quinta-feira, agosto 06, 2009

Andanças na net me fizeram encontrar este site, de uma ONG internacional, que achei bem interessante. Trata-se da Survival.
Ela trabalha pela sobrevivência de tribos nativas de várias localidades de vários continentes. Tem tribos nativas do Brasil, Paraguai, Austrália, e até da Rússia. E vocês que achavam que só tinha índio no Brasil, hein?
vale a pena dar uma passada por lá, nem que seja só para ver as fotos ou os vídeos.
Abra-te-sésamo. Eu disse para minha cabeça.

quarta-feira, agosto 05, 2009

arctic monkeys novo.
produçao de Josh Homme. a primeira música,My Propeller, é a melhor música do QOTSA que o QOTSA jamais gravou!!!!

sexta-feira, julho 31, 2009

ah...
nada como voltar a ter internet, mesmo que só por um pequeno momento de felicidade divina aqui na terra onde nada acontece.

por falar em nada acontecer, tem show do skank e uma peça massa com o wilker, que eu estava totalmente afim de ver desde sempre lá no RIo, mas que saiu de cartaz. Sair de cartaz? é assim que se fala quando uma peça para de ser apresentada?
enfim...

aproveitando a net, consegui pegar coisas novas para ouvir.
o Yo la tengo, desde já tido como um dos grandes discos do ano. (ok, ainda não ouvi, mas tudo o que eles fazem merece respeito extremo!!!)
peguei na leva, o La Roux, bom pra cacete!!!
e o novo do Reverend and The Makers, comprovando o que eu sentia: botei fé no som da banda e eles fizeram um segundo disco tão bom quanto. Me lembra muito um banda que só eu amava, o Cooper Temple Cause. Lançou 3 discaços e terminaram. falta de reconhecimento do público, né...
espero que o reverend, apesar de ser mais alegrinho, continue na estrada e consiga se manter por mais tempo. mas cada um sabe onde a calça aperta.
Até agora no segundo semestre já estão confirmados:
Little Joy
Friendly Fires
Lilly Allen
e...

THE KILLERS!!!!!!!!
é, morar no olho do furacão tem suas vantagens...

quarta-feira, julho 29, 2009

Estava deitado quando olhou para seus pés. Não era uma parte do corpo que visitava com freqüência. Seu rosto, talvez pelo espelho na parede do banheiro, era mais comum a seus olhos. Até mesmo a barriga, da qual gostava de acompanhar o progresso e regresso de centímetros com o passar dos dias no entrar e sair de dietas, era uma amiga mais presente do que os pés. Mas eles sempre estiveram lá para apoiá-lo. Nos melhores e nos piores momentos, sempre fizeram com que enfrentasse seus problemas de pé. E não são esses os melhores amigos? Os que nunca nos abandonam, os que fazem questão de estar próximos quando precisamos? E seus pés sempre estiveram lá desde o começo, suportando-o quando nem sua mãe mais o suportava.

Olhou para seus pés e viu que eles começavam a se cansar. Não tinham mais a vitalidade da infância quando corriam sem solas por ruas descalças, topando a bola e ignorando pedrinhas e pedrões. Não eram mais a nadadeira de outrora, sempre a postos para impulsionar uma entrada suicida numa vaga assustadora. Eram pés que andavam, agora, dentro de meias e calçados apertados. Pés que já não tinham mais o desenho inicial, com dedos tortos por apertos do tempo, calos em pedaços que antes não sobressaiam e solas marcadas. Seus dedos, no entanto, foram o que mais o assustaram. Neles pode ver a pele já ressecada, parecendo sobrar em cima da carne e do osso. Uma pequena flexão de músculos, um dobrar de dedos, deu à pele a sua cara amiga de sempre. Lisa, enxuta, reta como deveria ser, como deveria estar. O tensionamento não durou para sempre, como era de se esperar. E as rugas que envelheciam seus dedos voltaram.

Não se sentia velho. Na verdade, depois da separação, até se sentia mais vivo, mais moleque. A distância dos filhos, das pequenas discussões do dia a dia, dos novos cortes de cabelo da esposa, agora ex, deram um sopro de novidade em sua vida. Mas e seus pés? E seus dedos? Como puderam entregar sua idade assim, de maneira tão explícita? Porque logo eles?
Não teve duvidas e ligou para a clínica que sua esposa, agora ex, visitava semanalmente. Pelo menos para isso eles serviriam. Marcou uma data, uma hora, um momento. E lá se foi, atrás da solução para os pés, que com tantas rugas, já chamava carinhosamente de pés de galinha. Na clinica, colocou botox, fez hidratação, massagem, drenagem, esfoliação. Fez tudo o que podia. Sentiu-se bem, relaxou e até ensaiou um cochilo. Mas na hora de ir embora, lá estavam as rugas nos pés.

Em desespero pensou em tomar medidas extremas. Passagem para Bariloche, neve, esqui. Esquecer os dedos no frio, hipotermia, amputação. Adeus dedos, adeus rugas, adeus idade. Seus dias passaram a ser tomados por idéias. Precisava acabar com o problema dos dedos. Com aquelas rugas. Com aquela pele velha, com certeza, coisa da sua ex-mulher. Uma última lembrança, uma ultima sacanagem da bruxa velha. Depois de algum tempo, já não saia mais de casa. Pelo menos não sem seus sapatos bem fechados, escondendo do mundo aqueles horrorosos dedos enferrujados. E resolveu dar um basta naquilo. Parou de olhar para seus pés. Usava meias em casa, tomava banho sem os óculos, para que a miopia o cegasse, evitava olhar para baixo quando caminhava pela praia.

E um dia, assim como descobriu sua velhice, esqueceu-a. Simplesmente esqueceu do pé, dos dedos, da idade. Culpa da semana cheia, de reuniões intermináveis, da nova amante, dos jantares de negócio, da visita dos pais. Talvez a visita dos pais. Viu na mãe e no pai, nos pés deles, a vida que um dia tinha perdido nos seus próprios. Teve que ver os pés desgastados pelo tempo de seus pais para ter certeza de que o seu estava bem, um pouco marcado, é verdade, mas até que levando em consideração sua idade, parecia bem. Legal, é isso. Passou a andar por aí de sandálias e guardou as meias nas gavetas da roupa de frio.

Um dia acordou. Estava atrasado para o trabalho. Correu para o banho. Depois ainda se enxugando se olhou no espelho do banheiro. Sorriu. E percebeu no canto dos olhos umas ruguinhas estranhas que, certeza absoluta, não estavam ali antes. Começou a se preocupar. Precisava encontrar um jeito de tirar aquelas rugas dali. Onde já se viu, mostrar a idade assim, pra todo mundo.

sexta-feira, julho 24, 2009

Hoje fui ver o inimigo público com o Johnny Depp. Legalzinho. Mas o que eu quero ver mesmo é o coração vagabundo, o mini-doc com o Caetano. Mini porque são só 70 minutos.
Mas deve ser por isso que ele esta sendo chamado de um grande filme.

quinta-feira, julho 23, 2009

Pode ser que seja erro da minha parte reclamar, querer um cantinho pra mim, sozinho, exclusivo, para ouvir minhas musicas, escrever meus poucos textos, enfim, viver a minha maneira. Mas não dá para abrir mão de coisas como uma ótima loja de discos usados. Festas a perder de vista, shows como depeche mode, friendly fires ou qualquer outro que venha, e eles vem e em grande quantidade. Ou como a última coisa que vi pelas ruas do bairro de Manuel Carlos, o festival de jazz do Leblon. Bandas de jazz se apresentarão nas ruas do Leblon, neste sábado, da uma da tarde as nove da noite. Victor Biglione, George Israel e os Roncadores, e as pérolas Marcelo Camelo e Mallu Magalhães. Tocando cada um no seu show, diga-se de passagem.
É difícil, viu. Ainda mais se eu pensar que sábado tem jogo do Botafogo contra o Inter.

***

E eu que quase, digo quase, comprei o Abbey Road e o Rubber Soul, por 23 cada um? Em vez disto preferi o último do Oasis, o último do Coldplay e o último do Verve. Ok, ainda gosto de CDs. Adoro.

***
chegou watchmen duplo com 3 horas e 8 minutos de filme na locadora aqui na frente. e milhares de extras. vou querer um desses brincando!!!!!!

segunda-feira, julho 20, 2009

quer dizer que a Inglaterra vai ter que levar o lixo que mandou pra cá de volta?
po, podia aproveitar e levar uma pá de discos de banda ruins e programas de tv sem graça junto.
lixo por lixo...

terça-feira, julho 14, 2009

Não é que fosse mau-caráter ou cafajeste. Canalha, talvez. Mas não uma pessoa do mal. No mal sentido. A verdade é que nem ele mais sabia o que tinha acontecido, em que pedaço do caminho ele tinha se perdido, em que curva ele tinha virado ou não. E esse era seu problema. Não saber qual era o problema. Mas sabia com certeza a conseqüência dele. Ser uma pessoa fria, distante. Sem emoção, apesar de transbordá-las. A única saída que via era procurar ajuda. E foi o que resolveu fazer. Telefone na mão, mensagem enviada, cerveja marcada
Sabe o que é camarada, acho que parei de amar.
Ah, isso acontece. Há quanto tempo você ta com ela?
Sei lá, quase um ano.
Então, você enjoou. Normal. Todo homem enjoa depois de um tempo.
Enjoa de que, cara?
Da mulher. Você sempre sonhou em comer aquela gata. Aí, ta comendo. Começa a namorar porque quer comer ela pra sempre. E depois de duas semanas, ou um pouco mais, vai, posso estar exagerando, mas enfim... depois de um tempo você já quer comer a mulher do lado. Na verdade todas as mulheres de todos os lados. E se sente enfiado em um compromisso enfadonho, do tipo cinema, bala, casa, TV e sexo. Pior, sexo sem graça.
Mas o sexo é bom.
Sexo sempre é bom, porra. Mesmo quando é com a mulher que você já comeu um milhão de vezes. Mas não tem mais aquele fogo, aquela sensação de descoberta. Porra cara, o mundo é o que é pela sensação da descoberta. Se não fosse assim, o macaco nunca teria descido da árvore pra ver o que tinha embaixo, ninguém tinha saído da Europa, pior, você nunca teria comido outra mulher que não a sua primeira namorada.
Putz, nem vem com essa. A primeira vez foi horrível, a Aninha nem era tão boa assim de cama.
E quem é?
Eu. Hahahaahhaa. Olha só, me pede ai uma batata-frita com queijo e bacon que vou dar uma mijada.
Tá, vai lá.

Cerveja, amigo, batata-frita e conflitos existenciais. Uma bela combinação para acordar no sábado com uma dor de cabeça imensa. E a vontade de amar para sempre sua namoradinha. A mesma pela qual não sentia mais nada. O terror tomou seu corpo como uma onda. O medo de ser aquele velho rabugento que seu pai se tornara veio como nunca antes. Parecia uma sina da família, impossível de ser evitada. O cacete.

Mauricio?
Quem é?
Capo, cara. Tudo bem.
Capo? Caramba, quanto tempo. O que que você tem aprontado?
Nada demais. Liguei só pra saber se ainda tem o telefone daquela psicóloga que você ia na época da faculdade.
Tenho sim, peraí que vou pegar aqui na agenda.

Consultório psicológico, boa tarde.
Boa tarde, eu queria marcar uma consulta.
Primeira sessão?
Sim, senhora.
Que tal quinta as 19?
Tá ótimo.

Deu o nome e o endereço. Claro, ia ser pelo plano de saúde da firma. Alguma coisa tinha que valer a pena naquele antro de comedores de cu de executivos.


Ei amor.
...
É eu sei, hoje é terça.
...
Desde quando?
...
Desde domingo eu não te ligo? Mas te liguei ontem.
...
Não liguei?! Jura?
...
Claro que to brincando. Foi o trabalho, amor. Muito trabalho.
(e o fato de não te amar. Nem de lembrar que você existe, durante a maior parte do meu dia).
...
Tá bom. Saio daqui e te pego. Que filme mesmo?

