junto com isso, ir misturando minhas memórias. Tirar o melhor das duas partes. E deixar o que tiver que acontecer, acontecer.
terça-feira, agosto 23, 2011
segunda-feira, agosto 22, 2011
Li n´algum lugar que alguém tinha ido à livraria e comprado alguns livros de filosofia para a biblioteca. Uma frase qualquer, sem muito sentido ou maiores expectativas, mas ainda assim me colocou na ponta da faca.
Também ando comprando (agora menos) coisas para a biblioteca. Ou para a Filmoteca. Ou para a discoteca.
Mas por que compro essas coisas? por que gasto dinheiro com discos, filmes, dvds, livros que muitas vezes vão para a estante e, depois de usados um dia ou outro, acabam esquecidos?
Por que temos essa necessidade de ter, de manter, de poder encostar e sentir: essa obra é minha!
Eu faço isso como uma forma de homenagem. Se fui tocado pelo trabalho artístico de alguém, minha forma de demonstrar isso é mantê-los por perto, ao alcance da mão, do ouvido, das pupilas. Mas entendo quem não compra mais discos ou DVDs e prefere baixá-los pela internet. Eu, quando baixo, dificilmente vejo ou escuto imediatamente. A não ser que seja um disco que espero faz muito, de uma banda que curto (ô verbinho em voga) faz muito. Não faço download de livros. Como não fazia de filmes. Comecei a baixá-los há pouco tempo e, em pouco tempo, tenho uma lista de pelo menos uns 10 filmes para ver que dificilmente verei. POr que os pego então? Por que preciso assisti-los? Este ano, tenho até medo de notar isso, só o Woddy Allen me levou à sala escura. Os filmes entram em cartaz, saem de cartaz, são lançados em dvd, passam nos canais de filmes e eu nem tchuns. Não os vejo. Não vi Bravura Indômita, não vi o Cisne Negro, não vi o Discurso do Rei, não vi Thor, X-men e Capitão América (nunca tinha perdido um filme de super-herói no cinema).
Acho que estou ficando velho. Largando um pouco de mão essa necessidade de ver tudo, ouvir tudo, entender tudo. Começo a me satisfazer com o que tenho até agora. Uma vez ou outra, faço algo diferente. Talvez seja um período mais parado, mais afastado do epicentro, mais casa e trabalho. Talvez não seja talvez. Ou talvez eu só precise terminar de pagar contas mil, crediários mil, empréstimos mil.
Acho que preciso entrar numa livraria com o cartão zerado ou na amazon.
A vida pode passar a ter mais graça quando se tem uma encomenda à espreita.
Também ando comprando (agora menos) coisas para a biblioteca. Ou para a Filmoteca. Ou para a discoteca.
Mas por que compro essas coisas? por que gasto dinheiro com discos, filmes, dvds, livros que muitas vezes vão para a estante e, depois de usados um dia ou outro, acabam esquecidos?
Por que temos essa necessidade de ter, de manter, de poder encostar e sentir: essa obra é minha!
Eu faço isso como uma forma de homenagem. Se fui tocado pelo trabalho artístico de alguém, minha forma de demonstrar isso é mantê-los por perto, ao alcance da mão, do ouvido, das pupilas. Mas entendo quem não compra mais discos ou DVDs e prefere baixá-los pela internet. Eu, quando baixo, dificilmente vejo ou escuto imediatamente. A não ser que seja um disco que espero faz muito, de uma banda que curto (ô verbinho em voga) faz muito. Não faço download de livros. Como não fazia de filmes. Comecei a baixá-los há pouco tempo e, em pouco tempo, tenho uma lista de pelo menos uns 10 filmes para ver que dificilmente verei. POr que os pego então? Por que preciso assisti-los? Este ano, tenho até medo de notar isso, só o Woddy Allen me levou à sala escura. Os filmes entram em cartaz, saem de cartaz, são lançados em dvd, passam nos canais de filmes e eu nem tchuns. Não os vejo. Não vi Bravura Indômita, não vi o Cisne Negro, não vi o Discurso do Rei, não vi Thor, X-men e Capitão América (nunca tinha perdido um filme de super-herói no cinema).
Acho que estou ficando velho. Largando um pouco de mão essa necessidade de ver tudo, ouvir tudo, entender tudo. Começo a me satisfazer com o que tenho até agora. Uma vez ou outra, faço algo diferente. Talvez seja um período mais parado, mais afastado do epicentro, mais casa e trabalho. Talvez não seja talvez. Ou talvez eu só precise terminar de pagar contas mil, crediários mil, empréstimos mil.
Acho que preciso entrar numa livraria com o cartão zerado ou na amazon.
A vida pode passar a ter mais graça quando se tem uma encomenda à espreita.
sexta-feira, agosto 19, 2011
quinta-feira, agosto 18, 2011
***ATUALIZADA***
Cheguei à conclusão que preciso fazer uma agenda de shows, com o risco de ter que ir a dois em um mesmo dia. (não disse que precisava fazer a lista? esqueci o Bad Religion)
02/09 - Metronomy (não comprado)
11/09 - Judas Priest (última turnê - não comprado)
16/09 - The Pains of Being Pure at Heart + Ariel Pink's Haunted Graffiti (não comprado)
23/09 - Primal Scream (comprado)
25/09 - RIR III (comprado)
02/10 - RIR III (comprado)
15/10 - Bad Religion (comprado)
06/11 - Pearl Jam (comprado)
07/11 - Queremos festival (comprado)
08/11 - Queremos festival (comprado)
14/11 - SWU (não comprado)
Acho que consigo sobreviver a tudo isso.
Cheguei à conclusão que preciso fazer uma agenda de shows, com o risco de ter que ir a dois em um mesmo dia. (não disse que precisava fazer a lista? esqueci o Bad Religion)
02/09 - Metronomy (não comprado)
11/09 - Judas Priest (última turnê - não comprado)
16/09 - The Pains of Being Pure at Heart + Ariel Pink's Haunted Graffiti (não comprado)
23/09 - Primal Scream (comprado)
25/09 - RIR III (comprado)
02/10 - RIR III (comprado)
15/10 - Bad Religion (comprado)
06/11 - Pearl Jam (comprado)
07/11 - Queremos festival (comprado)
08/11 - Queremos festival (comprado)
14/11 - SWU (não comprado)
Acho que consigo sobreviver a tudo isso.
sexta-feira, agosto 12, 2011
Hoje acordei já pensando em escrever.
Um roteiro, um conto, algo que o valha.
escrevi.
Defesas, licitantes, raciocínios e projetos de mídia e não mídia.
Não foi ruim, mas não os posso colocar aqui.
Sabem como é, sigilo profissional.
Assim ficamos, eu e você, sem texto, nem conto, nem roteiro.
Até uma segunda qualquer.
Um roteiro, um conto, algo que o valha.
escrevi.
Defesas, licitantes, raciocínios e projetos de mídia e não mídia.
Não foi ruim, mas não os posso colocar aqui.
Sabem como é, sigilo profissional.
Assim ficamos, eu e você, sem texto, nem conto, nem roteiro.
Até uma segunda qualquer.
terça-feira, agosto 09, 2011
Desde 1999, um time que acompanhei durante toda a minha infância/adolescência fechou as portas. Na verdade, não fechou.
Apenas aderiu à moda dos clubes empresas e foi devidamente comprado por uma empresa falcatrua de combustíveis. O nome mudou, o escudo mudou (acreditem ou não, a empresa tacou uma LOGOMARCA dela no meio do escudo original). Anos de tradição e amor foram jogados privada (com trocadilho) abaixo.
Não conseguia mais torcer por aquelas cores. Não conseguia mais gritar por aquele escudo. Foi então que a praga começou a se concretizar. Enquanto o time não voltasse a ser como antes, Grená, original, com seu fiel escudo tradicional, não ganharia nada.
A praga foi tão forte que o clube fechou as portas. O, antes, principal estádio da Grande Vitória virou campinho society para ser alugado. Uma pouca vergonha. Mas melhor a dignidade de não existir do que a vergonha de jogar com uma camisa de aluguel.
Eis que lendo as notícias o futebol hoje, me deparei com uma declaração do Kieza (ex-um monte de times) dizendo que encerraria sua carreira na Desportiva. Fui atrás de links e vi a enquete que dá à torcida a chance de escolher o modelo da camisa a ser usada pelo time em sua volta triunfal aos gramados, dia 20 de agosto de 2011.
E lá estava ela. Mais uma vez. Como sempre esteve em meus sonhos e desejos.
A camisa grená, com o escudo da DESPORTIVA FERROVIÁRIA. O Expresso Grená, o Gigante Grená. Não resisti e chorei. Um amor da adolescência tinha voltado para me olhar, dentro dos olhos, e sorrir.
Votei na primeira que é a que mais se parece com as minhas lembranças.
Apenas aderiu à moda dos clubes empresas e foi devidamente comprado por uma empresa falcatrua de combustíveis. O nome mudou, o escudo mudou (acreditem ou não, a empresa tacou uma LOGOMARCA dela no meio do escudo original). Anos de tradição e amor foram jogados privada (com trocadilho) abaixo.
Não conseguia mais torcer por aquelas cores. Não conseguia mais gritar por aquele escudo. Foi então que a praga começou a se concretizar. Enquanto o time não voltasse a ser como antes, Grená, original, com seu fiel escudo tradicional, não ganharia nada.
A praga foi tão forte que o clube fechou as portas. O, antes, principal estádio da Grande Vitória virou campinho society para ser alugado. Uma pouca vergonha. Mas melhor a dignidade de não existir do que a vergonha de jogar com uma camisa de aluguel.
Eis que lendo as notícias o futebol hoje, me deparei com uma declaração do Kieza (ex-um monte de times) dizendo que encerraria sua carreira na Desportiva. Fui atrás de links e vi a enquete que dá à torcida a chance de escolher o modelo da camisa a ser usada pelo time em sua volta triunfal aos gramados, dia 20 de agosto de 2011.
E lá estava ela. Mais uma vez. Como sempre esteve em meus sonhos e desejos.
A camisa grená, com o escudo da DESPORTIVA FERROVIÁRIA. O Expresso Grená, o Gigante Grená. Não resisti e chorei. Um amor da adolescência tinha voltado para me olhar, dentro dos olhos, e sorrir.
Votei na primeira que é a que mais se parece com as minhas lembranças.
segunda-feira, agosto 08, 2011
Domingo foi um dia atípico.
Não por muito, mas as pequenezas, os detalhes fizeram deste domingo, um sete de agosto comum, um tanto estranho.
Não aconteceu muita coisa. Saí para o supermercado, voltei para casa. Fui a um chá de bebê, passei na casa da minha avó, voltei para casa. E nesse voltar para casa, vi um conjunto de viaturas fechando uma rua, no quarteirão de casa. Batida policial? Lei Seca? Afinal, o que está acontecendo?
O sinal passa de amarela para vermelho e me detenho por alguns momentos na esquina da confusão. O suficiente para ver um corpo caído no chão, coberto dos pés à cabeça. Que coisa estranha essa mania do homem, de esconder a morte. Criar um manto, uma divisão entre o mundo dos vivos e o mundo do descanso eterno. Ah, é uma forma de manter a dignidade do morto. Como se o defunto precisasse de dignidade. Depois de mortos, queridos, não precisamos mais de nada, nem das vindouras lágrimas.
O sinal vai do vermelho para o verde. Sigo mais um quarteirão e paro em frente ao portão da garagem. Para a maioria das pessoas nos seus carros, às nove da noite, a cena era apenas uma mudança na paisagem cotidiana. Vida que segue e pensamentos ao alto, afinal, se correrem ainda pegam o final do Fantástico.
Eu entrei em casa e precisei sair de novo, dessa vez a pé, até a farmácia. Um quarteirão de casa, o mesmo quarteirão onde o corpo estava. Fui caminhando normalmente, entrei na farmácia, boa noite, boa noite, remédio tal, pagar em débito, digite a senha por favor...
Sabe como foi que aconteceu?
Não, só sei que era um entregador de pizza.
Foi o 409(uma linha de ônibus). Pegou ele e arrastou a moto mais de cem metros. Ele ficou lá, no chão.
(de onde nunca mais se levantaria)
Percebi que a coisa estava feia quando vi aquela poça de sangue grosso no chão, sabe?
Era muito grande.
Populares sempre são atraídos por esses acontecimentos. Sou popular. Quero saber, entender, tentar racionalizar o fim de uma vida. Não existe racionalização.
Não existem formas de entender.
Tento seguir o dia do entregador de pizza. Refazer os caminhos dele. Para qual time ele torce? Estaria feliz com a vitória ou triste com a derrota do final de semana? Quantos anos ele teria? Qual a pessoa que ligou pedindo a pizza, e a vida do entregador? Qual a pizza que essa pessoa pediu? Com ou sem cebola? Será que ela estaria ligando, reclamando da demora de entrega enquanto ouve: "aconteceu um acidente"? Afinal o que eu tenho com um acidente? Eu pedi uma pizza e ela não chegou.
O motoqueiro não chegará em casa hoje. Nem amanhã.
Tento fazer o trajeto. Pega a pizza, poucos minutos de vida restando. Liga a moto, contagem regressiva chegando ao fim. Sai pelas ruas, cortando carros ou dirigindo calmamente? Atravessa um sinal vermelho? Faz uma curva mais aberta? Viu o ônibus?
Como teria sido o impacto, a pancada? Morte na hora ou ainda teve tempo de sentir frio, o asfalto sem vida, quase como ele em poucos segundos (ou minutos). Quando teria dado seu último suspiro?
Na volta para casa, nesse um quarteirão que separa a vida da morte, fui pensando. Voltava de um chá de bebê, o clima era de nascimento, comemorando uma nova vida, ainda incipiente, enorme dentro da barriga da futura mamãe. Crianças e bebês corriam pelo playground, celebrando a vida que parece ser eterna. Me lembro de ter lido em algum lugar que a infância acaba quando nos damos conta de que um dia iremos morrer. Nenhuma inocência se sustenta frente à noção de finitude. Não sei quando foi que me dei conta de que tudo um dia irá acabar. Sei que o pensamento me assombra há muito. Noites vazias, de desespero infantil.
Nunca se sabe onde ou quando vamos chegar ao fim da linha. E isso sempre me deixou com uma sensação de vazio, de falta de propósito ou sentido para continuar. É claro, é simples. Um dia, mais cedo do que pensávamos ou mais tarde do que primeiro imaginamos, ele chega. Em uma batida de carro, numa doença terminal, num escorregão no banheiro, numa bala perdida, numa explosão vascular... E uma vez encontrado(o fim da linha), não há nada que possamos fazer para dar meia volta e continuar o caminho na direção contrária.
Não por muito, mas as pequenezas, os detalhes fizeram deste domingo, um sete de agosto comum, um tanto estranho.
Não aconteceu muita coisa. Saí para o supermercado, voltei para casa. Fui a um chá de bebê, passei na casa da minha avó, voltei para casa. E nesse voltar para casa, vi um conjunto de viaturas fechando uma rua, no quarteirão de casa. Batida policial? Lei Seca? Afinal, o que está acontecendo?
O sinal passa de amarela para vermelho e me detenho por alguns momentos na esquina da confusão. O suficiente para ver um corpo caído no chão, coberto dos pés à cabeça. Que coisa estranha essa mania do homem, de esconder a morte. Criar um manto, uma divisão entre o mundo dos vivos e o mundo do descanso eterno. Ah, é uma forma de manter a dignidade do morto. Como se o defunto precisasse de dignidade. Depois de mortos, queridos, não precisamos mais de nada, nem das vindouras lágrimas.
O sinal vai do vermelho para o verde. Sigo mais um quarteirão e paro em frente ao portão da garagem. Para a maioria das pessoas nos seus carros, às nove da noite, a cena era apenas uma mudança na paisagem cotidiana. Vida que segue e pensamentos ao alto, afinal, se correrem ainda pegam o final do Fantástico.
Eu entrei em casa e precisei sair de novo, dessa vez a pé, até a farmácia. Um quarteirão de casa, o mesmo quarteirão onde o corpo estava. Fui caminhando normalmente, entrei na farmácia, boa noite, boa noite, remédio tal, pagar em débito, digite a senha por favor...
Sabe como foi que aconteceu?
Não, só sei que era um entregador de pizza.
Foi o 409(uma linha de ônibus). Pegou ele e arrastou a moto mais de cem metros. Ele ficou lá, no chão.
(de onde nunca mais se levantaria)
Percebi que a coisa estava feia quando vi aquela poça de sangue grosso no chão, sabe?
Era muito grande.
