Música, cinema, literatura pobre, propaganda e um pouquinho de vida. Melancolia também, por que não?
quinta-feira, janeiro 24, 2008
mas tenho que usar essa expressão novamente:
é engraçado como são as coisas da vida.
estou sem emprego, mas não sem dinheiro.
estou solteiro, mas nunca sozinho.
estou com tempo pra caramba, mas com nenhum tempo livre.
E só faço correr atrás das minhas coisas aqui.
fecha mudança, fecha apartamento, fecha conta em banco, desliga a luz, desliga o telefone, desliga o gás, cancela a Sky...
como nos prendemos nos lugares onde moramos com essas pequenas coisas.
seria tão mais fácil pegar uma mala e ir embora.
Agora vou andando assim: com tudo meu dentro de uma mala.
nada mais do que eu possa carregar. o resto, vai na mente e no coração.
terça-feira, janeiro 22, 2008
hoje acordamos e tomamos café da manhã: tapioca com manteiga e pupunha com café.
depois fomos ao mercado, passando por um corredor imenso de camelôs, bem no centro de Belém.
Fomos ao ver-o-peso, coisa que sempre quis.
Vimos, cheiramos, sentimos, provamos tudo o que o norte tem de melhor. depois andamos por toda a cidade velha: museu de arte sacra, igreja de nazaré, museu do círio, forte do presépio, casa das 11 janelas.
Voltamos para o ver-o-peso para almoçar. Fui de vatapá e depois maniçoba. A maniçoba é uma das coisas mais pesadas que já comi. Para acompanhar guaraná Garoto.
depois, de sobremesa, 1 litro de açaí. por 5 reais. E para arrebatar com chave de ouro, discos de tecnobrega, de melody, de bregas marcantes, DVDs com shows da banda AR-15 e com a apresentação da aparelhagem do SuperPop, o arrasta povo do Pará, o águia de fogo . A trilha sonora para o resto da viagem.
deixamos as muambas no hotel e apagamos. depois, resolvemos ir dar uma volta pelo centro, na praça da república, em busca de mais açaí. Neste exato momento, nosso anfitrião paraense, Gemaki, nos liga e diz para aproveitarmos que estávamos perto da praça da república e tomarmos uma cerveja no bar do parque, que fica aberto o ano todo. Só fecha no dia do Círio.
Atravessamos a rua, já que a gente tava em frente ao tal bar e vimos uma movimentação no teatro, logo atrás do bar. Fomos ver do que se tratava e perguntamos a duas meninas que estavam na porta do teatro o que ia rolar por lá. Como era o fim de semana de aniversário de Belém, a cidade estava tendo uma série de eventos. Neste dia ia rolar um show de compositores paraenses de gratis, no teatro. E estavam distribuindo os ingressos. Mas quando fomos pegar os nossos, às 19:07, o guardinha do teatro disse que não tinha mais. que a distribuição era só até as 19.
as duas meninas, solicitas e hospitaleiras, tinham pegado ingressos para alguns amigos e não se furtaram a passar um par para nós dois. Não sem antes, nos dar a direção da noite paraense.
Ou seja, chega de programa de turista. Vamos nos misturar com a multidão.
E foi o que aconteceu. depois do show de MPB, hotel, banho e fomos direto pra um bar onde estava rolado uma apresenteção de uma banda de reggae, o Santa Fé. o bar nem estava tão cheio, mas logo achamos uma das garotas, com seus amigos e nos enturmamos facilmente.
Quando vimos, já nos sentíamos em casa, dividindo cerveja e marcando de sair com os caras no dia seguinte, para comer um caranguejo. O caranguejo no pará é chamado de caranguejo toc toc, porque tem que se bater para abrir a puã, fazendo então o tal barulho. Entre as figuras, uma bando de hippies, Wal de Belém e Alex, que ficou serroteando a gente atrás de cerveja e nos garantiu que ia noslevar para tomar santo daime.
para finalizar a noite, saímos do bar, já meio altos e fomos para uma outra casa onde estava rolando uma rave. O porteiro fez com que as meninas que estavam com a gente entrasse de graça e queria cobrar 10 pratas de cada homem. Eu já tava cansado, bêbado e só queria ir embora, mas o pessoal tava animado e queriam continuar no rock. Até que Elton fez a proposta para o porteiro da festa: "te dou 10 pratas, você coloca a gente pra dentro. nem precisa falar pro dono da festa."
o porteiro olhou, riu e respondeu: EU SOU o DONO da festa.
hahahahaha
depois dessa, não teve jeito. Choramos e entramos por aproximadamente 5 paus por pessoa.
lá dentro, não tinha mais ninguém, e fiquei conversando com o Faca, o DJ.
Ficamos até o amanhecer. Chegamos no hotel às 7 da manhã. E na volta, os nativos gritavam no carro para pararmos e tomar café da manhã no ver-o-peso. Só aí me toquei que o mercado não fecha. Ficam uns barzinhos abertos a noite toda, com prostitutas, traficantes e gente de bem no meio, bebendo e se servindo de petiscos. E de manhã cedinho, algumas barracas já vendem açaí pros bebuns. Deve ser como o escaldado de Cuiabá. Um famoso levanta defunto.
Apagamos, mas antes enchemos o saco do Diogo, numa ligação maluca Belém/Cuiabá, onde só falávamos do hino da banda AR-15, chamado Galera do Comércio. ou Galera GDC.
Eles fazem o derrame de geladas, muito inspirador para nossa noite, por sinal.







na ordem:
Forte do presépio.
Forte e eu com o Ver-o-Peso atrás.
Cores de Belé, no cais do Mercado.
Hora do almoço.
O almoço. Tacacá e sua tão temida goma de mandioca.
Maniçoba: você encara?! Eu encarei.
O teatro e o show.
segunda-feira, janeiro 21, 2008
Restaurante 1000ton
E indo para Belém passamos por uma local que vendia carne de americano.
Logo depois passamos pelo presídio de americano.
Coitados dos americanos...
são presos e mandados para o matadouro para depois ter sua carne vendida.
Ainda bem que americano é o nome de um distrito por aquelas bandas de lá.
A bendita da cerveja. ou melhor, bendito Chopp.Aqui se compra o melhor açaí de Castanhal.
E aqui se come o melhor açaí de Castanhal.
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Fomos muito bem recebidos por Gemaki na cidade.
DEpois de almoçarmos, com direito a suco de muruci e creme de cupuaçu de sobremesa, pudemos finalmente descansar uma tarde.
Um banho de piscina, um pouco de play 2, uma visita a Apeú, um balneário de igarapé próximo à cidade. Mais tarde após o jantar, acertamos os próximos passos: Belém pelos próximos 3 dias. Depois Marajó, Algodoal e Salinópolis.
A volta começa a se aproximar e com ela o peso das coisas de Cuiabá e da minha ida pro RIo.
Mas por enquanto, é só isso.
Saímos de Ulianópolis- PA, às 8 da matina. No Hotel Soberano, com cara de motel e onde até fomos perguntados se éramos um casal, tomamos nosso primeiro choque cultural. a moça do café da manhã não entendia o que falávamos e a gente não entendia o que ela falava.
perguntamos quanto tempo0 levava até chegar a Belém e ela respondeu, apontando para o norte:
- É prá lá...
ainda comemos tapioca e suco de cupuaçú. sabemos agora que Belém é pra lá.
MARANHÃO!!!
Logo após Porto Franco - MA, adentramos o Maranhão, passando por uma bela ponte sobre o rio tocantins.
Belém está cada vez mais perto. A distância caiu a casa dos mil km.
Próxima cidade, Imperatriz.
o diário de bordo deu uma parada porque saí de bordo e fui pro solo...
aí ficou dificil encontrar tempo para postar, para parar em Lan e mesmo para escrever.
Mas prometo colocar TODAS as impressões da viagem.
A primeira delas: O PARÁ É FODA DEMAIS!!!!!
Se um dia der, venho morar em Belém.
quarta-feira, janeiro 09, 2008
Em poucos momentos chegaremos à Miranorte- TO.
Daqui em diante, o país já se assume como norte. Descobrimos pela estrada o prato típico de Tocantins: Arroz ovo e bife. Alguns com salada, alguns com salada e alface (sim, meus amigos, alface é algo além da salada, que é composta por cebolas e tomates).
O preço da iguaria varia de 3 a 5 reais, dependendo da birosca na beira da estrada.
A vegetação que nos acompanha já mostra uma tentativa de virar floresta. Árvores mais altas e frondosas dividem espaço com fazendas descampadas e algumas palmeiras.
Impressiona o número de animais mortos. Ao longo do caminho já são 5 tamanduás (o puma do cerrado. rsss.), uma infinidade de carcaças incomprensíveis que levam nossa mente a pensar o que poderiam ter sidos aqueles pequenos seres. Pumas, onças, chupa-cabras, ets, anões...
cachorros de todas as formas, raças e cores, nos mais diferentes estágios de decomposição.