Filme, jantar fora, sexo gostoso, mas sem fogo, beijo de boa-noite, despertador no dia seguinte. Tudo voltando ao normal. Ou quase tudo. O fogo tinha sumido do sexo, tudo bem. As revistas de mulher pelada, os sites na internet, sua tara por pés, essas coisas o deixavam louco e se masturbava toda noite morrendo de tesão por pés e rostos e bundas e bucetas diferentes sendo fodidas. Mas e o fogo por viver? E a comida que estava sempre sem graça? E as roupas que eram sempre as mesmas? E as ruas e as pessoas e os carros que não pareciam se mexer? E a falta de bom dia e boa noite no elevador? E seu completo desprezo por tudo e por todos, família, amigos, colegas de cerveja, colegas de trabalho, colegas do futebol.

Saiu, quinta, atrasado pra terapia. Tinha escondido de todos que pela primeira vez ia se entregar as suplicas de sua mãe e finalmente tentaria “se tratar”. O consultório era simples. Menos assustador que em filmes. A psicóloga, muito gentil. Deitou no divã, como achou que deveria fazer, apesar dela ter dito que poderia ficar onde quisesse do jeito que ficasse mais confortável.

Olá. Meu nome é Lorena.
Ei Lorena, eu tenho um problema.
Sim, todos temos. Muitos problemas.
Eu não sei mais amar.
É mesmo? Quer me contar mais sobre isso?
Acho que sim. Acho que não viria ate aqui se já não tivesse tomado essa decisão.
Então, pode começar.

Contou como estava se sentindo. Como era sensível, como chorava com músicas, como se emocionava com belos filmes, como gostava de cachorros e rinocerontes. E como não conseguia sentir mais nada por sua namorada, por sua mãe, por seus primos e amigos.
Contou que desde sua primeira namorada não conseguia mais se relacionar como um adulto com as mulheres, que começava a achar que elas só serviam para uma alivio momentâneo, na hora do gozo. Que dividir momentos era um saco. Que esperar era um saco, que levar e buscar e ter que perceber o novo penteado, a nova cor nas unhas era tudo um grande saco. Ia começar a falar outras coisas, muitas outras coisas, mas sabe como é, seu tempo acabou.
A gente pode marcar semana que vem, mesmo dia, mesmo horário.
Tá, pode ser.
Marcou. E não foi. Não acreditou na psicóloga. Pensou que como na maioria dos casos que conhecesse pudesse se apaixonar por ela. Mas depois daquela primeira sessão, só teve uma certeza, a de que nunca se apaixonaria por uma psicóloga em sua vida.

Foi para casa e ficou olhando a cidade pela janela. Pessoas que passavam de mãos dadas, casais felizes se abraçando, entrando e saindo de restaurantes, carros cheios de esperança às portas dos motéis. Gente como ele. Não, não como ele. Gente que não se pergunta, que não se descobre. Que deixa ir. Que vai. E quando vê, foi. Assim, sem ter certeza, sem ter sentido. Preferia não amar a se tornar mais um autômato daqueles.

Esqueceu de ligar para a namorada dois dias seguidos. Ela também não o procurou. Sentiu um alivio imenso e percebeu que não tinha mais como continuar com aquela farsa. Com aquela sua impossibilidade. Ligou no terceiro dia. Ela já meio sem emoção. Sabia o que aconteceria, chorou. Ele não. Sentiu-se muito mal, mas não conseguia demonstrar que aquilo estava sendo difícil. Não estava. Estava sendo ótimo. Ter sua vida de volta, todos os seus segundos a sua inteira disposição. Ficou enjoado assim que desligou o telefone. Correu para o banheiro mas não vomitou. Deitou e dormiu.

No dia seguinte, no trabalho, viu que precisava conversar. Telefone, amigo, cerveja.

Cara, terminei.
E essa voz de felicidade é por isso?
É. Não dava mais, não agüentava mais.
Que bom, assim pelo menos você se lembra dos amigos. Por falar em amigos, hoje é o aniversario do Manoel. Daqui a pouco o pessoal vai se encontrar lá no Bar do Mena. Vamos?
Passa aqui? Ou passo aí?

Os amigos, todos sem suas respectivas, estavam todos lá. Comemoraram o aniversário bebendo até não agüentarem mais. Alguns foram embora mais cedo, as esposas estavam esperando em casa. Outros ligaram dando alguma desculpa e continuaram a se embebedar. Só Capo estava livre, feliz, completo. E sem amar. Lá pelas tantas, os últimos bêbados resolveram ir a um show de strip-tease. Foram juntos, contando vantagens e histórias de transas fantásticas com mulheres fantásticas. Nenhuma com suas namoradas, suas mulheres, seus casos.

Na boate, as meninas cansadas dançavam para os muitos bêbados que enchiam a casa. A meia-luz iluminava mal estrias e celulites. A musica brega embalava homens de barba mal-feita e gravatas desamarradas que babavam em cima das moças já não tão belas. Algumas doses depois, decidiram ir embora. Foram todos, menos Capo. Ele resolveu ficar, aproveitar que não ligava para ninguém pela manhã, tarde ou noite. Resolveu comer uma puta. Já tinha bebido muito naquela noite. Estavam comemorando entre amigos o aniversario de um deles. Um qualquer. Já não importava muito. Queria gozar e não estava a fim de bater uma punheta no quarto, sentado bêbado na frente do computador. Ficou meio sem graça no começo. Ate que ela começou a conversar. Não tinha muito papo. Perguntou seu nome, o que fazia, se estava com problemas em casa. Ele não respondeu muito. Não queria conversar. Foram pro quarto. Ela tirou a roupa e o despiu em seguida, devagar, beijando seu corpo. O sexo começou tão sem graça quanto o que fazia em casa e só então, entre as cortinas dos álcool, conseguiu se situar. Olhou para a completa estranha embaixo do seu corpo, seu pau dentro dela. Que tipo de amor era aquele? Como ela podia se amar tanto, como dava pra seguir vivendo dia após dia? Que tipo de amor ela tinha por caras como ele, que pagavam por um pouco de sexo? Para sentir-se querido, poderoso, feliz? Como se doar para que estranhos a comessem, enfiassem o dedo em seu rabo, xingassem, suassem, gozassem e saíssem sem um beijo de boa noite? Sem um único beijo de boa noite. Não era pedir muito. Ele hesitou um segundo. Parou. Sentou na beirada da cama e começou a chorar. Ela entendeu. Claro que entendeu. Era só mais um cliente. Quantos já não haveriam feito isso?

Ela o deixou sozinho no quarto e foi para o banheiro. Ele se recompôs.Tirou da carteira umas notas e deixou em cima do criado-mudo. Ela saiu do banheiro, de banho tomado, cheirando a algum perfume forte. Os cabelos ainda molhados. Vestia uma robe de cetim vermelho, puído. Levou-o ate a porta. Ele se despediu com um pedido de desculpas, uma boa noite e um beijo. Andou, entre lagrimas, até seu carro. Dirigiu, entre lágrimas, até a sua casa. Deitou-se, entre lágrimas, e dormiu em paz. Ele tinha voltado a amar.
Devia fazer umas cinco semanas desde que Marcio tinha ido pescar pela última vez. Era uma coisa que adorava fazer. Pegar a estrada e ir para o Pantanal, alugar um espaço na chalana e mandar a isca para a água. Desta última vez, há umas cinco semanas atrás como vocês já sabem, Márcio tirou a sorte grande. Pescou um belo Dourado, que fez questão de congelar e levar para a casa. É que seus tios vinham visitá-lo e, nada mais hospitaleiro, do que oferecer uma bela peixada, ainda mais com aquele Dourado fresquíssimo, pescado por ele mesmo.

O vôo não se atrasara e no dia marcado, lá estavam eles na fila da esteira esperando para pegar as malas. Marcio reconheceu seus parentes, apesar do tempo que deixara marcas em seus rostos e chumaços de cabelos brancos em seu tio e de um vermelho pouco convincente nos de sua tia. Aeroporto, carro, garagem, elevador, casa.
Bem vindos à minha humilde residência.
Nossa, você está bem, que casa bonita. Tá vendo Norberto, eu disse que o Paulinho tinha que ter estudado essas coisas de computador. Olha como o Marcinho tá bem. Mas não, que menino teimoso, quis fazer direito, agora fica aí, sem passar na Ordem, tentando essa prova toda hora.
Deixa nosso filho, Virginia. Ele fez o que quis. Tá feliz.
Feliz, mas sem dinheiro. Onde já se viu...
Aham... Poxa tios, tava com muita saudade de vocês. Faz tanto tempo.
É, faz o que? Uns dez anos que a gente não se vê?
Por aí, tia. O Paulinho ainda tava na faculdade quando fui passar o verão na casa de vocês.
É, ai que época boa. Mas me conta, o que você tem feito da vida? Não casou, pelo jeito. Nem uma namoradinha?
Ih, tia a história é longa. Senta aí que eu conto.

***
Márcio contou sua história. A mudança pra Mato Grosso, o dinheiro que a firma economizou com seus programas de computador, as viagens para pescar no pantanal.
Inclusive, tenho uma surpresa para vocês. Pesquei um dourado lindo e vou preparar amanhã pra gente almoçar. Até chamei a empregada, pra me dar uma ajuda.

***

Blim Blom. Porta aberta, bom dia seu Márcio. Bom dia Ana. Meus tios foram dar uma volta pela cidade, comprar o jornal, ver umas vitrines. Tirei o peixe ontem de noite, deve estar descongelando. Ta ali em cima da pia. Vou tomar um banho e já venho te dizer o que eu quero fazer com o dourado.

Márcio vai para o banheiro. Liga o chuveiro. Espera a água esquentar e se joga debaixo da ducha, acordando para o dia que virá. Mas antes de terminar de passar o sabonete nos dois suvacos, escuta o grito vindo da cozinha. Torneira virada, água desligada, toalha enrolada, porta do banheiro aberta. O que foi Ana? Tudo bem?
Socorro!!! Seu Márcio vem aqui. Socorro!!!!
Márcio corre do banheiro para a cozinha. Quando vira o corredor e entra pela cozinha, para abruptamente. A toalha cai no chão. O Dourado, em cima da pia, respira e abana o rabo.
O peixe tá vivo?
Ana não responde, ela está encostada na parede, agachada e com as mãos em volta da cabeça.
É isso, Ana? O peixe tá vivo?
Sem resposta.
Fica calma. Pensei que ele tivesse morrido. Isso acontece, não fica assim não. A gente dá um jeito aqui, olha. A gente mata ele e prepara o almoço.
Ana não abre o olho nem se mexe. O dourado, em compensação, para de abanar o rabo.
Como assim, me matar e fazer o almoço? Tá maluco?
Dessa vez o grito veio do Marcio. O Dourado, o peixe, não só estava vivo como estava falando. E falando com ele.
E, por favor, dá pra você pegar essa toalha do chão? Não é muito agradável ficar olhando para um homem nu. Sou macho, se você não percebeu.
Marcio pega a toalha e se cobre. Ana continua na mesma posição.
Ana, não é? Seu nome é Ana. Não precisa ficar assim. Dourados não mordem. Quer dizer, mordemos se tiver isca. Mas sempre acabamos nessas geladeiras.
Ana aos poucos começa a olhar para o peixe.
Prometo que não vou te fazer nenhum mal, tá?
Ta, responde Ana, entre lágrimas de horror. Você deixa eu ir embora?
Claro, pode ir.
Ei. Quem tem que deixar ela ir embora aqui sou eu.
Que é isso Márcio? olha como ela está. Deixa a coitada ir.
Mas e eu? Quer dizer, e o almoço?
Você não vai mesmo vir com essa idéia de me matar, não é? Acho melhor botar logo uma água pra ferver e pegar o pacote de macarrão.