Populares sempre são atraídos por esses acontecimentos. Sou popular. Quero saber, entender, tentar racionalizar o fim de uma vida. Não existe racionalização.
Não existem formas de entender.
Tento seguir o dia do entregador de pizza. Refazer os caminhos dele. Para qual time ele torce? Estaria feliz com a vitória ou triste com a derrota do final de semana? Quantos anos ele teria? Qual a pessoa que ligou pedindo a pizza, e a vida do entregador? Qual a pizza que essa pessoa pediu? Com ou sem cebola? Será que ela estaria ligando, reclamando da demora de entrega enquanto ouve: "aconteceu um acidente"? Afinal o que eu tenho com um acidente? Eu pedi uma pizza e ela não chegou.
O motoqueiro não chegará em casa hoje. Nem amanhã.
Tento fazer o trajeto. Pega a pizza, poucos minutos de vida restando. Liga a moto, contagem regressiva chegando ao fim. Sai pelas ruas, cortando carros ou dirigindo calmamente? Atravessa um sinal vermelho? Faz uma curva mais aberta? Viu o ônibus?
Como teria sido o impacto, a pancada? Morte na hora ou ainda teve tempo de sentir frio, o asfalto sem vida, quase como ele em poucos segundos (ou minutos). Quando teria dado seu último suspiro?
Na volta para casa, nesse um quarteirão que separa a vida da morte, fui pensando. Voltava de um chá de bebê, o clima era de nascimento, comemorando uma nova vida, ainda incipiente, enorme dentro da barriga da futura mamãe. Crianças e bebês corriam pelo playground, celebrando a vida que parece ser eterna. Me lembro de ter lido em algum lugar que a infância acaba quando nos damos conta de que um dia iremos morrer. Nenhuma inocência se sustenta frente à noção de finitude. Não sei quando foi que me dei conta de que tudo um dia irá acabar. Sei que o pensamento me assombra há muito. Noites vazias, de desespero infantil.
Nunca se sabe onde ou quando vamos chegar ao fim da linha. E isso sempre me deixou com uma sensação de vazio, de falta de propósito ou sentido para continuar. É claro, é simples. Um dia, mais cedo do que pensávamos ou mais tarde do que primeiro imaginamos, ele chega. Em uma batida de carro, numa doença terminal, num escorregão no banheiro, numa bala perdida, numa explosão vascular... E uma vez encontrado(o fim da linha), não há nada que possamos fazer para dar meia volta e continuar o caminho na direção contrária.
Ópio do povo
Sábado acordo com o Globo me mostrando que os EUA tinham sido rebaixados pela S&P.
Para quem lê a parte de economia do jornal ou se preocupa minimamente em como as bolsas do mundo se comportam, isso talvez nem fosse novidade. Mas devo dizer que um calafrio percorreu minha espinha.
Tudo o que pensava era: quando as bolsas abrirem segunda vai ser um Deus nos acuda. Talvez não, por conta do tempo, dois dias, para o pânico se dissipar no ar. Para quem manda de verdade, colocar as caras na TV e acabar com o pânico dizendo, calma lá, que a gente segura essa. Enfim, segunda era O dia.
Eis que chego no trabalho, ligo o computador e vou atrás das notícias de economia, escuto a miriam leitão na rádio e na TV, procuro ler os principais analistas... Mas não consigo me concentrar. O papo ali era outro. Futebol...
O Flamengo tá invicto, é líder!!!
Ah, o Botafogo...
Viu a jogada do Cortês?
E a expulsão do Diego Souza?!
Ganhei três ingressos pro cinema, vou dar pra um amigo tricolor. É pra ele ver o Capitão América Mineiro...
Liguei o som e, sem acreditar, também me esqueci que o mundo pode acabar amanhã.
Pelo menos até lá posso me felicitar pela bela vitória do Botafogo.
Sábado acordo com o Globo me mostrando que os EUA tinham sido rebaixados pela S&P.
Para quem lê a parte de economia do jornal ou se preocupa minimamente em como as bolsas do mundo se comportam, isso talvez nem fosse novidade. Mas devo dizer que um calafrio percorreu minha espinha.
Tudo o que pensava era: quando as bolsas abrirem segunda vai ser um Deus nos acuda. Talvez não, por conta do tempo, dois dias, para o pânico se dissipar no ar. Para quem manda de verdade, colocar as caras na TV e acabar com o pânico dizendo, calma lá, que a gente segura essa. Enfim, segunda era O dia.
Eis que chego no trabalho, ligo o computador e vou atrás das notícias de economia, escuto a miriam leitão na rádio e na TV, procuro ler os principais analistas... Mas não consigo me concentrar. O papo ali era outro. Futebol...
O Flamengo tá invicto, é líder!!!
Ah, o Botafogo...
Viu a jogada do Cortês?
E a expulsão do Diego Souza?!
Ganhei três ingressos pro cinema, vou dar pra um amigo tricolor. É pra ele ver o Capitão América Mineiro...
Liguei o som e, sem acreditar, também me esqueci que o mundo pode acabar amanhã.
Pelo menos até lá posso me felicitar pela bela vitória do Botafogo.
quinta-feira, agosto 04, 2011
acordei de supetão.
dormi mal pra cacete.
o tremor, em muitos momentos,
aparece durante horas em que deveria estar em suspensão de realidade.
Todo dia é a mesma coisa.
vou deitar, tarde, cansado.
Penso na vida, do que me resta dela, e porque estou aqui.
Tento buscar as forças lé dentro, para continuar mais um dia.
Mais um despertar, mais um café com leite,
horas de trabalho, metrô.
café, café, café.
Olha os trilhos. Não fique muito perto.
Liga o som, vai. Escuta uma música.
Mas não chora no metrô, queridão.
Isso pode pegar mal...
dormi mal pra cacete.
o tremor, em muitos momentos,
aparece durante horas em que deveria estar em suspensão de realidade.
Todo dia é a mesma coisa.
vou deitar, tarde, cansado.
Penso na vida, do que me resta dela, e porque estou aqui.
Tento buscar as forças lé dentro, para continuar mais um dia.
Mais um despertar, mais um café com leite,
horas de trabalho, metrô.
café, café, café.
Olha os trilhos. Não fique muito perto.
Liga o som, vai. Escuta uma música.
Mas não chora no metrô, queridão.
Isso pode pegar mal...
segunda-feira, julho 25, 2011
sexta-feira, julho 22, 2011
Ontem fiz uma ressonância magnética.
para quem não sabe, é um exame nada demais, mas que dizem para você assim, no início:
"O exame dura uns 20, 30 minutos. Não se mexa neste tempo."
Meus queridos, já tentaram não se mexer por vontade própria por tanto tempo?
Depois de uns 10 minutos, parece que seu corpo todo precisa dar um salto. Tudo começa a comichar, a parecer estranho e incontrolável. E, como se isso não fosse suficiente, ainda colocam um protetor auricular gigante em sua cabeça. E os sons que a máquina faz parecem o de uma instalação de arte moderna.
Sim, foi assim que me senti, lá, de olhos fechados, com um fone enorme a tapar-me as orelhas, deitado com as pernas dobradas. Numa instalação de arte, uma coisa meio máquina, meio humano, branco e com som.
Faria o maior sucesso na Bienal. Mas só até o pessoal da Sociedade Protetora dos Animais aparecer.
para quem não sabe, é um exame nada demais, mas que dizem para você assim, no início:
"O exame dura uns 20, 30 minutos. Não se mexa neste tempo."
Meus queridos, já tentaram não se mexer por vontade própria por tanto tempo?
Depois de uns 10 minutos, parece que seu corpo todo precisa dar um salto. Tudo começa a comichar, a parecer estranho e incontrolável. E, como se isso não fosse suficiente, ainda colocam um protetor auricular gigante em sua cabeça. E os sons que a máquina faz parecem o de uma instalação de arte moderna.
Sim, foi assim que me senti, lá, de olhos fechados, com um fone enorme a tapar-me as orelhas, deitado com as pernas dobradas. Numa instalação de arte, uma coisa meio máquina, meio humano, branco e com som.
Faria o maior sucesso na Bienal. Mas só até o pessoal da Sociedade Protetora dos Animais aparecer.
terça-feira, julho 19, 2011
E assim, como quem desdenha da droga que usa, me viciei em ser curtido.
Há mais de 10 anos, quando comecei esse blog, a curtição era escrever para ser lido, discutido, idolatrado. Tentei fazer deste uma forma de divulgar bandas. Tentei falar amenidades, escrever poesias que nada queriam dizer. Tentei e tentei.
Nunca fui dos mais visitados, descobri depois que coloquei o contador de visitas ali embaixo. Acho que nunca passou dos 200 e, depois disso, desisti de olhá-lo de vez em quando. Tudo deixou de ter a importância que tinha quando vi que blogs de desenhos (me recuso a chamá-las de ilustrações) ultrapassavam os milhares de views, transformando que não tinha nada para falar (vá lá, escrever) em cel(web)ridades. Caguei. Caguei de montão.
Os comentários, no entanto, ainda se fizeram presentes, mesmo que esporadicamente.
Eram, talvez, uma forma de curtição. Pessoal, pelo menos. Curtia ver que pessoas perderam uns minutos para ler o que dizia, mesmo que tão juvenilmente, mesmo que fosse bobo ou ingênuo.
Dez anos depois, óbvio que desisti de ser descoberto. A bolha estourou e o que sobrou foram averb*** da vida em páginas impressas. (a parte em que suprimo nomes é para evitar que uma googlada inofensiva venha cair aqui).
E continuei visitando esse blog de tempos em tempos, relegando-o ao relento por meses a fio e voltando a aquecê-lo por anos ininterruptos de teclas furiosas e faltas de revisão. E assim ele cresceu, deu lugar ao Orkut, ao Gmail, ao MSN e, faz um tempinho, ao FaceBook.
Agora, busco o prazer momentâneo, os 15 segundos de fama, em um desenho (me recuso a chamar aquilo de ilustração) de um polegar para cima. O sinal máximo de aceitação. Um botão que não exige mais do que alguns músculos dos dedos para ser tocado. E que, em milésimos de segundos, afirma que o que foi postado foi VOCÊ que ouviu primeiro, pensou primeiro, escreveu primeiro.
Mesmo que tudo se perca em uma hora, engolido por outros milhares de toques de curtir, ou por milhares de avatares sendo trocados, ou ainda por milhares de amizades que começam, entre aquele seu conhecido e uma pessoa que você nunca viu mais magra. Engolido pela voracidade de informar, dividir, se afirmar. E esquecer.
Pelo menos o botão está lá, e não aqui. Sei que, com uma busca rápida pelo meus arquivos, conseguirei relembrar o que estava pensando, o que estava passando, o que estava sentindo em cada momento que abri essa página e danei a escrever. Sem que alguém tenha precisado curtir. Mesmo porque, vou ser sincero, duvido que alguém consiga curtir mais isso aqui do que eu mesmo.
Absent soul, o meu enorme botão de curtir.
Há mais de 10 anos, quando comecei esse blog, a curtição era escrever para ser lido, discutido, idolatrado. Tentei fazer deste uma forma de divulgar bandas. Tentei falar amenidades, escrever poesias que nada queriam dizer. Tentei e tentei.
Nunca fui dos mais visitados, descobri depois que coloquei o contador de visitas ali embaixo. Acho que nunca passou dos 200 e, depois disso, desisti de olhá-lo de vez em quando. Tudo deixou de ter a importância que tinha quando vi que blogs de desenhos (me recuso a chamá-las de ilustrações) ultrapassavam os milhares de views, transformando que não tinha nada para falar (vá lá, escrever) em cel(web)ridades. Caguei. Caguei de montão.
Os comentários, no entanto, ainda se fizeram presentes, mesmo que esporadicamente.
Eram, talvez, uma forma de curtição. Pessoal, pelo menos. Curtia ver que pessoas perderam uns minutos para ler o que dizia, mesmo que tão juvenilmente, mesmo que fosse bobo ou ingênuo.
Dez anos depois, óbvio que desisti de ser descoberto. A bolha estourou e o que sobrou foram averb*** da vida em páginas impressas. (a parte em que suprimo nomes é para evitar que uma googlada inofensiva venha cair aqui).
E continuei visitando esse blog de tempos em tempos, relegando-o ao relento por meses a fio e voltando a aquecê-lo por anos ininterruptos de teclas furiosas e faltas de revisão. E assim ele cresceu, deu lugar ao Orkut, ao Gmail, ao MSN e, faz um tempinho, ao FaceBook.
Agora, busco o prazer momentâneo, os 15 segundos de fama, em um desenho (me recuso a chamar aquilo de ilustração) de um polegar para cima. O sinal máximo de aceitação. Um botão que não exige mais do que alguns músculos dos dedos para ser tocado. E que, em milésimos de segundos, afirma que o que foi postado foi VOCÊ que ouviu primeiro, pensou primeiro, escreveu primeiro.
Mesmo que tudo se perca em uma hora, engolido por outros milhares de toques de curtir, ou por milhares de avatares sendo trocados, ou ainda por milhares de amizades que começam, entre aquele seu conhecido e uma pessoa que você nunca viu mais magra. Engolido pela voracidade de informar, dividir, se afirmar. E esquecer.
Pelo menos o botão está lá, e não aqui. Sei que, com uma busca rápida pelo meus arquivos, conseguirei relembrar o que estava pensando, o que estava passando, o que estava sentindo em cada momento que abri essa página e danei a escrever. Sem que alguém tenha precisado curtir. Mesmo porque, vou ser sincero, duvido que alguém consiga curtir mais isso aqui do que eu mesmo.
Absent soul, o meu enorme botão de curtir.
Não pude deixar de perceber, não pude deixar de escrever. A vida dele já não é lá essas coisas. Não sei onde mora, sabia. Era uma casa não lá muito cheio de móveis, mas com cama, mesas, sua mãe e irmã, talvez.
Não faço ideia quando deixou o real para trás. Parece agora viver em um mundo só dele. Amigo, nem sei se chamarei-o assim, dividiu a cama comigo. Dividiu o gozo, ou disse ter dividido. Tomou do bom e do melhor e provou alguma coisa amarga também.
Tocava atabaque e dançava, como só os artistas podem fazê-lo, entre atores e mendigos, entre caveirinhas e magrelos.
Uma vez, saímos por aí, uma paca, uns peixes, bobó de camarão, sons, cervejas e cachaças. Era uma época boa, lembro-me. Parou em frente à casa de seu pai, nos convidou para entrar. Ouvimos um disco das antigas. Roberto? Tim? A vitrolinha se montava com as caixas de som escondidas embaixo das engrenagens.
Era tudo mais fácil nessa época, os risos, o estranhamento, as ideias e as esperanças. Em algum ponto, não existia mais: eu. Ele sempre vagueou, sempre fez-se existir. Era o cara, alguns até mesmo o queriam por perto. Tinham prazer, tinham desejo, tinham vontades. A magrela sumiu. A madeixa sumiu. A mais bela, sumiu.
Para onde foram, ninguém sabe. Talvez nunca saberão. Talvez nem ele saiba. Ele que parece cada vez mais longe, cada vez dentro dele e só.
O julgamento vem rápido e rápido se vai, como uma baforada de fumaça. Como a última gota de uma lata de cerveja. Talvez já seja hora de deitar e deixar-se ir. Pelo menos seria uma boa lembrança, ainda que esquisita e incômoda, de uns tempos para cá. Mas com o passar dos ponteiros, características se amenam, se desfazem, aos poucos vão abrindo espaço, tornando-se translúcidas. Até o ponto em que só resta o rosto, de um momento qualquer. Ou um sorriso ou uma jogada de corpo, um drible, um chute.
E no fim, nem a lembrança. Ela acaba se esvaindo como nossa própria memória. Como nós vamos aos poucos, comida de vermes, energia palpitante de um mundo novo. Quem sabe ele já não está lá, coroado em vez de bobo?
Quem sabe o que há para lá? Afinal, quem sabe o que há?
Não faço ideia quando deixou o real para trás. Parece agora viver em um mundo só dele. Amigo, nem sei se chamarei-o assim, dividiu a cama comigo. Dividiu o gozo, ou disse ter dividido. Tomou do bom e do melhor e provou alguma coisa amarga também.
Tocava atabaque e dançava, como só os artistas podem fazê-lo, entre atores e mendigos, entre caveirinhas e magrelos.
Uma vez, saímos por aí, uma paca, uns peixes, bobó de camarão, sons, cervejas e cachaças. Era uma época boa, lembro-me. Parou em frente à casa de seu pai, nos convidou para entrar. Ouvimos um disco das antigas. Roberto? Tim? A vitrolinha se montava com as caixas de som escondidas embaixo das engrenagens.