Talvez isso nos lembre que na estrada, a orte está sempre por perto.
Adendo ao diário: Posto Marajó, próximo a Colinas-TO. 48,656 KM
Parada para o conserto do pneu furado e almoço na beira da estrada. Chambari, outro prato típico do local é uma mussê feita com pata de gado, uma espécie de geléia de mocotó salgada (BLERGH!!!!!!)
Almoçamos uma carne de panela e uma carne de sol boas que só...
tem coisas que só a vida no trecho pode oferecer.
48,356 km
Pneu furado em um buraco, como se já não bastasse o dia inteiro parado no Décio.
POr sorte, outros dois carros tinham furado o pneu no mesmo lugar e ainda esperavam pela ajuda que viria. Decidimos depois da troca: temos que parar. É uma mensagem divina, já que até Deus descansou no domingo.
Paraíso foi a solução. A cidade é bem bonitinha, com muitas, mas MUITAS igrejas evangélicas e casas de milk-shake. Não poderíamos ter chegado em hora melhor. Domingo à noite. A cidade ferve. ferve religiosamente após os cultos e ferve nas casas de chocolate, bares e restaurantes. Taí, gostei de Tocantins (e ainda nem conheci Palmas).
Em frente à Prefeitura, uma estátua de um Pato. Na ponte da cidade, dois leões. Em frente ao Centro Espírita uma estátua de dar medo, parecida com aquele cara do Piratas do Caribe, com tentáculos saindo do rosto...
Chegamos ao Hotel em frente à rodoviária, mas lá o pagamento é à vista e em dinheiro. O problema é, gastamos tudo ocm a troca do radiador, e só temos cartão. Os caixas eletrônicos estão sem comunicação (acho que toda a banda está voltada para a comunicação entre os fiéis e Deus).
Tivemos, então, que mudar de hotel.
Amanhã, só Deus sabe...

O carro com problemas

O Elton com problemas

Salvos pela SET
48,179 km
No meio da estrada, a luz da temperatura do motor começa a piscar. Paramos, com a água fervendo. Deixamos esfriar, completamos com a água dos cantis (benditos cantis). Estamos a 22 km do posto. Achamos um posto abandonado com uma casa ao fundo. Dois meninos estavam lá na porta da casa. Enchemos o reservatório e os cantis de água, mais uma vez.
Rodamos os 22 km de volta para o Posto do Décio.
Radiador com problemas. A gente com problema, hoje é domingo, nada funciona.
Um bauru e uma cerveja depois, chega o mecânico, vindo da cidade. Algum dia sairemos daqui.
Almoço de domingão: frango(coxinha de) e cerveja, no Posto do Décio
Chegamos a uma cidade sem horário de verão. Ou seja, recuperamos a hora perdida pelo fuso novamente. Devo declarar que meu relógio está uma zona e não sei mais que hora é a certa.
Na contagem da estrada, 3 tamanduás, 2 tatus, 2 beagles e uma cabeça de chupa-cabras apareceram mortos pelo caminho.
Alguns kilometros antes de Gurupi, paramos em Alvorada, para abastecer. O álcool cada vez mais caro lá vimos um pedaço do jornal local, o equivalente aos RJ/TV, MT/TV, ou ES Notícias. Era o jornal do Anhanguera. Na notícia do dia, a água de Alvorada estava com problemas, fazendo mal a quem a bebia, inclusive com uma criança tendo sido internada. Após a notícia, quase pedi um café, mas não tove coragem de encarar mais essa loucura na estrada. Não arrisquei. No entanto, comemos o melhor risoli de frango da minha vida, com uma pimenta caseira de lamber os beiços!!! Deliciosa. Uma ótima escolha.
Hoje conseguimos rodar os 1,000 km propostos para o segundo dia. Estamos meio quebrados, mas cruzamos o estado de Goiás por completo, e avançamos mais de 100 km dentro de Tocantins. Belém ainda está a 1,300 km. Quem sabe não dá para chegar amanhã mesmo...
Agora de volta ao Hotel, em Gurupi, depois de uma volta pela cidade que parece bastante interessante. Nos demos o luxo de ficar em um quarto de hotel com ar e televisão. Palmas, pelo jeito, fica para a volta.
A primeira Imperial a gente nunca esquece!!!
domingo, janeiro 06, 2008
Perdemos a hora do fuso. Almoçamos pamonha salgada em Jaraguá, cidade do cabelo preto.
Essa seria a nossa segunda parada, de acordo com os cálculos preliminares.
Ainda temos uma tarde inteira de estrada pela frente. Não vamos parar.
Mas fiz questão de tirar algumas fotos.
Aqui é a entrada na Belém/Brasília.
Nessa cidade, uma tribo de anões e goianinhos bebem cachaça e saem dirigindo.
Aqui existe ainda um sósia do Bono Vox, de mobilete. Uma mulher com bobis (como se escreve isso???) no cabelo de moto e um lobisomem.
resolvemos ir a Goiânia na volta para verificar a procedência de tantos cabelos pretos.
Atravessamos as pontes sobre o Araguaia. Fomos, em menos de 1 minuto de Mato Grosso para Goiás e de volta para Mato Grosso.
Foi só uma brincadeira.
Morros e montanhas apareceram na estrada, tomando um pouco o lugar das plantações de soja até onde o olhar consegue ir.
Após quase ficarmos na estrada, sem combustível (problemas com o álcool, ele já tinha dito), continuamos rumo a Bara do Garças. O álcool, agora que reabastecemos, deve dar para cruzar o resto de Mato Grosso. Partimos de Cuiabá. E hoje, chegamos na Divisa com Goiás.
A soja, antes dona do pedaço dá lugar ao cerrado que dá espaço aos diversos tons de verde. É a esperança que aparece para esse lugar.
PS: Comi um enroladinho de salsicha em um posto em Primavera do Leste de doer de tão bom. Pedi para fritarem uns 5 para daqui uns 15 dias, quando estiver quase chegando em casa (casa?) de novo.
Coxipó, saindo de Cuiabá.
A câmera não funciona.
o álcool para abastecer está cada vez mais caro.
A gente vai ter problemas com o álcool nesta viagem, diz Elton.
Ele está cada vez mais caro e ainda esqueci de trazer a garrafa de uisque.
: )
Além disso, esquecemos a barraca. Mas deixamos tudo para trás. A viagem é sobre isso, aprender a deixar as coisas para trás e seguir sempre em frente.
Estamos na BR 364
sexta-feira, janeiro 04, 2008
quarta-feira, janeiro 02, 2008
é assim que o ano começa.
"O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical,
depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio;
e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia;
no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar;
na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo;
e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba;
no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido;
às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor;
e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo;
às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera;
no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba."
se isso tem dono?
tem, sim...
tem dona. E é ela que deve fazer de tudo para o amor não acabar.
Ou pegando onda na fase literária afegã, para o amor Akhbar.
hahahahahaa
Antes de tudo devo declarar que já estou, parceladamente, à venda.
Não sou rico nem pobre, como o Brasil, que também precisa de boa parte do meu dinheirinho.
Pago imposto de renda na fonte e no pelourinho.
Marchei em colégio interno durante seis anos mas nunca cheguei ao fim de nada, a não ser dos meus enganos.
Fui caixeiro. Fui redator. Fui bibliotecário.
Fui roteirista e vilão de cinema. Fui pegador de operário.
Já estive, sem diagnóstico, bem doente.
Fui acabando confuso e autocomplacente.
Deixei o futebol por causa do joelho.
Viver foi virando dever e entrei aos poucos no vermelho.
No Rio, que eu amava, o saldo devedor já há algum tempo que supera o saldo do meu amor.
Não posso beber tanto quanto mereço, pela fadiga do fígado e a contusão do preço.
Sou órfão de mãe excelente.
Outras doces amigas morreram de repente.
Não sei cantar. Não sei dançar.
A morte há de me dar o que fazer até chegar.
Uma vez quis viver em Paris até o fim, mas não sei grego nem latim.
Acho que devia ter estudado anatomia patológica ou pelo menos anatomia filológica.
Escrevo aos trancos e sem querer e há contudo orgulhos humilhantes no meu ser.
Será do avesso dos meus traços que faço o meu retrato?
Sou um insensato a buscar o concreto no abstrato.
Minha cosmovisão é míope, baça, impura, mas nada odiei, a não ser a injustiça e a impostura.
Não bebi os vinhos crespos que desejara, não me deitei sobre os sossegos verdes que acalentara.
Sou um narciso malcontente da minha imagem e jamais deixei de saber que vou de torna-viagem.
Não acredito nos relógios... the pule cast of throught... sou o que não sou (all that I am I am not).
Podia ter sido talvez um bom corredor de distância: correr até morrer era a euforia da minha infância.
O medo do inferno torceu as raízes gregas do meu psiquismo e só vi que as mãos prolongam a cabeça quando me perdera no egotismo.