Ana se levanta, pega sua bolsa e sai sem nem ao menos se despedir. Márcio sabe que vai precisar encontrar outra empregada que possa ir aos fins de semana arrumar sua casa.

Tá, agora que ela foi embora, o que que eu faço?
Já falei, faz um macarrão. Tem molho bolonhesa congelado, lá no fundo do freezer. Eu sei, fiquei lá do lado dele um tempão. Por falar nisso... caramba hein. Cinco semanas congelado. Pensei que você tivesse esquecido de mim.
O dourado se debate e da pia vai para o chão da cozinha. De lá, começa a se mexer e andar pela cozinha. Depois passa para a sala e com outra debatida, senta no sofá.
Como é, não vem conversar comigo? Aproveita e liga a TV que vai começar o jogo do campeonato italiano.
Márcio sai da cozinha, liga a TV e vai para seu quarto. Toma um remédio pra dor de cabeça, um calmante e um gole da garrafa de uísque que guarda no armário para emergências. E volta para a sala.
Vem cá, você é mesmo um peixe?
Sou um dourado. Você que me pescou, devia saber.
Mas você fala.
E?
Nunca vi peixe falar.
Já tentou conversar com um antes?
Hum... não.
Pois é. Vai ver foi por isso que você nunca falou com outro antes.
O Milan atacava e um chute bateu na trave do Genoa.

Olha, a idéia do macarrão foi serio, viu. Se quer fazer um almoço é melhor descongelar o molho e colocar a água pra ferver.

Não foi muito fácil achar forças pra se levantar, já meio grogue do uísque com calmante. Mas o molho descongelou no micro-ondas e o macarrão ficou Al dente, como gostava. Seus tios não engoliram muito bem o porquê da mudança do prato principal.
O peixe tava estragado.
Mas não tava congelado? Nunca vi peixe congelado estragar.
Vai ver estragou no barco. Na viagem pra casa. Sei lá...

O Dourado tinha combinado ficar quieto. Desde que Marcio o deixasse em sua cama, com a TV ligada no canal de esportes. Precisava descansar um pouco. Não é fácil ficar cinco semanas congelado. Além do mais, queria ver o resumo da rodada do italiano. Durante o tempo congelado não teve como acompanhar os resultados do campeonato.

Quando seus tios finalmente foram dormir, Marcio resolveu dar um jeito na situação.
Voce não pode ficar aqui.
Mas foi você que me trouxe.
Sim, mas não pode.
E vou pra onde?
Sei lá. Pra rua.
Pra rua? Fazer o que? Pedir esmola? Quanto tempo você acha que eu posso ficar na rua sem ser assassinado por algum cão selvagem? Ou pior, por algum sem-teto faminto? É capaz de me comerem vivo.
Mas e então?
Como e então?
E então o que eu faço com você?
Me leva de volta pra casa.
Impossível. Ia ter que andar mais de 100 quilometros de carro, só pra te jogar num rio. Te jogo no rio daqui da cidade mesmo.
E me mata asfixiado. Já viu como ta poluída a água desse rio?
Bom, você não me dá escolha...
Me deixa aqui, vai. Só por um tempo. Quando seus tios forem embora eu vou também. Até lá, acho que seria legal você me apresentar a eles.

Os tios, apesar de acharem bem estranho a idéia de um peixe falante, logo se deram bem com ele. Tanto que adiaram a passagem e resolveram ficar mais alguns dias. Uns dez, ao todo. Vocês precisavam ver como se divertiam os três. O Dourado, uma flor de pessoa (Ok, nem flor, nem pessoa. Peixe). Conversava com Tio Norberto sobre pescarias durante quase todo o dia. Com Tia Noêmia fazia companhia nas horas do crochê, sempre elogiando os desenhos e as barras dos panos e toalhas, e na hora da novela. Apesar de não acompanhar por algum tempo a história do folhetim, logo tinha se inteirado da trama. E tinha lido os resumos dos capítulos de toda a semana, o que Tia Noêmia achava muita graça. Depois do jornal das dez, as partidas de gamão e cartas eram animadas. Muitas risadas e xícaras de chá. Marcio ouvia a chaleira apitar de duas a três vezes durante a madrugada. Já não conseguia dormir direito. Nem com calmantes e uísques. Suas noites viraram pesadelos acordados. O dourado e seus tios, como amigos de infância. Restava a ele cozinhar, lavar os pratos, servir o café. Na empresa já comentavam como seu rendimento havia caído. Não era mais o mesmo. Os programas davam problemas e mais problemas. Foi pego dormindo no expediente mais de duas vezes. Seu chefe já tinha conversado com ele na segunda e na quinta. E seus tios só iriam embora na outra quarta. O pior é que o peixe não dormia. E aos poucos começou a cheirar mal. Suas roupas, seus tênis, sua casa tinha um cheiro forte de peixe fora d’água. Os vizinhos já olhavam pra ele atravessado. No trabalho, acabou tendo uma conversa séria com o chefe que achou melhor dar uns dias para descasar. Mas se Marcio não voltasse bem, ele teria que mandá-lo embora.

A porta da casa abriu mais cedo. Era Marcio. Os tios e o dourado estranharam.
Mas já, tão cedo?
É. Me deram uns dias de folga. Olha, precisamos conversar.
Marcio se sentou e explicou a situação. Os tios, muito chateados, pediram desculpas. Não queriam atrapalhar a vida do sobrinho tão querido. Mas é que aqueles dias com o peixe tinham sido tão divertidos que eles nem perceberam. Concordaram em antecipar a passagem que já tinha sido adiada uma segunda vez. O peixe é que não falava nada. Só olhava, com seus olhos de peixe, sem piscar.
No dia seguinte, a despedida com muitas lágrimas e abraços. Foram-se os tios. Ficaram Marcio e o dourado.
Bom, foi legal enquanto eles estiveram aqui.
É. Mas visita, você sabe como é. É igual peixe. Depois de um tempo começa a feder.
Isso não foi nada bom de se ouvir.
É, eu sei. Vou me deitar. Amanhã começa uma nova empregada aqui. Preciso acordar cedo para mostrar o que ela tem que fazer. Boa noite.
Boa noite.

O dourado continuou na sala se divertindo com algum programa de fim de domingo. Marcio voltou, andando cuidadosamente, e se jogou em cima do peixe. A luta na chalana voltou a sua mente, o dourado se debatendo debaixo de suas mãos, a isca na água, a primeira visão do grande peixe. Em poucos momentos, o dourado estava dentro de uma sacola de plástico. Sem pensar duas vezes, abriu o freezer e jogou a sacola com o peixe lá dentro.

Fazia tempo não conseguia dormir tão bem. Sonhou com pescarias e peixes que não falavam. No dia seguinte a campainha tocou cedo. Marcio pulou da cama e abriu a porta para a nova empregada, Zulmira. Explicou como queria a casa limpa, como queria as roupas passadas e como queria o molho à bolonhesa para congelar.
Os potinhos com o molho, a senhora pode colocar dentro do freezer mesmo, ta vendo? Bem aqui, do lado do peixe.
Sim senhor, pode deixar.
Mas faz um favor pra mim. Não escreve nos potinhos, tá.
Tá, sim senhor.
É que eu não gosto que o peixe fique lendo o que é que tem dentro da minha geladeira.
Tem dias em que a preguiça de andar até o ponto de ônibus mais próximo me faz escolher o metro como meio de transporte. Mesmo tendo que pagar alguns centavos a mais. Ontem foi um desses dias. O tempo não estava lá grandes coisas, ou seja, meio nublado, meio quente. Nem o sol de verão, nem a escuridão carregada das nuvens do inverno. O ar-condicionado do metro seria uma boa opção, apesar de a garganta arranhar um pouco e do nariz teimar em escorrer a cada minuto.

Fila para comprar o bilhete. Fila para entrar no vagão. Fila para ver quem fica perto da loiruda, podendo ser premiado com uma encoxada de leve. Fila para ficar ao lado da porta, já se preparando para a saída, no horário do rush de pessoas famintas por sofá e novela. Sentar, nem em sonhos. Então vi a menina dos cabelos molhados.

Em pé, ao lado de três cidadãos de bem, mas que não tiravam os olhos dela, a menina de short jeans por cima de uma meia calça preta, de mochila nas costas, de cabelos castanhos, de cabelos molhados, de cabelos curtos escutava seu celular. Ou seu Ipod. Ou seu Ipobre, aqueles aparelhos de mp3 genéricos. Qualquer fosse seu aparelho escolhido, os fones estavam lá, a tapar-lhe as orelhas. A separá-la do metro, a escondê-la do mundo que acontecia a sua volta.
Aos poucos fui me apercebendo dela.

Suas pequenas manias a separavam da multidão anônima. Seu jeito de jogar o rosto para cima e alisar os cabelos, mexendo com a libido de todos seus espectadores, ainda que sem perceber. Seus olhos, fechados durante todo o trajeto. Suas mãos, ao mesmo tempo em que seguravam as barras de ferro, tocavam-nas como se fossem o braço de uma guitarra. Seus cabelos, molhados, secando no ar-condicionado do metrô.

Pequenos passos de dança, em meio à multidão. Um rebolar suave, devagar, gostoso. E lá vai o rosto pra trás e mais passadas de mão pelos cabelos, agora já quase secos. De repente, ela abre os olhos. Seu brilho negro seduz e assusta. Aos poucos olha ao redor, descobrindo suores, olhares, desejos. Não reconhece nenhum deles, ou prefere não os tentar. Volta a fechar os olhos e entrar em seu mundo, onde sua música, sua vida, sua dança são perfeitos para uma pequena viagem de metrô. Minha estação se aproxima. Já me preparo para pedir licença, esbarrar em um monte de senhoras com bolsas cheias de pentes, escovas, batons, esmaltes e bíblias sagradas, e finalmente alcançar a porta de saída. Olho uma última vez para a menina, ensaiando uns passos menos tímidos dessa vez. Tenho vontade de tirá-la daquela espécie de torpor e perguntar que música está ouvindo. Ouvir sua voz, descobrir seus gostos. Em vez disso saio do vagão, empurrado pela confusão de entradas e saídas, e sigo meu caminho, sem nem ao menos olhar para trás, para vê-la uma ultima vez dançando perdida em seus pensamentos.

Subo as escadas e estou novamente no mundo da superfície. O tempo não mudou muito. Uns últimos raios de sol perfuram as nuvens carregadas, esquentando e dando a cor laranja característica dos fins de tarde de inverno. Os camelos gritam, os ônibus aceleram, os carros buzinam, os guardas assopram seus estridentes apitos. Abro minha mochila e tiro dela o meu próprio tocador de mp3. Ligo em uma música qualquer e calço os fones de ouvido. Continuo a caminhar, penso na menina, em usa estação, em seus cabelos secos agora, em seus olhos fechados, em seus passos tímidos de dança. E começo a cantarolar uma canção.

quinta-feira, julho 09, 2009

Ando pelas ruas e olho para todos os lados. Vejo mais do que procuro, o tempo todo. Sempre. Inapelavelmente. São as mulheres rápidas, com suas calças de ginástica, seus cabelos presos, as mulheres de pernas cariocas, shortinhos e cabelos dourados, as meninas que andam com seus queixos harmoniosos, com suas bochechas coradas, balançando seus corpos.
De certa forma, respondo-as. Do meu jeito, catwalking nas passarelas nas quais as calçadas se transformaram. Onde antes andávamos a pensar na vida, a olhar vitrines, simplesmente indo de um lugar para outro, hoje somos afrontados. Temos que nos colocar em nossos lugares. Abaixar a cabeça, olhar o chão e continuar nossos passos, esquecendo os manequins que, como no filme, ganharam vida e passeiam pelas ruas tramando contra os humanos normais.
Já não penteio o cabelo, já não conto mais as calorias do meu sanduíche de queijo branco e peito de peru, já esqueço de tomar banho e passar o desodorante, já não faço mais a barba, já aposentei a salada do meu prato.