Era tudo mais fácil nessa época, os risos, o estranhamento, as ideias e as esperanças. Em algum ponto, não existia mais: eu. Ele sempre vagueou, sempre fez-se existir. Era o cara, alguns até mesmo o queriam por perto. Tinham prazer, tinham desejo, tinham vontades. A magrela sumiu. A madeixa sumiu. A mais bela, sumiu.
Para onde foram, ninguém sabe. Talvez nunca saberão. Talvez nem ele saiba. Ele que parece cada vez mais longe, cada vez dentro dele e só.
O julgamento vem rápido e rápido se vai, como uma baforada de fumaça. Como a última gota de uma lata de cerveja. Talvez já seja hora de deitar e deixar-se ir. Pelo menos seria uma boa lembrança, ainda que esquisita e incômoda, de uns tempos para cá. Mas com o passar dos ponteiros, características se amenam, se desfazem, aos poucos vão abrindo espaço, tornando-se translúcidas. Até o ponto em que só resta o rosto, de um momento qualquer. Ou um sorriso ou uma jogada de corpo, um drible, um chute.
E no fim, nem a lembrança. Ela acaba se esvaindo como nossa própria memória. Como nós vamos aos poucos, comida de vermes, energia palpitante de um mundo novo. Quem sabe ele já não está lá, coroado em vez de bobo?
Quem sabe o que há para lá? Afinal, quem sabe o que há?
segunda-feira, julho 18, 2011
É o tipo da coisa que faz pensar.
Dia tranquilo, vídeos e sites abertos e abrindo.
Primeiro, vejo o Clayton Conservani correndo 42km num frio de rachar e destruindo um dedinho do pé na proeza. Sério, depois da maratona na Antártica, o dedo do lado do dedão estava roxo que só. Um pequeno hematoma. ou hema... TOMA!!!
Ele procurou isso, né?
Desafiou as leis da sobrevivência e saiu (nem tão) ileso.
Pausa para o café (que não há)
Volto e me deparo com um piquenique em família. Todos felizes, brincando próximos a um rio. Rio? chamar aquela linguinha de água que corre de rio é até elogio. Um corguinho (diminutivo de córrego em Mato Grosso), se tanto.
Mas eis que a natureza, ah sempre ela, sábia e traiçoeira, manda em questões de segundos uma volume tal de água que transforma o regato em corredeira. No meio do rio, onde antes tinham pedras que guiavam o caminho, cinco pessoas. Uma criança, um cara meio careca, uma mulher, um jovem adulto...
A criança não consegue manter o equilíbrio e é levada pela água. Como todos estavam próximos e de mãos dadas, lá se vão os cinco rio abaixo. E, vejam só, alguns metros, pouquíssimos metros adiante, uma queda d´água. Ainda não encontraram dois dos corpos, mas três já foram resgatados. Sem vida, obviamente.
O que quero mostrar aqui? Sei lá. Que vale mais a pena correr o risco em uma maratona na Antártica, e levar essa experiência para o resto da vida, do que fazer um piquenique bobo perto de um rio.
O pior é que o piquenique perto de um rio (e de uma queda d´água) eu já fiz.
Falta agora a maratona...
Dia tranquilo, vídeos e sites abertos e abrindo.
Primeiro, vejo o Clayton Conservani correndo 42km num frio de rachar e destruindo um dedinho do pé na proeza. Sério, depois da maratona na Antártica, o dedo do lado do dedão estava roxo que só. Um pequeno hematoma. ou hema... TOMA!!!
Ele procurou isso, né?
Desafiou as leis da sobrevivência e saiu (nem tão) ileso.
Pausa para o café (que não há)
Volto e me deparo com um piquenique em família. Todos felizes, brincando próximos a um rio. Rio? chamar aquela linguinha de água que corre de rio é até elogio. Um corguinho (diminutivo de córrego em Mato Grosso), se tanto.
Mas eis que a natureza, ah sempre ela, sábia e traiçoeira, manda em questões de segundos uma volume tal de água que transforma o regato em corredeira. No meio do rio, onde antes tinham pedras que guiavam o caminho, cinco pessoas. Uma criança, um cara meio careca, uma mulher, um jovem adulto...
A criança não consegue manter o equilíbrio e é levada pela água. Como todos estavam próximos e de mãos dadas, lá se vão os cinco rio abaixo. E, vejam só, alguns metros, pouquíssimos metros adiante, uma queda d´água. Ainda não encontraram dois dos corpos, mas três já foram resgatados. Sem vida, obviamente.
O que quero mostrar aqui? Sei lá. Que vale mais a pena correr o risco em uma maratona na Antártica, e levar essa experiência para o resto da vida, do que fazer um piquenique bobo perto de um rio.
O pior é que o piquenique perto de um rio (e de uma queda d´água) eu já fiz.
Falta agora a maratona...
quarta-feira, julho 13, 2011
Antes Aqui
Parem as máquinas. Pela primeira vez em todos os anos de vida da nossa querida Hype, é preciso escrever a resenha de um álbum que não existe. Bom, pelo menos não do jeito ao qual estamos acostumados. Deixe-me explicar: o Kaiser Chiefs, banda animada da Inglaterra, acaba de lançar 20 músicas em seu site. Tudo o que você precisa fazer é escutar alguns segundos liberados de cada música, escolher suas 10 faixas favoritas, na ordem que quiser, e fazer a arte da capa, dentro das opções de cor de fundo e ilustrações que são oferecidas. Pronto, você é quem faz o próximo disco do Kaiser Chiefs, The Future is Medieval.
É a inversão dos preceitos da indústria cultural, ainda que dentro dela. Você não tem mais a replicação ad eternum de um mesmo produto, mas sim a criação de milhares de propostas diferentes, surgidas de uma mesma matriz. Se o papo é interessante para teóricos da comunicação, para nós, meros mortais, o que valem são as notas e acordes, as letras e as canções. E, ainda bem, elas ainda estão por lá.
A máquina de hits que conhecemos no impecável primeiro disco, Employment, deu uma enferrujada. As canções estão mais duras, trazendo na bagagem uma tonelada de influências, tão distintas como Beach Boys e Stone Temple Pilots. Os destaques entre as 20 não ficam com mais de meia dúzia, entre elas Saying Something, Out of Focus, Man on Mars, My Place is Here e do single Little Shocks.
Mas na hora de propor uma nota para o álbum, ficamos perdidos, entre músicas soltas, como se a não necessidade de juntar as melhores em um disco físico tivesse deixado a banda solta demais, livre demais. Não é possível encontrar uma liga que una o trabalho em torno de um conceito, de uma ideia. Tudo se torna um emaranhado de tentativas jogadas na rede. Nessas horas, um pouco menos de liberdade e um pouco mais de direção não fariam mal.
Claro que depois de soltar a ideia na internet e nas principais manchetes de cadernos de cultura, a banda acabou por escolher suas próprias 10 faixas e capa. O disco físico, aquele que ainda vende, logo estará nas melhores casas do ramo).
Eu também fiz o meu, como você pode ver na imagem aí debaixo...
Parem as máquinas. Pela primeira vez em todos os anos de vida da nossa querida Hype, é preciso escrever a resenha de um álbum que não existe. Bom, pelo menos não do jeito ao qual estamos acostumados. Deixe-me explicar: o Kaiser Chiefs, banda animada da Inglaterra, acaba de lançar 20 músicas em seu site. Tudo o que você precisa fazer é escutar alguns segundos liberados de cada música, escolher suas 10 faixas favoritas, na ordem que quiser, e fazer a arte da capa, dentro das opções de cor de fundo e ilustrações que são oferecidas. Pronto, você é quem faz o próximo disco do Kaiser Chiefs, The Future is Medieval.
É a inversão dos preceitos da indústria cultural, ainda que dentro dela. Você não tem mais a replicação ad eternum de um mesmo produto, mas sim a criação de milhares de propostas diferentes, surgidas de uma mesma matriz. Se o papo é interessante para teóricos da comunicação, para nós, meros mortais, o que valem são as notas e acordes, as letras e as canções. E, ainda bem, elas ainda estão por lá.
A máquina de hits que conhecemos no impecável primeiro disco, Employment, deu uma enferrujada. As canções estão mais duras, trazendo na bagagem uma tonelada de influências, tão distintas como Beach Boys e Stone Temple Pilots. Os destaques entre as 20 não ficam com mais de meia dúzia, entre elas Saying Something, Out of Focus, Man on Mars, My Place is Here e do single Little Shocks.
Mas na hora de propor uma nota para o álbum, ficamos perdidos, entre músicas soltas, como se a não necessidade de juntar as melhores em um disco físico tivesse deixado a banda solta demais, livre demais. Não é possível encontrar uma liga que una o trabalho em torno de um conceito, de uma ideia. Tudo se torna um emaranhado de tentativas jogadas na rede. Nessas horas, um pouco menos de liberdade e um pouco mais de direção não fariam mal.
Claro que depois de soltar a ideia na internet e nas principais manchetes de cadernos de cultura, a banda acabou por escolher suas próprias 10 faixas e capa. O disco físico, aquele que ainda vende, logo estará nas melhores casas do ramo).
Eu também fiz o meu, como você pode ver na imagem aí debaixo...
quarta-feira, julho 06, 2011
o blog do sem sentido volta ao normal.
sinto falta de escrever, mesmo quando passo os dias a escrever.
a falta é da liberdade, de sentar depois de um almoço com o café na mão pensando em nada mais do que palavras que valham a pena serem redigidas, unidas e rebocadas em frases que nem fazem tanto efeito.
de qualquer forma...
Bom, estive a pensar. Grande problema pensar. grande problema.
Já se olhou hoje nos olhos?
Eu não.
Como posso não viver para os olhos dos outros se são eles que me vêem?
Não existe a possibilidade de simplesmente me negar a preocupação do que eles estão pensando sobre mim. Entenda, quem é você da boca pra fora? dos olhos pra fora? do epitélio adiante?
Eu não me sei existindo sem o outro. E, talvez, seja para eles que eu exista. Desde sempre, afinal, não passei de um desejo de dois outros seres de terem alguém para jurar o amor que um dia tiveram. Pare de pensar ou pare para pensar.
E tente não enlouquecer com isso.
sinto falta de escrever, mesmo quando passo os dias a escrever.
a falta é da liberdade, de sentar depois de um almoço com o café na mão pensando em nada mais do que palavras que valham a pena serem redigidas, unidas e rebocadas em frases que nem fazem tanto efeito.
de qualquer forma...
Bom, estive a pensar. Grande problema pensar. grande problema.
Já se olhou hoje nos olhos?
Eu não.
Como posso não viver para os olhos dos outros se são eles que me vêem?
Não existe a possibilidade de simplesmente me negar a preocupação do que eles estão pensando sobre mim. Entenda, quem é você da boca pra fora? dos olhos pra fora? do epitélio adiante?
Eu não me sei existindo sem o outro. E, talvez, seja para eles que eu exista. Desde sempre, afinal, não passei de um desejo de dois outros seres de terem alguém para jurar o amor que um dia tiveram. Pare de pensar ou pare para pensar.
E tente não enlouquecer com isso.
sexta-feira, julho 01, 2011
old, but gold.
Há 64 anos, milhares de visitantes desembarcavam em várias praias da Normandia, na França. Pronta para recebê-los, esperava uma equipe bem treinada. Ainda assim, a estadia desses "turistas" esteve longe de ser pacífica e amistosa.
Talvez porque a equipe que os recebeu, em vez de agentes do Visitors and Convention Bureau, era composta de soldados inimigos armados até os dentes. E os visitantes eram soldados aliados com a missão de libertar a Europa da dominação nazista. O dia, claro, era o 5 de junho de 1944, que marcou a "virada de mesa" da 2ª Guerra Mundial e entrou para a história como Dia D .
Ainda bem que hoje, depois de 64 anos, você já pode ir visitar o teatro de guerra e ser recebido, não com balas, mas com calor humano. O turismo de guerra na Normandia é muito bem estruturado, com empresas que fazem passeios temáticos, como "Band of Brothers Tour", que refaz o caminho percorrido pela famosa Companhia Easy, da 101º divisão, mostrado na série de mesmo nome da HBO, inúmeros museus e visitas guiadas.
Como profundo amante da 2ª Guerra, não pude deixar de visitar a Normandia em minha primeira incursão pelo Velho Mundo.
A cidade escolhida como base para minha "operação" foi Caen, que é bastante central na região. Pequena e acolhedora, com impressionantes prédios do século XI, Caen foi bombardeada durante a guerra e teve muitos dos seus marcos destruídos. A história é guardada e recontada com zelo por seus moradores.
Mas seu atrativo mais irresistível para os aficionados pela 2ª Guerra é o Memorial da Paz, um museu que conta a história das batalhas em solo europeu, dos anos negros na França (sob o domínio alemão), e das deportações para os campos de concentração e genocídio. Assustador, este último espaço serve para lembrarmos de que, melhor do que apagar o que se passou, é manter viva a idéia de que a intolerância pode nos leve a trilhar o mesmo caminho.
Do Memorial da Paz, saem algumas visitas guiadas, e foi em uma delas que me inscrevi. Num frio de rachar (prefira fazer o passei durante o verão ou primavera!), passei pelas praias do desembarque, Gold, Utah e a sangrenta Omaha, onde mais de 3 mil soldados foram mortos no desembarque.
Ainda é possível ver, escondidos entre a vegetação, ninhos de metralhadoras e bunkers de artilharia, resquícios da Muralha do Atlântico, estrategicamente arranjados em frente às praias, de modo a cobrir praticamente toda sua área e levar o terror às tropas aliadas.
Dali, parti para visitar os cemitérios americano e alemão. Enquanto o primeiro tem lápides em mármore carrara e recebe milhares de visitantes por mês, o segundo é marcado por pedras vulcânicas, discrição e tem uma porta estreita, que só possibilita a entrada de uma pessoa por vez, para lembrar que a vida é mesmo uma viagem solitária.
Felizmente, para o bem do mundo como o conhecemos, a viagem dos heróis da 2ª Grande Guerra foi tudo, menos solitária.
Há 64 anos, milhares de visitantes desembarcavam em várias praias da Normandia, na França. Pronta para recebê-los, esperava uma equipe bem treinada. Ainda assim, a estadia desses "turistas" esteve longe de ser pacífica e amistosa.
Talvez porque a equipe que os recebeu, em vez de agentes do Visitors and Convention Bureau, era composta de soldados inimigos armados até os dentes. E os visitantes eram soldados aliados com a missão de libertar a Europa da dominação nazista. O dia, claro, era o 5 de junho de 1944, que marcou a "virada de mesa" da 2ª Guerra Mundial e entrou para a história como Dia D .
Ainda bem que hoje, depois de 64 anos, você já pode ir visitar o teatro de guerra e ser recebido, não com balas, mas com calor humano. O turismo de guerra na Normandia é muito bem estruturado, com empresas que fazem passeios temáticos, como "Band of Brothers Tour", que refaz o caminho percorrido pela famosa Companhia Easy, da 101º divisão, mostrado na série de mesmo nome da HBO, inúmeros museus e visitas guiadas.
Como profundo amante da 2ª Guerra, não pude deixar de visitar a Normandia em minha primeira incursão pelo Velho Mundo.
A cidade escolhida como base para minha "operação" foi Caen, que é bastante central na região. Pequena e acolhedora, com impressionantes prédios do século XI, Caen foi bombardeada durante a guerra e teve muitos dos seus marcos destruídos. A história é guardada e recontada com zelo por seus moradores.
Mas seu atrativo mais irresistível para os aficionados pela 2ª Guerra é o Memorial da Paz, um museu que conta a história das batalhas em solo europeu, dos anos negros na França (sob o domínio alemão), e das deportações para os campos de concentração e genocídio. Assustador, este último espaço serve para lembrarmos de que, melhor do que apagar o que se passou, é manter viva a idéia de que a intolerância pode nos leve a trilhar o mesmo caminho.