Não creio contudo em myself.
Nem creio mais que possa revelar-me em other self.
Não soube buscar (em que céu?) o peso leve dos anjos e da divina medida.
Sou o próprio síndico de minha massa falida.
A burocracia e o barulho do mercado me exasperam num instante.
Decerto sou crucificado por ter amado mal meu semelhante.
Algum deus em mim persiste
mas não soube decidir entre a lua que vemos e a lua que existe.
Lobisomem, sou arrogante às sextas-feiras, menos quando é lua cheia.
Persistirá talvez também, ao rumor da tormenta, algum canto da sereia.
Deixei de subir ao que me faz falta, mas não por virtude: meu ouvido é fino e dói à menor mudança de altitude.
Não sei muito dos modernos e tenho receios da caverna de Platão: vivo num mundo de mentiras captadas pela minha televisão.
Jamais compreendi os estatutos da mente.
O mundo não é divertido, afortunadamente.
E mesmo o desengano talvez seja um engano.
paulo mendes campos,
você colocaria tudo e todos em xeque? Pensaria em seu pequeno lugar nesse mundo e em como tentar fazer a diferença?
ou só sentiria as coisas, os cheiros, os lugares, sem pensar muito?
Eu, sabe-se lá como, estou prestes a encarar a vida e o coração do Brasil em uma viagem de auto-conhecimento, 3 mil kilometros acima.
Que venha a poeira...
terça-feira, janeiro 01, 2008
segunda-feira, dezembro 31, 2007
Eu, como não deixei-me adormecer, fiquei acompanhando as indas e vindas da personagem. E agora sei exatamente o papel que me é reservado neste enredo de mentira.
Afinal, sua vida é ou não é ficção?
dia 31.
o que muitas pessoas não entendem é que ficar esse dia em casa pode ser muito mais divertido do que sair e encher a cara, abraçando pessoas que você nem faz muita questão de abraçar.
Ficar em si, meditando, pensando no futuro, recarregando as energias para a entrada de um ano novo cheio de energias positivas e de realizações assustadoras de tão inesperadas. Ficar com um bom copo de suco de uva, um som a sua escolha no cd-player, seu ronco e sua ceia. De miojo, que seja.
Estou feliz por ficar assim. Me encontrando em cada dia, em cada escolha absurda e errada, em cada erro e em cada investida em um sonho cada vez mais possível e próximo.
Esse sou o novo eu. Um eu pronto para começar 2008 limpo.
sábado, dezembro 29, 2007
A tarde caia na beira da praia. O sol se punha lentamente, mas mesmo assim as pessoas não paravam de chegar. Atraídas pelo barulho das ondas, pelo prazer de molhar os pés antes da virada do ano, como num processo de purificação. As ondas vinham e levavam os problemas, os pecados, as vontades não ...
E a corda foi puxada.
sexta-feira, dezembro 28, 2007
Se um mendigo fingir que é uma baleia, as pessoas se juntam para salva-lo.
Deus vende à vista, mas o diabo parcela no cartão.
Deus poderia fazer legumes com gosto de churrasco.
Enquanto Deus assina a carteira, o diabo só contrata prestador de serviço.
Só o Brasil tem a tecnologia para transformar engenheiros em taxistas.
ano interessante para ir morar no mundo.
A provável turnê do Rage Against the Machine pela América do Sul, que está sendo arranjada para São Paulo, Buenos Aires e Santiago para março/abril de 2008, terá não só a companhia da banda Deftones, mas também a do grupo de hip hop latino/californiano Cypress Hill.
(IMPERDIVEL)
o Editors + Klaxons + Yo La Tengo
uma bela trinca. divertida, no mínimo.
Bob Dylan
Interpol
é... o ano promete.
fiquei 10 dias no rio e me senti em casa de novo.
Li 4 livros em 10 dias.
assisti 4 filmes em 10 dias.
fiquei pensando 10 anos em 10 dias.
não foi fácil fazer o que fiz para estar lá.
coloquei a minha cabeça na forca para poder estar lá.
aqui, podem puxar a corda a qualquer momento.
vivo como um fantasma no lugar onde antes era tá bem recebido.
Acorda, Luis.
que a corda tá apertando.
***
Ia escrever um conto ontem no vôo.
paramos em brasília e liguei o micro.
a aeromoça pediu pra desligar
porque eles estavam reabastecendo.
Meu laptop ia fazer o que com a gasolina? explodir tudo pelos ares?
enfim, esqueci o que ia escrever, perdi as frases que se formavam umas após as outras em minha cabeça...
lembro de pedaços perdidos
Brasilia não me parece uma cidade. Vista de cima, e de perto, não me sinto próximo a ela. Pelo contrário, a cidade me parece distante. Não conseguiria me sentir em casa aqui. Poderia, sim, tomá-la de assalto, impondo minhas vontades, reforçando meus poderes.
Assim, e só assim, essa cidade me aceitaria e eu a aceitaria de volta.
Se não fosse assim, seria só mais um perdido em suas terras. Só mais um, numa cidade onde nomes não são nada. Onde somente os números fazem a diferença.
segunda-feira, dezembro 24, 2007
quarta-feira, dezembro 19, 2007
vou comprar minha passagem, correr atrás do meu visto e preparar meu inglês.
Será que Róliudi fica assim tão perto?
****
Hollywood
Os Trapalhões
Composição: Enriquez - Bardotti - Chico Buarque
Ói nós aqui
Ói nós aqui
Hollywood fica
Ali bem perto
Só não vê quem
Tem um olho aberto
Ói nós aqui
Ói nós aqui
Hollywood
É um sonho de cenário
Vi um pau-de-arara
Milionário
E eu que nem sonhava
Conhecer o tal Recife
Pobre saltimbancoTrapalhão
Hoje sou mocinho
Sou vizinho do xerife
Dou rabo-de-arraia
Em tubarão
Ói nós aqui
Ói nós aqui
Tem de tudo
Nessa Hollywood
Vi um índio
Cheio de saúde
Ói nós aqui
Ói nós aqui
How do you do
Caruaru
I wanna see
Piripipi
Ói nós aqui
Ói nós aqui
Ói nós aqui
Camelôs, malucos
E engraxates
Aproveitem enquanto
O sonho é grátis
Quem há de negar
Que é bom dançar
Que a vida é bela
Neste fabuloso Xanadu
Eu só tenho medo
De amanhã cair da tela
E acordar
Em Nova Iguaçu
Ói nós aqui
Ói nós aqui
How do you do
Banabuiú
I wanna buy
O Paraguai
Hollywood
And me
Ói nós aqui (vixe!)
segunda-feira, dezembro 17, 2007
Não vou mais acreditar em amor, acredito só em despedidas.
Elas sempre, veja como reforço isso, SEMPRE, vêm.
Adendo pós-escrita:
ok, acredito em amor.
Mas sempre acompanhado de despedidas.
****
Hoje, dia 17 de dezembro de 2007, deixei de ser um publicitário.
And how i like this word...
Sore.
Always tried to use it in my own language, but there´s not the poetry, the feeling,
the strange accent of life in some words outside their own little linguistic world.
Maybe a shall write a movie or two about the word.
Have you ever thougt about beingn a word?
about any word?
it´s little, it´s nothing afterall, but somehow it´s everything.
they say the best perfumes come from the smallest pack.
the same thing occurs with words.
If it´s small it has charm.
Tudo parou de valer a pena. Tudo deixou de ter cores.
O coração acelerado, como uma prévia de crise de pânico, as mãos suadas, o tremor invisível, a náusea, a vontade de vomitar, de chorar e desistir.
Uma tristeza absoluta se apoderou da minha carcaça. O terror existe em cada pequeno pedaço de ar que respiro pesado. Estou preso. E a sensação de não poder ser dono da sua própria vida, da sua liberdade, por míseros centavos é suficante. As paredes se fecham ao meu redor. Me encolho, como um feto, mas não acho o conforto.
Espero os minutos que me trarão alívio em um mês, possivelmente. Um pouco mais, um pouco menos. Os pequenos minutos que posso vir a ter com você. Mais uma vez ao seu lado.
Respiro aliviado. Já tenho um conforto e é nele que colocarei minha cabeça quando for dormir esta noite.
Do lado de lá vem uma voz triste, abatida.
O que aconteceu? o que foi?
Nada, nunca é nada. A gente vai levando a vida,
vai deixando as coisas acontecerem e quando vê,
fica assim. Com essa vozinha...
Então, entre sustos e sobressaltos, uma frase é dita.
Ele sabe que ela é importante e cheia de significação.
Um bom-dia ou, uma boa-noite.
Pode ser o sinal, a frase que espera ansioso por tanto tempo.
O barulho ao seu lado é infernal. Toca o telefone, as pessoas não sabem se
controlar e riem frequentemente, suas risadas de hienas famintas,
pessoas rindo dele, de sua vontade de entender, de conseguir descobrir em
meio às palavras ditas aquelas que tanto procura.