E daí? Não é isso mesmo que eles querem? Que cada vez mais deixemos de querer estar em um futuro próximo ao largo deles, eu digo ao largo, não em proximidades. Porque ao abrirmos mão de estarmos ao largo, ainda que lá possamos sentir suas presenças, seus perfumes, ver os vultos ou as sombras de corpos perfeitos, deixamos de viver em fantasia e podemos pisar novamente em um mundo normal. Deixemos que eles se perpetuem, em bandos de bebês bem nutridos, a trocar fraldas na beira mar. Deixemos tudo para eles. As ruas perfeitas e torneadas, a paranóia, o tédio, a mesmice e o prazer, afinal, merecem. Em outros lugares somos mais felizes. Ou pelo menos podemos andar olhando para cima, olhando nos olhos e nos rostos de outras pessoas de verdade. Como nós mesmos.

quarta-feira, julho 08, 2009

O mundo tem, bom, o tamanho de um mundo e nele você tem um espaço de 2 ou 3 metros quadrados pra chamar de seu.
A não ser, claro, que você tenha um carro. Aí pode chamar as estradas de suas também. Pagando IPVA e tudo mais, pelo menos elas deveriam ser suas também. Mas agora, privatizadas, você precisa pagar ainda mais, em forma de pedágios, para não ter a estrada. Estranho.

E há, óbvio, o problema do dinheiro para se colocar combustível no carro. Imagina se aqui fosse a Venezuela, com seus litros de independência a poucos centavos. Acho que iria morar no asfalto quente do fim de tarde. Sem rumo, sem direção. Andando sempre um pouco na contramão.

domingo, julho 05, 2009

e cansei de vocês.
Todo dia era a mesma coisa. Pela manhã, enquanto preparava seu café com leite debruçado na pia, olhava pela fresta que o basculante oferecia a vida lá fora. Olhava e criava histórias para as pessoas nas ruas que dividiam alguns de seus segundos pelo pequeno espaço deixado entre vidros e esquadrias de aço escovado.
ainda incompleto...

****

Ele anda pelas ruas do centro do Rio de Janeiro. Os paralelepípedos, já não tão bem assentados depois de centenas de anos servindo de apoio para pés de nobres e plebeus, fazem com que torça o pé todos os dias. A dor do lado de seu pé direito é constante. E ele luta com ela, pisando aqui e ali, tentando não torcer o pé, tentando acertar a passada, com cuidado, olha o buraco, olha a pedra portuguesa solta, lá vem o carro e pronto. Pé torcido mais um dia. Um puxão de dor, que no dia seguinte não estará bem. E que ainda vai ser causa de mais uma pequena torção no pé direito.

Mas não é isso que nos interessa. Em verdade, pouco nos interessa nessa narrativa.

Elas andam tristes. Cabeças para baixo, mais fugindo dos olhares do que olhando o chão. Calças daquelas compradas em bancas de promoção de lojas populares de roupas femininas. Perfumes baratos, imitações de fragrâncias famosas, com vida útil de poucos minutos. O suficiente talvez para que elas se sintam cheirosas, ainda que em pouco tempo o único cheiro que reste seja o de álcool, também barato.

A garganta começa a queimar. Vem de baixo para cima. O gosto de ácido na boca, a queimação chegando até a língua. Gastrite. Refluxo. Ele para em uma lanchonete. Vê frutas e receitas penduradas por todos os lados. Pede um suco de cacau e sai pela rua bebendo.

Ela coloca as mãos em sua nuca. As duas, ao mesmo tempo. Como se estivesse cansada, com dor no pescoço talvez. Faz isso com tanta naturalidade e com tanta sensualidade que ele não pode deixar de olha-la. Ele continua a acmpanhar o andar, sem jeito, da menina triste, como tantas outras. Ela encontra seu olhar. Encantado, ele não consegue desviar seu olhar e seus olhos se encontram por momentos mínimos. Ela é quem foge. E volta a olhar para baixo, como todas as outras. E sorri.
Entrei no ônibus e me sentei atrás de todo mundo. Fiquei olhando para o céu, escuro já, e para as pessoas que me acompanhavam em mais essa viagem, ruas adentro e bairros afora. Olhava para as costas delas, costas que me deram quando escolheram os assentos à minha frente. E me senti só. Pensei em como tinha passado o meu domingo.

Um dia comum, cansado e descrente. Fiquei em casa, esperando passar as diversas folhas do jornal, uma a uma. Esperando passar os minutos que me levariam ao jogo na TV, um a um. Esperando passar as horas, mais pesadas do que leves hoje em dia, uma a uma. Infelizmente, não pude me dedicar ao ócio nada criativo, apenas ócio mesmo. Precisava comer. A fome já se mostrava astuta, me lembrando um leão, de cujo rugido não conseguia mais me esconder. Me lembrei do leão daquele pequeno zoológico, daquela pequena capital, que estava em uma pequena jaula. Muito pequena, coitado. E ele lá, amuadinho. Quieto. Cara de bobo. De repente, uma mandíbula se abre e eis que surge um rugido de estremecer todo o zoológico, e todos os bichos que estavam por ali, dentro das jaulas e fora delas.

Em poucos segundos a fome me fez listar mentalmente uma série de opções de pratos principais. A cada um deles pesava os pros e os contras. Os sabores e a facilidade em cozinhar cada uma daquelas opções. A menos trabalhosa era a famosa galinha assada de padaria. Inclusive, fazia algum tempo que não comia galinha. Ou frango. Nunca sei realmente se como um exemplar galináceo do sexo masculino ou feminino. Sei que todos eles tem peito, asas, duas coxas e sobrecoxas. O resto, como tripas, cabeça, pescoço, pés, prefiro não saber.

Vesti uma roupa de domingo. Aqueles casacos com capuz de uns quinze anos atrás, da minha primeira e ultima viagem para a Disney, que você só pode vestir para sair aos domingos, necessariamente de inverno, e apenas até o meio-dia. Depois corremos o risco de ser preso por atentado violento ao pudor. Ou pior, entrarmos em um antiquário e sermos colocados na vitrine. De qualquer forma, foi com a roupa de domingo, casaco vermelho desbotado com capuz e calça de moletom, cinza e larga que fui comprar meu almoço. Nas ruas as pessoas pareciam não se importar. Afinal era um domingo. A caminhada pelos ventos nas esquinas não durou muito e já estava eu na fila do frango. Cupom fiscal pago, a comprovação de que uma daquelas pequenas aves a girar dentro da famosa televisão de cachorro era de minha propriedade. O cheiro era de deixar qualquer cachorro louco. Talvez por isso os domingueiros levassem seus cães de todas as raças e tamanhos para acompanhá-los no ritual dominical da compra do frango. Um ritual que se torna cada vez mais tradicional, passando em muito a homilia ou o show de calouros do Silvio Santos. Mas nada se compara ao que passei neste domingo, em particular. Ao lado da padoca, tem uma bela banca de jornais, vendendo desde refrigerantes e brinquedos eletrônicos até jornais mesmo. E em cima de seu toldo verde e branco, estava pousada uma pomba. Pombas dessas comuns, de cidade grande, sabe. A pomba pousada olhava cada um de nós, na fila do frango. E não se mexia. A pomba parada, condenando-nos em seus pensamentos de pomba, almoço achado em restos pelo chão, coco em carros e ombros, fila para comprar frango. Frango, quase um pombo, quase eu.

Encarei a pomba. Pombas, nem posso mais me alimentar direito. Pensei ainda em jogar em cima do toldo da banca um pedaço de frango, recém-tirado da televisão canina. Mas vai que o dono da banca encrenca comigo. Deixei de lado a idéia. E a pomba. Aos poucos, seus pensamentos, sua auto-consciência esvaneceu. Ela, ave vingadora, a nos culpar pela sorte das primas, se tornou mais uma vez um rato de asas e como tal, voou em direção a senhora que estava sentada em um banco, perto da padaria, distribuindo pedaços de pães que acabara de comprar na padaria. Só para terminar, o frango estava delicioso. Comi, com pele e tudo.

A última menina interessante se levantou e puxou a cordinha do ônibus. Antes, tentara falar com Amaro muitas vezes. Em nenhuma ele a atendeu. Como estava bem atrás dela, pude ver seu celular. E prestar atenção, sem ser notado, em seus olhos azuis, que pouco combinavam com o cabelo caramelo, preso em um rabo de cavalo primário, feito com aqueles elásticos de dinheiro. A surpresa ao vê-la de corpo inteiro. Em vez da menina pequena, frágil, como seu rosto de perfil sugeria, surge uma mulher alta, bota marrom, camisa verde, bunda grande, pisando firme e brilhando em sua força, colocando os poucos homens que ainda a acompanhavam no coletivo em seus devidos lugares. Meninos. Nesse momento dei graças por estar mais perto de casa. Não precisaria ficar muito mais tempo sozinho no ônibus, idealizando a mulher pequena que a grande não era, sofrendo por querer algo que nem existia. Além do mais, chegando em casa, pelo menos tinha certeza do que estaria a me esperar. O resto do frangopomba de domingo que ainda estava na geladeira. Sem surpresas.
No Vermelho
Por
Luis Fernando Taylor


CENA 1 - ONDAS SONORAS

JUAREZ
Me dá isso aqui

ANTÔNIO
Mas eu

JUAREZ
Mas eu nada. Você tá aí apertando
um monte de botão. Nem sabe pra
que que serve cada coisa. Depois
se quebrar meu celular novo não
vai ter dinheiro pra pagar.

BARULHO DE TECLAS DE CELULAR

ANTÔNIO
Como se você soubesse o que que
tá fazendo...


CENA 2 - RUA. EXT.DIA
camera subjetiva (camera do celular) em plano sequencia
A câmera mostra o céu. Entra em cena a cara de Juarez.

JUAREZ
(em dúvida)
Mais que você garanto que sei. Ô
cara chato. O aparelho não é meu?!

ANTÔNIO
Quê?!

JUAREZ
Peraí que aconteceu um negócio
aqui.

ANTÔNIO
O quê?!

JUAREZ
Tô aparecendo aqui, ô.

ANTÔNIO
(desdenhando)
Uai, não é o seu celular novo?
Vai ver é ensinado, pra ficar com
a mesma cara do dono.

JUAREZ
Você tá é com inveja que fui eu o
sorteado.

ANTÔNIO
Inveja por que?! Você nem sabe
usar esse negócio. Fica aí só te
mostrando. Eu prefiro usar o
orelhão.

JUAREZ
Invejoso!! Olha aí.
A imagem de Antônio é que entra agora em cena.

ANTÔNIO
Tô me vendo.

JUAREZ
Como assim?! O celular é meu. Tem
nada que se ver aí. Me dá isso
aqui.

Volta imagem de Juarez em cena.

JUAREZ
Agora sim. Rapaz bonito.

ANTÔNIO
Rapaz cego, isso sim.

JUAREZ
O quê?!

ANTÔNIO
Nada não. Disse que esse treco tá
com problema. Não sai nada daí.
Só fica mostrando você, depois
eu, depois você.

JUAREZ
Problema é? Será?

ANTÔNIO
Acho que sim. Pergunta aí pro
caboclo que tá passando.

Imagem mostra rapaz de bicicleta. O celular/câmera é
chacoalhado de um lado pro outro.

JUAREZ
Ô! Ô da bicicleta... EI!!!

RAPAZ DA BICICLETA
(sem parar a bicicleta)
Que é?

JUAREZ
Sabe mexer nisso aqui? A gente
precisa de uma ajuda...


RAPAZ DA BICICLETA
Liga pra moça da operadora. Ela
te ajuda.

ANTÔNIO
Moça da operadora. Liga aí,
Juarez.

JUAREZ
E você sabe o número, Antônio?
Antônio pega o celular. Barulho de tecla de celular.
Antônio leva o celular até a orelha.

ANTÔNIO
Deu nada, não. Tá mudo.