Do Memorial da Paz, saem algumas visitas guiadas, e foi em uma delas que me inscrevi. Num frio de rachar (prefira fazer o passei durante o verão ou primavera!), passei pelas praias do desembarque, Gold, Utah e a sangrenta Omaha, onde mais de 3 mil soldados foram mortos no desembarque.
Ainda é possível ver, escondidos entre a vegetação, ninhos de metralhadoras e bunkers de artilharia, resquícios da Muralha do Atlântico, estrategicamente arranjados em frente às praias, de modo a cobrir praticamente toda sua área e levar o terror às tropas aliadas.
Dali, parti para visitar os cemitérios americano e alemão. Enquanto o primeiro tem lápides em mármore carrara e recebe milhares de visitantes por mês, o segundo é marcado por pedras vulcânicas, discrição e tem uma porta estreita, que só possibilita a entrada de uma pessoa por vez, para lembrar que a vida é mesmo uma viagem solitária.
Felizmente, para o bem do mundo como o conhecemos, a viagem dos heróis da 2ª Grande Guerra foi tudo, menos solitária.
quinta-feira, junho 16, 2011
quinta-feira, junho 09, 2011
Então, é simples assim.
Hoje tô com preguiça do mundo.
Não quero falar com ninguém, não quero ler bom-dia de ninguém no facebook, nem no twitter.
Se pudesse, me isolaria em um quarto de hotel, ou no de casa mesmo e só acordaria amanhã.
Mas a vida não é assim, né...
Então, fone de ouvido, músicas, páginas em branco no word e olho no relógio que é para o dia acabar logo.
Hoje tô com preguiça do mundo.
Não quero falar com ninguém, não quero ler bom-dia de ninguém no facebook, nem no twitter.
Se pudesse, me isolaria em um quarto de hotel, ou no de casa mesmo e só acordaria amanhã.
Mas a vida não é assim, né...
Então, fone de ouvido, músicas, páginas em branco no word e olho no relógio que é para o dia acabar logo.
Em dia de radiohead, dia de lamúrias.
Quando vinha ao Rio de Janeiro, ainda moleque, ainda visitante, uma das primeiras coisas que fazia era pegar o jornal e ver quais os filmes estavam em cartaz.
Era um alívio poder escolher entre tantas opções boas e, mais ainda, entre opções que nunca chegariam às cidades onde estava morando.
Pronto, vim para o Rio. Moro aqui. E hoje, no jornal diário, passei direto pela programação dos cinemas daqui.
a questão é, por quê?
o cinema deixou de ser uma opção de lazer? Ou deixei de pensar em opções de lazer?
Já faz alguns meses que não vou ao cinema, creio que o último título que vi foi um parto de viagem. A partir daí, parto tem sido encontrar tempo para ir ao cinema. Nem o Thor, o personagem, não o filho do Eike, consegui me tirar de casa...
Será só um até logo?
Quando vinha ao Rio de Janeiro, ainda moleque, ainda visitante, uma das primeiras coisas que fazia era pegar o jornal e ver quais os filmes estavam em cartaz.
Era um alívio poder escolher entre tantas opções boas e, mais ainda, entre opções que nunca chegariam às cidades onde estava morando.
Pronto, vim para o Rio. Moro aqui. E hoje, no jornal diário, passei direto pela programação dos cinemas daqui.
a questão é, por quê?
o cinema deixou de ser uma opção de lazer? Ou deixei de pensar em opções de lazer?
Já faz alguns meses que não vou ao cinema, creio que o último título que vi foi um parto de viagem. A partir daí, parto tem sido encontrar tempo para ir ao cinema. Nem o Thor, o personagem, não o filho do Eike, consegui me tirar de casa...
Será só um até logo?
quarta-feira, junho 01, 2011
E, de tanto curtir os sabores e perfumes das cervejas, comecei a questionar o que faz as cervejas maravilhosas se diferenciarem das boas?
Sim, sei que sabores e aromas são diferentes, intensos e dão toda a personalidade para cada uma delas. Mas será que o marketing também não tem sua parte nisso tudo?
Ou o que explicaria uma Cuvée Van Der Keizer safra 2000 valer 99 reais em um lugar e 199 em outro?
Ah, claro. É cerveja safrada, guardada, madura e pronta para bebericar.
Isso vale muito, claro, mas CEM reais a mais?
E o que dizer das Samuel Adams? Ontem vi uma Infinium no Farinha Pura, da Cobal do Humaitá a um preço inacessível.
Gente, é cerveja. tem fabricação o tempo todo. Não é de safra, como o vinho...
A Samuel Adams é legal, ok. Tem as Utopias (dizem ser clássicas), mas o que difere ela das outras?
Para mim, o marketing. E se a gente ainda está aprendendo a diferenciar estilos, como vamos saber diferenciar preço? Eu, de tanto ver, pesquisar e, ok, comprar, já sei mais ou menos quanto vale pagar por uma cerva aqui no Brasil. Já tomei manta, mas já me dei muito bem tb. Só acho que as americanas estão totalmente fora da realidade.
Uma Flying Dog sair por VINTE reais, pra mim, é sacanagem!
Enfim, vou dar umas dicas de preço para vocês:
Belgas, estilo trapista, estão em torno de 20-24 reais. Abaixo disso é barato, acima, muito caro.
Garrafas de 750ml já estão chegando a um preço razoável, 43-49 reais, dependendo da cerveja. A La Trappe, bem interessante sai nessa faixa. Pagar 80 numa Delirium é delírio. Consegui tomar a 50 reais, já.
As Colorado por volta de 12-15 reais. As Urquell, sobretaxadas, vão de até 25 reais, na maioria dos lugares. Mas já comprei a 14.
As da Fuller´s consegui comprar a 21, mas já vi cobrarem 32. No Uruguay custam 3 dólares, a garrafa! Fala sério, né...
As americanas, todas, parecem ter a faixa de 17-19 como "normal", para a long neck.
No geral, as pilsen são mais baratas do que as Ale, que vão encarecendo à medida que passam de Blonde para Dubel, Tripel e Quadrupel. Algumas Stouts e Porters são mais caras também, do que suas versões mais "claras".
Escolha bem seu estilo e sua cerveja. E saúde!
Sim, sei que sabores e aromas são diferentes, intensos e dão toda a personalidade para cada uma delas. Mas será que o marketing também não tem sua parte nisso tudo?
Ou o que explicaria uma Cuvée Van Der Keizer safra 2000 valer 99 reais em um lugar e 199 em outro?
Ah, claro. É cerveja safrada, guardada, madura e pronta para bebericar.
Isso vale muito, claro, mas CEM reais a mais?
E o que dizer das Samuel Adams? Ontem vi uma Infinium no Farinha Pura, da Cobal do Humaitá a um preço inacessível.
Gente, é cerveja. tem fabricação o tempo todo. Não é de safra, como o vinho...
A Samuel Adams é legal, ok. Tem as Utopias (dizem ser clássicas), mas o que difere ela das outras?
Para mim, o marketing. E se a gente ainda está aprendendo a diferenciar estilos, como vamos saber diferenciar preço? Eu, de tanto ver, pesquisar e, ok, comprar, já sei mais ou menos quanto vale pagar por uma cerva aqui no Brasil. Já tomei manta, mas já me dei muito bem tb. Só acho que as americanas estão totalmente fora da realidade.
Uma Flying Dog sair por VINTE reais, pra mim, é sacanagem!
Enfim, vou dar umas dicas de preço para vocês:
Belgas, estilo trapista, estão em torno de 20-24 reais. Abaixo disso é barato, acima, muito caro.
Garrafas de 750ml já estão chegando a um preço razoável, 43-49 reais, dependendo da cerveja. A La Trappe, bem interessante sai nessa faixa. Pagar 80 numa Delirium é delírio. Consegui tomar a 50 reais, já.
As Colorado por volta de 12-15 reais. As Urquell, sobretaxadas, vão de até 25 reais, na maioria dos lugares. Mas já comprei a 14.
As da Fuller´s consegui comprar a 21, mas já vi cobrarem 32. No Uruguay custam 3 dólares, a garrafa! Fala sério, né...
As americanas, todas, parecem ter a faixa de 17-19 como "normal", para a long neck.
No geral, as pilsen são mais baratas do que as Ale, que vão encarecendo à medida que passam de Blonde para Dubel, Tripel e Quadrupel. Algumas Stouts e Porters são mais caras também, do que suas versões mais "claras".
Escolha bem seu estilo e sua cerveja. E saúde!
terça-feira, maio 31, 2011
Mais textos de lá
Terror
Mesmo quem ainda não conhece Guarapari, um balneário calmo no litoral do Espírito Santo, já deve ter ouvido falar das famosas paisagens de suas praias de águas limpas. Mas mesmo quem já conhece as areias pretas da cidade, não espera encontrar o Mangue Negro que existe por lá.
Saído da mente e da habilidade no trabalho com efeitos de Rodrigo Aragão, o longa Mangue Negro abriu um novo caminho para o cinema de terror produzido no país. Atrelado ao estilo gore, onde tripas e sangue têm tanta importância quanto uma boa interpretação, Aragão já foi comparado ao mestre Zé do Caixão, e coleciona prêmios nos festivais por onde passa.
Seu próximo projeto, A noite do Chupacabras, também feito com pouco orçamento, está prestes a ser lançado. Se filme de terror no Brasil era motivo para risos, agora a situação ficou mais séria. É melhor você pensar duas vezes antes de abrir aquele armário ou sair sozinho à noite pelas ruas desertas de sua cidade.
Ficção
Depois que seu vídeo A Menina e o Gigante ganhar notoriedade no youtube, com milhares de exibições, Ademir di Paula se tornou um nome falado e conhecido, mas não uma unanimidade. No vídeo, um robô gigante aparece para salvar uma menina de uma invasão extraterrestre.
Depois dessa primeira carta de apresentação, Ademir di Paula continuou tocando seus projetos, agora com muito mais visibilidade. Unindo efeitos em computação e roteiros de ficção científica, ele lançou há pouco tempo, na internet, o trailer de seu outro filme Contatos Imediatos de Último Grau. Nessa outra história, espaçonaves atacam o Brasil e acaba sobrando até para o Cristo Redentor.
Não demorou muito, e ele voltou a ser o centro das atenções. Seus efeitos espaciais lhe deram a oportunidade de assinar o primeiro filme totalmente brasileiro de ficção científica. Nada mal para qualquer currículo. Já as críticas, bom, essas ele manda para o espaço. Fácil como um clique no computador.
Terror
Mesmo quem ainda não conhece Guarapari, um balneário calmo no litoral do Espírito Santo, já deve ter ouvido falar das famosas paisagens de suas praias de águas limpas. Mas mesmo quem já conhece as areias pretas da cidade, não espera encontrar o Mangue Negro que existe por lá.
Saído da mente e da habilidade no trabalho com efeitos de Rodrigo Aragão, o longa Mangue Negro abriu um novo caminho para o cinema de terror produzido no país. Atrelado ao estilo gore, onde tripas e sangue têm tanta importância quanto uma boa interpretação, Aragão já foi comparado ao mestre Zé do Caixão, e coleciona prêmios nos festivais por onde passa.
Seu próximo projeto, A noite do Chupacabras, também feito com pouco orçamento, está prestes a ser lançado. Se filme de terror no Brasil era motivo para risos, agora a situação ficou mais séria. É melhor você pensar duas vezes antes de abrir aquele armário ou sair sozinho à noite pelas ruas desertas de sua cidade.
Ficção
Depois que seu vídeo A Menina e o Gigante ganhar notoriedade no youtube, com milhares de exibições, Ademir di Paula se tornou um nome falado e conhecido, mas não uma unanimidade. No vídeo, um robô gigante aparece para salvar uma menina de uma invasão extraterrestre.
Depois dessa primeira carta de apresentação, Ademir di Paula continuou tocando seus projetos, agora com muito mais visibilidade. Unindo efeitos em computação e roteiros de ficção científica, ele lançou há pouco tempo, na internet, o trailer de seu outro filme Contatos Imediatos de Último Grau. Nessa outra história, espaçonaves atacam o Brasil e acaba sobrando até para o Cristo Redentor.
Não demorou muito, e ele voltou a ser o centro das atenções. Seus efeitos espaciais lhe deram a oportunidade de assinar o primeiro filme totalmente brasileiro de ficção científica. Nada mal para qualquer currículo. Já as críticas, bom, essas ele manda para o espaço. Fácil como um clique no computador.
segunda-feira, maio 30, 2011
Queria postar dois textos que li este fim de semana. mas o globo.com não permite.
Pena, queria poder dividir o que Arnaldo Bloch e Artur Xexeo falaram sobre o show do Paul Mccartney. Sem o deslumbre dos focas, que assombram as redações, os dois celebraram a boa música, os bons shows, e tiraram essa aura de oba oba em cima da apresentação do ex-beatle no engenhão. O toque está dado, corram atrás.
***
Sábado fui no Colarinho, encontrei o Caio e perdi a linha...
Fui de Konig Pilsner, Schneider Tap 7 Original e chopps da Colorado Demoiselle, Falke Dry Stout, Mistura Clássica Malzbier, Bamberg Helles (caneca de um litro), dois La Trappe Quadrupel (banana... hum...) e um Viena American Pale Ale (APA). Tudo fora de ordem, claro...
Pena, queria poder dividir o que Arnaldo Bloch e Artur Xexeo falaram sobre o show do Paul Mccartney. Sem o deslumbre dos focas, que assombram as redações, os dois celebraram a boa música, os bons shows, e tiraram essa aura de oba oba em cima da apresentação do ex-beatle no engenhão. O toque está dado, corram atrás.
***
Sábado fui no Colarinho, encontrei o Caio e perdi a linha...
Fui de Konig Pilsner, Schneider Tap 7 Original e chopps da Colorado Demoiselle, Falke Dry Stout, Mistura Clássica Malzbier, Bamberg Helles (caneca de um litro), dois La Trappe Quadrupel (banana... hum...) e um Viena American Pale Ale (APA). Tudo fora de ordem, claro...
quinta-feira, maio 26, 2011
lá do site...
Bollywood
O Skype estava me chamando. A entrevista estava marcada para as cinco da tarde. Do lado de lá, Beatriz Seigner, diretora do longa Sonhos de Bollywood. O papo começa com um belo sol a iluminar o quarto onde a câmera estava.
Beatriz começa explicando como surgiu a oportunidade de fazer um filme em co-produção com a Índia, e as coincidências que levaram três atrizes a enfrentar todos os vícios da indústria indiana de filmes, inclusive do star system. Entre outros tantos assuntos, a vontade de fazer um filme sobre a estranheza das sensações em um país tão único e tão distante da nossa realidade, e com uma câmera um tanto naturalista captando momentos de improvisação e quase documentais.
As dificuldades da língua e de ser uma mulher dando ordens no set, pouco comum para os indianos, também estiveram na pauta da conversa que, de tão leve e interessante, só acabou quando o sol que iluminava o quarto já tinha se posto.
Bollywood
O Skype estava me chamando. A entrevista estava marcada para as cinco da tarde. Do lado de lá, Beatriz Seigner, diretora do longa Sonhos de Bollywood. O papo começa com um belo sol a iluminar o quarto onde a câmera estava.
Beatriz começa explicando como surgiu a oportunidade de fazer um filme em co-produção com a Índia, e as coincidências que levaram três atrizes a enfrentar todos os vícios da indústria indiana de filmes, inclusive do star system. Entre outros tantos assuntos, a vontade de fazer um filme sobre a estranheza das sensações em um país tão único e tão distante da nossa realidade, e com uma câmera um tanto naturalista captando momentos de improvisação e quase documentais.
As dificuldades da língua e de ser uma mulher dando ordens no set, pouco comum para os indianos, também estiveram na pauta da conversa que, de tão leve e interessante, só acabou quando o sol que iluminava o quarto já tinha se posto.
quarta-feira, maio 25, 2011
Brejas!!!!!
Resolvi fechar a noite com a Rochefort 6. Nem esperava tanto, mas MEU DEUS!!!
O que é esse cheiro? Uva passa, damasco, tutti frutti. Depois, apareceu um abacaxi rapidinho, conforme ia esquentando. O sabor, lindo, frutado, pão, malte, mais uma vez tutti frutti. No copo, uma cor fechada puxando para o cobre, turva, com deposito. A espuma nem consistente, nem perene... Mas sinceramente? Nem precisava. Uma cerveja fina e elegante como poucas... Quero mais e mais e mais. Bélgica aí vou eu.
hehehehe