Repete, por favor, não deu pra ouvir.
É sempre assim.
Não conseguindo entender de novo, ele se dá por vencido e desiste.
ok, deixa. Passou. Não dá. O telefone corta a chamada abruptamente.
Só há o tempo para desejar um beijo.
Que não virá.
Ele desliga o telefone e se vira, encarando a turba.
Agora, quando apenas o caos é necessário, há ordem.
Há silêncio. Mas não paz.
Nesse caso, nesse telefone, nessa vida, nunca haverá paz.
**
Em outro mundo, a vida continuou e eles foram felizes para sempre.
Uma pena esse mundo ser de fantasia,
assim como cercas brancas e amores perfeitos.
Acho que sei porque.
Agora, estou em Cuiabá, mas daqui há dois meses, talvez menos,
me mudo para o RIO, volto para minha cidade.
E já comecei a morrer.
Morro antecipando despedidas, dizendo adeus para todas as coisas,
lugares e pessoas que talvez esteja vendo pela última vez.
Ou coisas, lugares e pessoas que nem venha a conhecer,
que nem venha a saber.
todas as vezes podem ser a última vez.
E assim, já não vivo mais aqui, mas sim morro a cada dia.
vou morrendo os lugares, as pessoas, as coisas. E quando for meu
ultimo dia aqui, aí morrerei de vez para toda uma cidade.
quinta-feira, dezembro 13, 2007
A visita para um trabalho da faculdade estava marcada havia uns dias. O disco estava preparado na vitrola. A agulha, sedenta por tocar alguns clássicos para ouvidos enamorados. Na geladeira da república, além das garrafas de água e cerveja, um Martini, bem docinho, que Karla adorava bebericar quando saia com as amigas. Os livros de veterinária, sobre a mesa, não entregavam o esquema armado. Se no final das contas, não surgisse a oportunidade, bastava fecha-los e agradecer mais uma ajuda na hora de estudar. Ou então, agradecer o que de verdade acontecia entre eles, mais um encontro mágico entre duas pessoas que se admiravam e se nutriam mutuamente de pensamentos, palavras e desejos.
A campainha toca. Gabriel voa para a porta, onde do outro lado, ela o espera. Seu perfume não respeita as convenções e, sem ser convidado, invade, por frestas e buracos na fechadura, a sala de estar. Ainda tonto, Gabriel deixa um oi escapar. O abraço é quente e o perfume ainda mais próximo, invade não só suas narinas, mas cada pedaço de seu corpo, sua mente, seu coração.
Senta aí, vou pegar os livros.
Karla não teve problema em achar o pufe mais macio da pequena sala. Ela já tinha tido tempo o suficiente para conhecer cada pedaço da república. Uma quase moradora, de tanto tempo que passava lá. Era assim desde que conhecera Gabriel. Aquele garoto sentado num canto da sala, com óculos de aro grosso emoldurando olhos cheios de uma voracidade intelectual em uma cara de moleque. Com a linda boca pequena e sua barba falha. Desde o primeiro dia, a identificação com seu novo colega de faculdade foi imediata, intensa e correspondida.
Gabriel chega e se joga no pufe ao lado do dela. Os livros, largados, voam para o chão.
Pronto, vou ler para você.
E assim, começa a revelar o capítulo, palavra após palavra. Um mantra discorrendo sobre músculos e ossos de cavalos, hipnotizando Karla que já não sabia mais se estava ouvindo a voz de Gabriel ou se viajava em ondas sonoras passeando por rincões desconhecidos do mundo irreal de sua cabeça. As frases iam, as páginas eram viradas rapidamente, o tempo mais uma vez deixava de existir em segundos, minutos e horas.
A hipnose foi interrompida por uma pergunta. Ela ainda meio inebriada, respondeu. Mas o que respondeu? O que ele tinha perguntado?
Era agora, sabia. Não podia perder mais nenhum segundo. Ler esse capítulo inteiro tinha tomado um tempo precioso. Ela respondeu que sim, podiam ficar ouvindo música. A velha vitrola, pronta para rodar, foi ligada. O som da agulha vasculhando os sulcos do LP apareceu nos falantes. O disco do Roberto Carlos começou, aos poucos a tomar cada pedaço da sala. Karla riu. Roberto Carlos? Presta atenção na letra. Roberto Carlos é um gênio. Risos. Palavras saiam de suas bocas como abelhas em busca do mel. A doçura de cada um só era percebida pelo outro. Mel em forma de perguntas e respostas, mel em forma de sorrisos e movimentos. Karla sabia que estava se entregando. Gabriel sentia que aquela perna dobrada noventa graus, apontando para o céu, como uma criança feliz, entregava-a para ele. Fim do primeiro ato.
O lado B do disco começou a tocar. O Martini já esquentava nos copos. O desejo fervia em ambos os corpos. Os toques começaram a acontecer de forma mais desinibida, como dois bons amigos se tocam quando estão felizes, rindo da vida que parece ser sempre leve ao lado de quem se gosta. Era agora, sofria. Gabriel tocou a mão de Karla. Mas milésimos de segundos depois do toque que selaria para sempre a tentativa, o ataque frontal, antes que qualquer coisa pudesse acontecer, antes mesmo que Karla pudesse perceber que aquele não era um toque comum, um toque estranho atrapalha a música, o Martini, a risada. É meu celular, deixa eu atender. Estaca zero.
Nossa, tá tardão. Preciso ir, mesmo. Ela pega a bolsa, calça sua sandália, ajeita o cabelo e olha para Gabriel, perdido ainda entre pufes e olhares mágicos. Eu te levo lá embaixo. Aproveito e como um cachorro-quente na esquina. O Martini me deu fome.
E, descalço, sai de seu mundo perfeito. Roberto se cala, os copos vão para a pia e cheios de água, afogam a esperança que quase se materializava dentro deles momentos antes.
A porta já não se abria para o perfume, mas para deixá-lo ir por completo. Não foi, não deu, nunca mais vai acontecer. E Karla chama o elevador. E chama Gabriel, como num suplício, com um olhar. Ele se desvia, temendo as conseqüências.
É agora, eu sei. Karla não precisa pensar mais. Em direção a Gabriel vão boca, cheiro, corpo, mãos, pensamentos. Sei que vou me arrepender, mas...
A frase termina em um beijo, um leve toque de lábios. Suas bocas enfim se encontram. E os dois percebem que isso não era nada demais. Não era um passo maior que a perna. Não era algo a se temer porque, antes das bocas, suas almas haviam se tocado, seus corações haviam estado juntos por muito tempo.
E então, vamos comer o cachorro-quente?
Ela riu.
Mas você está descalço...
Eu adoro andar descalço.
Ainda hoje Gabriel e Karla comem cachorros-quentes juntos, tarde da noite, como se fosse aquele primeiro dia. E Gabriel, desde então, só anda descalço.
And yet it repeats itself.
And still I repeat myself,
with the same mistakes,
with the same misleads,
with the same sour taste in the mouth.
It´s only life afterall.
***
I´ll try to write more and more in another language,
so I can draw my dreams nearer .
***
Cool of a temperate breeze from dark skies to wet grass
we fell in a field it seems now a thousand summers passed
when our kite lines first crossed
we tied them into knots
and to finally fly apart
we had to cut them off.
Since then it's been a book you read in reverse
you understand less as the pages turn
or a movie so crass
and awkardly cast
that even I could be the star.
I don't look back much as a rule
and all this way before murder was cool
but your memory is here and I'd like it to stay
warm light on a winters day.
Over the ramparts you tossed
the scent of your skin and some foreign flowers
tied to a brick sweet as a song
the years have seemed short but the days go slowly by
two loose kites falling from the sky
drawn to the ground and an end to flight.
quarta-feira, dezembro 12, 2007
Isso pode soar estranho, mas rezo sempre.
Peço perdão pelos meus erros e clarividência nas minhas decisões.
E, é foda, mas é verdade, sempre obtenho as respostas que procuro.
Elas estão dentro da gente, o tempo todo, mas só a fé as faz
aparecer de repente, no meio da noite, num telefonema,
numa mensagem de celular, num sonho bom.
Tudo na vida tem prazo de validade. A própria vida tem prazo de validade.
Vitória tinha passado do prazo de validade fazia muito tempo.
O de Cuiabá está chegando. Meu prazo como redator pode estar chegando ao fim, também.
Vai saber...
O engraçado é começar as coisas em Cuiabá, sabendo que daqui a dois meses vou estar morando em outra cidade. Então, tudo aqui começa com prazo de validade curto e urgente.
Foi assim. Mas o mais engraçado é que o prazo de validade, desde o começo, não tinha sido escrito por mim.
O que começou, começou com dia para acabar. Talvez só não soubesse como.
terça-feira, dezembro 11, 2007
segunda-feira, dezembro 10, 2007
Eu parei.