JUAREZ
ô desgraça, viu?!

ANTÔNIO
Vai vê a moça viu sua foto aqui e
nem quis falar. Ficou com medo.
Você é muito feio.

Antônio ri. Juarez pega o celular de novo.

JUAREZ
Tem porra de moça nenhuma.

Barulho de teclas de celular. Celular cai no chão.

ANTÔNIO
Qué isso rapaz?! Ficou louco?
Jogando isso assim no chão.

Antônio pega o celular.

ANTÔNIO
ô menino!!!

Celular mostra um menino de uns 5 anos se aproximando
andando.

MENINO
Que é?

ANTÔNIO
Sabe desligar esse negócio aqui.

Menino se aproxima. Pega o celular e entra em cena.

MENINO
É aqui ó moço.

JUAREZ
Aqui onde?

MENINO
Aqui, no vermelho.

Imagem se apaga. Tela preta.


FIM
O Cinema Novo

Faz algum tempo, descobri o nome Glauber Rocha. Não devia ter mais do que uns quinze anos. Mas já gostava muito de cinema. Infelizmente, para mim, meu referencial de cinema passava por Hollywood, pelo cinemão americano, apesar de idas esporádicas a sessões de filmes independentes e europeus, coisa de uma tia que realmente gosta de cinema.

Voltando a Glauber, obviamente fui da turma do Marcelo Madureira. Achei tudo uma merda. Mas, descontando a idade e a falta de profundidade no conhecimento de cinema, é o que a grande maioria das pessoas acha mesmo. No entanto, tive a oportunidade de cursar uma faculdade na área de humanas e estudar cinema, primeiro em uma pós-graduação, depois na Darcy Ribeiro. E como diria Pascal, não me arrependo em mudar de idéia, pois não me arrependo em pensar. O segundo contato com o cinema novo, visto não mais como um simples espectador, mas agora como um estudioso no assunto, me trouxe uma sensação próxima ao sublime.

Entender a realidade do cinema no Brasil, pré-cinema novo, e ver a revolução causada por pirralhos, jovens como os que vemos aos montes na rua, nas festas, nas universidades, é o primeiro passo. Perceber um cinema combativo, inundado de ideais e ideias e alinhar com a realidade mundial deste mesmo momento, a década de 60, a lutas de classes, a tentativa de uma mudança ideológica a partir do comunismo é dar mais um passo para compreender e admirar. Ligar isso a realidade nacional do momento, pré-golpe, e obter a leitura dos filmes dentro desse contexto maior, é o passo final para entender a importância do cinema novo para a cultura nacional e mundial.

Pela primeira vez víamos um país que nossos olhos não alcançavam. Nossas desigualdades, nossas diferentes realidades, nossos irmãos brasileiros, nem tão irmãos, nem tão cidadãos, nem tão lembrados. Um grupo, o qual Glauber fazia parte, pensava em mudar a realidade do país por meio do cinema. Por meio de sua arte, expor as diferenças e calcados no pensamento marxista buscar a revolução.

Deu no que deu.


inicio sem fim de um trabalho para a escola de cinema.
Vejo a menina quase sem cabelo me olhando. Olho para ela também. Nos encaramos e isso é o suficiente para nos orgulharmos. Os sorrisos e as risadas são divididas. Os sotaques, diferentes, mais pela grandiosidade do país do que pela nossa realidade, se encontram. As nossas diferenças são conhecidas, nossas diferenças se encontram, as nossas personalidades estão mais próximas, nossas coincidências são apenas nossas. Ela sorri e sorrio com o sorriso dela.
Fico bobo, mais uma vez. Minha vontade é de dividir essa vontade de beijá-la com seu lábio, agora lindo e vermelho de paixão, ainda escondido.

Vou para casa. O ônibus me larga em frente ao portão. De lá, como um resto de rabada e outro resto de purê de batatas com língua. Deito, tentando dormir, e olho para minha barriga, neste momento, cada vez mais gigante e assustadora. As meninas ao meu lado, dizem ser linda, de verdade, mais próxima delas. Começo a pensar que elas são a realidade da minha infelicidade, do meu desleixo e começo a pensar em como começar de novo, como realizar cada pedaço de verdade ainda perdido pelo tempo em minha cabeça.
Chega o momento em que prefiro não continuar a pensar. Só deixo a vontade de me engatar numa fila de estudantes de publicidade e gritar ei-ei, aparecer e tomar conta de tudo. Quem sou eu afinal? O que devo pensar e fazer? E meus amores, como ficarão?
Amo todos eles e ela sobremaneira. Mas ela virá me ver tocar ao vivo dentro do espelho? Dentro de nosso cinema?
Espero e não sei a resposta. E é cada vez melhor não saber a resposta.
Hoje completei minhas duas derrotas seguidas no estádio. Pouco menos de 7 mil coitados foram ao Engenhão presenciar, testemunhar, acompanhar a queda de 4 do Botafogo frente ao Goiás. Devo dizer que é o segundo quatro a um na cabeça que vejo ao vivo este ano. O outro foi com o Vasco que pena na segunda divisão. Esquecendo o jogo e a falação da torcida (muito engraçado até, não fosse tão trágico), cheguei cedo pra ver a disputa da preliminar. Ia ser uma homenagem ao time de 89. O jogo do time campeão em 89 contra uns artistas da globo, mas cancelaram. E não me avisaram nada. Mas a taça estava lá, assim como alguns deles. E tiveram, óbvio, uma linda demonstração de carinho por parte da torcida. Foi bem legal. Foi por isso que fui até lá. Não para ver fahel, Leo silva e Cia. Foi para ovacionar Mauricio, Mazolinha, Luisinho, Gottardo, Ricardo Cruz e Carlos Alberto. Foram eles que me deram, naquela noite de junho de 89, a primeira alegria e a primeira lágrima derramada por este time de merda que eu amo tanto. Estávamos eu, meu irmão e meu pai, assistindo pela Manchete. Nessa época meu pai morava sozinho ainda, na Praia do Canto. Gostava de ir dormir na casa dele de vez em quando, comer pão frances esquentado no forno de manhã com leite e toddy. Mas engraçado é que o antigo AP tinha uma coisa meio desleixada. Não sei se pela falta de móveis, se pelo próprio prédio que era meio velhinho já, mas a casa dele tinha uma coisa engraçada. Até hoje me lembro do cheiro e da sensação de estar lá.
E da vitória de 89. Criança é boba, né. Fiquei segurando o choro com vergonha quando o Botafogo ganhou aquele jogo, todos se abraçando, felizes. Acho que naquela hora nem chorava mais pelo Botafogo, mas pela felicidade de estar ali, pela proximidade inesperada, pelo abraço, pelos sorrisos no rosto de todos. Foi o melhor campeonato para se ganhar, e foi a melhor noite que passei com pais, filhos e irmãos.
Semana pré-ferias na escola de cinema. Preciso assim, como quem não quer nada, fazer um documentário. Assim, como quem não quer nada, em um mês fazer um documentário. E descubro, antes mesmo de começar a fazer, que não levo o menor jeito para documentários.

Adoro vê-los, no entanto. Hoje assisti ao Loki. O doc do Arnaldo batista, mas não mentiria se disesse ser um doc dos mutantes. Mutantes, a banda. Não os personagens da novela da Record. Muito bom, pela amostra da importância da banda, de sua influencia e muito mais.
A Rita Lee realmente era bonita. Os mutantes realmente são/foram grandes. E a perspectiva história apresentada no documentário realmente me pegou. Como aconteceu aquela vez que assisti a um programa do clube da esquina e passei as duas semanas seguintes ouvindo apenas esse disco.

Bom, a lista de quase dez filmes para se ver no cinema tem um a menos. Dois se contar que consegui alugar o área 1 do Gran Torino, que me espera aqui ao lado, junto à xícara de chá preto. Ele e outra vez a cópia do Cidadão Kane. É bom rever Rosebud de vez em quando.

***

A cabeça anda a mil. De todas as formas possíveis. Aí vem as coisas boas e as coisas mais ou menos, não é mesmo.
As coisas boas, enfim, são saraivadas de toques na tela em branco do Word.
As coisas ruins, então, são os tremores internos, a ansiedade e todas as coisas que fazem você perder o toque com a realidade.

Música do dia: Engineers - International Dirge
É pedir pra morrer.
usando a internet free que a prefeitura colocou na praia. daqui da casa da minha avó dá pra fazer uso dela. nada mal. mesmo que lenta e tal.
de gratis, né...
agora vou poder parar de escrever e salvar as coisas no meu hd. vou poder escrever e colocar tudo aqui.
seguem escritos perdidos neste mes e pouco sem conexão.

terça-feira, junho 23, 2009

bom, to sem net em casa.
óbvio, to numa lan.
nenhum e-mail que valesse a pena.
nada de novo no orkut, nem no botafogo.
enfim, pra que preciso de internet mesmo?
pra viver na expectativa de ummail, de uma nova boa noticia?

sei lá
talvez só para escrever e colocar aqui nesse blog mesmo.

ando escrevendo muito.
resolvi lançar um livro com 33 contos.
uma para cada ano de vida. Tenho 15.
talvez lance com menos, sei lá.
o título pode ser 25 aos 30
afinal, foram contos escritos desde sempre.
é sei lá.

aí, cansei do laptop e comecei a escrever no caderno. no papel.
aí cansei de tudo.e me joguei pra dentro deum cinema.
daqui a 20 minutos. é. uma boa desligar.


saudades dos amigos, todos longes.
saudades de mim.

segunda-feira, junho 15, 2009



deve-se escrever um mini-conto baseado nesta ilustraçao aí de cima. envie para a Piauí e participe do concurso Piaui/FLIP de continhos. eu mandei. esse aí de baixo.


Na Revista

Ele olha para a ilustração na revista. Aos pés de um homem, a mulher deitada se abraça. No cinzeiro, restos de cigarros. A dúvida que vem à cabeça é quem teria fumado todos os cigarros que estavam, aos restos, deixados no cinzeiro.
As guimbas mal-cheirosas emolduravam o reencontro. A mulher, deitada, enlaçada em seus próprios braços. Sua solidão mostrada em um gesto. Sua insegurança e sua carência, brigando com sua vontade de ser feliz. Seu rosto sem sentido, não conseguia mais sorrir. Nem chorar. Era o rosto de quem, de tanto olhar para o mesmo lugar, não enxerga mais nada. Uma paisagem sem vida. Ele está em pé ao seu lado. Sabe que se atrasou. Pede desculpas. Ela não responde, fica apenas deitada. Olha para o teto, foge do encontro de olhares. Não quer se lembrar de seu rosto suado, em cima desse mesmo tapete, testemunha de episódios repletos de sexo e amor. Agora, apenas testemunha de horas e horas de espera. Ele estava no escritório, foi chamado para uma reunião importante. Não teve como ligar. Ela não acredita, na verdade, não acredita em mais nada. Tinha desistido. Desistido das desculpas, desistido de si própria, desistido dele. Eram delas, então, as guimbas fumadas durante a espera. O encontro não teria um final feliz. Eles não eram mais dois amantes. Talvez ex-amantes. Ou eram apenas mais um casal, daqueles enfiados na rotina de dividir a mesma casa, a mesma cama, as mesmas contas, que tinham marcado de sair para jantar, quem sabe esticar a noitada num motelzinho, para esquentar a relação. Ou nada disso? O maluco, dos sapatos de couro italiano, bem lustrados, teria fumado um a um os cigarros que restavam no maço, enquanto em uma crise psicótica, cortava lentamente as pernas da moça. Ela deitada, sentiria o frio do choque e na tentativa de se aquecer se abraça, enquanto ele, em pé ao seu lado, segura uma machadinha suja de sangue.
Ele fecha a revista e a joga dentro do balde que costuma usar como revisteiro. Se limpa rapidamente e puxa a descarga. Agora tem mais com o que se preocupar, do que ficar inventando histórias enquanto olha para a ilustração da revista.

quinta-feira, junho 11, 2009

Domimgo.
Com M
Com mer
Comer. Comido, papado.
Babado.