Resolvi fechar a noite com a Rochefort 6. Nem esperava tanto, mas MEU DEUS!!!
O que é esse cheiro? Uva passa, damasco, tutti frutti. Depois, apareceu um abacaxi rapidinho, conforme ia esquentando. O sabor, lindo, frutado, pão, malte, mais uma vez tutti frutti. No copo, uma cor fechada puxando para o cobre, turva, com deposito. A espuma nem consistente, nem perene... Mas sinceramente? Nem precisava. Uma cerveja fina e elegante como poucas... Quero mais e mais e mais. Bélgica aí vou eu.
hehehehe

Esse dia começou, cervejamente falando com uma nacional que há tempos venho deixando de lado. Sabia que um dia ela estaria a minha frente, então foi mais uma opção de esperar pelo momento certo para degustar a Colorado Cauim.
As Colorados estão ganhando cada vez mais espaço na minha lista de cervejas. A Indica é uma ótima opção de IPA, em bom custo. E a Cauim acaba de se tornar a minha pilsen nacional preferida. Tem aroma, sabor, lúpulo gostoso... Só não consegui sentir a mandioca (ui!). Mas estava com o nariz meio entupido, em um ambiente não controlado. hehehe.

Eu de Pilsen?

Depois, preciso dizer, encontrei uma legítima perfumada. Que cerveja deliciosa, que aroma maravilhoso... Como li por aí, em algum lugar, um chá de grama cortada. Com flores, veja só. Lúpulo floral foi a descrição do vendedor. Achei uma ótima opção, como se fosse uma irmã mais nova da Pilsner Urquell. Urquell que é a minha favorita até hoje.