Escuto, faz tempo, o último trabalho do Skank. Comprei, como disse que iria comprar, por 10 reais nas Americanas. E com o tempo, fui descobrindo, reparando, garimpando detalhes e então, matando as letras, uma por uma.
Devo dizer que os caras, se esmeraram e criaram alguns dos versos mais bonitos do rock nacional em muito tempo. Nem Los Hermanos chega perto. MESMO!
Por isso, vou lotar isso aqui com letras desse disco. Leiam e ouçam, se quiserem as músicas em Streaming no site oficial deles:
www.skank.com.br
ATÉ O AMOR VIRAR POEIRA
Quem te disse que eu não mereço
Uma pobre migalha de atenção
Quem te disse que eu desconheço
A tal milenar arte do amor
Captura minhas intenções
Me atura no coração
Seja então menos exigente
Porque a gente já tem o bastante
Você tem outras qualidades
E pode me dar as costas
Até o amor virar poeira
Só não compensa
Apagar a chama, negar os fatos
Sua presença
Como um sol me chama a vida inteira
Ilusão, eu quero crer que não
Quem te disse que eu não consigo
Parar numa próxima estação
Quem te disse que eu não desligo
O cabo dessa televisão
Meu amor, vamos dar o fora
Chorar em comédias outras
Até o amor virar poeira
O SOM DA SUA VOZ
Não me deixe na chuva não
Não me tire do coração
Não me diga que vai sem mim
Já conheço esse teu olhar
Uma luz a se afastar
A quilômetros daqui
Não me deixe na noite não
Na travessa da desolação
Não me diga que quer assim
Porque ali não há calor
Não há luz nem há razão
E não há o teu riso
Tudo está tão certo, não está?
Vem aqui mais perto, vem mostrar
Vem dizer aonde vai seu olhar
Quando a noite estender seu manto sobre nós
Meu abrigo então será o som da sua voz
LUGAR
Voltei pra ler aquele olhar
De um amor que a gente mesmo escreveu
Que foi guardado sem pensar
Nas linhas de um desejo meu
Fiquei olhando todo espaço
Recriando um compasso seu
Sorri sonhando em qual gaveta
Nosso amor se escondeu
Mas guarde seu nome pra mim
Seu dia eu não deixo mais ter fim
O vento arde em versos por saber
Nessa tarde o sol é só por você
Chorei por ver nesse lugar
O que a palavra já teceu
Sou do seu tempo um retrato
Quando meu sonho era todo seu
Sorri por ver no nosso amor
Todas as portas pra você e eu
Fiquei pensando em qual cometa
Nosso amor adormeceu
Mas guarde seu nome pra mim
Seu dia eu não deixo mais ter fim
O vento arde em versos por saber
Nessa tarde o sol é só por você
ANTITELEJORNAL
Hoje nasce meu filho
Hoje vou me casar
Hoje dentro do espelho
Vou poder enxergar
Pais, mães, irmãos
Ruas, bairros, cidadelas
E o quintal dos corações
Onde moram as coisas belas
Hoje vou namorar
As solteiras e as casadas
As jovens, as carquebradas
As lindas e as descuidadas
Meu amor vai se espalhar
Pelas camas e calçadas
Nas prisões e condomínios
Nas favelas e esplanadas
Sem farsa, conchavo, sem guerra
Sem malta, corja ou trapaça
A vida é um drible ágil
Entre as pernas da desgraça
Hoje eu vou inventar
O antitelejornal
Pra passar só o que é belo
Pra passar o essencial
Hoje andarei sobre as flores
Amarelas do ipê
Espalhadas pelo chão
Antes de anoitecer
Cantarei no meu velório
Dançarei nos braços da vida
Dormirei com a minha amada
Vida boa de ser vivida
Sem farsa, conchavo, sem guerra
Sem malta, corja ou trapaça
A vida é um drible ágil
Entre as pernas da desgraça
Hoje eu vou inventar
O antitelejornal
Pra passar só o que é belo
Pra passar o essencial
***
E isso tudo, mesmo assim, parecendo muito é tão pouco e tão nada perto da viagem que as melodias e as letras levam você...
*****
Ana acordou sozinho no meio da noite. Olhou para o lado e viu o espaço vazio em sua cama de casal. Sua agora, depois da separação. A cama, antes, era deles, dos dois.
O travesseiro, engraçado, continuava lá. Era fofo e alto, do jeito que ela não gostava. Mas Ana ainda não tinha encontrado forças para tirá-lo da cama. Como se estivesse esperando que Lúcio um dia ainda voltasse, mesmo após tanto tempo de divórcio. O travesseiro, que ela não usava, era um mimo, um alento nas noites escuras e frias, onde a solidão batia forte. Um abraço e um cheiro era tudo o que precisava para encontrar a paz.
O antigo short que Lúcio usava para dormir também ainda estava no armário, dobrado, próximo aos cobertores. Esse short inclusive já havia causado algumas cenas constrangedoras, como na vez que Ana levou um outro homem para dormir em sua casa. Ao abrir o armário para pegar as cobertas, o outro se assustou e perguntou evidentemente amedrontado se ela era casada. Naquela noite, as lágrimas vieram com muito mais intensidade do que o gozo.
Os porta-retratos, vazios, em cima dos criados-mudos esperavam uma oportunidade de serem preenchidos, como seu coração, que já havia tempos não conseguia se sentir cheio e pleno. Lúcio fazia falta, até mesmo nos porta-retratos.
Ana ligou o abajur e um pequeno facho de luz fria iluminou seu lado da cama. A mesma luz que incomodava tanto Lúcio em seu sono agora poderia ficar ligada a noite toda se assim ela quisesse. Sua vida era uma cartilha onde ela mesma havia escrito as regras. Mas a primeira delas, esquecer seu maior amor e seguir vivendo, não tinha sido levada a efeito. Ana era uma refém de sua casa, de sua cama, desse travesseiro que trazia tantas gotas de suor e de lágrimas.
Suas mãos buscaram na primeira gaveta do criado-mudo, um monte de fotos antigas. Eram fotos bobas, suas e de Lúcio, sorrindo, como há tempos já não fazia. Em momentos leves, abraçados, se beijando, brincando para o filme, para a lente. Pedaços de uma vida impressos em papel, em suas memórias. Ana viu e reviu todas as fotos. A sensação não era de tristeza, era, se tanto, de remorso. Remorso por ter sido tão feliz e não percebido. Remorso por ter tomado uma atitude impensada e trocado a felicidade que parecia tão comum e casual, a ponto de enjoar, por umas noites com a luz acesa.
Ana colocou as fotos de volta na gaveta e se levantou. Com apenas um fiapo de luz, se esgueirou pela casa até a cozinha. A luz da geladeira iluminou o breu que penetrava não só pela casa afora, mas Ana adentro. Entre folhas de alface, tomates e cenouras, uma jarra com suco de uva. Um copo, um gole.
Ana deixa o frio do líquido escorrer. Dentro sente seu calor ir embora. Ela não sabe se febre, se desconforto. O caminho para a cama é automático, passando por estantes agora vazias, entre sombras e escuridões. Caminhando passo a passo, sem ver para onde, mas com a certeza de seu destino. O quarto e sua luz fria, fria como agora Ana se sentia, se aproxima. Passo após passo, chega à cama. Ela se deita, se cobre. Fecha os olhos.
Ana se vira de um lado para o outro, se ajeita, se aconchega. Abre os olhos. O travesseiro ainda está lá. Pela primeira vez, seus braços buscam o travesseiro vizinho para descansar sua cabeça. O conforto não é o mesmo. Ela só sente estranheza, distância. Ana fecha os olhos mais um vez e, suspirando, pensa em como seria bom se o travesseiro de Lúcio trouxesse com ele um sonho feliz. Ana e Lúcio juntos, comendo peixe ao lado do rio. Ana e Lúcio juntos rindo de uma comédia boba na TV. Ana e Lúcio dividindo um sorvete. Ana enfim dorme tranqüila.
sexta-feira, dezembro 07, 2007
When I saw you looking like I never thought
And say you're at a loss or forgot that words can do more than harm
The town is gonna talk, but these people do not
See things through to the very minimal
But what's it gonna cost to be gone?
If we see you like I hoped we never would
When eyes can't look at you any other way,
Any other way, any other way
When eyes can't look at you any other way,
Any other way, any other way
So take it as a song or a lesson to learn
And sometime soon be better than you were
If you say you're gonna go, then be careful
And watch how you treat every living soul
When eyes can't look at you any other way,
Any other way, any other way
When eyes can't look at you any other way,
Any other way, any other way
Band of Horses, ladies and gentlemen
quinta-feira, dezembro 06, 2007
Bom, ainda pensando ser 6 reais, o último preço que paguei pelo diário dominical, pedi um exemplar. Na hora de ver o valor no comprovante do cartão de débito me assustei.
Mas quer saber, tem coisas que não tem mesmo preço, como diz o comercial do Mastercard.
Em primeiro lugar, o Globo de domingo vale por toda a semana.