***

Coloquei minha camisa do botafogo. Coloquei minha armadura. Debaixo dela não era mais um, era o cara. O torcedor. Precisava ter a coragem de encarar mais uma dura partida. Mais uma provação. Torcer pra esse time não é bom. Não pode ser. Ter que ir ao maracanã, pegar chuva, sem tomar uma cerveja, ver essa cambada criar chances pra caramba, jogar melhor do que o fluminense o jogo todo e levar um golzinho chorado no fim. Bom, eles têm o Fred. E nós, o que temos além de nossa paixão burra e inconsciente? Não muita coisa. Temos que gritar e torcer para tiaguinhos, tonys, alessandros, fahels, leos silvas...
A vida está muito difícil, meus camaradas, pra ter que gastar 15 pratas pra ver vocês. Tomei desgosto. Não vou faz tempo ver jogo. Continuarei sem ir por mais outro tempo. Mas gostei.
Gostei de ter colocado a camisa. De ter me sentido torcedor mais uma vez. Por voltar a ter o gosto de perder, sabe. De saber que fiz a escolha mais difícil de todas. Mas que ainda assim, sei o que me espera. Levantar a cabeça e seguir adiante.

***

Queria sentar e escrever como o Verissimo. Já sou Luis Fernando. Será que serve?
Domingo, abro o Globo. Lá está uma croniqueta do cara. Croniqueta mesmo. Ele anda escrevendo pouco. Seus livros estão mais curtos. Menos páginas. Livros de encomenda talvez, daqueles preguiçosos. Enfim, o cara parece que cansou. Mas tem umas horas em que ele acerta a cabeça do prego em cheio. Dessa vez aconteceu. Resumindo:

Homem encontra mulher na internet. Descobrem coisas que combinam e coisas que não combinam. Ambos mentem a idade (ela diz ter mais de vinte, ele menos de 30). Ela tem 18, ele, muito mais velho. Marcam de se encontrar. Trocam fotos. Ela gosta do que vê. Belos olhos azuis, cabelos loiros. No dia marcado ela está sentada numa mesa quando o cara chega e se apresenta. Ela olha para ele e não reconhece o cara da foto. O cara da foto é muito mais bonito.
Ela: Mas esse da foto não é você.
Ele: Eu sei. Achei que você iria achar engraçado eu ter mandado a foto do James Dean.
Ela: O que?
Ele: James Dean, o cara da foto...
Ela: Não conheço, nunca ouvi falar.
Ele: Você não conhece James Dean?!
Ela: Não. Era pra conhecer?

Ele deixa pra lá. Eles conversam. Ele paga a conta. Dele e dela. Eles se levantam, se despedem com um beijo e nunca mais se vêem outra vez.
***
Genial ou não?
Pensando aqui, dá até pra filmar isso. Vou pedir a autorização dele.
***

Vou começar a escrever coisas engraçadas. Deixar de lado essa melancolia. Ou usá-la para a comédia. Tem coisa mais engraçada do que cara melancólico?
Aquela cara de sofrer, de “me dá um colo”. Ou escrever tragédias. Não conseguiria chegar perto do Rubem Fonseca, mas seria um prazer tentar. Outro dia vi uma foto dele no jornal. Tá velhinho, coitado. É difícil ver uma foto dele. Ele não se apresenta para o público. Acho que não quer definhar a olhos vistos. Prefere a olhos não vistos. Ele é que é inteligente. Ser famoso não serve pra porra nenhuma. Talvez pra facilitar um financiamento na hora de fazer um filme. Talvez nem pra isso.



Boa noite.

segunda-feira, junho 01, 2009

Tentei ir no jogo do flamengo neste domingo.
Íamos eu e meu primo, o único flamenguista da família.
Era um domingo importante. Anúncio das cidades-sedes da copa. Estreia do Adriano no flamengo. Dia de festa no maraca.
Pois bem, mal chegamos lá já encaramos uma fila imeeeeeeensa para comprar o ingresso. O meio ingresso. A fila não andava. E das duas e meia até as três e quarenta ficamos debaixo do sol na esperança de tentar comprar os ingressos. Nada feito. Quanto mais perto da bilheteria, mais bagunça surgia. Gente entrando nas filas de qualquer jeito, vindos de qualquer lugar.
O clima pesou e resolvi voltar pra casa. Aqui, pelo menos, dava pra ver algum jogo em segurança pela TV. Perdi a festa. Enfim...
Aqui tá bem frio.
Talvez para combinar com meu coração.

***

Aconteceram umas coisas bem estranhas este fim de semana.
Primeiro, perdi um amigo. Coisa absurda, latrocínio.
Ele era da minha idade, tinha planos e desejos.
Vontades e certezas. E, assim, de repente, não tem mais nada.
E a gente já não o tem.
Comprei uma barra de chocolate pra afrontar a vida, pra dizer inconscientemente “estou vivo até que me provem o contrário”. Resolvi aproveitar a vida. Esquecer de fazer planos. Esquecer de pensar no futuro, esquecer de malhar para estar bem daqui a vinte, trinta anos.
Posso não ter o amanhã.

Coloque isso na balança e veja se sua vida foi válida, se você viveu todo dia como se fosse o último dia. Simplesmente porque pode ser. Ainda mais aqui no Rio, cidade louca da porra, violenta até o cu fazer bico.

Aí você para e pensa e coloca um milhão de coisas na cabeça, coisas certas, coisas erradas, escolhas certas, escolhas erradas, saudades e presenças. E fica maluco. Pelo menos até o próximo noticiário chegar e dizer que caiu mais um avião no meio do atlântico.

sexta-feira, maio 29, 2009

que coisa...
apesar do curso de educaçao fisica, meu avô é muito mais contador (com curso, também).
E de vez em quando entra numas de me perguntar se paguei o imposto, se faço direitinho meu IR ou se estou pagando o instituto.

aí parei pra pensar.
não tenho emprego, não tenho salário.
não pago imposto, nem aposentadoria.
na verdade, não me preocupo com nada disso.

e daí?
e daí que me vejo com 33 anos. daqui a 17 tô com 50. Acho que meu pai se aposentou com 50, 52 talvez. eu não faço a menor idéia do que fazer para me aposentar aos 50. sejamos sinceros, estou aposentado com 33. vivendo as custas dos meus parentes, estudando cinema, tentando ganhar algum dinheiro com frilas, tentando estourar com algum filme (tem grana rolando em festivais...).

enfim, nem sei porque divido isso com vocês.
mas acho que vou começar a pagar o instituto.

quinta-feira, maio 28, 2009

olá
olha eu aqui de novo,depois de ter passado
filmando um belo tempo. desde quinta da semana passada até esta terça.
foi punk, foi puxado, mas foi massa.
vou colocar umas fotinhas pra quem acompanha este lugar ver.
filmagens da produçào Carnaval, Carnaval...
de Alceu Kunz e Neilton Lima.




terça-feira, maio 26, 2009

me amarrem.
curtindo um bode ouvindo despedida e detalhes do Rei, no repeat.
: /

quarta-feira, maio 20, 2009

xi...
se eu conheço o pessoal, vai ter gente me chamando de besta.
Mas sabem onde vou hoje a noite?
não, não é no jogo do Flu x Corinthians (bem que eu queria ir).
É aqui, ó...



Ah, vai.
Além de ver o filme de graça, ainda corro o risco de ver uns globais (ou umas globais. heheheh).
E outra, vi umas duas cenas sendo filmadas aqui no Leblon, ano passado.
Então, tem ou não tem, tudo a ver?
;P

quinta-feira, maio 14, 2009

Ontem teve um debate com o Gustavo Dahl na Darcy Ribeiro.
as fotos, vídeos e coisinhas estão no site da escola.

As frases que ele disse estão aqui:

"O álcool é uma droga pesada.
É mais fácil não beber do que beber pouco."

***

Aí, em determinado momento ele lembrou uma tirada do Glauber:
"Essa televisão que tá aí, isso é só um momento. Nossos filmes vão ficar, eles tem vida. Os filmes vivem por muito tempo, a televisão acaba ali."

***

Enfim... entre tantas coisas ele contou que um dia seu filho o perguntou se o Brasil tinha jeito:
"Olha, do jeito que está parece que não. Mas a gente só consegue continuar porque no fundo, no fundo tem uma esperancinha de que isso possa mudar."

...

Pensei nisso e resolvi fazer alguma coisa.
Pode ser que acabe aqui, que não vá pra frente, mas dane-se.
ë minha maneira de tentar mudar as coisas.

Está criada a União Livre em Prol do Brasil.
Quem quiser, logo poderá colocar a logomarca da ULPB em seu site, em seu blog, fazer um botton.
O que a ULPB se pretende é mostrar para o país que não aguentamos mais.
É voltar às ruas e gritar por moralidade. É mostrar que a opinião pública é muito mais importante que deputados que se lixam para ela e suas esposas prefeitas de fachada.

Eu estou com nojo e quero fazer algo.
se é terrorismo, bomba, grito, passeata, não sei.
Não tem caráter político nenhum, não é ligado a nenhuma ala de esquerda ou direita.
É ligada à nossa consciência. É ligada à todos aqueles que amam este país e que ainda acham que a melhor saída não é necessariamente pelo aeroporto.

e tenho dito.

quarta-feira, maio 13, 2009

E a felicidade? onde está?


Vivemos a vida toda atras dessa felicidade
e morremos as vezes achando que conseguimos atingi-la.
as vezes achando que foi tudo em vão

terça-feira, maio 12, 2009

finalmente vi o wolverine.
nota 5.
empolga não. Em momento algum.
***
Frost/Nixon.
ESTE É O FILME!!!
LINDO, LINDO, GENIAL, LEVADO COMO UMA PLUMA POR SEU DIRETOR E MAIS UM TRABALHO INCRÍVEL DE PETER MORGAN!!!!!

domingo, maio 10, 2009

****

Marcelo.
Por que toda vez que vou escrever uma história e penso em um personagem, sempre vem este nome? Por que sempre Marcelo?!

***

Marcelo ligou o computador. Estava à toa. Era sábado à noite e todos estavam na rua. Festas, brindes, goles e beijos em busca das pessoas.
Senha, OK.
Marcelo não tinha muita escolha, nem muita opção. Morava numa cidade do interior da Paraíba e a grana que tinha era a conta para pagar a faculdade particular. Com o computador ligado, no entanto, estava no mundo. Em todos os lugares, com todos os amigos e em todas as festas. Maravilhas que só a internet pode fazer por você. Uma checada nos e-mails, uma passada de olho nas notícias. Tédio. Parece que até a internet sai de casa num sábado à noite. As lembranças vem e vão. Os sites não passam de uma meia dúzia, nos quais Marcelo gasta a maior parte do seu tempo. Um Boa Noite escrito no twitter. As notícias do Treze. Ele se lembra do trabalho que tem que entregar até segunda. Mas não está com saco de fazer. Na verdade, está meio sem saco para qualquer coisa. Mas a internet, ainda que as moscas, é melhor do que qualquer programa que passe na televisão. O sono, parceiro faltoso.

Um, dois cliques. Rápido e em cima dos bonequinhos. A aba se abre e mais nomes e senhas são inseridos aqui. O verde não parece estar muito na moda no sábado à noite. Poucas são as pessoas conectadas. Pouquíssimas. Seu primo do Rio de Janeiro. Uma amiga que mora na Austrália e com quem dificilmente fala - afinal porque a adicionei aqui mesmo?
O tempo passa. Marcelo se lembra de jogos, das salas de fliperamas que freqüentava em João Pessoa. Das tardes quando sua avó vinha visitá-lo e fazia bolo com frutas secas. Marcelo adorava frutas secas. E comia o bolo com chá. Como será mesmo a receita desse bolo?
Pesquisa na internet. Bolo de Frutas. A receita ali. Mas e a avó? E o cheiro do bolo quentinho assando no forno e atiçando a molecada. Não abre este forno que o bolo sola, menino!!!
E as tardes?