E depois, para fechar a noite, já em grande estilo uma das minhas marcas preferidas, mesmo antes de provar, a Orval. É uma das taças mais lindas, uma das garrafas mais lindas e uma das bolachas mais lindas. Agora, admito, não estava preparado para o soco que saiu de dentro da garrafa quando a cheirei pela primeira vez... Nem sei com o que se parece, algo tão forte e ao mesmo tempo equilibrado.

a garrafa

a bolacha

o copo
Com umas belezas dessas, a cerva nem precisava ser boa. Mas é.
Além da porrada, cheia de malte, biscoito e, sei lá, AIPO (???) no aroma, o sabor da danada consegue juntar o malte das trapistas mas cheia de lúpulo. retrogosto permanente, MESMO, tipo 5 minutos no mínimo depois de beber ele ainda te lembra do gosto da danada. Até menta veio na leva do último gole. Baunilha, biscoito, o maltado com certo frescor, talvez lupulado...
Complexa, muito complexa. Merece uma segunda degustação, assim como a Gouden Carolus Classic.
As Colorados estão ganhando cada vez mais espaço na minha lista de cervejas. A Indica é uma ótima opção de IPA, em bom custo. E a Cauim acaba de se tornar a minha pilsen nacional preferida. Tem aroma, sabor, lúpulo gostoso... Só não consegui sentir a mandioca (ui!). Mas estava com o nariz meio entupido, em um ambiente não controlado. hehehe.

Eu de Pilsen?

Depois, preciso dizer, encontrei uma legítima perfumada. Que cerveja deliciosa, que aroma maravilhoso... Como li por aí, em algum lugar, um chá de grama cortada. Com flores, veja só. Lúpulo floral foi a descrição do vendedor. Achei uma ótima opção, como se fosse uma irmã mais nova da Pilsner Urquell. Urquell que é a minha favorita até hoje.



E depois, para fechar a noite, já em grande estilo uma das minhas marcas preferidas, mesmo antes de provar, a Orval. É uma das taças mais lindas, uma das garrafas mais lindas e uma das bolachas mais lindas. Agora, admito, não estava preparado para o soco que saiu de dentro da garrafa quando a cheirei pela primeira vez... Nem sei com o que se parece, algo tão forte e ao mesmo tempo equilibrado.

a garrafa

a bolacha

o copo
Com umas belezas dessas, a cerva nem precisava ser boa. Mas é.
Além da porrada, cheia de malte, biscoito e, sei lá, AIPO (???) no aroma, o sabor da danada consegue juntar o malte das trapistas mas cheia de lúpulo. retrogosto permanente, MESMO, tipo 5 minutos no mínimo depois de beber ele ainda te lembra do gosto da danada. Até menta veio na leva do último gole. Baunilha, biscoito, o maltado com certo frescor, talvez lupulado...
Complexa, muito complexa. Merece uma segunda degustação, assim como a Gouden Carolus Classic.
Ontem estava pensando numas listas possíveis de serem feitas: melhores shows, melhores bandas, grandes discos... Do nada me deparei com uma, totalmente minha, de bandas que achei no início da onda de compartilhamento de MP3 pela internet. Coisas da época da internet discada, ligada direto madrugada adentro (pulso único, lembram-se?), pré-napster. Nem me lembro como as achava ou como conseguia baixar essas músicas, mas o meu winamp, que usei até a versão 2.8, viu muitas delas fazendo companhia, nas tardes de 98, aos jogos emulados de NES e Flipers das antigas. Então, pensei em buscar algumas dessas bandas e ver como estão hoje em dia...
Algumas delas abaixo:
Essex Green
ouvia muito o disco Everything is Green. E a música de mesmo nome embalou MUITA jogatina de Elevator Action.
Escute ela aqui.
Flashing Lights
Deles, fui catando e ouvia o primeiro disco inteiro. Imaginem a dificuldade em achar(e baixar) um disco inteiro naquela época. Minha tia pediu carinhosamente para eu pagar a conta de telefone que teria vindo alta demais.
Artist: The Flashing Lights
Title: Where The Change Is
Year: 1999
$15.00 CDN
(approx. USD $14.93)
(approx. EURO 10.70 €)
Currently not available.

1 Where The Change Is
2 Highschool
3 Half The Time
4 Heart Like Mine
5 Rotary Hotel
6 Summertime Climb
7 Where Do The Days Go?
8 Talk To The Hand
9 The Unattached
10 The Patient You Forget To See
11 Elavature
12 Day Like That
13 Gone Are The Good Times
A única encontrada online para degustação é essa linkada na tracklist.
The Asteroid #4
Nem sabia que os caras ainda estavam na ativa...
Simplesmente amava o primeiro disco deles, dificílimo de achar. Tinha, se isso, umas cinco músicas do álbum. E olha que procurei com força, viu. O danado, intitulado, Introducing... The Asteroid #4 deve ser mais fácil de se achar hoje em dia.
Difícil lembrar de mais nomes agora, principalmente depois de todos os mp3 terem se perdido no tempo e nos hds de velhas máquinas. Mas pelo menos esses me marcaram, tanto que lembro deles até hoje, mais de 10 anos depois...
E isso me faz pensar: Para onde vão os arquivos perdidos? Será que existe um céu para eles?
Algumas delas abaixo:
Essex Green
ouvia muito o disco Everything is Green. E a música de mesmo nome embalou MUITA jogatina de Elevator Action.
Escute ela aqui.
Flashing Lights
Deles, fui catando e ouvia o primeiro disco inteiro. Imaginem a dificuldade em achar(e baixar) um disco inteiro naquela época. Minha tia pediu carinhosamente para eu pagar a conta de telefone que teria vindo alta demais.
Artist: The Flashing Lights
Title: Where The Change Is
Year: 1999
$15.00 CDN
(approx. USD $14.93)
(approx. EURO 10.70 €)
Currently not available.
1 Where The Change Is
2 Highschool
3 Half The Time
4 Heart Like Mine
5 Rotary Hotel
6 Summertime Climb
7 Where Do The Days Go?
8 Talk To The Hand
9 The Unattached
10 The Patient You Forget To See
11 Elavature
12 Day Like That
13 Gone Are The Good Times
A única encontrada online para degustação é essa linkada na tracklist.
The Asteroid #4
Nem sabia que os caras ainda estavam na ativa...
Simplesmente amava o primeiro disco deles, dificílimo de achar. Tinha, se isso, umas cinco músicas do álbum. E olha que procurei com força, viu. O danado, intitulado, Introducing... The Asteroid #4 deve ser mais fácil de se achar hoje em dia.
Difícil lembrar de mais nomes agora, principalmente depois de todos os mp3 terem se perdido no tempo e nos hds de velhas máquinas. Mas pelo menos esses me marcaram, tanto que lembro deles até hoje, mais de 10 anos depois...
E isso me faz pensar: Para onde vão os arquivos perdidos? Será que existe um céu para eles?
terça-feira, maio 24, 2011
Com toda essa parafernália em cima do show do Paul, resolvi parar para pensar nos cinco melhores shows que fui. Porque esse eu não fazia questão mesmo de ter ido. A eles, sem ordem definida:
Iron Maiden - RIR 3
Rage Against The Machine - SWU
Oasis - Metropolitan
Mars Volta - Tim Festival
Friendly Fires - Circo Voador
...
menções mais do que honrosas para:
Social Distortion - Circo Voador
Radiohead - Apoteose
Pearl Jam - Apoteose
White Stripes - Tim Festival
Blur - Metropolitan
Smashing Pumpkins - Metropolitan
Pavement - Planeta Terra
Iron Maiden - RIR 3
Rage Against The Machine - SWU
Oasis - Metropolitan
Mars Volta - Tim Festival
Friendly Fires - Circo Voador
...
menções mais do que honrosas para:
Social Distortion - Circo Voador
Radiohead - Apoteose
Pearl Jam - Apoteose
White Stripes - Tim Festival
Blur - Metropolitan
Smashing Pumpkins - Metropolitan
Pavement - Planeta Terra
Sou um neófito no que diz respeito a cervejas. Entendo pouco de malte e lúpulo.
Sei de minha preferência, secular, pelo segundo. E desde sempre, achava sem graça as nacionais, gosto de nada engarrafado ou enlatada, em latas de alumínio.
No entanto, começo a sentir aromas, sabores, diferenciar cores e diferentes formações de espuma. Sou um enochato da cerveja. Um cervechato. Confesso que ainda estou nas europeias (com ou sem acento?). No Velho Mundo, é fácil achar uma cerveja com mais de 100, 200 anos de tradição. E quem faz cerveja a tanto tempo, não pode estar errado. Belgas, Tchecas, Alemãs, Inglesas...
Mas e daí? Daí que os americanos, chutaram a tradição, e resolveram fazer cerveja também. Diferente daquela American Lager, reproduzida a perder de vista e de sabor, tipo Buds e afins, os caras decidiram mexer em times que estavam ganhando. E, sem tradição para os amarrarem, saíram criando, sem medo de ser feliz. É uma ótima amostra dessa chamada nova escola americana que vem parar aqui no Brasil.
Rótulos como Flying Dog, Anderson Valley ou Rogue já estão nas prateleiras e o que falta para mim (ou faltava) era dar o primeiro passo.
Tradicionalista, como sou, demorei. Mas tive o prazer de ser apresentado a esse novo mundo, com trocadilho por favor, com uma bela escolha: uma Anderson Valley, Oatmeal Stout.

Americana, retiro de ti o meu preconceito...

ô cerveja gostosa, viu...
Preta, preta, pretinha, com uma espuma cor de caramelo. Lindíssima no copo. O tostado, defumado, o tempo todo no aroma e no paladar. Mas com os goles foi pesando na língua, lá atrás sabe, naquele lugar onde o lúpulo aparece... nos últimos goles, parecia que estava bebendo chumbo, tamanho o peso. Aí fui ler sobre as americanas e todos dizem que uma característica delas é ser forçada no lúpulo. É ruim? Não mesmo. Até achei equilibrada nos primeiros goles. Mas poderia ter dividido a garrafa com alguém.
Sei de minha preferência, secular, pelo segundo. E desde sempre, achava sem graça as nacionais, gosto de nada engarrafado ou enlatada, em latas de alumínio.
No entanto, começo a sentir aromas, sabores, diferenciar cores e diferentes formações de espuma. Sou um enochato da cerveja. Um cervechato. Confesso que ainda estou nas europeias (com ou sem acento?). No Velho Mundo, é fácil achar uma cerveja com mais de 100, 200 anos de tradição. E quem faz cerveja a tanto tempo, não pode estar errado. Belgas, Tchecas, Alemãs, Inglesas...
Mas e daí? Daí que os americanos, chutaram a tradição, e resolveram fazer cerveja também. Diferente daquela American Lager, reproduzida a perder de vista e de sabor, tipo Buds e afins, os caras decidiram mexer em times que estavam ganhando. E, sem tradição para os amarrarem, saíram criando, sem medo de ser feliz. É uma ótima amostra dessa chamada nova escola americana que vem parar aqui no Brasil.
Rótulos como Flying Dog, Anderson Valley ou Rogue já estão nas prateleiras e o que falta para mim (ou faltava) era dar o primeiro passo.
Tradicionalista, como sou, demorei. Mas tive o prazer de ser apresentado a esse novo mundo, com trocadilho por favor, com uma bela escolha: uma Anderson Valley, Oatmeal Stout.

Americana, retiro de ti o meu preconceito...