Tem artigos escritos por Veríssimo, João Ubaldo, Ancelmo Góes, Agamenon, FHC e mais uma galera. Nada que se compare a jornais locais. Nem dá pra comparar.
Depois ainda tem a Revista, uma publicação monstra que valeria 10 pratas em qquer banca de jornal. Várias reportagens legais, mas o mais importante, uma falando dos verões cariocas e dando as dicas de A a Z para curtir o verão 2008.
Excelente. Vejo aquilo, leio aquilo e me sinto em casa. CASA.
***
Lendo o FHC, tive uma epifania.
Quando leio algo que outras pessoas escreveram, estamos, mesmo que apenas um pouco, dentro da mentalidade, da razão, do pensamento dessa outra consciência.
Podemos não concordar com o que é dito, mas saberemos exatamente o que a outra pessoa pensa e que posições ela toma para a sua vida. A não ser, é claro que ela seja uma charlatã de duplo sentido, escondendo a realidade em joguetes de palavras, estamos diante de um cérebro, de um pensamento em cima do papel.
Sei lá porque pensei nisso quando lia o nosso ex-presidente. Porque, talvez, ele tenha se dado o tempo de pensar naquilo, linha após linha, escrever e revisar (talvez) seu texto. POrque aquela produção científica (ou não) é dele, pessoa, e só dele. E no entanto, fez questão de dividir conosco, através do jornal.
Pensando assim, a literatura e a escrita são as formas mais altruistas de comunicação existente. Você escreve o que pensa e abre mão disso, se expondo e se mostrando, sem muitos véus, para quem quiser, e souber, ler-te.
***
Por isso me orgulho tanto em ler coisas publicadas por pessoas que gosto e que fazem a diferença em minha vida. Quando serei eu a ser lido? Quem sabe mais rápido do que eu mesmo penso...
E devo usar esse espaço aqui para um agradecimento formal à minha família que sempre teve como hábito levar as crianças ao cinema. Sei que muitas vezes não é lá o lugar delas, mas é tão legal poder levar uma criança ao cinema.
***
Depois, já nem tão criança, ia com minha tia ver as sessões noturnas, de preferência as últimas, com uma passada estratégica no Mcdonald´s depois do filme. Pude ver filmes europeus e independentes americanos. Pude formar meu gosto e minha personalidade a partir dessas sessões e das conversas que as seguiam. Posso dizer que devo a minha tia muito do que sou hoje e praticamente toda a minha veia intelectual surgiu da admiração que tenho por sua inteligência e experiência.
***
Proponho-me, aqui, a ser o primeiro a levar minha afilhada ao cinema. Um filme infantil, claro. Desenho animado, de preferência da Disney.
Porque essa é uma tradição que deve ser mantida. A qualquer custo.
***
E aí, viajando nas memórias afetivas, tenho uns filmes que assisti no cinema que mexem comigo até hoje, por N razões. Vou falar de alguns deles.
ET – fui com meu pai e fiquei de olhos fechados, na verdade olhando por entre os dedos, durante todo o filme. Rendeu um trauma de infância e o terrível medo de vidas extraterrestres.
Minha vida de cachorro – belíssimo filme sueco que marcou minha vida com uma cena: céu estrelado e o menino do filme pensando na Laika, a cadela enviada ao espaço pelos russos.
Leolo – Outro filme de garoto, poético, mágico.
Cães de aluguel – Como assim, um novo cineasta americano? Era SÓ a estréia de Tarantino!!!!
He-Man and The masters of Universe – Nesse fui com minha avó e ela, no fim, se empolgou e começou a gritar junto com a platéia. : )
Willow – Véspera de Ano Novo. Ou dia 30 de dezembro. Uma tarde de bobeira em Copacabana na casa da minha tia-avó, com minhas primas de Santa Catarina.
Labirinto - até hoje um dos filmes da minha infância/vida.
Todos dos Trapalhões – Férias no Rio só eram férias no Rio se tivessem filme dos Trapalhões. Ia até o escritório do meu avô e de lá pra o cinema.
Howard, The Duck – Outro filme de férias.
Warlock, o Demônio – Cinema no Lido, à noite.
Johnny Mnemonic – Ultima sessão de domingo, resolvi ir ao cinema. Tinha recém-tirado a carteira de motorista.
Forrest Gump – Depois, na época da faculdade, antes de encontrar companhia para filmes, ia toda segunda, depois da aula, ao cinema. Sozinho.
JFK – meu primeiro filme totalmente sozinho, no Rio.
O Senhor dos Anéis: A sociedade do anel – correria de Vitória para (quase) Jacaraípe, para assistir ao filme em uma pré-estréia de graça. Valeu todo o esforço.
O Senhor dos Anéis: O retorno do rei – só de lembrar de como fiquei arrepiado na primeira vez que o vi e de como foi horroroso passar pela primeira crise de síndrome do pânico na segunda vez...
Réquiem por um sonho - na mini-sala da Casa Laura Alvim, Ipanema, domingo às 18 horas.
Jogos, trapaças e dois canos fumegantes – abrindo minha temporada de um ano no Rio, de 99 a 2000. Na mini-mini-sala do Paço Imperial.
Big Fish – belíssimo filme do Tim Burton, que fez eu rever minha relação com meu pai.
O carteiro e o poeta – pelas lágrimas que levei orgulhoso para fora da sala de exibição.
Xará, como é difícil se lembrar de todos os filmes. Tenho certeza que esqueço uns tantos, bem importantes...
Mas quem disse que preciso terminar por aqui? Conforme for me lembrando prometo colocar aqui os filmes vistos NO CINEMA que ajudaram a escrever minha história.
quarta-feira, dezembro 05, 2007
ontem fui num sebo .
promoção de cds
tudo a dez reais
deixei pra trás algumas coisas como os Concrete e Digimortal do Fear Factory.
mas trouxe
Betty do Helmet
Bigger than the devil do SOD
La Sexorcisto do White Zombie
Fabulous DIsaster do Exodus (pronto, posso me livrar do K7)
e um aí do Limp Bizkit, porque Wes Borland toca pra caralho. hahahaha
Como explicar isso?
bom, hoje volto a me conectar em casa.
Largo a necessidade de ter que pagar as contas nas filas dos bancos.
Deixo de precisar esperar até às 18 para acessar o youtube aqui na agência.
Ou o orkut.
Deixo de existir na rede somente das 8 às 18 (com fuso de uma hora a menos do que Brasília)para ter todas as horas a minha disposição.
Passo, a partir de hoje, a ser mais presente no mundo virtual.
Dito isso completo:
É uma pena, mas vou sentir falta da vida.
terça-feira, dezembro 04, 2007
terei muitas chances de sucesso.
Aí começam a pipocar
coisas,
oportunidades,
idéias malucas,
chances...
E eu fico perdido. Não. Não dessa vez . Podem rir, mas não me perderei.
Está tudo lá, escrito. Devo seguir. Dessa vez, está certo.
Como dois e dois são quatro. E, por favor, matemáticos, não venham me negar.
Sei o que devo fazer. O medo, o receio, trabalham contra.
Mas meu peito está aberto. E é para ele que os dedos serão apontados
depois de corrigir meu rumo.
é o que mais tenho feito. me perdido em linhas, dissecando o amor.
Mas existe a forma de se dissecar um sentimento?
você não sabe como ele é . Você não sabe como ele cheira.
você não sabe nada, até que ele vem e aparece.
então você percebe que aquela sombra para qual você não deu a necessária atenção
era a sombra do sentimento sobre sua cabeça.
e se pergunta qual era mesmo a forma que ela tinha antes de sumir dentro de você.
E não existe memória. não existe memória.
Aí não tem jeito.
A solução é se perder em linhas, dissecando o amor.
segunda-feira, dezembro 03, 2007
sábado, dezembro 01, 2007
As horas de descanso já não são mais usadas. Em tempo, resolvi abrir mão do rejuvenecimento oferecido pelas horas escuras, e escusas, da noite.
Tenho noção da falta que me faz a razão.
Buscar a clareza necessária aos pensamentos se torna uma batalha , travada pela manhã, após as badaladas do relógio.
O café desperta os sentidos, vertido aos borbotões, em meio a bons dias e passos perdidos. O caminho, mais uma vez o caminho, é trilhado. Plugo-me ao mundo e virtualmente me encontro. Aos poucos. Esse agora sou eu.
Ainda me faltam as palavras. Ainda me falta o toque.
Desperdiço minutos feitos de ouro em minhas carências.
E anoiteço em sanidade. Estou pronto para, enfim, viver as horas que me são reservadas ao descaso. Amanhã, já não sei.
Ou sei?
Amanhecerei torpe.
sexta-feira, novembro 30, 2007
Porque só eles podem fazer uma música como essa.
The Shins - Pink Bullets
I was just bony hands as cold as a winter pole
You held a warm stone out new flowing blood to hold
Oh what a contrast you were
To the brutes in the halls
My timid young fingers held a decent animal.