Cadê meus amigos? Cadê todo mundo? Por que essa louca batalha por bocas diferentes, por batons e hálitos desconhecidos, por perfumes importados e maquiagem da Avon?
Marcelo se cansa de nadear na internet. Inventa de contar quantos meia-armadores chamados Chico o Treze teve em sua história. Pesquisa. Quer saber se algum outro amigo está online. São meia noite e cinqüenta. Domingo. Ufa. O sábado solitário se foi. Daqui a pouco tem corrida de fórmula 1. Será que alguém já está online? Não.

Marcelo tem tantos amigos adicionados e nenhum para conversar. Meio triste. E música? Vou ouvir uma agora. Tantas opções, mais de mil escolhas possíveis. Marcelo tem preguiça de escolher uma. Fecha o programa que mandaria, quem sabe, uma outra lembrança de algum lugar do passado. Já nem tão distante. O ontem é ano passado no mundo de velocidade 5. Olha só. Débora. Não, ela não está online. Sendo sincero, Marcelo sabe que desde que Débora arrumou o namorado novo, ela deve tê-lo bloqueado. Ou vai ver ela esquece mesmo de entrar nesse programinha de bate-papo. Ou entra escondida dele. Débora. De namorado novo. Namorado novo nada, né. Ele já era ex quando Marcelo a conheceu. Um intruso no meio de uma história de amor. Seria amor mesmo? E o que Marcelo sentiu? Era o que?

Ele quer acreditar que era amor. Ainda pensa nela. Tem saudades. Não do beijo, não da boca, não do sexo. Marcelo se sente só. E Débora preenchia um espaço como só ela sabia. Marcelo pensa em como a vida deles deve estar diferente agora. Ela já formada. Casada, será? Ele pensa em Débora grávida. Na sua felicidade, no sorriso. Ela está ali no programa ao seu lado. Desligada. Offline. Mas ainda assim, é ela. Marcelo, meio que automaticamente abre a janela do bate-papo. E fica olhando para a tela, como um pintor prestes a começar um quadro. Não existem palavras. Elas acabaram. Ficaram para trás quando deixou de ver Débora. O silêncio do interior, a noite fria, o computador ligado, a falta da avó, seu amor, sua histórias, tudo ali fazendo falta, tudo junto meio longe. Débora ali, ainda que não ali.

Marcelo ficou olhando para o nome dela por um minuto. Pareceu muito mais para ele, pareceu cada segundo dos cinco meses de namoro, de momentos juntos, de risadas e de pintinhas na pele branca de Débora. Aos poucos os dedos ganharam vida e, ainda que lentamente, chegaram ao teclado. Não existe mais assunto, nem coincidências, nem experiências vividas juntas. Marcelo, tecla após tecla, escreve. Uma palavra. Talvez tudo o que restou. Manda para a Débora offline seu beijo. E só.
Ficar em casa e se sentir mal.
Existe tal coisa?
Enfim, é onde estou, e aqui e assim começo a pensar em escrever.
Desanuviar nessas linhas.
Melancolia sempre foi minha melhor musa.

***

Escolha aquelas músicas mais pesadas, que carregam consigo lágrimas e momentos inesquecíveis, ainda que não positivos, e bota pra rodar.

Quer uma lista?

Closer – Kings Of Leon
If I Know You – Presets
Pink Bullets – The Shins
I'm Outta Time – Oasis


***

E o cheiro de gasoline vindo do posto?
E as picadas de mosquito que coçam?

sábado, maio 09, 2009

Hoje enguli meu orgulho e coloquei uma camisa do botafogo.
Mas devo dizer, tá cada vez mais dificil sair andando com ela por aí.
Parece que em cada canto tem alguém me olhando, apontando e rindo.

: /
sejamos sinceros, quem em sã consciência fica em casa num sábado à noite?
Eu fico. e fico feliz com isso.

***

coisas que às vezes resolvo fazer parte 43

- parei de beber refrigerante.

***

Quero comer brigadeiro e sei onde tem
: )

***

por que todo mundo escreve errado?
por que eu, mesmo escrevendo certo, escrevo tao pouco?

sexta-feira, maio 08, 2009

O show foi foda. O Cachorro Grande mandou bemzaço e ainda trouxe o Samuel Rosa pra tocar duas músicas dos BEATLES!!!
Helter Skelter destruiu o Metropolitan!!!

O Oasis entrou e, bom, sem fazer muita firula mandou o que sabe de melhor: ótimas músicas. E me lembrou, o tempo todo, porque achava eles a maior banda do mundo!!! Voltei a 94, quando ouvia o primeiro disco deles, voltei a 98 no primeiro show no Metropolitan, voltei a 2001 ao Rock in Rio... E fiquei feliz por ter tido tantas chances de ver e comprovar que eles são, sem dúvida, minha banda preferida. a predileta da casa. Os mestres da melodia. PUTAQUEPARIU!!!!

o setlist vai aí embaixo, pra quem acompanhou no Multishow se lembrar um pouquinho e pra ficar pra sempre na minha lembrança. Sério, o melhor show do ano. Deu pau no cabeçudo do Radiohead, no metal de maiden e no circo do kiss. Dá-lhe Oasis, há 15 anos a maior banda do mundo!!!

"Fuckin' in the Bushes"
"Rock n' Roll Star"
"Lyla"
"The Shock of The Lightning"
"Cigarettes & Alcohol"
"The Meaning of Soul"
"To Be Where There's Life"
"Waiting For The Rapture"
"The Masterplan"
"Songbird"
"Slide Away"
"Morning Glory"
"Ain't Got Nothin'"
"The Importance of Being Idle"
"I'm Outta Time"
"Wonderwall"
"Supersonic"
Bis
"Don't Look Back In Anger"
"Falling Down"
"Champagne Supernova"
"I Am The Walrus"

quarta-feira, maio 06, 2009

Oasis amanhã!!!!!!!!
Em verdade, olhava para as fotos e pensava: um dia quero estar lá.
E mais profundamente pensava que era para eu estar lá.
Hoje estou. E as fotos são minhas.
Não há porque parar.













terça-feira, maio 05, 2009

Hoje não fui na academia, faz seis dias que não vou.
Os músculos pararam de doer, o ombro ainda dói como um cão.

Hoje trabalho via skype a partir das 14h.

Hoje acordei com tesão de fazer.
tesão de escrever. tesão por pensar.


Daqui a pouco passa.
Vou na academia de noite.
Hoje, terça. Com menos gosto de fel na boca posso escrever.
Ou não. O coração fica dolorido, magoado, como se tivesse sido traído.
traído pelo destino, traído pelo cansaço, pela triste realidade de ter que aturar, ter que me conformar com a idéia de que não fomos cunhados para vitórias.
Mas o amor não acaba.

Hoje mesmo me vi fuçando os noticiários atrás de novas boas notícias sobre o time.
Meu time.

quarta-feira, abril 29, 2009

Set List Oasis - em Caracas

Fuckin' In The Bushes
Rock 'N' Roll Star
Lyla
The Shock Of The Lightning
Cigarettes &Alcohol
The Meaning Of Soul
To Be Where There's Life
Waiting For The Rapture
The Masterplan
Songbird
Slide Away
Morning Glory
Ain't Got Nothin'
The Importance Of Being Idle
I'm Outta Time
Wonderwall
Supersonic
Don't Look Back In Anger
Falling Down
Champagne Supernova
I Am The Walrus


esperam algo bem próximo para o show da semana que vem aqui no Rio.
vamos ver, né.

Anotaçao mental numero um - escutar o último disco mais vezes antes do show!
Eu deveria estar dormindo Duas da manha. Uma pilha que aumenta a cada dia de livros para ler, uma pilha de artigos para escrever, uma tonelada de idéias que preciso ter e não tenho, uma necessidade física de me movimentar e pior, de dormir, o sono que não tenho para acordar no dia seguinte e não fazer nada do que preciso fazer.

Aqui, os carros se chocam, as pessoas se xingam, os taxis passam a todo o momento dando a sensação de liberdade, desde que vc tenha a quantia suficiente para paga-los na hora da despedida. Aqui, neste lugar estranho, amo e odeio a minha casa.

Dou lugar a baratas, ratos e mosquitos que adora a fartura de sangue presente em meu corpo, uns dois litros se contar tudo o que já foi sugado por eles, num verdadeiro banquete vampiresco, que acontece toda noite, sem excessao.

O ventilador acionado, sopra em cima de mim o ar gelado, da noite gelada. A colcha está suja, manchada de vida, mas ainda me esquenta. Ao lado. Um pote de chocolate, resquício da páscoa. Como em desespero esperando que acabe, me deixando nada mais do que a lembrança de que fui lembrado por algumas pessoas.

Tento assistir mais filmes do que minha paciência me deixa, tento ler mais do que minhas horas permitem e ainda não consigo desistir. Mas as idas e vindas parecem sempre incompletas. Não posso me dar por inteiro a ninguém, preciso ser 3, 4, 5 pessoas, potencias, devires.

Vou ligar o radio, ouvir as ultimas noticias repetidas, me cobrir com a colcha e tentar dormir.
Amanha quero ter idéia para um roteiro. E se Deus quiser, vou acordar cedo.
vi de uma só vez
Casino Royale e Quantum of Solace.
achei o primeiro melhor, ainda que nenhuma obra prima.
o segundo... confuso e superficial pra caramba.
enfim, bond james bond. nada mais que isso.
agora volto a minha habitual birra com ele.

sábado, abril 25, 2009

tem uma coisa legal na locadora daqui.
a cada dois filmes, pego um catálogo de graça.
Vou direto na prateleira diretores e procuro os que ainda preciso assistir.
E assim vou vendo Jules et Jim (Truffaut), Nossa Música (Godard),
Os Imorais(Stephen Frears) e Down By Law (Jim Jarmusch), enquanto passo os olhos pelo Milk, Dúvida (ótimo filme), Feliz Natal, O casamento de rachel e outros lançamentos por aqui...

E na escola, overdose de Glauber, Humberto Mauro, Zózimo Bubul, Leon Hirszman e diretores que nunca tinha ouvido falar como Edward Dmytryk, Andrzej Wadja, Jules Dassin.
Os filmes são O preço de uma vida, Rififi e Kanal.

Podem crer, parece fácil, mas chega uma hora em que isso cansa.
cara, o que é a vida?

estou aqui, sentado debaixo do ventilador,
sentindo cada músculo do corpo doer
e o corpo colando pelo suor derramado durante todo o dia.

Faz umas três semanas coloquei na cabeça que precisava fazer.
fazer, nesse sentido, quer dizer filmar. me mexer, colocar em prática
uma forma guerrilheira suicida e me jogar atrás das câmeras.
Deixar de ser um estudante de cinema e me tornar um diretor/roteirista.

Traçadas as linhas, montada a estratégia da batalha, me esforcei e consegui reservar e retirar o equipamento da escola na quarta feira a noite, vespera de feriado aqui no Rio.
Só um adendo, esse feriado era exatamente o dia em que comemoraríamos os aniversários do meu avô e da minha avó. Ou seja, família reunida e bagunça na casa.

Meu projeto de documentário era sobre poluiçao sonora, o que o Profissão Repórter da Rede Globo fez com muita propriedade um dia antes de eu pegar o equipamento.
Fiquei perplexo. era o meu documentário, escrito a duras penas ali, na telinha da TV.
Brochei e depois da primeira derrota, desisti de fazê-lo. Enfim, pensei. Peguei a câmera mesmo para fazer outro curta, uma conversa num boteco. Uma ficção. o que gosto.

Então, apaguei a decepção e coloquei todas as minhas forças na filmagem de sábado. Mas achei melhor ligar para todo mundo na sexta e confirmar. Primeiro, o responsável pelo casting. tudo ok com os atores. Mas liga pra confirmar.

liguei. Eles não poderiam gravar. Sexta, às duas da tarde, menos de 24 horas antes da filmagem teve a baixa de todo o elenco.