ô cerveja gostosa, viu...
Preta, preta, pretinha, com uma espuma cor de caramelo. Lindíssima no copo. O tostado, defumado, o tempo todo no aroma e no paladar. Mas com os goles foi pesando na língua, lá atrás sabe, naquele lugar onde o lúpulo aparece... nos últimos goles, parecia que estava bebendo chumbo, tamanho o peso. Aí fui ler sobre as americanas e todos dizem que uma característica delas é ser forçada no lúpulo. É ruim? Não mesmo. Até achei equilibrada nos primeiros goles. Mas poderia ter dividido a garrafa com alguém.
É aquela história, a eterna falta do que fazer.
Estou de volta aos metrôs e aos veículos de transporte coletivo. Fico vendo as pessoas, de um lado para o outro. Histórias diferentes, fico criando. A mãe, simples, com seu bebê com síndrome de Down, que não parava de sorrir e olhar para todos os lados. A nordestina vesga, que falava alto ao celular. O aluno com calça rasgada e camisa do Malvados, escutando uma música em seu fone e acompanhando com o bater dos pés.
Criando, fico. Penso em cada um deles, nos passos, nas pessoas de suas vidas, em suas casas, em seus quartos. Como será a vida de uma pessoa que não pensa na outra pessoa, apenas vive, dia após o outro, sem pensar que nada disso vale nada, pois na esquina há o fim, um muro sem possibilidade de retorno, numa rua sem saída. Uma rua de onde nenhum de nós poderá sair.
Ficando criado, levando na boa. Pensando, pensando.
Pesado.
Aí, abrem-se as cortinas, as portas de ferro de correr e sai a boiada. Frente e verso, mesmo que partida e chegada. Menos que nada. Preciso partir. Agora fico aqui a pensar até dar a hora de voltar e poder encontrar novamente histórias que não as minhas, mesmo que indizíveis, mesmo que encobertas, mesmo que desconhecidas.
Mas fáceis de criar.
Estou de volta aos metrôs e aos veículos de transporte coletivo. Fico vendo as pessoas, de um lado para o outro. Histórias diferentes, fico criando. A mãe, simples, com seu bebê com síndrome de Down, que não parava de sorrir e olhar para todos os lados. A nordestina vesga, que falava alto ao celular. O aluno com calça rasgada e camisa do Malvados, escutando uma música em seu fone e acompanhando com o bater dos pés.
Criando, fico. Penso em cada um deles, nos passos, nas pessoas de suas vidas, em suas casas, em seus quartos. Como será a vida de uma pessoa que não pensa na outra pessoa, apenas vive, dia após o outro, sem pensar que nada disso vale nada, pois na esquina há o fim, um muro sem possibilidade de retorno, numa rua sem saída. Uma rua de onde nenhum de nós poderá sair.
Ficando criado, levando na boa. Pensando, pensando.
Pesado.
Aí, abrem-se as cortinas, as portas de ferro de correr e sai a boiada. Frente e verso, mesmo que partida e chegada. Menos que nada. Preciso partir. Agora fico aqui a pensar até dar a hora de voltar e poder encontrar novamente histórias que não as minhas, mesmo que indizíveis, mesmo que encobertas, mesmo que desconhecidas.
Mas fáceis de criar.
sexta-feira, maio 20, 2011
E depois de algum tempo:
Brejas

Comprei um peixe urbano da vida e ganhei um crédito em um restaurante no Leblon chamado Mekong. Com cozinha oriental, mas fugindo do básico rolinho primavera-yakisoba-sushi, o restô apresentou umas opções bem interessantes, tailandesas, vietnamitas e indianas, entre seus quitutes.
Mas o que me chamou a atenção mesmo foi a cerveja chinesa descrita no cardápio.
Essa danada aqui:

TsingTao
Óbvio, quis experimentar. A lata, com cara de anos 80, tem um anel para abertura pequeno que me lembrou na hora das antigas brahmas daqui. Só faltou a lata ser de ferro. Em um texto escrito em inglês, vi que era uma Rice Beer. Isso mesmo, uma cerveja de arroz. Amarelinha, e super cheirosa, lembrando muito o cheiro do saquê. Meio óbvio, né? Arroz e herbal. Sabe aquelas imagens de plantações de arroz dos filmes de guerra americanos? Então, o cheiro é exatamente esse, como se você tivesse com água até os joelhos no meio de uma platação. No gosto, leveza e refrescância, com pouco retrogosto. Mais uma vez arroz e saquê vieram com força. Com um lupulozinho lá no fundo, chamado talvez pelo herbal. Na média, uma boa experiência, que faria parte do meu cardápio ocasional, caso fosse fácil encontrá-la nos mercados daqui.
Uma cerveja leve e refrescante, para tomar bem gelada.
Nota 5,2
INFORMAÇÕES
Cervejaria Tsingtao Brewery
Estilo Standard American Lager
Álcool (%) 4.8% ABV
Ingredientes Água, malte, lúpulo e arroz
Site http://www.tsingtaobeer.com/
Temperatura 0-4 °C
DETALHES
Degustada em 30/Abril/2011
Envasamento Lata
Volume em ml 300 ml
Onde comprou Mekong
Preço 8,00 (?)
Brejas

Comprei um peixe urbano da vida e ganhei um crédito em um restaurante no Leblon chamado Mekong. Com cozinha oriental, mas fugindo do básico rolinho primavera-yakisoba-sushi, o restô apresentou umas opções bem interessantes, tailandesas, vietnamitas e indianas, entre seus quitutes.
Mas o que me chamou a atenção mesmo foi a cerveja chinesa descrita no cardápio.
Essa danada aqui:

TsingTao
Óbvio, quis experimentar. A lata, com cara de anos 80, tem um anel para abertura pequeno que me lembrou na hora das antigas brahmas daqui. Só faltou a lata ser de ferro. Em um texto escrito em inglês, vi que era uma Rice Beer. Isso mesmo, uma cerveja de arroz. Amarelinha, e super cheirosa, lembrando muito o cheiro do saquê. Meio óbvio, né? Arroz e herbal. Sabe aquelas imagens de plantações de arroz dos filmes de guerra americanos? Então, o cheiro é exatamente esse, como se você tivesse com água até os joelhos no meio de uma platação. No gosto, leveza e refrescância, com pouco retrogosto. Mais uma vez arroz e saquê vieram com força. Com um lupulozinho lá no fundo, chamado talvez pelo herbal. Na média, uma boa experiência, que faria parte do meu cardápio ocasional, caso fosse fácil encontrá-la nos mercados daqui.
Uma cerveja leve e refrescante, para tomar bem gelada.
Nota 5,2
INFORMAÇÕES
Cervejaria Tsingtao Brewery
Estilo Standard American Lager
Álcool (%) 4.8% ABV
Ingredientes Água, malte, lúpulo e arroz
Site http://www.tsingtaobeer.com/
Temperatura 0-4 °C
DETALHES
Degustada em 30/Abril/2011
Envasamento Lata
Volume em ml 300 ml
Onde comprou Mekong
Preço 8,00 (?)
quinta-feira, maio 19, 2011
Aqui antes
Na hora de escolher um disco para resenhar, uma série de fatores são levados em consideração. A banda ser bem conhecida, estar com um grande lançamento, ou uma nova banda com um disco que atraiu os holofotes são fatores que pesam na hora da escolha.
Dito isso, é necessário que a revelação seja feita: está cada vez mais difícil resenhar um lançamento. Ou o momento do lançamento não coincide com o da crítica, ou o disco nem veio com qualidade o suficiente para render uma resenha, ou ainda, na correria para encontrar uma inspiração para o texto, passar batido por um álbum que de primeira pareceu menor, mas que cresce com o tempo. O novo do Foo Fighters, Wasting Light, é um bom exemplo disso. O timing não é perfeito, a primeira audição foi atrapalhada, cheia de notas perdidas, e passou sem chamar a atenção. No entanto, com o passar dos dias, as músicas foram grudando, aparecendo, se desnudando. E bingo! Temos um grande disco, de uma banda bem conhecida, para falar.

É foo fighters, ok.
Os gritos e os refrões grudentos de Grohl estão de volta. E por falar em volta, a de Pat Smear devolveu ao quarteto um pouco da vitalidade dos primeiros álbuns, com seu peso, suas melodias e sua guitarra a mais. Bridge Burning e Rope mostram bem a versatilidade da banda, indo uma para o pop e a outra para o rock. Já White Limo, bem pesada para os padrões radiofônicos atuais poderia muito bem encontrar um espaço no primeiro disco de estúdio deles. Arlandria e These Days não saem da cabeça. E quando chegam I Should Have Known e Walk, as duas últimas, você fica se perguntando o que aconteceu naquele primeiro momento em que você achou que o disco não seria bom o suficiente para ganhar umas linhas. Ora bolas, eles são os Foo Fighters. E nunca, mesmo, fiquei desapontado com um disco deles. Espero que nem você, mas caso aconteça, aqui vai uma dica: paciência e Repeat. Bom proveito.
Na hora de escolher um disco para resenhar, uma série de fatores são levados em consideração. A banda ser bem conhecida, estar com um grande lançamento, ou uma nova banda com um disco que atraiu os holofotes são fatores que pesam na hora da escolha.
Dito isso, é necessário que a revelação seja feita: está cada vez mais difícil resenhar um lançamento. Ou o momento do lançamento não coincide com o da crítica, ou o disco nem veio com qualidade o suficiente para render uma resenha, ou ainda, na correria para encontrar uma inspiração para o texto, passar batido por um álbum que de primeira pareceu menor, mas que cresce com o tempo. O novo do Foo Fighters, Wasting Light, é um bom exemplo disso. O timing não é perfeito, a primeira audição foi atrapalhada, cheia de notas perdidas, e passou sem chamar a atenção. No entanto, com o passar dos dias, as músicas foram grudando, aparecendo, se desnudando. E bingo! Temos um grande disco, de uma banda bem conhecida, para falar.