Over the ramparts you tossed
The scent of your skin and some foreign flowers
Tied to a brick
Sweet as a song
The years have been short but the days were long.
Cool of a temperate breeze from dark skies to wet grass
We fell in a field it seems now a thousand summers passed
When our kite lines first crossed
We tied them into knots
And to finally fly apart
We had to cut them off.
Since then it's been a book you read in reverse
So you understand less as the pages turn
Or a movie so crass
And awkardly cast
That even I could be the star.
I don't look back as much as a rule
And all this way before murder was cool
But your memory is here and I'd like it to stay
Warm light on a winter day.
Over the ramparts you tossed
The scent of your skin and some foreign flowers
Tied to a brick
Sweet as a song
The years have been short but the days go slowly by
Two loose kites falling from the sky
Drawn to the ground and an end to flight.
E se tudo na vida se resumisse a míseras 12 horas.
Sim, 12 horas, o tempo que separa o dia da noite.
O fuso horário entre Brasil e Japão.
O tempo de ir daqui do Brasil para Inglaterra
O tempo de uma noite muito bem dormida.
O tempo entre a vida e a morte se você precisar de oxigênio, em uma nave espacial rumo a Marte.
O tempo que pode roubar um sorriso do seu rosto e, em vez disso, deixar apenas um gosto amargo.
O tempo de ver que tem coisas na vida que não são tão importantes, como se preocupar na quantidade de ãos juntos quando se escreve não, são e tão.
O tempo de se perceber em segundo ou terceiro plano.
O tempo de rever sua importância para o trabalho, para as pessoas, para você mesmo.
12 horas que podem virar sua vida de cabeça para baixo se você comprar uma passagem para outra cidade e viajar.
Se você aceitar, nesse meio tempo, uma proposta de emprego de bem longe.
Se você responder aquele e-mail esquecido no fundo de sua caixa de entrada.
Se você encontrar uma pessoa no elevador e lhe oferecer um bom-dia.
E 12 horas depois, coincidência das coincidências, uma boa-noite.
***
Os egípcios achavam que todo dia o sol morria no oeste. E que durante a noite ele percorria o mundo dos mortos até ressuscitar, 12 horas depois, no leste.
12 horas para morrer e ressuscitar novamente. Todos os dias. Várias vezes.
daqui a 12 horas nascerei de novo.
***
De 00:52 a 12:13 não chegam a passar 12 horas.
A barra de espaço agarrando vez ou outra. Já pedi para mudarem meu teclado, mas não se importam. Não preciso mesmo de teclado, para quê? Sou apenas um escritor de anúncios. Espaço quem precisa é criador. Espaço para pensar, espaço para sair do real e buscar do outro lado algo que distraia as pessoas da mensagem de compra. Pra que assim elas comprem. Espaço para sorrir e rir, ato essencial para o ato de criação.
***
Toda criação é um gozo. Nascemos disso, e toda vez que conseguimos criar algo, um pensamento, um raciocínio, um texto, um sentimento, temos prazer.
Vivemos em busca, e para, encontrar o prazer. E ele está lá. Em uma garfada de qualquer prato nunca provado, em um gole de uma nova bebida, na sensação de tocar uma outra pessoa e assim conhecer a sensação de uma pele que não a sua, na troca de informações também conhecida como bate-papo. O prazer também está em dar risadas, abraçar amigos e se sentir querido...
***
O pedido de trabalho parece querer me falar alguma coisa. Ele se apresenta, diz para quem deverá ser o texto, para que público-alvo, para quando e em qual jornal deverá ser publicado o anúncio. OK, pedido de trabalho, agora eu o reconheço. Mas, perdão. Mesmo depois de toda a sua apresentação não sou capaz de dizer muito prazer.
quinta-feira, novembro 29, 2007
- A vida é feita de saudade.
Parei para pensar e percebi que é isso mesmo.
Temos um caminho pela frente, a seguir, chamado vida.
E a cada dia que passa deixamos sensações pelo caminho, e pessoas e lugares.
Deixamos segundos vividos, nossas idades. A infância, a escola, os avós e sua magia,
a adolescência, o primeiro beijo, o abraço apaixonado da primeira namorada.
Vamos vivendo e deixando para trás dias, meses e anos de saudade.
***
(Num dia normal de melancolia e tédio pós-batida-de-ponto terminaria esse texto aí de cima nesse ponto. Mas como estou em outro clima, vamos adiante.)
***
Mas a saudade é passado. E o passado foi vivido e bem vivido, senão não deixaria saudade.
O grande pulo do gato se dá quando percebemos a importância do passado, das experiências, e sentimos saudades dele, sem nos prendermos ad infinitum ao que passou. Afinal, não dá pra ter saudades do futuro, que ainda não se fez diante de nós. Saudade, não. Mas que tal excitação? Que tal felicidade em poder contar com um futuro, com uma possibilidade? Poder escrever tudo novo, novamente.
entre ler e escrever, sempre preferi o segundo. Mesmo que por linhas tortas.
quarta-feira, novembro 28, 2007
Vamos pensar sobre a vida. refletir.
caminhos são feitos para serem trilhados.
Mas nos permitimos seguir por atalhos, sem saber por onde nos levarão.
Muitas vezes o destino final dessa caminhada, via atalhos, é tão diferente do que tínhamos proposto no início, que fica difícil voltar atrás e achar o exato ponto onde nos perdemos.
Meu caminho é como o de Alice, corrido, atrás de coelhos brancos,
fugindo de cortadores de cabeça, dividindo um sorriso com um gato que teima em dormir
na garagem do condomínio e que, se bobear, começa a aparecer dentro de minha casa.
Meu caminho é como o de Dorothy, cheio de amigos sem coração ou coragem, que são perfeitos mesmo assim, e feito com pedras douradas.
Meu caminho é como o de Forrest Gump, repleto de erros e corridas absurdas, só porque tive vontade de correr.
Esse meu caminho vai ter um fim, um dia. Mas até lá, vou tê-lo percorrido com todo o meu coração, atrás de cada pedaço de sonho que teimar em aparecer na minha frente.
terça-feira, novembro 27, 2007
segunda-feira, novembro 26, 2007
sexta-feira, novembro 09, 2007
Fáceis de achar, fáceis de gostar
We are wolves (se vc gosta de Chikinki, Death From Above)
Gallows (se vc gosta de Refused, Motorhead)
Reverend and the Makers (se vc gosta de Franz Ferdinand, Kasabian)
Dificeis de achar
Alberta Cross
The Brought Low
Fáceis de achar, dificeis de gostar
Vampire Weekend (já foi até parar no Lucio Ribeiro)
quer ouvir isso e muito mais música boa?
Dia 22/11 no Kokeshi, na Rua da Lama.
Taylor, Kalunga e Tco tocando o terror
na molecada.
quinta-feira, novembro 08, 2007
The Hives - The Black and White Album
Imagine que por alguns minutos você decide fechar os olhos e parar de enxergar. Então um amigo te chama para ouvir um disco que ele acabou de comprar. Você, de olhos ainda fechados, aceita. Ele abre a capinha, retira o cd com o maior cuidado, coloca-o no som e dá o play. Com 20 segundos de audição, seus olhos não só já estão abertos como você também está gritando e pulando de um lado para o outro, junto com o seu amigo. Sem dúvida é um disco novo do Hives.
Sejam bem-vindos, diz Tick Tick Boom, a primeira faixa a vazar na internet, e que abre o quarto disco de estúdio do quinteto sueco: The Black and White Album. Bem-vindos e preparem os terninhos de corte reto, parece dizer a música, enquanto você acompanha o mostrador digital passa do 1 para o 2. Você já pulou do 110 para o 220, acompanhando a energia que só Howlin' Pelle Almqvist, seu irmão, Nicholaus Arson e cia. conseguem imprimir em cada uma de suas músicas. Está no DNA do Hives: Rock garageiro, rápido, com muita melodia e uma baita mão para encontrar e destacar aqueles detalhes que transformam uma música comum em uma que você não consegue tirar da cabeça.
A segunda música, assim como a terceira, mantém a pegada e tiram o fôlego de qualquer ser humano normal. Aí temos um espaço para respirar, para uma troca de marchas na quarta faixa e o pé volta a pesar em cima do acelerador. Hives com tudo em “Hey Little World”, “Square One Here I Come”, “It Won't Be Long” e “Bigger Hole To Fill”. Estas duas últimas, capazes de tocar em qualquer rádio com um gosto um pouco mais refinado. Até quando fazem algo diferente, totalmente fora de sua praia, como em “T.H.E.H.I.V.E.S.” e “Giddy Up”, os caras conseguem acertar. Afinal, não podemos perdoar um erro em apenas 14 faixas e pouco mais de 45 minutos. O Hives não precisa se alongar muito para passar, bem, seu recado. E não se assustem: a taquicardia ao final da audição é normal. Um preço justo, digamos assim, por ouvir mais uma grande disco de rock
terça-feira, novembro 06, 2007
Maria era uma menina normal. Tinha seus 20 e poucos anos, como na música de Fábio Jr. E apesar da pouca idade, já havia sentido mais, muito mais, do que qualquer pessoa de sua idade. A Maria, essa que está sentada atrás da mesa, pensando na vida, já era mãe de um menino de 4 anos. Ou pelo menos seria mãe de um menino com essa idade, se aquele outro carro, dirigido por um motorista bêbado não tivesse invadido a contramão e atingido em cheio o carro de seu marido. Seria se, em vez de colocar o garoto no banco da frente para fazer uma graça com ele, seu marido o tivesse colocado, como manda o figurino, na cadeirinha. Seria se, em vez de pedir para seu marido ir buscar seu garoto na escolinha, ela própria tivesse ido.