Ok, não é pra fazer cinema mesmo. Comecei a pensar onde arrumar emprego e quando me mudar do Rio. Aí me peguei a mim mesmo (sic) numa pegadinha que fiz pra mim mesmo.
Paguei o semestre todo da escola e mais 6 meses de academia.
Não poderia jogar no lixo todo aquela grana... e além do mais, estava quase na hora de ir para aula, quem sabe não arrumava algum ator por lá. (sempre tem algum ator por lá).
Na pior das hipóteses, pensei, eu me filmo. sei o texto, foda-se. viro ator de novo.
aí comecei a me apegar ao planejado e me neguei a desistir.
MESMO.

tava muito mal, deprê ao extremo. Fui para a aula, assisti ao "Tesouro de Sierra Madre". E na escola, conversa vai, conversa vem, descobri que o Arli que libera os equipamentos pra gente, tava fazendo um doc sobre um grupo de teatro e que eles iam filmar na Lapa neste dia. Dei um roteiro pra ele e tive a garantia de que eles topariam fazer de qquer jeito.
Dito e feito, hoje quando o relógio marcava meio-dia, saia com meu carro imundo em direçao ao boteco no centro, onde filmaria.
Carro cheio de tripés, luzes, camera e ação.
As pessoas começaram a me ligar, perguntando se já podiam se dirigir para lá.
As pessoas foram. Descarreguei o carro e em meio a muita sujeira, barulhos infernais, com direito a tiro e a um trombadinha invadindo o set e sendo preso pela PM, e a muitos litros de mate (o conhaque cenográfico), salvaram-se todos.

Tenho em minhas mãos a fita com as imagens feitas pela equipe. Não é meu, nada é meu. Tudo em cinema se faz junto, unido.

Antes de ver, sei que terei muito problemas de continuidade, já que o movimento no bar não parou um segundo (e pra piorar era dia de faxina. hahahaha). E de som, que ouvia reverberar o tempo todo no fone que ficava no meu ouvido.
Mas quer saber?
foi bom demais e não desisti de maneira alguma desse e de muitos outros filmes.
Nem parece trabalho. Mas pode vir a ser. E eu não iria reclamar nem um pouco.

missão número dois - editar a bagaça e fazer logo uma exibiçao pra quem merece. Amigos, família, equipe e, claro, pro pessoal do bar que deu a maior força (mas não ficou quieto um minuto. hahahaha)

missão número três - começar a pré do beijo de amigo. Esse também termino até o final do ano com certeza. E se bobear, escrevo outro roteiro pequenininho, só pra aproveitar o tempo ocioso por aqui.

quinta-feira, abril 23, 2009

porra de semana meio estranha
com chuva e destemperos.
saídas e não-chegadas.

caramba de peso que carrego,
sem ter com quem dividir.
com tralhas de aço e vidro,
com lentes e microfones.

estou sozinho em um mundo que é feito por muitos
mas onde estarão os meus muitos?!

sincero, como sou, não sei.
talvez por aí.
em algum outro lugar.
talvez eu não tenha procurado direito.
talvez eu já os tenha achado e deixado passar.
como saber?
como ser?

segunda-feira, abril 20, 2009

quarta-feira pego o equipamento de filmagem para produzir meu curta/documentário para fechar o semestre da escola.
Pretendo matar a filmagem em 4 dias. Aí, nesse meio tempo, tenho um dia inteiro para fazer o meu curta/ficção. Mas esse é para mim mesmo.

Agora, é engraçado como a cabeça de um escritor/roteirista funciona. Se o roteiro é meu, o filme é meu. Se o roteiro não é, por mais que eu dirija ou atue ou faça o som, nào consigo me ver como fazendo algo que é meu. Mas participar da equipe é fazer parte de um filme, é ter um pedaço de celulóide para chamar de seu. Ainda que o celulóide tenha se transformado em fita ou ainda em cartões de memória.
Estou desde sábado, às 18 horas, com equipamento de filmagem na casa de um amigo.
Mais do que fazer um grande filme, pretendemos nos divertir e treinar. testar. tentar.
Pois ontem, por 10 horas, só o que fizemos foi filmar.
Atuei em um filme e dirigi outro.
Na verdade, esquetes a la TV Pirata ou casseta e planeta, dependendo do seu ponto de vista. E da qualidade das histórias. Mas o medo da camera, o medo de ter que escolher planos, pensar em como colocar e onde colocar a luz, essas coisas, elas vão diminuindo e se tornando mais e mais corriqueiras.
É como se estivesse aprendendo a andar. Os primeiros passos podem parecer dificeis, mas quem disse que você não vai correr um dia?
acho que discorro sobre a alma do botafoguense quando digo que depois do primeiro gol (contra) do flamengo me tranquilizei.
Estamos mais preparados para a derrota, ela nos é mais costumaz, do que para as vitórias. E assim vamos seguindo, derrotados em campo, mas correndo em dobro na vida para nõ ver a triste sina de um time se tornar a sina de uma vida.

sábado, abril 18, 2009

discorrer sobre o show de ontem.
cara, o que é a naçao zumbi?
pode dizer o que quiser, mas sao uma das melhores bandas da atualidade.
como um camarada disse: uma banda adulta.
que entrou na independencia e fez um puta disco.
não enche canecão, não enche vivo rio, não enche metropolitan(pra mim sempre será metropolitan).
Mas e daí?
com um puta profissionalismo, tocam pra caralho e ainda tem as músicas da época do Chico Science, que são, bem, são clássicas!!!
Mais uma camisa pra coleção. Finalmente consegui uma da nação!!!

antes teve o turbo trio, com o Bnegão mandando muito bem. a garotada toda se mexendo ao som do pancadão Uma ótima idéia para levar pra vitorinha.
3 camaradas, estrutura enxutérrima (sem guitarra, sem baixo, sem bateria) e um pusta som bom de se ouvir. Sem falar que o B é o cara. um personagem de si mesmo.

é isso. Quando olhei para o relógio, ao fim do bis, me assustei. Eram 4 horas da manhã. o tempo voou, na velocidade da nação.

PS: ainda bem que eu tô no Rio.
nesta mesma época, ano passado tb vi o show deles e logo depois, um do cachorro grande. Como o cachorro vai abrir pro Oasis, vou repetir a dobradinha em 2009 tb.

quinta-feira, abril 16, 2009

caramba... aula do mestrado, pilhas de livros comprados, pilhas de roteiros lido e outra pilha de projetos para serem escritos, shows para se ir, filmes para se assistir (muitos deles, enfim), dinheiro para se ganhar...

as coisas aqui estão ficando corridas, bem corridas.
ontem me inscrevi num curso de roteiro com 30 horas/aula de graça, na Academia Brasileira de Letras, ministrado por nada menos que Doc Comparato.
uia...
mais umas horas tomadas por pensamentos loucos e represados. Para não surtar, academia ni mim!!!

segunda-feira, abril 13, 2009

dizem que o homem só cresce ao encarar seus medos.
Espero que isso valha tambem para times de futebol.
lá vem o flamengo de novo.
pelo menos, neste ano, o Cuca tá do lado de lá.
vai ser pé-frio assim lá na gávea.
enfim... é torcida de sofá mesmo, e tá acabado.
semana que vem serao 60 mil marginais e 10 mil botafoguenses atormentados em busca do suicidio.

quarta-feira, abril 08, 2009

na corrida pela produção do primeiro curta.
corrida MESMO.

até maio, se der certo, ele estará pronto.
dormi de mal jeito.
dor no ombro.

***

ando lendo umas coisas por aí, que mereceriam ser colocadas aqui.
textos que fazem pensar e pensando, te tiram do lugar.
ensaios sobre vida, consumo e consumismo, mundo pós-moderno, eu e você e todo mundo junto, o porquê de nossa instabilidade e de nossa infelicidade neste mundo corrido e chato.
enfim, uma hora prometo tirar uns pedaços sublinhados e colocá-los aqui.

terça-feira, abril 07, 2009

E por que não fechar o congresso?
o senado, desde que o sarney foi eleito, ainda não votou NADA!!!!
entendam, amigos:
os senadores não fizeram NADA e receberam, MUITO BEM por sinal, por isso.
nao me faria falta o congresso fechado
nem um pouquinho.

fecha, lava em sangue os salões da roubalheira e reabre.
bonitinho e cheiroso.

Agora engraçado é ver a macacada, com medo de sair fora da mamata, chorando e dizendo que o Cristovam estava louco quando falou isso.
Nesse momento, governo e oposição são unanimes em concordar:
mexeu no bolso, o buraco é mais embaixo.

país de merda, com representantes de merda.
enfim, somos um povo de merda.

sábado, abril 04, 2009

olha que coisa.
fui na locadora, peguei tres filmes e fui assisti-los, pouco a pouco.
depois de um tempo foi que me dei conta dos títulos dos filmes.
zack and miri make a porno.
nick and nora infinite playlist.
jules e jim.

tres filmes, tres titulos com os nomes dos casais!!!
que coisa, que sina.

sexta-feira, abril 03, 2009



QUEREMOS MAIS BRUNO ALEIXO NA ESCOLA!!!!!!!!
primeiro - o que é a aula de sexo da Fran no BBB?
hahahahahahha
pra quem não viu:
parte 1: http://www.youtube.com/watch?v=tq5piZo0pE8


****

vamos lá:
Garapa - puta filme doido. Fotografia estouradaça, câmera na cara, e fome. muita fome. não veja antes de super size me. Incomoda.

Moscou - Coutinho está a frente dos outros, como disse o André mesmo.
o documentário vira ficção depois de uns minutos. e você se esquece que está vendo um grupo de teatro ensaiando uma peça. Menos que um doc, mais uma experiência, como em Jogo de Cena, o genial - com todas as letras - filme antes deste.

estreou valsa para bashir, a animaçao israelense que concorreu ao oscar. muita vontade de ver logo isso. assim com CHE, primeira parte do filme com o Benicio del toro, do soderbergh, que entrou em cartaz faz uma semana (ou duas?).

***

pro caio cair pra trás, essa semana tem sessões de Simpathy for the devil, do Godard no Cine Glória.

***

Jorge Benjor no Circo.
Paradiso e sua ediçao de numero 400 no sabado
Kiss na quarta

segura peão. e ainda tenho que pagar, como bom cidadão, meu IPVA e o condominio de um AP que mantenho fechado em Vix.
é mole?

quinta-feira, abril 02, 2009

da série "coisas que resolvemos"

Vou acabar esse curso de cinema e voltar pra Cuiabá

quarta-feira, abril 01, 2009

falar o que se nem tenho espaço pra pensar.
tem tanta coisa acontecendo, tanta coisa para se fazer, tanta coisa para se pensar que estou pensando em dar um tempo em alguma das minhas tarefas.

ou voces acham que é facil estudar cinema, ouvir uma aula de mestrado,
fazer cinema, escrever roteiros, ir a filmes, ir a filmes, ler milhares de textos e livros, que se acumulam (do mestrado, de cinema, de roteiro)...

as ficçoes, meu grande prazer, já eram. ficam no final da lista de prioridades.

enfim... escolhas, baby, escolhas.

Vou-me para o festival de documentarios é tudo verdade.

Ontem vi um filme sobre o Billy Paul, aquele gaiato que canta Me and Mrs. Jones.
filmão. Mas já vi tanta coisa legal. Este ano estou aproveitando mais do que ano passado em que só assisti Joy Division, João e um filme sobre e com as ultimas viagens de Burroughs.

Até agora vi Cidadão Boilesen, Corumbiara, Billy Paul - Am I Black Enough For You e todos os curtas da competiçao nacional.

ainda tem Garapa, do Padilha e Moscou do Coutinho.
O melhor sempre fica pro fim!!!

domingo, março 29, 2009