É foo fighters, ok.
Os gritos e os refrões grudentos de Grohl estão de volta. E por falar em volta, a de Pat Smear devolveu ao quarteto um pouco da vitalidade dos primeiros álbuns, com seu peso, suas melodias e sua guitarra a mais. Bridge Burning e Rope mostram bem a versatilidade da banda, indo uma para o pop e a outra para o rock. Já White Limo, bem pesada para os padrões radiofônicos atuais poderia muito bem encontrar um espaço no primeiro disco de estúdio deles. Arlandria e These Days não saem da cabeça. E quando chegam I Should Have Known e Walk, as duas últimas, você fica se perguntando o que aconteceu naquele primeiro momento em que você achou que o disco não seria bom o suficiente para ganhar umas linhas. Ora bolas, eles são os Foo Fighters. E nunca, mesmo, fiquei desapontado com um disco deles. Espero que nem você, mas caso aconteça, aqui vai uma dica: paciência e Repeat. Bom proveito.
quarta-feira, maio 18, 2011
Textos para o site do Revista:
www.revistadocinemabrasileiro.com.br
Legião Urbana
Já faz algum tempo que o Brasil perdeu um de seus maiores expoentes dentro do cenário roqueiro nacional: Renato Russo. Mas o trovador solitário nunca saiu da cabeça e dos toca-discos dos brasileiros que o conheceram ou que apenas ouviram falar de sua genialidade.
Agora uma nova geração pode se preparar para conhecer a fundo o legionário e sua banda, formada também por Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos. Vem aí, nada menos do que três filmes que têm a Legião, ou suas músicas, como personagem. Faroeste Caboclo é uma ficção, dirigida por René Sampaio, baseada em um dos maiores sucessos da banda, de mesmo nome. O épico de 10 minutos de duração conta a história de João de Santo Cristo, dos seus primeiros dias até o duelo final com Jeremias, o bandido traidor.
Ainda nessa leva, o documentário Rock Brasília, Ninguém Segura Essa Utopia, de Vladmir Carvalho, mostra em imagens feitas desde a década de 80, como o rock feito na capital federal cresceu e virou gente grande, conquistando todo o Brasil. E para fechar, Somos tão jovens, de Antonio Carlos da Fontoura, que conta a adolescência de Renato Manfredini Júnior que sonhava em se tornar o maior roqueiro do Brasil. Se ele conseguiu? É só você se perguntar se conhece um tal de Renato Russo.
Urbana Legio Omnia Vincit.
Raulzito
Falar de rock no Brasil e não citar Raul Seixas é cometer um erro craso. Talvez um dos principais roqueiros da primeira leva, Raulzito causou com sua banda os Panteras, e deixou muita gente com a pulga atrás da orelha com músicas e atitudes nada convencionais.
O defensor da sociedade alternativa, parceiro de Paulo Coelho e carimbador maluco do Plunct Plact Zum terá sua vida (e morte) esmiuçada por ninguém menos que Walter Carvalho e Evaldo Mocarzel. Com imagens da Virada Cultural de 2009, onde os 20 anos da morte de Raul foram lembrados, depoimentos de familiares e colegas de palco, o documentário vai fazer muita gente se lembrar de hinos como Eu nasci há dez mil anos atrás, Metamorfose Ambulante e Maluco Beleza. Está mais do que na moda gritar: Toca Raul!!!!
www.revistadocinemabrasileiro.com.br
Legião Urbana
Já faz algum tempo que o Brasil perdeu um de seus maiores expoentes dentro do cenário roqueiro nacional: Renato Russo. Mas o trovador solitário nunca saiu da cabeça e dos toca-discos dos brasileiros que o conheceram ou que apenas ouviram falar de sua genialidade.
Agora uma nova geração pode se preparar para conhecer a fundo o legionário e sua banda, formada também por Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos. Vem aí, nada menos do que três filmes que têm a Legião, ou suas músicas, como personagem. Faroeste Caboclo é uma ficção, dirigida por René Sampaio, baseada em um dos maiores sucessos da banda, de mesmo nome. O épico de 10 minutos de duração conta a história de João de Santo Cristo, dos seus primeiros dias até o duelo final com Jeremias, o bandido traidor.
Ainda nessa leva, o documentário Rock Brasília, Ninguém Segura Essa Utopia, de Vladmir Carvalho, mostra em imagens feitas desde a década de 80, como o rock feito na capital federal cresceu e virou gente grande, conquistando todo o Brasil. E para fechar, Somos tão jovens, de Antonio Carlos da Fontoura, que conta a adolescência de Renato Manfredini Júnior que sonhava em se tornar o maior roqueiro do Brasil. Se ele conseguiu? É só você se perguntar se conhece um tal de Renato Russo.
Urbana Legio Omnia Vincit.
Raulzito
Falar de rock no Brasil e não citar Raul Seixas é cometer um erro craso. Talvez um dos principais roqueiros da primeira leva, Raulzito causou com sua banda os Panteras, e deixou muita gente com a pulga atrás da orelha com músicas e atitudes nada convencionais.
O defensor da sociedade alternativa, parceiro de Paulo Coelho e carimbador maluco do Plunct Plact Zum terá sua vida (e morte) esmiuçada por ninguém menos que Walter Carvalho e Evaldo Mocarzel. Com imagens da Virada Cultural de 2009, onde os 20 anos da morte de Raul foram lembrados, depoimentos de familiares e colegas de palco, o documentário vai fazer muita gente se lembrar de hinos como Eu nasci há dez mil anos atrás, Metamorfose Ambulante e Maluco Beleza. Está mais do que na moda gritar: Toca Raul!!!!
quinta-feira, maio 12, 2011
Da Série: Coisas malucas que chegam no e-mail do trabalho
A/C Redação
Os jornalistas que comparecem ao evento ganham uma técnica de terapia complementar.
Paranapiacaba é sede da VIII Convenção de Bruxas e Magos
“Tudo que realmente acreditar é possível se concretizar”. Este foi o pensamento que Tania Gori, juntamente com a sua equipe da Casa de Bruxa, teve em 2004. Organizar uma Convenção de Bruxas e Magos em Paranapiacaba (Santo André) promovendo todas as formas de expressões ligadas ao misticismo e mundo espiritual, com respeito a adversidade, a história de cada tradição e principalmente, desmistificando o conceito sobre bruxaria. O sonho tornou-se real e no próximo dia 13 de maio tem início a oitava edição envolvendo profissionais do Brasil inteiro, com a expectativa de público de 12 mil pessoas em três dias de evento. O tema deste ano é “A Jornada da Alma” onde diversas linhas filosóficas, religiosas, esotéricas e afins apresentam sua perspectiva de um mundo melhor.
Consagrado como um dos maiores eventos do gênero, em âmbito nacional, a proposta é interagir informações sobre Energia, Natureza Humana, processos e técnicas terapêuticas, questões sobre metafísica, entre outras abordagens. Durante três dias (13, 14 e 15 de maio) serão abordados diversos caminhos que levam à busca do autoconhecimento e ao aprimoramento de seres humanos mais iluminados. O evento é de inciativa da Universidade Livre Holística Casa de Bruxa e conta com o apoio da Prefeitura de Santo André.
Para marcar o início da Convenção de Bruxas e Magos, às 21h, na Sexta-feira 13, acontece a tradicional Procissão de Velas para iluminação do caminho, atraindo felicidade e bem estar, por toda Vila de Paranapiacaba. Em seguida, no Locobrek (espaço onde ficava a ferrovia) será realizado o ritual de transformação, onde são focados todos os tipos de prosperidade.
No sábado e domingo, a partir das 9h, cerca de 70 profissionais estarão presentes em vários locais, com atividades diversas: palestras, workshops, apresentações de danças, teatro, rituais, oficinas e muito mais. Os temas são os mais variados possíveis: astrologia, kabala, oráculos, magia hermética, bruxaria, cultura grega, nórdica, oriental, cigana, xamã, mistérios do sagrado feminino, numerologia, ervas, anjos e arcanjos, druidismo, vampyrismo, chacras, entre outros temas de extrema importância e notoriedade nacional.
Destaque especial para o Centro das Terapias Naturais (Galpão do Judô) que promoverá as Terapias Vibracionais e Naturais para o reequilíbrio energéticos, das 10h às 12h e das 14h às 16h, pelo valor do convite a R$ 10,00. No sábado a noite, promovendo a confraternização entre os presentes, acontece às 22h, o Sarau “Entre Brumas e Sonhos: A Jornada da Alma” e em seguida, o Bailado Cigano – com Grupo Luz de Sara Kali
A VIII Convenção de Bruxas e Magos em Paranapiacaba é uma idealização da Universidade Livre Holística Casa de Bruxa cuja anfitriã é Tania Gori, idealizadora da Bruxaria Natural no Brasil. Os temas abordados e a linha de pensamento são de total responsabilidade de seus percussores, não necessariamente sendo a mesma diretriz adotada pela instituição.
Os convites que estão sendo vendidos a R$ 25,00 que dão direito, com exceção do Centro de Terapias, a todas as demais atividades.
Programações específicas: http://www.casadebruxa.com.br/convencao/2011/
Demais informações:
Universidade Livre Holística Casa de Bruxa
Rua Almirante Protógenes, 281 - Bairro Jardim – Sto André
A/C Redação
Os jornalistas que comparecem ao evento ganham uma técnica de terapia complementar.
Paranapiacaba é sede da VIII Convenção de Bruxas e Magos
“Tudo que realmente acreditar é possível se concretizar”. Este foi o pensamento que Tania Gori, juntamente com a sua equipe da Casa de Bruxa, teve em 2004. Organizar uma Convenção de Bruxas e Magos em Paranapiacaba (Santo André) promovendo todas as formas de expressões ligadas ao misticismo e mundo espiritual, com respeito a adversidade, a história de cada tradição e principalmente, desmistificando o conceito sobre bruxaria. O sonho tornou-se real e no próximo dia 13 de maio tem início a oitava edição envolvendo profissionais do Brasil inteiro, com a expectativa de público de 12 mil pessoas em três dias de evento. O tema deste ano é “A Jornada da Alma” onde diversas linhas filosóficas, religiosas, esotéricas e afins apresentam sua perspectiva de um mundo melhor.
Consagrado como um dos maiores eventos do gênero, em âmbito nacional, a proposta é interagir informações sobre Energia, Natureza Humana, processos e técnicas terapêuticas, questões sobre metafísica, entre outras abordagens. Durante três dias (13, 14 e 15 de maio) serão abordados diversos caminhos que levam à busca do autoconhecimento e ao aprimoramento de seres humanos mais iluminados. O evento é de inciativa da Universidade Livre Holística Casa de Bruxa e conta com o apoio da Prefeitura de Santo André.
Para marcar o início da Convenção de Bruxas e Magos, às 21h, na Sexta-feira 13, acontece a tradicional Procissão de Velas para iluminação do caminho, atraindo felicidade e bem estar, por toda Vila de Paranapiacaba. Em seguida, no Locobrek (espaço onde ficava a ferrovia) será realizado o ritual de transformação, onde são focados todos os tipos de prosperidade.
No sábado e domingo, a partir das 9h, cerca de 70 profissionais estarão presentes em vários locais, com atividades diversas: palestras, workshops, apresentações de danças, teatro, rituais, oficinas e muito mais. Os temas são os mais variados possíveis: astrologia, kabala, oráculos, magia hermética, bruxaria, cultura grega, nórdica, oriental, cigana, xamã, mistérios do sagrado feminino, numerologia, ervas, anjos e arcanjos, druidismo, vampyrismo, chacras, entre outros temas de extrema importância e notoriedade nacional.
Destaque especial para o Centro das Terapias Naturais (Galpão do Judô) que promoverá as Terapias Vibracionais e Naturais para o reequilíbrio energéticos, das 10h às 12h e das 14h às 16h, pelo valor do convite a R$ 10,00. No sábado a noite, promovendo a confraternização entre os presentes, acontece às 22h, o Sarau “Entre Brumas e Sonhos: A Jornada da Alma” e em seguida, o Bailado Cigano – com Grupo Luz de Sara Kali
A VIII Convenção de Bruxas e Magos em Paranapiacaba é uma idealização da Universidade Livre Holística Casa de Bruxa cuja anfitriã é Tania Gori, idealizadora da Bruxaria Natural no Brasil. Os temas abordados e a linha de pensamento são de total responsabilidade de seus percussores, não necessariamente sendo a mesma diretriz adotada pela instituição.
Os convites que estão sendo vendidos a R$ 25,00 que dão direito, com exceção do Centro de Terapias, a todas as demais atividades.
Programações específicas: http://www.casadebruxa.com.br/convencao/2011/
Demais informações:
Universidade Livre Holística Casa de Bruxa
Rua Almirante Protógenes, 281 - Bairro Jardim – Sto André
quarta-feira, maio 11, 2011
Talvez os últimos textos meus a entrarem no site do Revista do Cinema Brasileiro.
Ponto de Encontro
No meio da tarde o seu parceiro de projetos te liga e pede uma reunião urgente. O local fica a sua escolha. Claro que nesse momento você já deve ter pensado em, pelo menos, três opções diferentes. Mas se você faz cinema e mora no Recife, uma dessas opções é bem óbvia: o café em frente ao cinema da Fundação Joaquim Nabuco.
O proprietário, Leonardo Lacca, é um jovem realizador com alguns filmes no currículo e que não se furta de comentar sobre a cena cinematográfica do Recife e sobre tipos de café. A ideia de unir o útil ao agradável surgiu em uma viagem a São Paulo. E desde então, o café tem servido de ponto de encontro de cineastas e artistas que, entre uma xícara e outra, trocam ideias e discutem projetos.
Quando ligamos para marcar com Lacca uma conversa, ele pediu para ser depois da reunião que teria no local. Aceitamos, mas chegamos antes para testemunhar o encontro. Só esquecemos que isso não era necessário. Enquanto ele, Tião e Daniel conversavam, o cheiro de café servia como fundo para pelo menos outras duas reuniões. Energia é o que não falta pra esse pessoal. Nem local para se reunir.
CINE-PE
O cinema brasileiro precisa fazer público, botar seu bloco na rua. Se hoje essa frase pode parecer datada, há quinze anos atrás, em pleno início da retomada, era a mais pura verdade. E um Festival de Cinema resolveu abrir suas portas para uma multidão. É de público que precisamos? Então toma mais de duas mil pessoas por sessão.
É claro que estamos falando do Festival de Recife, hoje já Cine-PE. Na gigantesca sala de exibição do Centro de Convenções já foram lançados filmes como Central do Brasil e Baile Perfumado. O público agradece. E comparece. Nesta décima quinta edição, comemorada a contento, tivemos homenagens a veículos de comunicação, atores, atrizes e técnicos, a diretores e, é claro, a sua Revista do Cinema Brasileiro, pelos seus 15 anos de programa completados no final de 2010.
E como não poderia deixar de ser, muitos filmes. Família Vende Tudo, de Alan Fresnot; Estamos Juntos, de Toni Venturi; Casa 9, de Luiz Carlos Lacerda; Vamos Fazer um Brinde, de Sabrina Rosa e Cavi Borges; Casamento Brasileiro, que marca a volta do diretor Fauzi Mansur ao cinema; e JMB, O Famigerado, de Luci Alcântara participaram da mostra competitiva de longas e dividiram espaço com curtas digitais e em 35mm. Entre os curtas, destaque para Flash; Mens sana in Corpore sana; Braxília; Calma, Monga, Calma; Ovos de Dinossauro na Sala de Estar e Traz Outro Amigo Também. Como dá para perceber, qualidade e quantidade são características nem um pouco distintas quando estamos falando do Cine-PE.
Ponto de Encontro
No meio da tarde o seu parceiro de projetos te liga e pede uma reunião urgente. O local fica a sua escolha. Claro que nesse momento você já deve ter pensado em, pelo menos, três opções diferentes. Mas se você faz cinema e mora no Recife, uma dessas opções é bem óbvia: o café em frente ao cinema da Fundação Joaquim Nabuco.
O proprietário, Leonardo Lacca, é um jovem realizador com alguns filmes no currículo e que não se furta de comentar sobre a cena cinematográfica do Recife e sobre tipos de café. A ideia de unir o útil ao agradável surgiu em uma viagem a São Paulo. E desde então, o café tem servido de ponto de encontro de cineastas e artistas que, entre uma xícara e outra, trocam ideias e discutem projetos.
Quando ligamos para marcar com Lacca uma conversa, ele pediu para ser depois da reunião que teria no local. Aceitamos, mas chegamos antes para testemunhar o encontro. Só esquecemos que isso não era necessário. Enquanto ele, Tião e Daniel conversavam, o cheiro de café servia como fundo para pelo menos outras duas reuniões. Energia é o que não falta pra esse pessoal. Nem local para se reunir.
CINE-PE
O cinema brasileiro precisa fazer público, botar seu bloco na rua. Se hoje essa frase pode parecer datada, há quinze anos atrás, em pleno início da retomada, era a mais pura verdade. E um Festival de Cinema resolveu abrir suas portas para uma multidão. É de público que precisamos? Então toma mais de duas mil pessoas por sessão.
É claro que estamos falando do Festival de Recife, hoje já Cine-PE. Na gigantesca sala de exibição do Centro de Convenções já foram lançados filmes como Central do Brasil e Baile Perfumado. O público agradece. E comparece. Nesta décima quinta edição, comemorada a contento, tivemos homenagens a veículos de comunicação, atores, atrizes e técnicos, a diretores e, é claro, a sua Revista do Cinema Brasileiro, pelos seus 15 anos de programa completados no final de 2010.
E como não poderia deixar de ser, muitos filmes. Família Vende Tudo, de Alan Fresnot; Estamos Juntos, de Toni Venturi; Casa 9, de Luiz Carlos Lacerda; Vamos Fazer um Brinde, de Sabrina Rosa e Cavi Borges; Casamento Brasileiro, que marca a volta do diretor Fauzi Mansur ao cinema; e JMB, O Famigerado, de Luci Alcântara participaram da mostra competitiva de longas e dividiram espaço com curtas digitais e em 35mm. Entre os curtas, destaque para Flash; Mens sana in Corpore sana; Braxília; Calma, Monga, Calma; Ovos de Dinossauro na Sala de Estar e Traz Outro Amigo Também. Como dá para perceber, qualidade e quantidade são características nem um pouco distintas quando estamos falando do Cine-PE.