Faz cinco meses, mais ou menos. Para Maria foi ontem. E hoje, ela não existe mais.
Em cima da mesa, está um pequeno bolo, com 4 velas acesas. Maria não tem forças nem fôlego para apagá-las. Elas se consomem rapidamente, manchando o glacê branco do bolo de coco, o preferido de Maurício, seu filho, com gotas azuis de cera de vela derretida.
Lá fora o tempo está nublado. Assim como Maria, por dentro. As velas se apagam. Morrem, ao fim. Morrem enfim. Maria se levanta e anda em direção à janela, a tempo de ver as primeiras gotas da chuva que se anunciava atingirem o chão quente da rua, um pouco movimentada, que ficava em frente ao velho prédio, onde morava. A água caia do céu com força, assim como escorria do rosto de Maria.
Um senhor, careca, tenta se proteger da chuva com o jornal. Uma mãe dá a mão para sua filha e correm para debaixo de uma marquise. Um moleque olha para cima, recebendo aquelas gotas no rosto de braços abertos, como se fossem uma dádiva divina. Talvez sejam mesmo. Poucos os que conseguem entender e enxergar a beleza nas coisas mais simples da vida. Maria pensa nisso e vê em sua mente, os dias que seu filho fazia pirraça se recusando a comer, rindo dela. Ela se lembra de Maurício comendo brigadeiro nas festinhas dos amigos, como deve ter comido horas antes, minutos antes do acidente. O sorriso dele aparece entre outras lembranças banais, daquelas que sempre deixamos passar sem dar importância, mas que no fim das contas são as que mais contam sobre nossa vida, nossa rotina. A rotina que, para Maria, praticamente deixou de existir.
A cama de Maurício ainda estava feita. Sua roupa continuava passada, guardada no armarinho dele. E assim continuariam por tanto tempo quanto Maria quisesse. O café da manhã já não era mais preparado, a mesa deixou de ser posta. A poeira acabava se acumulando nos cantos da casa. “Pra que limpar?”, pensava Maria. Se pudesse, ela colocaria a chuva que cai forte dentro de sua casa para lavar e levar tudo de lá. As lembranças, a cama arrumada de Maurício, o seu vazio, a sua saudade.
Maria se levanta e, passo após passo, chega à geladeira. Um copo se enche de água e, pesadamente, ela coloca sua cadeira de frente para a janela. Maria se senta e olha para fora. Levanta o copo e o coloca, cheio de água, em frente a sua visão. Embaçado, tudo parece ter menos efeito sobre ela. A chuva, a janela, sua casa. Com poucos goles, o copo inteiro vai corpo adentro. A visão de Maria continua embaçada. Culpa das lágrimas, provavelmente. Seu corpo pesa, sua mente divaga. Agora Maria já sente sono. Um sono bom, que parece abraçá-la, pronto para levar sua vida em direção à paz. Não há porque lutar. Maria se deita no chão, próxima à janela. Tenta encontrar, em seus últimos olhares, o bolo. Ele está em cima da mesa, aceso. As quatro velas queimam. Maurício está feliz. Todos terminam de cantar parabéns e Maurício apaga as velas. Maria faz questão de abraçar e beijar seu filho. Sentir seu cheiro. Como é bom poder reencontrar quem se ama. Se soubesse que seria bom assim, Maria com certeza teria tomado todos aqueles remédios de uma só vez muito antes. Mas a espera valeu a pena. Pelo menos para Maria que agora não precisa mais se preocupar em ter que dormir sozinha, numa casa antes sempre cheia de vida.
terça-feira, outubro 30, 2007
segunda-feira, setembro 24, 2007
Tem gente que ainda se impressiona com meus ataques de melancolia e irritação com o mundo.
hahahhah
Mas fiquem tranquilos, isso aqui é um muro das lamentações. E isso não irá mudar.
Por falar em lamentações, tem horas que vc precisa mudar tudo.
Jogar as coisas pro alto e acreditar na vida. Se apegar à única coisa que resta em você
(que é a própria vida) e usar sua energia, sua força para recuperar algo que não está perdido para sempre.
Como disse Michael Ende em seu livro "A História Sem Fim":
Sempre é apenas um momento.
E eu, salvo dos problemas, terei tempo para pensar num monte de coisas.
sexta-feira, setembro 21, 2007
de preferência, com a cabeça beeeeem vazia.
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tem certas coisas que não dá para fazer de maneira asseada.
Você tem que entrar fundo na merda, se sujar mesmo.
Dessa forma você pega nojo e pensa duas vezes antes de se cagar todo
de novo.
Que bela metáfora para a vida. Entre com os dois pés na poça...
sexta-feira, setembro 14, 2007
Hoje estava em um avião e saltei com outra pessoa. Olhava o chão lá embaixo e nada dele chegar. Foi uma sensação tão boa a de queda livre. O vento, as nuvens passando, e o chão, lá embaixo sem se aproximar nada...
A pessoa (que não sei quem era) me pede para ver o altímetro. Digo que é hora de puxar a corda, abrir o pára-quedas. Ela me diz que não, para deixar que dá tempo. De repente o chão começa a se aproximar absurdamente rápido. Puxo a corda e vejo um campo alagado, com rios e matas se aproximar muito, mas muito rápido. Não sei se deu tempo do pára-quedas diminuir a velocidade da minha queda, mas tudo ficou preto. E me lembro da sensação maravilhosa de ter pulado e não puxado a corda a tempo.
É, sonhei que caia e caí. Morri. E foi bom demais.
segunda-feira, setembro 10, 2007
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E então, como foi o feriado quando dia 08 é apenas mais um dia, sem corrida de carros, sem feriados estrategicamente colocados em uma sexta, sem shows na praia ou chance de dar um pulinho ao Rio?
Aqui, só foi.
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Não é que eu sinta falta de Vitória. Não sinto.
Sinto muito mais falta do Rio, minha cidade.
Mas, de repente, perdi minha identidade. Tudo que me fazia ser o que sou, quem sou, ficou para trás.
Fresh start, you may call.
Aí, num feriado, sozinho numa cidade estranha que você aprendeu a gostar, mas sem AMIGOS (com maiúsculas), a saudade aperta e você se pergunta como pode ficar tanto tempo em estado de espera. Sexta embarco num vôo da Tam e sábado vou em busca de quem sou, de quem fui. Vou atrás de mim, again.
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Até parecia um jogo interessante, mas se transformou num pesadelo. Perder de quatro sempre é foda.
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Sonhei que meus dentes quebravam e caíam. Odeio sonhar com isso. Dizem que tem um significado. Todo sonho tem um significado, mas se apenas alguns poucos querem realmente dizer algo, por que sonhar, então?
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Festival calango
É, rolou o festival calango aqui. Bandas interessantes, gente esquisita. Sábado foi dia de Terminal Guadalupe, Cabaret, Macaco Bong, the Melt, Móveis Coloniais de Acaju... Domingo dia de Vanguart (que todo mundo ama, mas não fui capaz de assistir a UMA só apresentação que fosse. E olha que eles tocam bastante por aqui), Montage, The Feitos, Tequila Baby, Daniel Beleza, Quarto das Cinzas...
Foi e sempre é interessante poder ver o que está sendo feito, em termos musicais no Brasil independente. Ver a movimentação das bandas, ver jornalistas, psicólogos, advogados e afins, largando seus empregos perdidos por alguns segundos de satisfação em cima de um palco, tocando rock.
Pena não ter um desses em Vitória. Quem sabe eu não volto para fazer algo que o valha?
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Será que já falei como aqui está/é seco? Vocês não sabem o que é olhar para o céu e poder encarar o sol sem ficar cego. A fumaça já tomou conta de tudo. Até dos raios solares que te cegariam. Não é nuvem que deixa o céu cinza, como em Londres. É fumaça de queimada. Essa é uma experiência que divido com vocês por aqui, porque não me sinto capaz de convidar quem quer que seja para a filial do inferno durante os meses de agosto e setembro.
Mas as chuvas estão chegando. A primeira, no fim se setembro é chamada de Chuva do Caju. A segunda é de uma outra fruta, enfim, coisas do Centro-Oeste.




